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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Star Trek Ongoing: série em quadrinhos abre caminho para novo Star Trek

SÉRIE: QUADRINHOS

por Fabok
Nunca fui muito fã de quadrinhos, mas passei a apreciá-los depois que comecei a lê-los no iPad. A interface gráfica é muito inteligente e confortável para o leitor. Como trekker acabei descobrindo a série Star Trek Ongoing, que faz a ligação entre o filme Star Trek (2009) e a sua sequência que chega aos cinemas no ano que vem.

Edição #1-Where No Man Has Gone Before
O projeto é bem interessante, onde as aventuras da série clássica de Jornada nas Estrelas são revividas agora, já no novo universo criado por J.J. Abrams. A produção é de primeira. Os traços são muito bonitos e reproduzem fielmente os personagens e cenários do filme. Além disso Ongoing conta com a participação de Roberto Orci, um dos roteiristas do reboot e da sequência como Consultor Criativo. A proposta é boa, visto que constrói o background das aventuras nos permitindo um melhor posicionamento ante os eventos do novo filme.

Estórias em arcos duplos

Explore estranhos mundos novos!
Aliste-se na Frota Estelar!
Cada aventura é dividida em duas edições. Logicamente o primeiro episódio adaptado foi "Onde Nenhum Homem Jamais Esteve". Esta é uma adaptação bem fiel ao episódio da Série Clássica, e sem muitas novidades, a não ser a personagem da doutora Elizabeth Dehner que não está presente; o Dr. McCoy já é o oficial Médico-Chefe da nave e não o Dr. Mark Piper. O personagem Gary Mitchell ganhou os traços do ator Gary Lockwood (2001, Uma Odisséia no Espaço). O roteiro ganhou um acabamento melhor, mais moderno e mais casado com a "realidade" construída ao longo da série. Uma curiosidade é que o planeta onde se passa a aventura chama-se Delta Vega. No filme de 2009, Delta Vega é onde Kirk encontra Spock Prime e Scott. E, não tem nada haver com o planeta da Série Clássica. Cuidado aí J.J.!

Acabamento primoroso
O próximo episódio escolhido foi "O Primeiro Comando", que traz duas grandes mudanças em relação ao episódio original. Uma das tripulantes da nave auxiliar é a Alferes Rand, fazendo sua primeira aparição no novo universo. E quem salva o dia é Uhura que, contra todas as ordens, rouba uma nave auxiliar, para encontrar Spock. Ponto para a personagem, mas que, por outro lado acaba por enfraquecer Spock. Um dos pontos altos do episódio original era justamente a visão pragmática do Vulcano, que resolve tomar uma decisão "desesperada" baseada na sua maneira peculiar de usar a lógica. Ainda sim, a aventura é bem interessante.

Os clássicos episódios da TV estão sendo revisitados

Belo tratamento de imagem
Em "Operação Aniquilação", os quadrinhos tomam um rumo bem diferente do que foi visto antes. Aqui Kirk encontra seu irmão George vivo e temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o passado dos dois personagens. Legal aqui é que os roteiristas trouxeram a boa química entre McCoy e Spock de volta. Outro bom momento é dado na relação entre Spock e Uhura, que se mostra bem preocupada com as atitudes um tanto quanto "ilógicas" do Vulcano desde a perda de sua mãe e do seu planeta natal. Até o momento esta foi a melhor adaptação dos episódios originais.

Já para a próxima aventura, os roteiristas resolveram contar uma trama original, diretamente ligada ao filme de 2009, "Vingança Vulcana". Novamente mostrando a, cada vez mais preocupante, falta de conhecimento da geografia de Star Trek, o episódio começa no distante Quadrante Delta, é mole? Onde um alienígena tenta negociar a venda de informações sobre a Narada, a um misterioso grupo. Enquanto isso, a Enterprise está em patrulha próxima à Zona Neutra Romulana e recebe um pedido de socorro de uma nave científica vulcana. Aqui os roteiristas foram felizes em manter o desenho das naves vulcanas como vistas na série Enterpise. Kirk encontra a nave ainda sendo atacada, mas o grupo consegue fugir, deixando para trás um tripulante que revela ser um sobrevivente da tripulação da nave de Nero. Sem muitos spoilers, a trama envolve uma missão secreta vulcana para recolher o que restou da infame "matéria vermelha" e acaba por levar a Enterprise a Romulus. O roteiro é bem interessante e cheio de reviravoltas, pena que o final fica um pouco a desejar por não ousar em transformar um importante personagem do canon de Jornada em vilão. Faltou coragem ou liberdade aos roteiristas...

Lançamento - A Vingança do Vulcano p.2
Para os próximos números teremos adaptações de "A Hora Rubra" e uma aventura inédita com os pingos intitulada de "A Verdade Sobre os Pingos". Os produtores já disseram várias vezes que alguns eventos e personagens vistos nos quadrinhos terão conexão com o próximo filme. Para o fã de Jornada vale a conferida, mas infelizmente não há previsão de lançamento no Brasil. A boa notícia é que a editora IDW, disponibiliza Ongoing pela Internet, App Store, Android e Kindle. Confira o site.



Star Trek Ongoing: 2011, EUA
História: Mike Johnson
Arte: Joe Phillips, Steve Molnar, Tim Bradstreet, Joe Corroney

Editora: IDW Publishing
Número de páginas: de 28 a 33
Preço de venda: US$1,99 - lançamentos US$3,99
Mídia: Leitor eletrônico (internet, iPad, iPhone, iPod, Kinde e pads com Android)

Idioma: inglês

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os Vingadores - The Avengers

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
The Avengers


por Fargon Jinn

Joss Whedon é o cara. Esse é o diretor. Eu nunca imaginei que um filme de super-heróis poderia ser tão bom. Ainda mais com a bagunça de vários deles juntos. Mas é excelente.

Mark Ruffalo é Bruce Banner
Desde a abertura, sem os 'tradiciochatos' quadrinhos (uma ou duas vezes vai, mas tornar isso uma marca?!) o filme já começa e arrebata a atenção do público. Mesmo que não entenda do gênero (HQ), o filme é rico em ganchos que prendem a todos e introduz àqueles que não estão familiarizados com a saga.

Leonardo da sétima arte

Now, Joss Whedon is the King of the World! Hail the King!
Os diálogos... O quê que é isso? Que espetáculo! Mr. Whedon em sua fantástica carreira de sucesso com qualidade de produção, trazendo excelentes argumentos, roteiros, tramas e dramas bem montados, sempre nos proporcionou um show de escrita de roteiros. Os diálogos deste filme são horrorosamente perfeitos. Gosto de escrever, e sei o quanto é difícil. Mas ao ver uma obra deste tipo, Joss Whedon faz parecer tudo tão fácil que, aquele que aspira a, um dia, fazer parte deste grupo de profissionais, se sente ridículo e imbecil.

Com uma mistura de dramas pessoais leves, e diálogos bem humorados, a história vai-nos sendo contada, permitindo a todos uma boa compreensão. Em nenhum momento vemos um aprofundamento nas questões pessoais de cada personagem, e nem é isso o foco do enredo. Mas mesmo assim temos uma cena (sem spoilers, por favor) em que sentimos um 'baque' impressionante por uma perda. E somos envolvidos neste drama com meia dúzias de frases dispersadas pelo primeiro ato do filme. Mas sentimos como se fosse uma facada no nosso peito.


Salas lotadas em todas as versões

Porta-aviões da S.H.I.E.L.D, show de FX
Os Vingadores – The Avengers (alguém pode me explicar o motivo deste subtítulo?!?) está recheado de acertos e praticamente nenhuma falha. Não sei, teria que assistir algumas vezes, talvez, para detectar, com um ponto de vista mais crítico, se existem falhas. Mas se o explorador vai ao cinema com o intuito primário de diversão, vai conseguir a melhor possível.

Capitão América, Viúva Negra e Gavião Arqueiro
A fotografia é primorosa, gostaria de ter visto em 3D, mas as sessões legendadas já estavam esgotadas, vou tentar ainda mais uma vez, quem sabe, então atualizo aqui. A edição é impecável, o ritmo, com exceção de momentos absolutamente necessários em que se torna mais lento, é constante, agradável, permite uma boa compreensão de tudo o que está ocorrendo e é sempre envolvente.

Isso em 3D... ai ai!
Os efeitos especiais estão maravilhosos, houve uma única cena em que eu pediria um retoque. A movimentação de câmera é agradável, variada e não busca mostrar nada de sofisticado, apenas contar a história. Os efeitos de som e a sonografia nada menos do que perfeitas. As músicas, sob a tutela do perfeccionista Alan Silvestri, estão espetaculares. E, novamente temos AC/DC com o Iron Man (e sua camiseta nerd).

A Liga da Justiça nunca terá uma chance

Hulk smash!
Exploradores, eu gostei muito do Incrível Hulk, mas este foi o melhor Hulk que eu vi. E o mais divertido, sem dúvida. O Thor, este sim é o The Might Thor dos quadrinhos, soturno, maduro, muito forte, nada parecido com aquele do primeiro filme. E o Capitão América que foi muito bom no seu filme, agora está melhor, este sim torna-se um líder e você vê a sua liderança nascer, e como ele obtém respeito de todos.

A bela Cobie Smulders é Maria Hill
A S.H.I.E.L.D. foi muito bem também. A Viúva Negra, Nick Fury, Gavião Arqueiro e a Agente Maria Hill estão todos espetaculares. Mas, embora seja uma parte importante, a Organização é coadjuvante neste enredo. Obviamente o papel principal é para os super-heróis. Neste contexto, contudo, ainda credito ao ator Clark Gregg, o agente Phil Coulson, como aquele que roubou a cena e que, aliás, sempre fez.


Nova York é a nova Tóquio

CHUUUPAAA, Michael Bay!!!
E por fim, mas não menos importante, tenho que falar da cena da batalha final. Não é spoiler, garanto. Amigos, que BATALHA, que coisa impressionante. Digno de uma sinfonia de Beethoven. Nunca vi uma regência mais precisa. As cenas são compreensíveis, verossímeis, o expectador dança, pula e chuta na cadeira, a garota ao meu lado aplaudia e dava gritinhos em todos os lances, o público gemia, parava de respirar, soltava o ar e novamente gemia em uníssono, essa cena é uma suruba cinematográfica coreografada. Imperdível.

Então é isso, amigos exploradores, se podem acreditar no que digo, estamos aqui diante de um divisor de águas em termos de filmes de personagens de quadrinhos. Ao meu ver juntando-se todos os anteriores, mesmo levando-se em conta Iron Man, o Capitão América – O Primeiro Vingador e o Incrível Hulk, somados, não chegamos a empatar com a qualidade de The Avengers.

Os Vingadores - The Avengers (The Avengers): 2012, EUA
Direção: Joss Whedon
História: Joss Whedon e Zak Penn
Roteiro: Joss Whedon
Direção musical: Alan Silvestri
Edição: Jeffrey Ford e Lisa Lassek
Elenco: Robert Downey Jr, Chris Evans, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Cobie Smulders, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow e Clark Gregg

Nossa avaliação:

Delta-Shield Diamante

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne

CRÍTICA DE CINEMA:
The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn


por Fagon Jinn

Assisti a Tintin!!! Q u e   e s p e t á c u l o !

Primeira história inspirou o primeiro filme
Conheci os quadrinhos quando criança, numa biblioteca do SENAC. Edição de luxo, capas duras, papel couchê. Fiquei alucinado. Até então só tinha visto quadrinhos em 'formatinho', Mickey, Tio Patinhas, Mônica e Cebolinha.

Li toda a série, e foi uma revelação para mim. Só a partir daí é que soube que gibi poderia ser algo mais. Então fui buscar Batman, Mandrake, Namor e o que se tornou, até hoje, o meu predileto: Fantasma...!! ...ah! ...sei lá, aquela ideia de que existem gerações de um herói perpetuando um mito por séculos, acho 'foda' demais. Prá quem não sabe, eles passam o comando de pai prá filho, procriando cavalos brancos e cães negros, indefinidamente para manter o mesmo aspecto. Escrevem tudo em diários e os arquivam numa caverna para os descendentes aprenderem com as experiências dos antepassados. Demais!!!

Mas estamos falando aqui de mais uma obra prima de Steven Spielberg, um cara que só nesta semana me pegou por duas vezes. Uma com Cavalo de Guerra. Que filme! E outra com Tintin.

Criado por Hergé, conta a história de um jovem jornalista belga, seu cachorro Milu e seus amigos, Capitão Haddock, detetives Dupond e Dupont, entre outros interessantes personagens. Eles viajam o mundo solucionando mistérios e crimes de uma forma aventuresca e emocionante. Hergé me mostrou de onde George Lucas foi buscar elementos para compor Indiana Jones.

A personagem é construída a partir do homem comum, sem poderes ou características especiais. Seu diferencial é que Tintin se importa. Além de estar sempre buscando matérias jornalísticas, ele não gosta de ver o mal prevalecer e sempre tentará desvendar e arruinar os planos malignos de qualquer mente criminosa.

Hergé em seu aniversário de 60 anos
Os quadrinhos de Hergé, assim como Asterix, Lucky Luke (Uderzo e Goscinny) e outros, fazem parte dos trabalhos de um grupo de artistas franco-belgas que divulgaram suas obras no mundo inteiro, na primeira metade do século passado, e que ajudou na transição da leitura de um sem número de crianças, indo de seus personagens infantis aos de leituras mais maduras como Sandman e 'Fracasso de Público'. Hoje em dia, Tintin e os outros gibis não me causam mais as emoções que sentia quando pré-adolescente, mas sempre que tenho acesso não perco nada do que se refere a estas histórias, muito pela nostalgia, mas muito pela qualidade, criatividade e apuro estético, do texto, da arte gráfica e do humor muito bem elaborado.

Nos anos 90, tivemos a produção de vários episódios em vídeo. Ficou muito bom, já que não foi uma versão, mas uma transposição dos quadrinhos.

Este ano Spielberg nos presenteia com este show em tecnologia, roteiro, estética e respeito à obra. Somente este diretor e Peter Jackson poderiam ter feito isto desta forma. São pessoas que, no geral, respeitam as obras originais. É uma versão, mas uma versão que atinge a todas as idades, e é fiel ao espírito da série.

Excelência técnica, observe a iluminação e a textura
A modelagem gráfica ficou acima de todas as minhas expectativas, quem me conhece sabe que não assisto a traillers, portanto a experiência me foi absolutamente surpreendente. E, sinceramente, não consigo mais imaginar até que ponto a tecnologia e a arte poderão nos conduzir. Produzido em RealD 3D, foi algo que me deixou muito satisfeito, você sabe que está vendo um desenho animado, mas é tão real que nos esquecemos disso, e as cenas acabam se tornando vivas. Se eu encontrasse Tintin ou Milu hoje, no meio da rua, não ficaria impressionado. Me pareceriam pessoas normais. Obviamente descontados os exageros, sei diferenciar um personagem de desenho de alguém vivo. Mas a profundidade, as expressões, os trejeitos, tudo te faz querer crer que são verdadeiros. É uma loucura, a mente se divide. No final, o emocional dá o veredito.

Só critico, e isso eu não sabia, que na versão para o idioma inglês, existem muitas mudanças nos nomes. Como assisti legendado, vi um Tintin com sotaque britânico. Deveria ser francês ou belga. Os nomes das personagens também são todos diferentes, isso agride um pouco. Foi feito para o mercado americano... Paciência...!!

Detetives Dupond e Dupont
Infelizmente, aqui no Brasil não teremos um sucesso grande. Pelo que vi, o publico infantil, pelo menos em Fortaleza, não tem noção de quem é Tintin. O filme está passando em apenas duas salas, e no meio de uma grade mista. Ou seja, passa apenas uma ou duas sessões do filme, e em seguida entram outros títulos na mesma sala. Uma pobreza e uma pena. Não houve uma boa divulgação e o público que mais conhece os quadrinhos são adultos, mas os horários de exibição são para o público infantil.

Recomendo este primor para quem quiser. Agradará a todas as idades, desde que tenha a sua criança interior ainda viva. Mas se não gosta de animação, então vá pelos quesitos técnicos. Não sairá decepcionado. Garanto.

As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn): EUA, 2011
Baseado: Aventures de Tintin, por Hergé – 1929
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Morrat, Edgar Wright e Joe Cornish
Produção: Peter Jackson, Steven Spielberg e Kathleen Kennedy
Elenco: Jamie Bell, Andy Serkis e Daniel Craig
Música: John Williams

Fotografia: Janusz Kamiński
Estúdio: Amblin
Distribuição: Paramount
Orçamento: US$135 milhões
Bilheteria: US$350 milhões

Nossa avaliação: 

Delta-Shield Diamante