Mostrando postagens com marcador Arthur Conan Doyle. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arthur Conan Doyle. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Journey 2: The Mysterious Island

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
VIAGEM 2: A ILHA MISTERIOSA

por Fargon Jinn

Em 2008, vimos Brendan Fraser estrelar o filme Jorney to the Center of the Earth. Uma tentativa de renascimento para os clássicos de Jules Verne. Infelizmente não foi bem sucedida. O filme teve alguns problemas de roteiro que transformaram uma história empolgante, de ficção fantástica, num filme cansativo que tenta criar um thriller de aventura. Exageraram nos ingredientes e o doce ficou melado.

Agora eles lançam a sequência, da qual Brendan Fraser sabiamente declinou. Lançado no Brasil como Viagem 2: A Ilha Misteriosa, vemos uma mescla de Arthur Conan Doyle (O Mundo Perdido), Jonathan Swift (As Viagens de Gulliver) e Robert Louis (A Ilha do Tesouro), além do próprio Jules Verne (A Ilha Misteriosa).

Dwayne Johnson faz um padrasto responsável
Para o lugar de Brendan temos Dwayne “The Rock” Johnson, Josh Hutcherson repete o papel de Sean Anderson. E temos ainda Michael Caine como o avô de Sean. Dois personagens ainda somam a esse elenco, a lindíssima Vanessa Hudgens (Sucker Punch, 2011) e o porto-riquenho Luis Guzmán (O Conde de Monte Cristo, 2002).

Josh Hutcherson é de novo o garoto Sean Anderson
Nesta mistura de enredos literários, ficamos perdidos entre um roteiro sofrível de Brian e Mark Gunn, a direção fraquíssima de Brad Peyton (Como Cães e Gatos: A Vin..., 2010) e uma edição desinteressante de David Rennie (A Montanha Enfeitiçada, 2009).

A gatíssima Vanessa dá brilho a este lixo
De todo este conjunto, o que valeu à pena foi o fato de eu estar vendo o filme numa sala IMAX 3D.


-Atenção! A seguir spoilers-


Não dá prá deixar passar uma coisa dessa. Se o primeiro filme tratou da obra de Jules Verne, e que, 'mal e mal', deu o seu recado, esse foi uma afronta. Os protagonistas chegam à Ilha de uma forma ridìcula: sobrevoando de helicóptero. E, obviamente, caem. Que novidade! A ilha era desconhecida por estar sempre coberta de nuvens e tempestades. Isso não lembra nada? Que tal King Kong?

Mamíferos anões...
Logo depois eles se deparam com algo que não pode nem ser classificado de absurdo. Nesta ilha que emerge e submerge a cada cento e quarenta anos, vemos toda uma fauna e flora que se desenvolveu neste curto espaço de tempo. Deve ser por causa do nome “Misteriosa”, né? Ali vemos elefantes anões, insetos gigantes e toda uma série de incoerências.

...abelhas e pássaros gigantes.
Para piorar eles ficam cara-a-cara com Atlantida, com Capitão Nemo, voam no lombo de abelhas, fogem de um vulcão que cospe ouro, de um terremoto e acabam dentro do Nautilus. E, como se não bastasse, no submarino, tudo funciona maravilhosamente bem, exceto pelas baterias que estão sem carga suficiente, mas que eles resolvem facilmente com a descarga de uma enguia elétrica gigante e escapam da destruição da ilha navegando com a velocidade e agilidade de um caça à jato.

Como se não bastasse, eles concluem a história com o retorno de Michael Caine a uma feliz família que comemora o natal, e com a promessa de mais uma aventura maravilhosa, de outro livro de Verne: Da Terra à Lua.

Então amigos exploradores, tentem dormir com um barulho desses.

Viagem 2: A Ilha Misteriosa (Journey 2: The Mysterious Island): EUA, 2012
Direção: Brad Peyton
História e roteiro: Brian e Mark Gunn
Edição: David Rennie
Elenco: Dwayne Johnson, Josh Hutcherson, Michael Caine, Vanessa Hudgens e Luis Guzmán

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ferrugem

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes I e II


CRÍTICA DE CINEMA


por Fargon Jinn

Re-assisti Sherlock Holmes (2009), e fui em seguida assistir ao novo filme (2011). Não me parece que seja algo que respeitou o espírito da obra de Sir Arthur Conan Doyle. Os contos deste personagem sempre foram inteligentes, absolutamente cerebrais, pouquíssima ação, mas nem por isso entediante.

Aliás, diria que é exatamente o contrário. As tramas e o acompanhamento do método dedutivo descrito nas histórias podem ser muitas coisas, menos cansativas. De fato, o leitor não consegue largar a leitura. A narrativa é extremamente dinâmica e na sua pouca atividade há muita agitação mental. É um espetáculo ver a inteligência embutida nas tramas criminosas e nos processos de dedução do nosso herói e seu sidekick Watson.

Os dois filmes, no entanto, são um fracasso neste aspecto. Enquanto nos perdemos em correrias e pancadarias, ficamos distraídos da falta de inteligência nestes roteiros. Neste último, em que conhecemos Moriarty, o temível arquiinimigo de Holmes, não vemos nada em especial na personagem. Fora a atuação impecável de Jared Harris (O Último dos Moicanos, 1992) Moriarty não nos assusta ou impressiona. Nos livros ou na série da BBC (ver belíssimo artigo de Fabok, Sherlock), o vilão é impressionante, suas ações e tramas o apresentam de forma magistral. É um choque ao vê-lo no final da temporada, na série de TV. Dá vontade de dizer a famigerada frase “Achei que você fosse mais alto!”. Mas não há nada de decepcionante. Já no seu clone cinematográfico, fiquei o tempo todo com a sensação de estar sendo enganado pelo diretor Guy Ritchie. E do 'cara' que dirigiu Snatch - Porcos e Diamantes (2000), eu sinceramente esperava muito, muito mais.

Estes dois Sherlock Holmes são muito divertidos. Robert Downey Jr. e Jude Law estão maravilhosos e dão um show de atuação e dedicação ao papel. Não deixa de ser um programa de primeira. Muitas risadas, ansiedades, adrenalina e aventura. Mas é isso. É um ótimo filme de uma boa aventura policial. Nada mais.

Em relação ao primeiro pude ver que no 'Jogo das Sombras' há um crescimento no desenvolvimento da trama e questões técnicas. Tudo é bem superior ao filme de 2009: som, iluminação, movimento de câmera, edição, efeitos e atuação. E, mesmo que na primeira meia hora do filme eu tenha tido dificuldade em permanecer acordado, no geral, este novo está bem melhor do que o primeiro.

Jared Harris é Professor Moriarty
Espero sinceramente que o terceiro, previsto para 2014, possa trazer uma trama com mais respeito à obra original, onde possamos ver mais sobre a arte dedutiva. Que parem de tentar dar a Sherlock um ‘que’ de homossexualismo em relação ao Dr. Watson. E que retratem Lestrade como um detetive inteligente e com sensibilidade suficiente para ver que está lidando com um mestre, ao invés daquele cansativo, e nada original, ar de vaidade ferida.

Ah! E, por favor, chega de Moriarty! Arthur Conan Doyle falou deste bandido umas poucas vezes dentro de tantas obras. Por que é que o cinema e a TV só trazem histórias com ele? Será que teremos que mudar o enfoque e tornar o tal Professor a principal personagem destas histórias?


Assistam, amigos exploradores, num cinema próximo de você. E vamos debater sobre a matéria... Coloquem seus comentários e vejam se haverão respostas. Até a próxima!

Sherlock Holmes: 2009, EUA
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows): 2012, EUA
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr. e Jude Law

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata