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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Trilogia da Totalidade

por Fabok

Finalizando aqui, a nossa série de artigos sobre as três trilogias, discutiremos aqui a Trilogia da Totalidade, como ficou conhecida este último grupo de livros.


Em Captain's Peril, Kirk e Picard vão desfrutar merecidas férias em Bajor, logo após o final da Guerra Dominion. Eles se juntam a um grupo de cientistas que estão estudando as ruínas de uma antiga cidade bajoriana submersa quando membros da equipe são mortos e seus equipamentos sabotados cortando todo o contato com o mundo exterior. Com uma premissa a là Agatha Christie, os dois capitães devem utilizar toda sua experiência para solucionar o mistério. É aqui que Kirk se lembra de uma situação vivida logo após assumir o comando da Enterprise, e que tem um paralelo com os eventos que eles estão enfrentando em Bajor. E esta é, com certeza, a melhor parte do livro. O leitor deve ficar atento aos acontecimentos vividos por Kirk ainda como um inexperiente capitão, pois eles têm ligação direta com a nova ameaça que se aproxima. Ameaça que só fica clara no último capítulo.


Em Captain's Blood, o Império Romulano encontra-se em crise por causa do fracassado golpe de Shinzon. Spock volta a Romulus para mais uma vez trabalhar na unificação entre romulanos e vulcanos, apenas para ser morto numa audiência pública. A Frota Estelar e a Federação estão de mãos atadas já que Spock agira por conta própria. Com a Enterprise em reparos por causa do ataque final de Shinzon, Kirk consegue a ajuda do Capitão Riker da USS Titan, e junto de seus velhos e novos amigos, inclusive seu filho Joseph partem para o coração do Império Romulano.


A aventura se passa após os eventos de Nemesis (2002) e trabalha muito bem com os acontecimentos mostrados naquele filme. Kirk e Picard acabam por descobrir, em Remus, que a verdade sobre a morte de Spock esconde uma ameaça muito maior, a Totalidade. Uma entidade de outra dimensão, com enorme poder e, que simplesmente, quer acabar com a vida como conhecemos por todo o universo.

Mas o que é a Totalidade? E por que a enviada deles, Norinda, que Kirk encontrara pela primeira vez ainda como capitão da Enterprise, tem um interesse especial em seu filho? Estas são as grandes questões que acompanham o leitor durante este épico.

Capitan's Glory é o final desta saga. A Totalidade prepara seu assalto final. De uma hora para outra, naves por todo o quadrante são destruídas ou danificadas simplesmente ao entrarem em velocidade de dobra. Distâncias que podiam ser percorridas em semanas, agora podem demorar séculos isolando planetas, naves e estações espaciais. A Federação novamente se encontra à beira do caos.

Apesar da ameaça, Kirk e Picard estão em lados opostos em como enfrentar a Totalidade cabendo a Riker e Troi serem a ponte entre os dois. Qual o preço que Kirk pagará para tentar salvar a Galáxia? Será ele absorvido pela Totalidade? Num final emocionante, encerra-se a saga de James T. Kirk no século XXIV.

Collision Course:
A última parceria de Shatner e o casal Reeves-Steves, traz Kirk de volta a seus dias na Academia da Frota Estelar. Aqui vemos o primeiro encontro de Kirk e Spock ainda na academia. Infelizmente o livro não agradou. Talvez por ter sido lançado muito próximo a Star Trek de J.J. Abrams e com uma temática muito parecida. O livro apresenta alguns dos mesmos problemas do filme de 2009 que incomodaram os trekkers, mudanças na cronologia e no canon. O que era para ser uma nova trilogia, aparentemente ficou restrito a uma só obra.



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Não podemos ainda comentar Collision Course. Está na fila de leitura, e faremos o review assim que o lermos. De qualquer maneira, o fã de Jornada que conhece um pouco de inglês não pode deixar de conferir os livros do Shatnerverse. O trabalho de Shatner e do casal Reeves-Steves é sem dúvida alguma o que há de melhor na extensa carreira literária de Jornada nas Estrelas. Colocando-os na categoria de “livros que tenho que ler, obrigatoriamente”.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Trilogia do Universo Espelho

por Fabok

A nova empreitada de Shatner levou os leitores a revisitar o 'universo espelho', muito querido pelos fãs. Spectre já começa com Picard encontrando, num distante canto do quadrante, a perdida USS Voyager, sob o comando de Tom Paris, mas alguma coisa não parece certa. Enquanto isso, de volta à Terra pela primeira vez depois do incidente da Enterprise B em Generations, Kirk é sequestrado por uma misteriosa mulher sob as ordens de Spock (aquele que apareceu no episódio "O Espelho").

Através dele, Kirk descobre que suas ações, mais de cem anos antes, tiveram consequências devastadoras naquele universo (vide os episódios do 'universo espelho' em Deep Space 9). Pior ainda, seu próprio universo encontra-se ameaçado pelo implacável Tiberius, um homem cruel e vingativo que não vai parar enquanto não tiver os dois universos sob seu controle.

O livro traz velhos os velhos e queridos personagens da série clássica McCoy e Scotty trabalhando lado a lado com personagens de A Nova Geração e Voyager. E pra quem gosta de batalhas espaciais... sem spoilers, a mostrada aqui em Spectre é de tirar o fôlego.

Para aqueles que forem ler este livro, seria interessante checar os episódios do 'universo espelho', tanto da 'Clássica' quanto DS9.

Em Dark Victory, o próximo livro da série, a ameaça de Tiberius cresce. Kirk acaba por descobrir uma organização secreta operando dentro da Frota Estelar chamada de Project Sign, que tem por missão defender a Federação de toda e qualquer ameaça externa. Sua origem data da missão original de cinco anos de Kirk. Alarmados com a enorme quantidade de ameaças que a Enterprise NCC 1701 encontrou em sua missão, e dotados dos recursos mais modernos, esta organização vem, secretamente, ajudando os rebeldes do universo espelho a combater Tiberius. Entretanto o Project Sign tem uma agenda própria e acaba em entrar em confronto com Kirk. Curiosidade: a similaridade desta organização com a Seção 31 que vimos em DS9, é no mínimo suspeita...

Dark Victory abre a caminho para a conclusão explosiva da trilogia. É aqui também que Kirk se casa com Teilani e descobre que vai ser pai. Tiberius como uma sombra prepara sua vingança a Kirk. O final da trilogia, Preserver, é considerado o melhor livro baseado em Jornada nas Estrelas. Mas o leitor tem que ser avisado, você precisará estar bem atualizado com o canon da série. As referências são tantas, mas muito bem colocadas, e aqui o mérito vai inteiramente para os co-autores da obra, o casal Reeves-Steves. Os episódios A Manobra Carbomite, A Cidade à Beira da Eternidade e A Síndrome do Paraíso da Série Clássica são alguns dos essenciais para a trama de Preserver. Esta é a aventura de Jornada que todo fã sempre quis ver nos cinemas. E prepare-se para a batalha entre a ISS Enterprise E e a USS Enterprise E. Desculpe pelo pequeno spoiler e, sim, teremos Kirk na ponte de uma Enterprise novamente. Coisa que nos foi negada em Generations.

Na próxima semana falaremos da Trilogia da Totalidade e por fim do último trabalho da parceria Shatner e do casal Reeves-Steves. Até mais! 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Shatnerverse: A Primeira Trilogia


por Fabok

William Shatner nunca escondeu seu arrependimento de aceitar a morte de seu alterego no filme Generations, tanto que logo em seguida ele apresentou à Paramount uma proposta para um novo filme que traria de volta Kirk ao universo de Jornada nas Estrelas. O estúdio recusou a proposta. Dali para frente só haveria filmes com o elenco de A Nova Geração.
Garfield e Judith Reeves-Stevens
Shatner não se fez de logrado, e levou sua idéia a editora Pocket Books que deu o sinal verde para a publicação de um livro baseado no argumento que o ator apresentara ao estúdio. Sua maior sacada foi se unir aos escritores Judith e Garfield Reeves-Stevens, profundos conhecedores de Jornada nas Estrelas e que alguns anos mais tarde seriam escritores e co-produtores da quarta temporada de Enterprise. Esta colaboração gerou três trilogias carinhosamente chamada pelos fãs de Shatnerverse.
The Return, único livro do Shtnerverse publicado no Brasil, romulanos e borgs se unem para roubar os restos mortais de Kirk em Veridian III e trazê-lo a vida para se tornar a arma que finalmente destruirá a Federação. O livro é um deleite para os fãs, trazendo personagens da Série Clássica (pelo menos aqueles que sobreviveram até o século XXIV), Nova Geração e Deep Space 9
Shatner e o casal Reeves acabam por dar a Kirk características super-humanas. Tá certo que ele foi trazido de volta a vida pelos borgs, mas as descrições da força física do personagem é o único ponto fraco da estória. Só para se ter uma idéia Kirk quase 'detona' Worf em luta corporal, ainda sob o domínio borg-romulano.
É claro que ele acaba por se livrar deste domínio e é deste momento em diante que The Return brilha. Nunca os borgs foram descritos com tanta riqueza de detalhes, a assimilação por eles é narrada de forma bastante cinematográfica, até mesmo animais não escapam do processo. Muito do que vimos sobre os borgs em Primeiro Contato e posteriormente em Voyager, foi "emprestado" deste livro.
'O Retorno' acabou por se tornar um sucesso e logo a Pocket Books anunciou que Shatner e o casal Reevers escreveriam mais um livro, The Ashes of Eden. A estória agora se passa seis meses antes do lançamento da Enterprise B.
Aqui, Kirk amargurado com a aposentadoria e o final de sua carreira, tem a chance de um recomeço quando uma misteriosa jovem, chamada Teilani pede por sua ajuda para resolver um conflito no qual a Federação não pode se envolver. Teilani adquire junto à Frota Estelar a descomissionada Enterprise A, sem seus armamentos e sistemas de defesa, e a oferece a Kirk, para aquela que seria sua última missão.
Mas quem é Teilani e que segredos ela guarda?
E a Frota estaria realmente livre dos conspiradores vistos em Jornada VI?
Em The Ashes of Eden, Shatner tem a oportunidade de exorcizar a famosa cena de Jornada VI em que ele diz a Spock, "Deixe-os morrer", numa referência aos klingons. O ator achou na época que a cena feria a integridade do personagem. Nada mais justo que ele acabe por se apaixonar por uma klingon-romulana.
O interessante, neste livro, é que a aventura é situada justamente numa era bem cinza do canon: os anos entre Jornada VI e A Nova Geração.
Ah!!! A batalha final da Enterprise A é memorável...!
No próximo livro, Avenger, Kirk está de volta ao século XXIV. Estava claro que ele não havia morrido em The Return. Um vírus letal está destruindo toda a vida vegetal, levando fome e caos a vários mundos. Sem ter como combater esta ameaça, todos os planetas infectados são postos em quarentena levando o suprimento de alimentos a cair perigosamente. Forças hostis vêem ali, a oportunidade de minar o poder da enfraquecida Federação.
Jornada já havia abordado o tema de guerra biológica antes, mas nunca de uma maneira tão real quanto aqui, mérito mais uma vez do talento de Shatner e o casal Reeves. Algumas pontas soltas de The Return e The Ashes of Eden são tratadas aqui, fazendo deste livro o melhor desta trilogia. O personagem de Kirk parece bem mais a vontade com o século XXIV. Mesmo estando no período da Nova Geração, o foco é ele. Uma boa sacada dos autores é ter criado uma animosidade amigável entre Kirk e Picard. É legal também ver como a Federação e a Frota Estelar funcionam numa situação de ameaça biológica. Avenger também mostra um lado dos vulcanos, muito parecido com o que veríamos em Enterprise, ou seja a turminha do produtor Rick Berman esteve sempre de olho em Shatner...
No próximo artigo falaremos da Trilogia do Universo Espelho...