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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nova Série de Terror: The River

SÉRIES DE TV

por Helder Maia

Imagino o Spielberg passando por seu amigo J.J. Abrams pelo corredor de algum canal de TV, ambos carregando suas pastas cheias de grana, e trocando um aceno cúmplice de cabeça. Afinal, recentemente Spielberg também tem associado seu nome a projetos fracos: o ruim seriado Terra Nova (com seus efeitos especiais de quinta categoria) e o muito mal falado Falling Skies (que não senti vontade de ver depois de tanta “cacetada” que a série levou).

The River nos apresenta ao mistério do desaparecimento de Emmet Cole, ambientalista e apresentador de um programa sobre natureza que faz sucesso na TV há anos. Ele, juntamente com sua equipe, foi avistado pela última vez no rio Amazonas, a bordo de seu barco Magus. Então, sua esposa decide continuar a busca por ele após a desistência das autoridades. Mas para financiar esta expedição o canal que exibia o programa de Cole exige que tudo seja filmado. Temos assim um seriado no estilo Bruxa de Blair, com a ação sendo capturada por várias câmeras.

A série até que se esforça, mas o seu maior problema é não conseguir estabelecer a suspensão da descrença no expectador: os mitos e lendas sobrenaturais (alguns baseados em lendas do nosso folclore) explorados pelos roteiristas não conseguem convencer e fazer o expectador entrar no clima de suspense e tensão pretendidos.

Some-se a isso atores fracos, sem nenhuma química entre eles, assim como uma trilha sonora irritante e temos apenas um seriado de mediano a fraco. O único ator que brilha na série é o carismático Bruce Greenwood (o capitão Pike de Star Trek) interpretando Emmet Cole, mas sua participação, em flashbacks ou gravações de vídeo, é muita pequena para manter o interesse no seriado.

Bruce Greenwood como Dr. Emmet Cole
Uma pena, pois séries de terror são raras na TV e eu estava torcendo por um bom programa. Vale citar a participação de Glen Morgan (Arquivo X, Millennium) como co-produtor executivo.

Devido à baixa audiência, o seriado pode vir a ser cancelado, tendo sido produzidos apenas oito episódios em sua primeira temporada. No entanto, existe a possibilidade de que o Netflix, serviço de vídeo sob demanda, assuma a série.

Confesso que, como fã de seriados, estou preocupado. Se a TV americana teve um salto em qualidade a partir dos anos noventa (boa parte graças a Arquivo X) me parece que estamos vivendo uma nova fase de declínio. Uma pena.

sexta-feira, 30 de março de 2012

As Refilmagens de A Hora do Espanto e O Enigma de Outro Mundo (A Coisa)


RESENHA DE CINEMA
Frigth Nigth e The Thing


por Helder Maia

Acho absurda esta atual enxurrada de refilmagens no cinema americano. Isto não quer dizer, no entanto, que o problema seja refazer algo. Se olharmos para o passado, quando o número de refilmagens não era tão grande, temos exemplos de bons filmes inspirados em outras obras, como Cabo do Medo (1991), que foi inspirado em O Círculo do Medo (1961), e O Enigma de Outro Mundo, realizado por John Carpenter em 1982, e que é uma reimaginação de O Monstro do Ártico (1951).

Então, a princípio, o problema não é refilmar algo do passado, atualizando-o para as plateias de hoje, mas sim fazê-lo com qualidade. E é justamente aí que Hollywood tem falhado. Refilmagens ruins e chatas vêm se acumulando nestes últimos anos.

Falarei aqui de duas das mais recentes.


A Hora do Espanto


Vivi boa parte de minha adolescência nos anos 80 dentro de salas de cinema assistindo a clássicos como O Exterminador do Futuro (1984) e Robocop - O Policial do Futuro (1987). A Hora do Espanto é simplesmente um filme que amo de coração. Então, fiquei muito apreensivo ao ouvir a notícia de que ele seria refilmado. Afinal, como alguém poderia melhorar algo que já era perfeito? E ainda mais, com a sucessão de péssimas refilmagens dos últimos tempos, o prognóstico parecia indicar mais um desastre se aproximando.

Collin Farrel como Jerry Danridge
Mas o fato é que o filme me surpreendeu. O seu mérito é o de não apenas pegar o conceito original e formatá-lo num pacote visual contemporâneo, já que o público geralmente é preconceituoso e não gosta de assistir filmes com visual datado (figurinos e carros). Não, o filme tem uma “pegada” própria. Se o original era um misto de Terror e Comédia (o gênero Terrir, muito difundido nos anos 80), aqui o filme é totalmente de Terror.

Fera acuada
Outra coisa, o vampiro do primeiro filme era um cara bonito e charmoso, com um comportamento bem normal até mostrar suas presas. O Jerry Danridge do novo filme, interpretado por Colin Farrell, age mais como um animal, ficando inquieto quando confrontado. Outra mudança foi no personagem de Peter Vincent (outrora interpretado pelo saudoso Roddy McDowall), que passou de um ator de filmes de terror para um mágico. Ao saber desta mudança pela net fiquei indignado na época, mas o personagem cumpre seu papel de alívio cômico, e afinal, se pensarmos bem, se for para refilmar um filme frame-a-frame do original (O Gus Van Sant fez isso com seu Psicose de 1998 e saiu aquela bomba), ao invés de reimaginar, de que adianta o esforço?

Peter Vincent modernizado pegou muito bem
Gostei também do fato do “mocinho” não enfrentar o vampiro totalmente despreparado, o que é comum de acontecer nos filmes. Se pensarmos bem, é meio absurdo o sujeito ir enfrentar uma criatura toda-poderosa vestido apenas com roupas comuns.

Charley Brewster
No geral um bom filme, que não faz vergonha ao original, segundo seu próprio caminho.

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata





 

O Enigma de Outro Mundo (A Coisa)


Aqui se trata mais de um prelúdio do que propriamente de uma refilmagem, embora o filme tenha muitos elementos de semelhança com o original.

Após cientistas noruegueses descobrirem uma nave alienígena enterrada sob o gelo na Antártida, convocam a paleontologista Kate Lloyd (Mary Elizabeth Winstead), para ajudar. Lá, ela ajuda a desenterrar do gelo um ser alienígena aparentemente morto, mas que passa a ameaçar todos na base de ciências, enquanto uma tempestade os deixa isolados do resto do mundo.

Mary Elizabeth Winstead como a cientasta americana
O interessante aqui é que o filme busca também um caminho próprio: se o primeiro era um filme de paranóia sobre um grupo de cientistas, isolados em uma estação científica na Antártida, e submetidos a uma criatura que pode assumir a forma de quem desejar, neste prelúdio a proposta é trazer mais adrenalina e terror para a trama, com o monstro atacando os cientistas. Embora isso não seja muito coerente, afinal bastaria que a criatura se camuflasse como um dos membros da estação para escapar para a civilização na primeira oportunidade.

Atuação fraca e desinteressante
Outro problema: é a forçada entrada de personagens americanos no filme, uma decisão mercadológica dos produtores, já que o público americano dificilmente iria assistir a um filme protagonizado por noruegueses e falado em seu idioma, como o filme logicamente deveria ter sido feito. Afinal, os noruegueses não poderiam chamar um paleontologista de seu próprio país?

Outro ponto baixo é que Mary Elizabeth Winstead simplesmente não convence como heroína de ação, apesar de ser um rosto agradável de se olhar, ela é muito inexpressiva. O final, embora forçado, faz uma louvável conexão com o filme de 82: ele termina onde o outro começa, com o helicóptero perseguindo o cachorro na neve.

Devido à baixa bilheteria do filme nos EUA, ele acabou não sendo lançado nos cinemas no Brasil. E que, pelo que apurei, ainda sequer saiu em DVD ou Bluray. Outro detalhe curioso é que resolveram chamar o filme de A Coisa, em uma atitude incoerente, afinal se trata de um remake de um filme conhecido.

Ao final, um filme mediano que agrada se o expectador não parar para pensar demais na trama.

Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Legado Valdemar


RESENHA DE CINEMA
La Herencia Valdemar


por Helder Maia

Sempre fui fã do cinema fantástico espanhol. Atualmente, a Espanha é expoente no gênero, enquanto o cinema americano se perde em refilmagens sem graça. Temos vários exemplares do gênero produzidos por lá, como a cineserie REC, O Orfanato, Os Olhos de Júlia e a série de TV Películas Para No Dormir.

Em O Legado Valdemar, uma especialista em casas antigas é enviada à Mansão Valdemar, uma construção vitoriana, para avaliar seu estado, já que o outro avaliador previamente enviado sumiu sem deixar explicações. Mas como ela também acaba desaparecendo misteriosamente, é contratado o detetive Nicolás Tremel para desvendar este mistério. Enquanto viaja de trem com a Presidente da Fundação Valdemar, lhe é revelado o estranho e sombrio passado da Mansão.

Silvia Abascal como a especialista em casas antigas, Luisa Llorente
Apesar de ter bastante clima de suspense e atmosfera de terror, o filme dá uma guinada para o drama sobrenatural no grande flashback que conta a história de Valdemar e sua esposa, os quais dirigem uma casa que abriga crianças para adoção. Mesmo chegando às vezes perto do clima de um dramalhão mexicano, é um segmento bem interessante que não destoa do filme. É nesta parte que vemos Valdemar se envolver com o sobrenatural sob a influência do mago Aleister Crowley. Além de Crowley, outras figuras históricas aparecem no filme, como o escritor Bram Stoker e a assassina Lizzie Borden.

Daniele Liotti é Lázaro Valdemar
Para a surpresa do expectador, a história não se conclui ao final do filme, deixando um gosto de quero mais e várias pontas a resolver. A história de “O Legado Valdemar” é dividida em dois filmes, lançados com um ano de intervalo, o primeiro em 2010 e o segundo em 2011. Uma atitude arriscada, algo parecido com o que George Lucas fez no Episódio 4 de Guerra nas Estrelas.

Mansão Valdemar
Imagino como devem ter se sentido os espectadores espanhóis, já que tiveram que esperar tanto tempo para ver a conclusão chegar aos cinemas. Quanto a mim, uma semana já foi uma tortura.

Talvez tenha sido por tanta expectativa que acabei não gostando da continuação. Ou talvez por ela tomar um caminho diferente: se o primeiro filme era um drama sobrenatural, o segundo está mais para uma trama policial e de conspiração. Em minha opinião, as histórias dos dois filmes não casam bem.

O Legado Valdemar é claramente inspirado na obra do escritor de terror H P Lovecraft e no "Mitos de Cthulhu". O próprio escritor aparece como personagem no segundo filme, onde é citado o livro Necronomicon.

Então, caro explorador, não perca a chance de ver mais estes exemplares do cinema fantástico espanhol e tire suas próprias conclusões.

O Legado Valdemar (La herencia Valdemar): 2010, Espanha
Direção e Roteiro: José Luis Alemán
Elenco: Daniele Liotti, Óscar Jaenada e Laia Marull


O Legado Valdemar II - A Sombra Proibida (La Herencia Valdemar II - La Sombra Prohibida): 2010, Espanha
Direção e Roteiro: José Luis Alemán
Elenco: Silvia Abascal, Óscar Jaenada e Daniele Liotti

Nossa avaliação:
Filme 1:
Delta-Shield Prata




 Filme 2:
Delta-Shield Bronze

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

As Aventuras do Caça-Feitiço


LITERATURA


por Fargon Jinn

Joseph Delaney
Joseph Delaney (Joseph Henry Delaney) é um autor britânico que tornou-se conhecido por uma saga juvenil chamada The Wardstone Chronicles, para a qual já foram escritas quinze obras (no Brasil apenas as cinco primeiras foram traduzidas, até o momento).

Tendo iniciado a vida profissional como aprendiz de engenharia, Delaney logo mudou de carreira tornando-se professor de literatura inglesa, especializando-se no estudo de folclores vampirescos.

Sob o pseudônimo de J. K. Haderack lançou o seu primeiro livro, de ficção científica, mas não conquistou o público. Somente com o sucesso da série de histórias do sobrenatural, e já usando seu verdadeiro nome, é que Joseph Delaney aposentou-se da carreira no magistério para dedicar-se aos seus livros.

Delaney conta as aventuras de seu personagem principal, Thomas J. Ward, um adolescente, sétimo filho de um sétimo filho, que é entregue pelos pais aos cuidados de um Caça-Feitiço, como seu aprendiz, numa região da Inglaterra, num período não muito claro, mas que aparenta ser pelo final da era medieval. Ali ocorrem fenômenos ligados ao ocultismo, magia negra, seres fantásticos, fantasmas e a constante disputa da igreja católica contra as crendices mundanas.

Livro I - O Aprendiz
Tom Ward segue em seu aprendizado, lutando contra fenômenos das trevas. Ao mesmo tempo sofre nas mãos de seu mestre, da rejeição popular à profissão que abraçou, das saudades da família, do medo do desconhecido e seus perigos. Neste meio-tempo a personagem se descobre e aos sentimentos relacionados ao amor, por uma jovem bruxa que se torna sua grande companheira de aventuras. Tudo isso dentro de um clima obscuro, depressivo e de poucos amigos.

A cada história, Tom está mais maduro, mais experiente e mais conhecedor do seu novo mundo, enquanto que, aparentemente, mais inseguro e falível. Isso, em muitos casos, frustra o leitor, já que existe sempre uma expectativa de que, com o amadurecimento e o aprendizado, o herói passe a ser cada vez mais herói e menos vítima.

Livro II - A Maldição
As demais personagens, por outro lado, evoluem coerentemente com as nossas expectativas, deixando-nos ainda mais confusos sobre estar o problema na interpretação que damos a cada um, ou se é o autor que não se decidiu qual é a melhor forma de tratar o seu herói.

Os vilões são outro exemplo desta falta de uma definição mais profunda. Algumas vezes vemos um ser aparentemente comum causar terrores e dificuldades extremas, noutras um ser que aparenta ser o próprio Lúcifer fica bloqueado por coisas banais.

Livro III - O Segredo
Embora os livros sejam de fácil leitura, com uma narrativa dinâmica e envolvente, muito fica a desejar por uma falta de profundidade no desenvolvimento e apresentação das personagens e do ambiente histórico, geográfico e sócio-econômico.

A proposta de Delaney é algo oposto a Tolkien, enquanto este último estava no extremo do descritivo em termos de detalhamento do ambiente e da sociedade, gerando uma narrativa mais lenta e algumas vezes até cansativa; Delaney, por sua vez, está no lado oposto criando livros curtos onde o tratamento é dado quase absolutamente para o desenvolvimento da trama sem dar riqueza ao cenário geral.

Livro IV - A Batalha
Para o seu público-alvo (infanto-juvenil ou jovens adultos) isso é um atrativo, mas para um leitor mais exigente este modelo fracassa quase totalmente.

O fato é que, embora no exterior haja um bom mercado para esse tipo de literatura, o grande público deixou esta série passar meio que despercebida. Não figura em nenhuma lista dos mais vendidos e tanto a série como seu autor podem ser classificados dentro do “ilustre desconhecido”.

Livro V - O Erro
Joseph Delaney pode ser considerado um bom contador de histórias, sabe criar bons enredos, que narra com desenvoltura e prende a atenção do leitor, fazendo com que sempre aguardemos ansiosos pela chegada do próximo volume. E isso, já é algo a ser considerado. Sei como é difícil criar uma história que seja atrativa a cada capítulo, mantendo um passo correto para a introdução, desenvolvimento e conclusão, sem ser exíguo ou prolixo.

Enfim, se o explorador está interessado numa leitura agradável, divertida e envolvente, considere esta saga como uma ótima opção, e que nos faz esquecer, por algum tempo, que estamos órfãos de Harry Potter.

Sam Claflin (Tom Ward) e Alicia Vikander (Alice Deane)
Acrescento ainda que os estúdios Warner adquiriram os direitos da série e está produzindo um filme, The Seventh Son, para 2013. Isto pode ser bem o pulo do gato que faltava para a série decolar, ou pode ser outro fracasso como foi A Bússola de Ouro (2007) ou Percy Jackson e a saga dos olimpianos (2010).

É uma leitura que recomendo por ser divertida e envolvente. Mas lembrem-se, assim como o autor alerta na contracapa "CUIDADO: Não deve ser lido à noite!   ;)

As Aventuras do Caça-Feitiço (The Wardstone Chronicles): 2006, Grã-Bretanha
Autor: Joseph Delaney
Tradução: Ana Rezende
Editora: Bertrand Brasil
Lançamento: Random House Children's Book

Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os filmes que vi recentemente

por Helder Maia


Período de férias é também para colocar a cinefília em dia. Seguem abaixo alguns dos filmes que vi estes dias.


A Lonely Place to Die (Reino Unido - 2011)


Melissa George estrela este suspense onde um grupo de amigos alpinistas parte para as montanhas em mais uma aventura. O que eles não esperavam era encontrar enterrada na mata uma garota sequestrada. A partir daí eles serão perseguidos pelos sequestradores.

Tentativa no gênero suspense, o filme apresenta um roteiro mal estruturado, que falha em costurar bem a trama, gerando um filme arrastado, apesar de ter apenas noventa e nove minutos. Destaque para as belas cenas nas montanhas. 

Delta-Shield Bronze



 

The Ruins (EUA, Alemanha, Austrália - 2008)

 

Este foi um desperdício de tempo absurdo. Um filme de terror que demora cinquenta minutos para trazer qualquer cena de terror, é um fracasso para mim. Só aguentei até tanto (o normal é desistir após meia hora, se um filme não estiver bom) porque esperava uma cena de sacanagem entre uma garota magrinha e bonitinha e um dos outros personagens masculinos, mas quando vi que não ia rolar desisti. Fuja deste.



Delta-Shield Ferrugem





I Saw the Devill (Akmareul boatda – Coréia do Sul - 2010)


Bom filme de vingança coreano. A vida do agente secreto Kim Soo-hyeon é destruída quando sua noiva é morta por um sádico criminoso sexual serial. Então ele resolve fazer de sua vingança a mais brutal possível, seguindo o criminoso e agredindo-o várias vezes, mas sem nunca matá-lo.

Produção caprichada e bela fotografia mostram como os filmes coreanos são de alto nível. Só achei o filme muito longo, mas assisti à versão coreana, existe uma internacional mais curta e com um pouco mais de sangue. 

Delta-Shield Prata


 

 

Butch Cassidy (EUA - 1969)


Como nunca tinha visto este famoso faroeste, resolvi conferir. O filme é bom, com ótimas interpretações de Robert Redford e Paul Newman como a lendária dupla de assaltantes a banco Butch Cassidy e Sundance Kid. A direção de fotografia é soberba e a trilha sonora traz a clássica canção Raindrops Keep Fallin' on My Head.

No entanto, não sou fã de filmes que trazem uma visão ingênua e idolátrica de criminosos. Bandido boa-praça só mesmo no cinema. Sou muito mais os personagens amorais do clássico faroeste spaghetti 'Três Homens em Conflito' (1966).
Delta-Shield Prata

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Splice

CRÍTICA DE CINEMA: Splice - A Nova Espécie

por Fargon Jinn

Splice significa a atividade de unir fios, atar cabos, fundir correntes. No nosso caso falamos de fusão de cadeias de ADN (ácido desoxirribonucleico), ou o hoje famoso DNA, que é um anglicismo.

Mais uma vez Vincenzo Natali (O Cubo, 1997 – diretor e roteirista) dá uma tacada de mestre do scifi (gosto mesmo dos filmes deste cara). E neste, ele busca, dentro de uma visão científica concreta, mostrar-nos alguns dos muitos perigos da manipulação genética.

O desenvolvimento de novas espécies não é uma ficção, é uma realidade há algumas décadas. A ciência vem trabalhando com híbridos de plantas, bactérias e até mesmo alguns pequenos animais. Mas híbridos podem ser considerados como novas espécies? Sim, podem. Se mulas e burros fossem férteis, e pudessem cruzar entre eles, teríamos o surgimento de uma nova espécie.

Melancias, abacaxis e milho são
espécies desenvolvidas pelo homem
O alerta de Splice está no exemplo mostrado quando as duas únicas criaturas de um experimento apresentam um comportamento inesperado, logo no início do filme. Isto demonstra que para se gerar novas espécies em laboratório, devemos ser capazes de garantir segurança perfeita. Mas hoje em dia, quem quiser investir em padrões de segurança para suas experiências está, no geral, mais preocupado em proteger, de espionagem, suas pesquisas do que com os riscos de contaminação do meio ambiente.

Outro alerta está na questão da geração de híbridos com ADN humano. Não existem leis contra tal prática. Por isso podemos estar prestes a ver uma geração X surgir de uma hora para outra. Algo como animais com inteligência aumentada por miscigenação com o nosso ADN. Se algo assim acabar solto na natureza é impredizível quais consequências advirão.

Houveram alguns exageros que diminuem a classificação de scifi hard, mas nada que desabone o filme. Sempre precisamos ter algum impacto, e o exagero é uma saída relativamente fácil.

O desenvolvimento da trama é lenta e algumas vezes se arrasta, mas é inevitável, este é um filme feito para que o espectador pondere, analise, e vá junto com o roteiro decidindo se aquilo que está sendo mostrado é ético ou não. É um filme para se assistir e discutir com os amigos e familiares. Queremos ver o sucesso das experiências levadas a cabo pelos protagonistas, mas ao mesmo tempo temos que decidir até onde “o fazer por que podemos” é aceitável.

A ciência cresce com os riscos, mas muitos deles não devem ser levados às suas últimas consequências. O processo de desenvolvimento científico na nossa realidade atual, transformou-se numa disputa de velocidade. Estamos muito preocupados em lançar algo antes dos concorrentes.

Afinal, a Apple estabeleceu-se como um exemplo disso. Os demais estão correndo atrás do atraso. Nesta disputa não se parou para avaliar o impacto destas rápidas mudanças tecnológicas no dia-a-dia das pessoas, nos mercados financeiros, nos parques industriais, nos mecanismos de empregos e geração de renda, ou sequer nos técnicos e cientistas que trabalham no desenvolvimento destas conquistas do design e da física.

Voltando ao filme, temos o trabalho sempre impecável do 'oscarizado' Adrien Brody (O Pianista, 2002 – A Vila, 2004), mas neste faltou o seu 'brilho' especial (foi meio frustrante). A menos conhecida Sarah Polley teve uma presença mais marcante.

  A direção de Vincenzo Natali não surpreende, é um diretor que se atém mais à história do que aos quesitos técnicos. Mas pode-se notar sua evolução. Este filme, com certeza, mostra a melhor fotografia e edição de seus trabalhos. Os efeitos são impecáveis. E para um orçamento de US$30 milhões, faz 'A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1' que custou US$110 milhões, juntamente com seus ridículos lobos em CGI ficar ainda mais ridículo.


O filme não é um 'pipocão', e portanto não é para diversão pura. É para análise, fomentar discussões, buscar entendimento de algo que aparentemente é fantasia para a maioria da população, mas que algum dia teremos que parar e fazer nosso debate. Quem for alugar este filme, não deve esperar um thriller, é uma ficção-científica hard, meio chatinha, com uma ponta de terror. Mas extremamente bem produzida e conduzida. Vale à pena.

Splice - A Nova Espécie (Splice): 2009, (França, Canadá)
Direção: Vincenzo Natali
História: Vincezo Natali e Antoinette Terry Bryant
Roteiro: Vincenzo Natali, Antoinette Terry Bryant e Doug Taylor
Elenco: Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chanéac

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata