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segunda-feira, 11 de junho de 2012

E a mecânica quântica nos trás um motor estelar

SÉRIE: CIÊNCIA

por Fargon Jinn

Exploradores, vamos falar de viagens interestelares? Ótimo!

A primeira etapa que teríamos que discutir são os meios ou os processos para tal. Como seriam?

Quero trabalhar com vocês alguns conceitos básicos, antes, para colocá-los no clima do que vou dizer em seguida, que é o real tema deste artigo.

Elaborando as motivações

Imaginem que tenhamos descoberto um planeta, em outro sistema estelar, em condições de existência de água em estado líquido, digamos, a oitenta anos-luz do Sol. Ou seja, já vemos aí a possibilidade de desenvolvermos um entreposto espacial. Muito dificilmente esse planeta nos daria possibilidades de viver nele. Muito quente, ou muito frio, atmosfera com concentrações gasosas indevidas, condições gerais hostis, risco de contaminação por doenças desconhecidas, etc.

Então por que o visitaríamos? Primeiro em busca de conhecimento. Desenvolvimento geológico, estudo da fauna e flora, mineralogia, gravitação, energia, química, fósseis, busca por inteligência extraterrestre, enfim, uma infinidade de questões de mérito científico. Além, é claro, de outras questões de méritos estratégicos. Por exemplo, para viajarmos entre as estrelas, é obrigatório um item de extrema necessidade: água.

É claro, poderemos levar tudo o que for necessário, inclusive água, mas esse é um elemento que sempre será necessário, inclusive para o nosso planeta. Por mais que se recicle, as perdas estarão presentes em qualquer situação. Além disso, se pretendemos criar uma base permanente neste novo sistema planetário, teremos que pensar em procriação. Para aumentar o número de indivíduos num sistema equilibrado teremos que, principalmente, aumentar a quantidade de água deste sistema, além de muitas outras coisas, obviamente. Um planeta com condições próximas ao nosso, ofereceria os insumos necessários.

Como se viaja entre os vazios estelares?

Desta forma já estabelecemos, até agora, as nossas motivações, “o porquê” de se viajar. Vamos então tratar do “como”.

Precisamos, com certeza, de um veículo espacial que nos permita viajar por séculos, e que mantenha as condições de existência de uma comunidade ativa. Nada de animação suspensa (criogenia, congelamento). Isso é mais fantasia do que uma possibilidade real. Essa comunidade manteria os sistemas do veículo, estudaria o espaço interestelar, trocaria experiências com a Terra e evoluiria em conjunto conosco.

Num sistema “congelado” não haveria desenvolvimento. Ao término desta viagem, teríamos uma pequena sociedade arcaica, destoante do resto da humanidade. Eles pararam no tempo por séculos. Nós evoluímos vertiginosamente. Seria como pedir a Napoleão que se adaptasse ao século XXI.

Propulsão e energia

Bom, continuando em relação ao “como”. O que propulsionaria nossa espaçonave durante esse período, quais combustíveis seriam necessários? Agora sim, chegamos ao verdadeiro motivo deste artigo.

Eu sempre acreditei, amigos exploradores, que, no futuro, os sistemas de propulsão teriam que depender de geração de energia nuclear (por decaimento ou fusão), e não poderíamos escapar disso e todas as suas implicações. Mas, recentemente, e isso é a grande novidade, a ciência deu um novo passo. Aisha Mustafa, uma adolescente egípcia de dezenove anos, estudante de física aplicada na cidade do Cairo, registrou a patente de uma nova e promissora solução para um sistema de propulsão espacial.

Mecânica quântica na parada

Aisha Mustafa, 19 anos, estudante de física aplicada
De fato, ela desenvolveu uma ideia de um “motor quântico” para vir a ser utilizado por naves espaciais de espaço profundo. O seu conceito é um equipamento capaz de gerar movimento a partir de coisa nenhuma. Parece louco, mas não é.

A partir da teoria desenvolvida pelos físicos holandeses Hendrik Casimir e Dirk Polder, mais conhecida como Efeito Casimir, ou Força Casimir-Polder, ela fez um desenvolvimento de um método que aproveitaria o chamado Differential Sail (velejar por diferencial, numa tradução livre), que é uma das várias propostas desenvolvidas pelo físico estadunidense Marc G. Millis, para a NASA.

Surfando no espaço?!

Infográfico exemplificando a Força Casimir-Polder
O Efeito Casimir é um fenômeno que funciona perfeitamente no vácuo. Duas placas colocadas paralelamente à distância de alguns micra, uma da outra, tendem a aproximarem-se. Para simplificar, entre as placas existe uma ondulação energética menor do que nas laterais externas. Esta diferença de ondulação recebe força de fora para o interior das placas, aproximando-as.

O Differencial Sail seria um processo em que produziria-se uma densidade energética menor num dos lados do sistema gerando um movimento do lado mais denso para o menos denso. Exatamente como se fosse uma vela, onde a pressão dos ventos empurra a embarcação.

Ou estaremos velejando...?

O NanoSail-D da NASA é um veleiro solar bem sucedido
Velejar no espaço não é uma ideia nova. As estrelas produzem o chamado vento solar. Este é o resultado da radiação e emissão de matéria das estrelas para o espaço.

Já no espaço interestelar isso não seria tão fácil, longe das estrelas a nave não teria tanta força para ser impulsionada. Nestas regiões entra-se no conceito quântico de Energia de Ponto Zero, ou seja, a menor energia possível em qualquer circunstância é meio quantum. Essa energia é a que gera o Efeito Casimir.

O conceito de Aisha Mustafa aproveita esta pequena energia e a transforma em movimento. Ou seja, não precisaremos de tanques de combustíveis para reatores químicos ou propulsores iônicos que demandam uso de energia elétrica.

Não é uma Brastemp

Alguns chegam a ir longe em suas suposições
Eu sei, exploradores, eu sei: Não é uma Enterprise...! Né? Mas ainda assim é o que a nossa realidade científica pode prover. Isso com certeza é o início de propostas para sistemas muito mais eficientes e velozes num futuro bem próximo.

Mais imediatamente, poderemos ter sondas de espaço profundo usufruindo de um sistema de propulsão quântica que poderão funcionar por séculos, orientadas para os sistemas mais próximos como Alfa-Centauri e outros nas vizinhanças.

Isso, no mínimo, é uma grande barreira sendo superada pela física moderna e por uma cientista tão jovem, e ainda em formação. Imaginem o que poderemos ter dentro de alguns anos... Quem viver verá!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Hubble prevê o fim da Via Láctea - Fúria de Titãs

SÉRIE: CIÊNCIA

por Fargon Jinn

Os astrônomos utilizaram as imagens geradas pelo Telescópio Espacial Hubble, e conseguem calcular o destino da Via Láctea: nossa galáxia vai se chocar com Andrômeda, e as duas se fundirão numa única nova galáxia.

Nossas galáxias poderão tomar uma forma esférica
Podemos começar a nos preocupar desde já, se quisermos, mas será meio demorado. O processo terá início em pouco menos de quatro bilhões de anos, e deverá estar completamente concluído em oito bilhões de anos. Haveria alguém para presenciar tal acontecimento? Se houvesse, teria que ser algum tipo de Highlander. Tudo é tão lento que, de fato, ninguém notaria. Só com o passar de séculos é que mudanças seriam perceptívieis, aos instrumentos e fotografias.

Qual o destino da nossa civilização?

O que podemos esperar do futuro para a humanidade? Com certeza muita coisa. Estima-se que a nossa espécie começou a evoluir há não mais de um milhão de anos. Nosso comportamento inteligente deve ter começado há pouco mais de cem mil anos. A história de nossa sociedade não tem mais de cinco mil anos. Neste pouco tempo, saímos de tribos de nômades para uma civilização capaz de entender o universo, nossa genética, o átomo, e estamos nos aventurando pelo cosmo. Acredita-se que, em não mais de um século, estaremos plenamente capacitados a estabelecer colônias espaciais autônomas e, talvez em dois séculos, teremos condições de tornarmos-nos uma civilização habitante do espaço sideral. Não mais dependeríamos de planetas, e dos humores de suas estrelas. Não sofreríamos com o clima ou terremotos.

Em até seis bilhões de anos o Sol se tornará uma gigante vermelha
E isso é bom que aconteça. Dentro do próximo bilhão de anos o Sol estará dez por cento mais quente. Isso deverá destruir o nosso clima, e a nossa ecologia. Em seis bilhões de anos o planeta deverá ser destruído com a expansão do volume solar. Então se a humanidade não aprender a viver no espaço, teremos um fim, no mínimo, dramático. Até lá ainda teremos muito com o que nos preocupar, o aquecimento do clima já é conseguência do aumento de atividade solar, quanto tempo mais nossa agricultura resiste?

"...porque eu toquei o céu, e o mundo era oco!" Star Trek: TOS (citação)
E não adianta pensar em colonizar outros mundos em outras estrelas, isso é muito mais complicado do que construir nosso próprio mundo particular. Só para construírmos veículos capazes de transportar bilhões, por muito tempo, já soluciona a questão. Deveremos viver em colônias espaciais gigantescas, que serão (ora vejam a ironia) nômades, entre as estrelas.

Extreme makeover galáctico?

Galáxia do Sombrero M104 - descoberta por Vesto M. Slipher em 1912
Mas, afinal, e o que acontecerá a estas galáxias? Basicamente nada, apenas uma reformulação visual. Se pararmos para pensar, estes fenômenos cósmicos (galáxias) são megabogagigantescos. E, para nós, parecem densas, compactas, com trilhões de estrelinhas apertadinhas, e de planetas espremidinhos nas sobras. Não poderíamos errar mais. Existe, de fato uma quantidade de matéria muito pequena, em relação à área ocupada pelas galáxias. Daria para colidirmos quatro galáxias inteiras, ao mesmo tempo, e ainda assim, o choque de dois planetas, quiçá de alguma estrela, e seria o mesmo que ganharmos na megasena sozinhos, tão vazio é o espaço interestelar.

Retrata aqui a primeira passagem, serão três até a fusão total
As probabilidades maiores seriam as trocas de sistemas estelares inteiros entre as galáxias, na primeira passagem. Vejam na animação. Com o tempo, os núcleos irão se fundir, e então teremos ali boas colisões, visto que naquelas regiões temos altas concentrações de corpos celestes. E, mesmo estas colisões, em sua grande maioria não deverão ser verdadeiros choques. Em muitos casos teremos estrelas que entrarão em órbita de buracos negros e serão lentamente absorvidas.

Os que estiverem vivos terão uma vista e tanto

Muito interessante seria estar vivo dentro de dois a três bilhões de anos e olhar para o céu e ver Andrômeda preenchendo todo o nosso firmamento, bem ao lado do nosso centro galáctico.

Uma bela paisagem celeste de para um planeta moribundo

O céu de junho

Os maias previram isso também?
Mudando de assunto: neste próximo dia 5 (junho de 2012), terça-feira, teremos uma rara oportunidade de ver um eclipse de Vênus. Na verdade, é chamado de “trânsito de Vênus”. O planeta atravessa o disco solar, num alinhamento entre Sol, Vênus e Terra. É um raro fenômeno, ocorreu em 8 de junho de 2004, e o próximo somente no século XXII.

Para não perder o costume, estamos, esta semana, num período
nublado aqui em Fortaleza  (imagem do eclipse de 2009)
Infelizmente, parece que todos as ocorrências astronômicas das últimas décadas resolvem ser atrapalhadas pelo clima. As nuvens parecem gostar de observar tais fenômenos muito mais do que nós, e resolvem sempre ficar na frente. Para isso teremos a possibilidade de ver on-line. Os principais observatórios mundiais deverão transmitir suas imagens para sites da internet no momento da ocorrência.

Mas não esqueça, proteja seus olhos, não observe
o Sol diretamente, ou sem proteção devida
Como o evento cruza a linha internacional de data, na Ásia, Europa, África e Oceania, o fenômeno será presenciado na data de 6 de junho. Para assistir pelo webcast da NASA, o explorador, no Brasil, deve clicar aqui. O evento começa às 18h45, horário de Brasília do dia 5, 2145 (GMT - Greenwith Mean Time). O feed de imagens será direta do observatório astronômico, no topo do monte Mauna Kea, no Havaí.

Exploradores, cêis são tudibão...

Caros amigos exploradores, nestes dez meses e meio, temos levantado assuntos sobre comportamento, novas tecnologias, ciências, cinema, HQ, séries de TV, literatura, fanfiction, webseries e astronáutica. Acreditamos que temos oferecido um conteúdo, interessante, diversificado, original e de fácil entendimento à qualquer nível de formação. Podemos dizer isso, ao mesmo tempo em que agradecemos, pelos trezentos acessos diários. Gostaríamos de saber o que ainda não falamos, que alguém possa sugerir. Nos escrevam, digam o que teriam vontade de ler neste nosso fanzine. Pessoalmente prometo que não será ignorado, pelo contrário, teremos grande prazer em atender. Um grande abraço e até a próxima.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Construíndo a Enterprise

SÉRIE: CRÔNICAS NERDS

por Fargon Jinn

Olá amigos exploradores. Sendo esta semana um período do ano muito especial, estou trazendo este presente ou esta pérola, dependendo dos olhos de quem vê. O que temos nas linhas a seguir é algo com o qual esbarrei nas minhas atividades exploratórias da internet. Algo que além de me encher de espanto e incredulidade, também me trouxe um pouco daquele entusiasmo infantil e inconsequente. Me fez pensar e sentir como NERD, como alguém que sonha desmedida e irresponsavelmente. E, de repente, resolve que se ninguém começar a fazer em algum ponto, ninguém nunca o fará. Então, por que não ser eu o primeiro lunático a agir? E começo a dar asas à imaginação. Sigo aquilo que alguém disse: “Toda obra prima é um por cento de inspiração e noventa e nove de transpiração!”.

Comparação entre construções e navios com a Enterprise
Então, eis que um misterioso nerd, Dan (apenas Dan), com uma idade que deve estar na casa dos cinquenta, engenheiro elétrico e de sistema, que trabalha, há trinta anos, numa poderosa empresa que explora tecnologia de ponta, senta-se na frente de seu computador e do nada cria um site que vem recebendo dezenas de milhares de visitas diariamente. buildtheenterprise.org, é sem dúvida a coisa mais impressionante que já encontrei nos últimos anos.

Um sonho, um delírio e muito trabalho

Enterprise de Star Trek (2009)
Ele acredita que poderemos construir uma Enterprise em vinte anos. Mas não uma nave qualquer. A Enterprise. Aquela, capitaneada por ninguém menos do que James Tiberius Kirk. A NCC 1701-x, Gen1. Estamos falando aqui de uma realidade? Ou é um sonho? Seria um delírio? Nenhum, nem outro. É uma proposta para o mundo. Um desafio ao estilo J. F. Kennedy.

Orçamento para vinte anos
Trata-se aqui de uma réplica estrutural na escala 1:1 da nave estelar que deveria ser construída em 2245, cujo custo é orçado em um trilhão de dólares americanos. Equivalente a cinquenta bilhões/ano. Ou seja, como se lançássemos uma centena de missões do ônibus espacial por ano, pelos próximos vinte anos.

A proposta toda está pronta. Ele gerou tudo, desde os custos de produção; organogramas; cronogramas; plantas; soluções de engenharia; métodos de construção; desenvolvimento de tecnologias; usos; missões; evolução do projeto; e, todo o programa espacial para os próximos cem anos, pelo menos. É trabalho de gente grande com imaginação de gente miúda, prolixo, proativo, fértil e desmedido.

A culpa é de Newton

A coisa toda é extremamente fantasiosa. Algumas das soluções são baseadas em conhecimentos teóricos, mas quando se faz uma projeção realista sua aplicação não ‘bate’. Por exemplo, em Star Trek, existe um gerador de gravidade. A nave de Dan tem a roda ou carrossel gravitacional, concebida para suprir a tecnologia de gravidade artificial. Este seria um cilindro giratório do tamanho da seção disco (parte dianteira da Enterprise) que produziria o equivalente a uma gravidade terrestre.


A falha desta proposta está nas três Leis de Newton. Ao iniciar-se um sistema rotatório no interior de uma espaçonave, a força aplicada ao cilindro será repartida com o restante do sistema. O cilindro gira para um lado e o restante da nave para o outro. Teríamos que compensar com jatos de manobra.

A cada vez que a Enterprise parte para uma viagem ou chega ao seu destino, o cilindro deve parar, para que se fixe todo o sistema estrutural nas alterações inerciais e, já no novo estado inercial, retomar sua rotação. Reiniciar o giro durante deslocamento, mesmo já atingida sua velocidade de cruzeiro é outra dificuldade, pois há uma séria implicação na estabilidade do sistema.

Troco três reatores nucleares por um de anti-matéria

Propulsor iônico com tanque no Electric Propulsion Laboratory em Ohio
Enquanto que no século XXIII a nossa nave teria propulsão de dobra espacial e energia de reatores matéria-antimatéria, esta seria com motores iônicos e reatores nucleares. A de Kirk viajaria entre as estrelas, a de Dan, entre os planetas e satélites do Sistema Solar.

São inúmeras diferenças, e não poderia ser de outra forma. Mas o que mais chama à atenção é a seriedade com que são levadas as propostas. São páginas e páginas esclarecendo detalhes de construção, produção, utilização e correlação a outras soluções de usufruto do espaço. Desde posto de reabastecimento para a “frota” terrestre, reparo e lançamento de satélites, limpeza de detritos orbitais, passando por laboratório espacial e centro turístico, até ferramenta de instalação de bases lunares, planetárias e cidades nas nuvens (estilo Star Wars).

Lasers no papel de Phasers
Não estou brincando. Ele planeja instalar um laser de cem megaWatts na seção frontal do disco com o fim de desintegrar o lixo espacial, fazendo as honras dos canhões phasers. O que nós poderíamos usar para substituir os torpedos fotônicos?

É prá falar a sério...?!

E os internautas estão levando à sério. O site já sofreu crash mais de uma vez por acesso excessivo.

Olha! É uma delícia. Explorei o site como se estivesse num dos muitos jogos de Star Trek. É uma experiência de realidade virtual. Você se perde no entusiasmo da imaginação. Me senti criança, novamente, assistindo a Kirk e sua tripulação, nas noites de sexta-feira, numa TV preto e branco.

Quem sabe?! Vai que realmente a massa-crítica é atingida e, num efeito turba, o projeto começa a deslanchar. Talvez não seja em vinte anos, talvez seja em sessenta, talvez mais. O importante é que tem um maluco lá fora. E ele não sabe se conter. Com a cabeça nas nuvens e os pés ainda mais altos, ele desistiu de encontrar motivos-para-não-fazer. Resolveu que os-motivos-para-fazer são melhores, e abriu a torneirinha. Essa, nem o Visconde de Sabugosa fecha. Aahh! Essa é para nerds! E... o que nerds querem... Huummm...!!!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Infinito, existe?

SÉRIE: CIÊNCIA

por Selder

Infinito por definição é uma coisa que não termina. Mas será que isso existe mesmo? Será que não seria apenas uma convenção humana para nós podermos melhor compreender o mundo que nos rodeia? Em todas as ciências, e eu disse TODAS, do conhecimento humano usam sempre um modelo para simplificar e explicar um determinado fato ou observação.

Entender o universo?!!

Quer ver alguns exemplos? A Lei da Gravidade de Isaac Newton é um modelo que explica a órbita dos planetas. Mas, aí chegou Einstein com a Teoria Geral da Relatividade para explicar o que acontece em regiões de imensas forças gravitacionais. Detalhe: (sem invalidar a Lei descoberta por Newton) mas o que as duas têm em comum? Elas não explicam tudo. Sempre falta alguma coisa. São modelos simplificados da realidade. O que falta é o objeto da busca realizada pela física contemporânea, com o uso do grande acelerador de partículas.

Uma Mente Brilhante - 2001
No filme “Uma Mente Brilhante”, a personagem de Jenniffer Connely pergunta se o universo é infinito. Russel Crowe responde que sim. Ela retruca, indagando - Baseado em que? - Ele diz que simplesmente acredita nisso. O universo é enoooooorme! Isto nem se discute. Mas, infinito? Alguns cientistas acham que nossa realidade está mais para algo como a tela do antigo jogo “Asteroid” da Atari. Lembram? (se lembram, é porque são tão velhos quanto eu) Como assim? No videogame, se a sua nave subir até a parte de cima da tela, ela reaparece em baixo. Se sair pela lateral direita, ela ressurge na lateral esquerda. Pois bem, agora pensem nisso em terceira dimensão. Coisa de doido!!!

Isso tem uma grande implicação. Como as distâncias no universo são imensas, nós poderíamos estar olhando algumas estrelas e, na verdade, estarmos vendo a nós mesmos. Não nos reconheceríamos, porém, pois só veríamos o que aconteceu há milhões de anos. Se a luz do Sol leva oito minutos para chegar aqui, imagina então percorrer o universo inteiro?

Afiando a lógica e a metafísica

G. W. Leibniz - filósofo do séc. XVII
gostava de unir a matemática à metafísica
Aqui é que precisamos entender a diferença entre um número extremamente grande e aquilo que definimos como infinito. A diferença básica é a do próprio senso comum. Ao dividir, por exemplo, o número 1 pelo número 10x10^42 (dez vezes dez elevado a quarenta e dois), o resultado vai ser semelhante ao resultado da divisão por 10x10^43. Um divisor tem apenas um zero a mais do que o outro, porém ambos são contáveis. Mesmo que seja impraticável contar de um em um até chegar a estes valores.

Agora, o mais intrigante: se o universo for realmente finito, o que teríamos depois dele? O que teria após o seu limite? Percebe que isso é uma amarra que nos incomoda, e muito? Consegue imaginar o “nada” puro e simples? Não! O conceito matemático do zero é algo compreensível. Mas, simplesmente, o nada?

Mas, aí alguém vai dizer - Ok, o universo pode ser finito, mas a criatividade humana, essa sim, é infinita. E, por isso, o infinito existe sim!

Matemática, fotografia e o universo, tudo a ver

A essa, eu respondo com o seguinte exercício matemático: hoje em dia todos nós adoramos tirar fotos com nossas câmeras digitais, com dez megapixels, doze megapixels, quatorze megapixels... Certo! Um livro como “O Senhor dos Anéis”, possui mil e trezentas páginas, e elas podem ser perfeitamente digitalizadas. Concordamos também que podemos digitalizar qualquer imagem, foto, livro, certo?

Então, vamos pegar a maior resolução de imagem existente. Prá gigantografia mesmo. Mas para facilitar nos cálculos (lembram-se dos modelos?) vamos usar uma resolução de, sei lá, doze mil por doze mil pixels. Ok?

Ora, essa resolução possui doze mil linhas e doze mil colunas. A profundidade de cor (quantidade de bits usados para determinar o canal de cor) de doze bits (padrão para cinema digital).

Cada pixel possui trinta e seis bits (no padrão RGB, doze para o red, doze para o green e doze para o blue) para determinar uma cor. Isso nos dá doze elevado à terceira potência em possibilidades de cor por pixel.

Só ai, já temos um número enorme, mas finito. Se temos doze mil vezes doze mil pixels na foto, temos doze mil elevado à segunda potência, de pixels.

E agora vem o interessante, quantas imagens podemos formar? {[(12)^3]^12000}^12000 = “um numero insanamente absurdo”, mas... FINITO.

Concluíndo, agora perto

Se conseguíssemos fazer um computador criar, pixel a pixel, através de um software, todas as imagens possíveis, lá estariam as paginas do “O Senhor dos Anéis”, as fotos das galáxias que o Hubble tirou, o jornal digitalizado de ontem, de hoje, de amanhã, as fotos de sua infância, todos os filmes já feitos, os que serão feitos, etc. Lógico, também haveriam imagens que não fariam sentido algum, bem como textos sem sentido. Mas, interessante, haveriam textos com sentido, e que ainda nem foram escritos. Simplesmente por que tudo se resume a uma construção sequencial de pixels.

Ainda não acredita? Então pegue um dado de cassino. Quantas faces ele tem? Seis. Então você sabe quais são todos os possíveis resultados, certo? Sendo assim, imagine um dado de {[(12)^3]^12000}^12000 faces, você também vai saber quais são todos os possíveis resultados.

E ai? Será que o infinito realmente existe? Ou seria apenas mais uma abstração humana para ajudar a compreender a complexidade do universo em que estamos inseridos?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Você leva tudo pro buraco da maldade...

SÉRIE: CIÊNCIA


por Fargon Jinn

Então vamos falar do tal buraco... Quem já não ouviu falar de buracos negros? Acho que até uma criança já teve contato com este termo. Mas de fato pouquíssimas pessoas sabem do que se trata.

Nossa estrela é uma formiguinha em comparação
Buracos negros são apelidos para estrelas absurdamente grandes. Tão grandes que suas massas geram campos gravitacionais colossais. Estes campos fazem com que a própria estrela fique tão comprimida que em alguns casos poderiam caber dentro de uma cidade como Aracati. E estamos falando aqui de estrelas com massas acima do equivalente a oito Sóis. Estas podem chegar a ser ainda muitas vezes maiores. Acredita-se que o buraco negro existente no centro de nossa galáxia, chamado de Sagitário A*, tenha massa equivalente a quatro milhões de vezes a do Sol. Não tentem pensar o quanto seria isso, há o risco de fundir alguns neurônios nessa tentativa.

No centro de nossa galáxia está Sagitarius A*
E então o que levou estas estrelas a terem o nome de ‘buracos’ e, ainda mais, ‘negros’? Um corpo com estes níveis de massa gera tanta gravidade que outro corpo que estivesse caindo sobre sua superfície chegaria à velocidade da luz. Obviamente, se um corpo é atraído a esta velocidade, para conseguir escapar dessa gravidade é necessário uma velocidade superior. Como a luz é o limite, nem a própria luz tem velocidade suficiente para sair desta estrela. Resultado é que não vemos a luz produzida e, portanto, para nós é um corpo negro.

Clique para ampliar a imagem
O termo ‘buraco’ tem relação com a curvatura causada no espaço. A massa de qualquer corpo gera deformações na chamada estrutura do espaço-tempo. Por isso que nada, nem mesmo a luz, se desloca em linha reta no espaço. Os campos gravitacionais curvam o espaço, maior a curvatura quanto maior for a massa. No caso de uma estrela negra a curvatura se parece com um funil longo e fino, daí o termo ‘buraco’. E nada mais justo, visto que tudo o que ali cai não retorna, como um buraco.

Telescópio do Observatório Keck na Alemanha
Daí vem a pergunta que não quer calar (nossa! que clichê!): se estas estrelas engolem tudo, luz, ondas eletromagnéticas, massa, como é que podemos saber que elas existem? Como podemos vê-las? Alguém já viu alguma?

Andrômeda em UV - utilizam-se o Hubble, o Chandra e outros, em terra,
para captar o infravermelho, ultravioleta, Raio-X e raio Gama
A resposta não é muito complicada. Ao redor de um buraco negro, logo onde começa a maior curvatura do espaço, existe um ponto chamado de horizonte de eventos. Toda matéria que está chegando a esta região sofre um estímulo muito forte, tem sua velocidade aumentada e enquanto circula ao redor emite Raio-X, luz de alta energia (ultravioleta). O bom do Raio-X e do ultravioleta é que suas ondas são tão pequenas que atravessam toda a matéria das nebulosas que por ventura estejam na região, podendo ser observadas por telescópios como o Hubble e o VLT/ESO (Very Large Telescope - European Southern Observatory) localizado ao norte do Chile, em pleno deserto do Atacama.

Via Láctea - 400 bilhões de estrelas só no núcleo
Então, ficou esclarecido? Espero que sim. Que tal falarmos agora de algumas coisas interessantes?

O buraco negro no centro de nossa galáxia está sendo objeto de uma observação muito curiosa, pois há uma nebulosa se aproximando em rota de colisão. Sua velocidade está aumentando (no momento viajando a oito milhões de quilômetros por hora), e isto permitirá aos astrônomos entenderem como todo o processo de absorção de massa ocorre nas proximidades do horizonte de eventos.

Outra curiosidade intrigante. De fato, tudo isto que está sendo observado já ocorreu. O centro da Via Láctea está a vinte seis mil anos luz de distância de nós. Portanto, o fenômeno em observação se passou há vinte seis mil anos. A humanidade vivia nas cavernas, nesta época. Mas só agora podemos presenciar estes eventos.

Não vemos a Via Láctea por estarmos nela, mas seria algo assim
Mais uma? Ok! Tudo o que se aproxima do horizonte de eventos sofre dilatação temporal. Ou seja, quanto mais perto mais lentamente o tempo passa. Em teoria, se passássemos próximos a estes lugares, num veículo potente o suficiente para não ser capturado pela gravidade, poderíamos levar uma eternidade para sair desta dilatação do tempo, e ao final, o espaço estaria muito diferente, civilizações teriam eclodido e talvez se extinguido, estrelas teriam nascido e encerrado seu ciclo de vida, a humanidade poderia ter atingido outros níveis de desenvolvimento.

Andrômeda. Toda galáxia tem um buraco negro supermassivo central?
Existem inúmeras hipóteses relativas aos buracos negros, algumas em vias de se tornarem teorias, outras de serem descartadas. Em verdade, só arranhamos a superfície deste novo universo de descobertas maravilhosas, e ainda precisaremos de muita observação e experimentos para podermos começar a realmente entender o que são e como funcionam estes corpos tão misteriosos.

Busquem leituras sobre isso na internet, exploradores, o Google e a Wikipedia têm fontes bem confiáveis e para todos os níveis de entendimento. Existem também aplicativos que são destinados ao estudo de astronomia, muita literatura impressa e em e-books. Boa sorte!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mistérios do passado

SÉRIE: CRÔNICAS INSTIGANTES

por Fargon Jinn

Eu sempre ‘curti’ mistérios arqueológicos. Gostava muito de imaginar os fantásticos desenvolvimentos tecnológicos que teriam sido desenvolvidos por civilizações como os egípcios, os maias, os astecas, toltecas, babilônicos, persas, tibetanos, druidas, enfim, todas estes povos de antiga origem, e da qual pouco ou quase nada restou, ou aquelas que ainda estão por aí, como os chineses e gregos, mas que perderam grande parte de sua história, tiveram em seus passados, níveis de tecnologia e desenvolvimento espiritual que os permitiram alçar conhecimentos que hoje estariam irremediavelmente perdidos e totalmente fora de nosso alcance.

Cyrill Hoskins se dizia ser Lobsang
Rampa, um monge com poderes mentais
Os gregos alegaram grandes conquistas bélicas no passado, como o famoso fogo grego, que hoje em dia ninguém sabe exatamente como era feito, ou o uso de espelhos para fulminar uma armada em pleno porto, intensificando a luz do sol em escudos. Os chineses e seu taoismo, do qual grande parte de suas conquistas ‘alquímicas’, médicas e parapsicológicas se perderam. Do alegado poder parapsicológico dos monges tibetanos, do qual falava Cyril Hoskins, usando o seu pseudônimo Lobsang Rampa.

Muito se escreveu sobre estes assuntos e outros pseudoarqueológicos, como os livros do italiano Peter Kolosimo e os do suíço Erich von Däniken, o primeiro um jornalista e pesquisador, e o segundo, ladrão e um diagnosticado mitômano (compulsão obsessiva por mentira).

Stonehenge um preferido entre os arqueoastronomos
Alguns dos assuntos que mais me fascinavam eram Stonehenge, a lenda de Atlântida, os continentes perdidos de Mu e Lemúria e, claro, as pirâmides.

O que escrevo a seguir não tem o intuito de ser a única verdade. É apenas a minha verdade, aquilo que entendo como correto. Se alguém tem uma opinião contrária, é livre para fazer comentários ou escrever um artigo, que publicarei sem problema. Mas como dizia...

Alice no Pais das Maravilhas, muitas referências à vida
Todas estas grandes questões enchiam a minha mente e a minha imaginação. Há muito tempo, no entanto, estes conhecimentos saíram da minha seção de Mistérios Verdadeiros e foram para a de Devaneios Infanto-juvenis. Com muita leitura e desprendimento fui entendendo que tudo não passa de uma grande conspiração para se vender milhões de livros a curiosos e crentes fervorosos, de todas as faixas etárias e sociais pelo mundo inteiro. De real só existem os livros. Na verdade descobri que J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Lewis Carroll e tantos outros autores de fantasia incluíam muito mais fatos em suas histórias, do que todos estes ‘cientistas’ detentores de conhecimentos exotéricos, colocavam de factóides em seus livros de fantasia.
Atena representa uma ciência questionadora

Recentemente resolvi dar uma olhada pela internet e ver o que se tem falado a respeito de alguns destes tópicos. E olha só que coisa interessante, amigos exploradores. Até hoje, a antropologia, a arqueologia, a história, a física e a biologia não conseguiram sequer qualquer prova ou indício de que hajam mistérios maiores por trás de todas estas lendárias teorias. Alguns podem dizer que a ciência é cega a estas proposições, por puro preconceito. Sim, já ouvi muito disso. Mas sempre lembro a estas pessoas que a ciência é cega apenas à fé. Ou seja, um cientista não pode usar fé como argumento ou ferramenta. Tudo deve ser colocado dentro do método e testado exaustivamente até que não restem dúvidas.

Big Bang a grande questão da ciência moderna
Assim como na matemática, dois e dois somados são quatro, em quaisquer condições de temperatura e pressão, todo o resto da ciência opera com estes mesmos postulados. Se algo é verdadeiro terá que o ser sempre, e resistir a todo tipo de teste e comprovação. Caso contrário jamais será aceito como ciência. Se uma proposição não pode ser comprovada, mas existem indícios, torna-se uma hipótese (hipótese do Big Bang), ao ser comprovada transforma-se em teoria (teoria da Relatividade). Aquilo que não consegue se refutar é lei (lei da ação e reação). Daquilo que só existem histórias, é fantasia ou lenda (lenda do santo graal).

Agora vamos ver algumas curiosidades?

Stonehenge, como supostamente teria sido
Stonehenge deve ter sido concluída entre 3.000 e 2.200 a.C e utilizaram-se as chamadas pedras azuis. O local mais próximo para extração destas pedras está a trezentos e sessenta quilômetros de distância, no País de Gales. Os monolitos maiores são as pedras Sarsen e o local de extração mais próximo está a cerca de quarenta quilômetros. A construção ocorreu em etapas e há indícios de que tenha sido iniciada em 8.000 a.C. Existem coincidências astronômicas, e por isso existem hipóteses de que tenha tido utilidade para o entendimento dos períodos de agricultura. Mas também há indícios de possível uso religioso. Não foram encontrados indícios de uso de magia ou tecnologia alienígena, então isso é mera fantasia.

Atlântida ainda mexe com a imaginação
Atlântida, relatada por Platão, foi fantasiosamente explicada por muita gente. Todos venderam livros e ‘documentários’ e estão bem ricos. Até hoje nunca surgiram indícios, sequer, de sua existência. E sem indícios, evidências ou comprovação tudo se torna pura especulação em cima do relato que Platão transcreveu.

Prova de Atlântida no Google Maps? Ruas com 1km de largura?
Em 2009, no entanto, o Google Maps mostrava em seus mapas uma região no fundo do mar, em que haveriam indícios de uma cidade, com ruas e quarteirões. Os ‘pesquisadores’ alegaram que aquilo estava batendo com todas as suas pesquisas e que, portanto, era a prova definitiva da existência de Atlântida. O Google foi rápido e firme em rebater os comentários, informando que tudo não passava de um glitch sensorial (um erro de leitura da análise das imagens dos satélites somadas a varreduras de sonares onde várias imagens são analisadas e utilizadas para obter-se uma foto confiável).

Imagem corrigida nas coordenadas 31 15'15.53N 24 15'30.53W.
Os crentes não ‘engoliram’ esta resposta e alegaram as conhecidas teorias das conspirações. Em fevereiro (2012) o Google fez uma revisão cartográfica e a Atlântida com quarteirões de oito quilômetros virou pequenas vilosidades submarinas iguais a muitas outras que existem. Ainda se parece com uma cidade de ruas gigantes, as larguras e comprimentos são absurdos, mas não é nada excepcional. Para os que apostam em teorias conspiratórias, porém, ela ainda está lá, apenas os dados foram falsificados.

O mundo é muito bonito, e cheio de coisas impressionantes. Mas nunca estamos satisfeitos, precisamos de mais. Harry Potter é um sucesso estrondoso por que nos fala de outro mundo que existe ao nosso lado, com maravilhas a serem descobertas. Mesmo sendo uma fantasia, nos faz querer que sejam reais. Receio que seja por isso que as pessoas acreditam com mais força em atlântidas e no poder das pirâmides do que no pouso da missão Apollo XI na Lua.

Por hoje é só, exploradores...