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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus: uma análise

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Prometheus
ALERTA ESTE ARTIGO TEM SPOILERS

por Fabok

Antes um protesto

Sei que o explorador deve estar ansioso pelo nosso review do filme, mas não posso deixar de falar nos eventos que os expectadores da minha sessão testemunharam antes da exibição.

Tudo o que queremos é assistir filmes com a qualidade do preço que pagamos
Quando a entrada na sala foi liberada, levei um susto. Tudo estava numa escuridão total. Imediatamente os que lá estavam começaram a ligar seus celulares para termos um pouco de luz. A princípio, até pensei que poderia ser uma campanha de marketing do filme, mas no momento que as fracas luzes de nossos celulares começaram a varrer a sala, um sentimento de horror se abateu em todos nós, e não era por causa de nenhum alien. A sala 3 do UCI Fortaleza estava simplesmente imunda. Restos de comida e pipoca por todos os lados, o chão completamente melado e, ainda por cima, os assentos sujos e com manchas de gordura para todos os lados.

Mas o pior estava por vir. Quando começou a projeção, a imagem estava tão escura, que em determinados momentos ficava difícil de entender o que estava se passando na tela. Com isso, o efeito 3D foi muito prejudicado e acabou por ficar abaixo do esperado. Com um ingresso na casa dos R$ 30,00, é uma vergonha como o UCI Iguatemi Fortaleza trata seu público. Aos exploradores, evitem as salas 3D de lá a qualquer custo.

Agora o filme

E Deus amou tanto a humanidade que a ela sacrificou seu próprio filho
Eis que Prometheus começa. A sequência inicial, com um humanóide se sacrificando para dar origem à vida na Terra, é espetacularmente bela e me encheu de expectativas. Logo em seguida a nave Prometheus surge enchendo completamente a tela, indo rumo ao desconhecido. Pensei, é... Ridley Scott está de volta e em grande estilo.

Fassbender é um andróide que esconde sua humanidade e suas obsessões
Aos poucos vamos conhecendo a nave através de David, um andróide, que aparentemente tem a missão de manter os sistemas automáticos e a tripulação da Prometheus em ordem. David parece ser único. Ele é fascinado com filmes antigos, em especial Lawrence da Arábia, e acaba por adotar o visual do personagem vivido por Peter O'Toole. Ainda assim, há algo perturbador sobre David: ele é tão humano em suas ações que acabam por torná-lo diferente de nós. Pior, ele tem o hábito de acessar os sonhos dos tripulantes que estão em congelamento criogênico para a longa viagem de dois anos da nave.

Ao chegar ao seu destino, a tripulação é despertada. Ficamos conhecendo o casal de arqueólogos Elizabeth Shawn (Noomi Repace) e Holloway (Logan Marshall-Green - reparem que o ator é quase um clone de Tom Hardy de A Origem e do novo Batman). Eles conseguem convencer o magnata Peter Wayland (Guy Pierce, debaixo de uma maquiagem muito pesada), dono da Weyland Coorp. a financiar a missão, antes de sua morte.

Logan Marshall-Gree e Tom Hardy, que é isso "doppelgängers"?

E qual seria esta missão? Shawn e Holloway encontraram evidências de que a humanidade foi criada por seres extraterrestres, os quais eles chamam de "engenheiros". Nestas evidências há um aparente convite de nossos criadores para encontrá-los. Até este momento, o filme vai criando uma atmosfera muito boa e cheia de mistérios. Mas logo vem a primeira decepção, pelo menos para os fãs de Alien - O Oitavo Passageiro. O destino da Prometheus não é LV426, o planeta no qual o alienígena do filme original é encontrado, e sim LV223, que aparentemente orbita o mesmo gigante gasoso com anéis, do filme de 79. Neste momento meu sinal amarelo se acendeu, mas logo em seguida ele passou a vermelho, quando a tripulação da nave entrou em ação.

O velho cliche da ignorância
do método científico


Para uma expedição científica com potencial de mudar para sempre a humanidade, a Weyland escolheu os piores profissionais possíveis. Os "cientistas" não seguem nenhum tipo de procedimento ou protocolo que garantam o sucesso e a segurança da missão. De cara Holloway quer logo sair da nave para explorar a estrutura que fora avistada por eles. Quando o Capitão Janek (Idris Elba) pede que o arqueólogo espere até o dia seguinte, pois eles só teriam mais seis horas de luz, este responde algo do tipo, "Esperei dois anos para poder abrir meus presentes de natal". Pior ainda é a resposta de Janek, "ok, estou aqui só para pilotar a nave". Logo em seguida nos é apresentada a personagem Vickers (Charlize Theron), os olhos e ouvidos da Weyland e que logo ordena que qualquer contato com os "engenheiros" deve ser evitado. A atriz faz o possível para tornar Vickers interessante, mas ela é apenas uma coadjuvante de luxo na trama.

Charlize não foi nem bonita nem teve uma grande atuação
Falando em incompetência, o que dizer do geologista Fifield (Sean Harris) e do biólogo Milburn (Rafe Spall). A dupla consegue criar momentos antológicos de humor involuntário. Milburn é um biólogo que não gosta de coisas mortas e junto a Fifield simplesmente abandonam a expedição quando vários corpos alienígenas aparecem. Para completar, o geologista consegue com que a dupla se perca, quando ele próprio tinha dispositivos que mapeavam o lugar em que se encontravam. O momento em que eles encontram a criatura hammerpede é tão ridículo que você torce para que os dois morram logo...

Desenvolvimento confuso e sem sentido

Salada completa, alienígenas+zombies from outer space
George Romero deve estar às gargalhadas
Daqui em diante o filme entra numa espiral de situações mal resolvidas e mal escritas. Com que propósito David infecta Halloway? Fica a impressão que os roteiristas não sabiam o que fazer para "engravidar" Shawn. Ok, a cena do "parto" é plasticamente visceral e perfeita bem ao estilo do diretor, mas Shawn, uma arqueologista, consegue operar um equipamento médico de última geração, com dores excruciantes e sozinha, do mesmo modo que operamos um tablet. A quantidade de sangue que cai nela antes do final do "parto" é tanta, que ela teria que ter alguma sequela. Mas não, deste momento em diante o roteiro resolve transformar Shawn em uma nova Ripley com poderes sobre-humanos e imune às consequências do procedimento cirúrgico pela qual passou. Para completar, ninguém à bordo pareceu se interessar pela criatura que ela deu à luz, que fica esquecida até os momentos finais do filme.

A cenografia de Dariuz Wolski é impecável e formidável
Mas quem são os responsáveis por um roteiro tão problemático? Um deles, o explorador já deve conhecer. Sim, é ele, Damon Lindelof que tem em sua "ficha criminal" pérolas como o final de Lost, e é coautor do roteiro de Cowboys and Aliens e do futuro Star Trek. Por todo o filme você consegue ver o "dedo" do senhor Lindelof. Diálogos sofríveis, eventos sem o menor sentido e, claro, mais furos no roteiro do que um queijo suíço. Vou citar alguns: Por que os "engenheiros" se dariam ao trabalho de semear a Terra com vida, para simplesmente querer exterminá-la depois? Se o que Shawn e Halloway encontraram foi um convite, por que um convite para o que obviamente parece ser uma instalação militar? O que houve na Terra dois mil anos atrás para levá-los à uma decisão tão drástica como a que vimos no filme? E por último, a tripulação de "engenheiros" devia ser ainda mais incompetente que a da própria Prometheus, por se deixarem destruir por suas próprias armas biológicas.

É um filme de Ridley Scott?

Você é humana ou andróide? (referência a Blade Runner?)
O filme consegue se salvar graças a Ridley Scott, que fez milagre com um roteiro tão fraco. Scott sabe como ninguém valorizar a direção de arte de seus filmes para criar suspense. Prometheus é um banquete visual e auditivo. O nível de detalhes da nave, roupas e cenários é espetacular sempre fazendo referência a Alien - O Oitavo Passageiro. Há ainda uma pequena referência a Blade Runner. Repare na touca que os tripulantes da Prometheus usam com o traje espacial. É muito parecida com a usada pelo personagem Gaff, vivido por Edward James Olmos naquele filme. Outro exemplo do minimalismo do diretor, as informações vistas nos computadores da nave seguem o mesmo estilo das que são vistas na Nostromo, do filme de 1979.

Uma grande sacada de Scott foi ter trazido o bizarro artista H.R. Giger, criador da criatura original do filme de 1979, como consultor. O visual da nave dos "engenheiros" e das criaturas nos remete a Alien, mas ainda assim com um toque diferente. O Space Jockey ser apenas um traje espacial dos "engenheiros" foi uma boa surpresa. Contudo, o perfeccionismo de Scott não foi tão feliz na trilha sonora composta por Marc Streitenfeld, que só brilha no momento em que Peter Weyland aparece como holograma, usando um trecho da clássica trilha composta por Jerry Goldsmith.

Ridley Scott raramente fecha suas histórias

Os 'engenheiros' como uma sociedade monástica
Os atores fazem o que podem, mas realmente quem se destaca é Michael Fassbender. David é ao mesmo tempo encantador e assustador e foi um ótimo precursor para os andróides da série. Noomi Rapace consegue dar alguma credibilidade a Shawn, mas não é nenhuma Ripley. O restante não consegue ter o mesmo tipo de empatia que a tripulação da Nostromo em Alien, infelizmente.

Para completar, Prometheus não é um estória fechada. O final em aberto lança mais perguntas do que o próprio filme conseguiu responder. Qual a origem dos "engenheiros"? Para onde Shawn e David foram? Como o "pré-facehugger" e o "pré-alien" vistos na boa cena final evoluíram para o que vimos nos filmes da série Alien? A Terra ainda está em perigo? As respostas ficaram para uma possível sequência, que nem sabemos se será realizada. Tudo vai depender da bilheteria do filme. Ah! Uma dica pro pessoal da Weyland Coorp: se vocês financiarem uma nova missão, por favor escolham uma tripulação melhor. O pessoal do Relatório da Situação de antemão já se oferece para tripular uma nova Prometheus. Nós seríamos muito mais profissionais... Já para Ridley Scott...você é o cara, mas pelo amor de Deus se livra deste picareta que é o Sr. Lindelof. Existem excelentes roteiristas por aí que fariam de tudo para trabalhar com você no universo de Alien.

Resolveram economizar no figurino
Visualmente Promeheus é arrebatador, mas isto não é suficiente. Sem um bom roteiro, o filme se torna vazio e acaba por decepcionar, justamente por toda a expectativa que criou. Como prelúdio de Alien, o filme também falha, simplesmente por não dar nenhuma resposta satisfatória aos mistérios daquele filme. Agora nos resta uma pequena esperança, Ridley Scott já anunciou que a edição em DVD e Blu-Ray terá uma nova versão com mais 20 minutos. Não estou otimista, mas vamos aguardar...

E você explorador, o que achou? Mande suas opiniões! Até a próxima!


Prometheus: 2012, EUA
Direção: Ridley Scott
Roteiro e História: Jon Spaihts e Demon Lindelof
Música: Marc Streitenfeld
Edição: Pietro Scalia
Elenco: Noomi Rapace, Logan Marshall-Green, Charlize Theron e Michael Fassbender


Nossa avaliação:

Delta-Shield Bronze

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prometheus: O Mistério está próximo a ser revelado

CINE PREVIEW
Alerta este artigo traz spoilers moderados

por Fabok

Recentemente, li em algum lugar, que muitos fãs dos filmes da série Alien estariam preocupados com Prometheus, o novo filme de Ridley Scott, que estreia mês que vem. O problema segundo eles, é que a trama não seria centrada nos aliens ou que eles apareceriam muito pouco e outras coisas do gênero. Minha pergunta a estes fãs é uma só: mas, e daí?

Space Jockey já visto no filme de 1979
Prometheus não é um filme da série Alien. Ele apenas se situa no mesmo universo. A proposta de Ridley Scott é muito mais ambiciosa que um simples prequel. Ao abordar dois pontos jamais respondidos pelos filmes da saga: como a megacorporação Weyland Industries sabia da existência do sinal alienígena captado pela nave Nostromo e dos xenomorfos, e quem seria o misterioso alienígena fossilizado (Space Jockey), ambos vistos em Alien, O Oitavo Passageiro (1979), o diretor se propôs a criar uma nova e ambiciosa mitologia que levará o expectador a descobrir nada menos que a própria origem da humanidade.

Enfim algumas das perguntas terão respostas

O filme ainda está cercado de mistérios, e os espetaculares trailers lançados só aumentam as expectativas. Sabendo disso, a Fox criou uma interessante campanha de marketing viral. Através do site http://www.weylandindustries.com/, o explorador poderá conhecer detalhes sobre a empresa e seu criador, Peter Weyland que é interpretado pelo ator Guy Pierce. Lá, os mais atentos, encontrarão entre os feitos da empresa, ligações com o universo de Alien como a invenção das câmaras de hipersono, da propulsão FTL (Faster than Light) e da descoberta do planeta Acheron LV-426 vistas no filme de 1979; dos processadores atmosféricos, do exoesqueleto motorizado que Ripley usa para lutar com a rainha Alien e a criação dos Space Marines de Aliens (1986); e da construção de colônias penais fora da Terra (Alien 3, 1992).

Você também encontrará informação sobre os Cybernetic Individuals, os robôs, que foram tão importantes para a série. O site conta a gênese deste projeto, desde a primeira patente registrada em 2023 até a série David 8, primeiros robôs a replicar emoções humanas e serem praticamente indistinguíveis dos seres humanos. Na nave Prometheus temos um robô desta série vivido pelo ator Michael Fassbender.

O roteiro cobre uma longa linha de tempo

Guy Pearce é Peter Weyland
O legal desta linha do tempo que vai de 1990 até 2073, é que todos os feitos de Weyland culminam com o Projeto Prometheus. E aqui vai uma curiosidade, este projeto realmente existiu. Ele foi parte de um esforço da NASA para a criação de naves movidas a propulsão nuclear para missões de longa duração. Infelizmente esta iniciativa foi cancelada pela agência em 2006 por falta de fundos. No universo do filme, a medida que a Weyland controla todos os campos do desenvolvimento científico do planeta, ela acaba comprando todos os dados referentes a ele.

Charlize Theron como Meredith Vickers
Mas qual será realmente a trama do filme? Do que consegue-se entender dos trailers é que são encontrados, em diferentes cantos da Terra, sinais de que fomos visitados por seres extraterrestres. Ao se juntar estes sinais, um aparente convite ou localização destes alienígenas é descoberto. A Weyland Industries, megacorporação de poder e influência jamais vistas na história do planeta, envia uma missão a este local. Qual sua ligação com o que já vimos na série Alien é uma resposta que só teremos quando o filme estrear. Mas do pouco que se viu, nota-se todo o cuidado com que Ridley Scott conduziu o projeto. O estúdio está tão empolgado que apoiou a decisão de levar as telas a versão sem cortes do filme, que recebeu a classificação R nos EUA, reservada a filmes com conteúdo mais adulto e agressivo.

Promessas e muita ansiedade

Para os exploradores mais ansiosos, não deixem de reassistir Alien (1979), o trailer de Prometheus faz inúmeras referências aquele filme, que só para lembrar também foi dirigido por Scott. No dia que o segundo trailer saiu, fiquei tão empolgado que resolvi rever todos os filmes da série, bom quase todos, ainda não tive coragem de enfrentar os Aliens vs Predador, se é que vocês me entendem... Uma boa pedida também é visitar o site da Weyland Industries e conferir os interessantes vídeos virais com os personagens Peter Weyland e David 8. Ao explorador mais cauteloso, fique tranquilo pois os vídeos não possuem spoilers.

Confesso que adorei os Avengers, mas pra mim Prometheus será o filme do ano. Muitos já o comparam a 2001 Uma Odisseia no Espaço. Será que teremos um novo clássico da Ficção Científica surgindo este ano? Em 15 junho descobriremos...

Ridley Scott nunca decepcionou... muita ansiedade
Até a próxima!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

The Hunger Games

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Jogos Vorazes

por Fargon Jinn

Interessante conceito este, discretamente apresentado, nesta nova saga da Lionsgate. Na verdade muita gente assiste ao filme e vê um jogo de caça e caçador, onde os dois fatores são humanos. Pior, são adolescentes. Pior, são garotos fortes, crescidos e treinados contra garotinhas criadas na roça. Pior, tudo é orquestrado por adultos. E consegue piorar mais? Claro que sim. Por que parar agora? O fundo do poço é mais embaixo. Para piorar mais, vemos aqui um Big Brother from Hell. Tudo é televisado e orquestrado para que os patrocinadores invistam seus recursos naqueles jogadores (adolescentes) mais populares.

A audiência vai sendo apresentada a um mundo moribundo
Agora vem o pulo do gato: tudo é a mais porca e mais descabida política. Estes jogos trazidos por estes livros e filmes, na verdade está descortinando uma realidade política. É cruel, mas é verdade, os poderes da "Nova Ordem Mundial" tentam manter o grosso da população na ignorância e inépcia.

1984, revisitado?!

Um livro profético?
Estamos olhando para a versão moderna de 1984. Isto é uma pantomima política. Ali é mostrado que busca-se favorecer uma elite de privilegiados (habitantes da Capital). Estes, para nadarem na fartura e na opulência, exploram a população desfavorecida, de descalços e descamisados, que passam fome, doenças e miséria (habitantes dos doze distritos).

Mas não acaba aí. Existe outra camada nesta história. Existe um outro nível de dominantes, quase ocultos, como devem ser. Estes são os verdadeiros arquitetos desta estrutura. Estes criam o circo para apaziguar e distrair tantos os distritais, como os capitais.

A função deles é reger esta orquestra política, e dizer quem realmente deve ser o popular e quem é o vilão.

Mocking Bird (pássaro brincalhão) símbolo da luta
representa o descaso à ordem dominante
Tudo deve ser balanceado para manter o nível de ‘esperança’, segundo o autor, o sentimento mais forte depois do medo. E para isso os vencedores devem ser construídos cuidadosamente. Eles devem gerar apenas a quantidade necessária daquele sentimento.

Para que não hajam levantes populares, as emoções devem ser produzidas dentro de um patamar suficiente apenas para que as pessoas anseiem pelo próximo embate, e não queiram resolver as injustiças mano-a-mano.

Isso não existe no mundo real

Isto pode ser levado às últimas consequências?
Isso não se parece muito com algo familiar? Futebol?! Ultimate Fight Constest?! Big Bosta?! Não, não, não, mera coincidência. Não iriam esfregar estes filmes na cara da gente, se fosse verdade, iriam? Eles não achariam que seríamos tão cegos...!

E nós, poderíamos algum dia, num futuro incerto, apreciarmos estes tipos de jogos? Em minha opinião: jamais. Nós estamos evoluindo. Não temos mais gladiadores. Agora são apenas lutas enjauladas. Não gostamos mais de jornais sangrentos. Hoje, só gostamos do Datena e da internet sensacionalista. Não queremos ver ninguém se arrebentando. Só nas videocassetadas.

Análise do filme

Gary Ross já desistiu de dirigir a sequência
Um roteiro bem desenvolvido, edição bem realizada, e uma ótima direção de atores e de cena. O cansativo é essa brincadeira de câmera com Parkinson. Isso é irritante e reduz em muito a compreensão da cena.

Catching Fire está com Francis Lawrence
A ideia de reduzir a violência explícita através destes movimentos de câmera não é novidade e nem inteligente. Isso é recurso de um diretor com pouca imaginação narrativa.

A música, edição de som e efeitos sonoros estão irretocáveis. Assim posso dizer, também, dos efeitos visuais e da fotografia. Maquiagem e figurino com certeza valem uma indicação para os prêmios da Academia ou o Globo de Ouro.

Embora parte destes atores sejam adolescentes, e dia desse estavam estreando filmes com temática infantil (Ponte Para Terabítia e Os Seis Signos da Luz), todos saíram-se muito bem em seus papéis. E não vejo aqui nenhum digno de destaque, excetuando-se a beleza de Jennifer Lawrence (a Mystique de X-Men: Primeira Classe)

Saldo e méritos

Personagens belos e cativantes
É um filme muito divertido. Realmente envolve. Não deve ser assistido com preconceitos. Pense apenas em se divertir e a partir de então vá analisando. As músicas e toda a sonografia realmente compensa e a história empolga.

As bilheterias brasileiras que, a princípio, foram desfavoráveis estão se recuperando, o boca-a-boca está fazendo o seu papel. Nos States as bilheterias bateram recordes e as sequências já estão garantidas.

Vou agora procurar os livros. Que chegue logo a Amazon Brasil e seu maravilhoso Kindle. Setembro ‘tai’ gente.

Jogos Mortais (The Hunger Games): 2012, EUA
Direção: Gary Ross
História: baseado no livro homônimo de Suzanne Collins
Roteiro: Suzanne Collins, Gary Ross e Billy Ray
Música Original: James Newton Howard
Edição: Christopher S. Capp, Stephen Mirrione e Juliette Welfling
Elenco: Stanley Tucci, Wes Bentley, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Woody Harrelson

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os filmes que vi recentemente

por Helder Maia


Período de férias é também para colocar a cinefília em dia. Seguem abaixo alguns dos filmes que vi estes dias.


A Lonely Place to Die (Reino Unido - 2011)


Melissa George estrela este suspense onde um grupo de amigos alpinistas parte para as montanhas em mais uma aventura. O que eles não esperavam era encontrar enterrada na mata uma garota sequestrada. A partir daí eles serão perseguidos pelos sequestradores.

Tentativa no gênero suspense, o filme apresenta um roteiro mal estruturado, que falha em costurar bem a trama, gerando um filme arrastado, apesar de ter apenas noventa e nove minutos. Destaque para as belas cenas nas montanhas. 

Delta-Shield Bronze



 

The Ruins (EUA, Alemanha, Austrália - 2008)

 

Este foi um desperdício de tempo absurdo. Um filme de terror que demora cinquenta minutos para trazer qualquer cena de terror, é um fracasso para mim. Só aguentei até tanto (o normal é desistir após meia hora, se um filme não estiver bom) porque esperava uma cena de sacanagem entre uma garota magrinha e bonitinha e um dos outros personagens masculinos, mas quando vi que não ia rolar desisti. Fuja deste.



Delta-Shield Ferrugem





I Saw the Devill (Akmareul boatda – Coréia do Sul - 2010)


Bom filme de vingança coreano. A vida do agente secreto Kim Soo-hyeon é destruída quando sua noiva é morta por um sádico criminoso sexual serial. Então ele resolve fazer de sua vingança a mais brutal possível, seguindo o criminoso e agredindo-o várias vezes, mas sem nunca matá-lo.

Produção caprichada e bela fotografia mostram como os filmes coreanos são de alto nível. Só achei o filme muito longo, mas assisti à versão coreana, existe uma internacional mais curta e com um pouco mais de sangue. 

Delta-Shield Prata


 

 

Butch Cassidy (EUA - 1969)


Como nunca tinha visto este famoso faroeste, resolvi conferir. O filme é bom, com ótimas interpretações de Robert Redford e Paul Newman como a lendária dupla de assaltantes a banco Butch Cassidy e Sundance Kid. A direção de fotografia é soberba e a trilha sonora traz a clássica canção Raindrops Keep Fallin' on My Head.

No entanto, não sou fã de filmes que trazem uma visão ingênua e idolátrica de criminosos. Bandido boa-praça só mesmo no cinema. Sou muito mais os personagens amorais do clássico faroeste spaghetti 'Três Homens em Conflito' (1966).
Delta-Shield Prata

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes I e II


CRÍTICA DE CINEMA


por Fargon Jinn

Re-assisti Sherlock Holmes (2009), e fui em seguida assistir ao novo filme (2011). Não me parece que seja algo que respeitou o espírito da obra de Sir Arthur Conan Doyle. Os contos deste personagem sempre foram inteligentes, absolutamente cerebrais, pouquíssima ação, mas nem por isso entediante.

Aliás, diria que é exatamente o contrário. As tramas e o acompanhamento do método dedutivo descrito nas histórias podem ser muitas coisas, menos cansativas. De fato, o leitor não consegue largar a leitura. A narrativa é extremamente dinâmica e na sua pouca atividade há muita agitação mental. É um espetáculo ver a inteligência embutida nas tramas criminosas e nos processos de dedução do nosso herói e seu sidekick Watson.

Os dois filmes, no entanto, são um fracasso neste aspecto. Enquanto nos perdemos em correrias e pancadarias, ficamos distraídos da falta de inteligência nestes roteiros. Neste último, em que conhecemos Moriarty, o temível arquiinimigo de Holmes, não vemos nada em especial na personagem. Fora a atuação impecável de Jared Harris (O Último dos Moicanos, 1992) Moriarty não nos assusta ou impressiona. Nos livros ou na série da BBC (ver belíssimo artigo de Fabok, Sherlock), o vilão é impressionante, suas ações e tramas o apresentam de forma magistral. É um choque ao vê-lo no final da temporada, na série de TV. Dá vontade de dizer a famigerada frase “Achei que você fosse mais alto!”. Mas não há nada de decepcionante. Já no seu clone cinematográfico, fiquei o tempo todo com a sensação de estar sendo enganado pelo diretor Guy Ritchie. E do 'cara' que dirigiu Snatch - Porcos e Diamantes (2000), eu sinceramente esperava muito, muito mais.

Estes dois Sherlock Holmes são muito divertidos. Robert Downey Jr. e Jude Law estão maravilhosos e dão um show de atuação e dedicação ao papel. Não deixa de ser um programa de primeira. Muitas risadas, ansiedades, adrenalina e aventura. Mas é isso. É um ótimo filme de uma boa aventura policial. Nada mais.

Em relação ao primeiro pude ver que no 'Jogo das Sombras' há um crescimento no desenvolvimento da trama e questões técnicas. Tudo é bem superior ao filme de 2009: som, iluminação, movimento de câmera, edição, efeitos e atuação. E, mesmo que na primeira meia hora do filme eu tenha tido dificuldade em permanecer acordado, no geral, este novo está bem melhor do que o primeiro.

Jared Harris é Professor Moriarty
Espero sinceramente que o terceiro, previsto para 2014, possa trazer uma trama com mais respeito à obra original, onde possamos ver mais sobre a arte dedutiva. Que parem de tentar dar a Sherlock um ‘que’ de homossexualismo em relação ao Dr. Watson. E que retratem Lestrade como um detetive inteligente e com sensibilidade suficiente para ver que está lidando com um mestre, ao invés daquele cansativo, e nada original, ar de vaidade ferida.

Ah! E, por favor, chega de Moriarty! Arthur Conan Doyle falou deste bandido umas poucas vezes dentro de tantas obras. Por que é que o cinema e a TV só trazem histórias com ele? Será que teremos que mudar o enfoque e tornar o tal Professor a principal personagem destas histórias?


Assistam, amigos exploradores, num cinema próximo de você. E vamos debater sobre a matéria... Coloquem seus comentários e vejam se haverão respostas. Até a próxima!

Sherlock Holmes: 2009, EUA
Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows): 2012, EUA
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr. e Jude Law

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Splice

CRÍTICA DE CINEMA: Splice - A Nova Espécie

por Fargon Jinn

Splice significa a atividade de unir fios, atar cabos, fundir correntes. No nosso caso falamos de fusão de cadeias de ADN (ácido desoxirribonucleico), ou o hoje famoso DNA, que é um anglicismo.

Mais uma vez Vincenzo Natali (O Cubo, 1997 – diretor e roteirista) dá uma tacada de mestre do scifi (gosto mesmo dos filmes deste cara). E neste, ele busca, dentro de uma visão científica concreta, mostrar-nos alguns dos muitos perigos da manipulação genética.

O desenvolvimento de novas espécies não é uma ficção, é uma realidade há algumas décadas. A ciência vem trabalhando com híbridos de plantas, bactérias e até mesmo alguns pequenos animais. Mas híbridos podem ser considerados como novas espécies? Sim, podem. Se mulas e burros fossem férteis, e pudessem cruzar entre eles, teríamos o surgimento de uma nova espécie.

Melancias, abacaxis e milho são
espécies desenvolvidas pelo homem
O alerta de Splice está no exemplo mostrado quando as duas únicas criaturas de um experimento apresentam um comportamento inesperado, logo no início do filme. Isto demonstra que para se gerar novas espécies em laboratório, devemos ser capazes de garantir segurança perfeita. Mas hoje em dia, quem quiser investir em padrões de segurança para suas experiências está, no geral, mais preocupado em proteger, de espionagem, suas pesquisas do que com os riscos de contaminação do meio ambiente.

Outro alerta está na questão da geração de híbridos com ADN humano. Não existem leis contra tal prática. Por isso podemos estar prestes a ver uma geração X surgir de uma hora para outra. Algo como animais com inteligência aumentada por miscigenação com o nosso ADN. Se algo assim acabar solto na natureza é impredizível quais consequências advirão.

Houveram alguns exageros que diminuem a classificação de scifi hard, mas nada que desabone o filme. Sempre precisamos ter algum impacto, e o exagero é uma saída relativamente fácil.

O desenvolvimento da trama é lenta e algumas vezes se arrasta, mas é inevitável, este é um filme feito para que o espectador pondere, analise, e vá junto com o roteiro decidindo se aquilo que está sendo mostrado é ético ou não. É um filme para se assistir e discutir com os amigos e familiares. Queremos ver o sucesso das experiências levadas a cabo pelos protagonistas, mas ao mesmo tempo temos que decidir até onde “o fazer por que podemos” é aceitável.

A ciência cresce com os riscos, mas muitos deles não devem ser levados às suas últimas consequências. O processo de desenvolvimento científico na nossa realidade atual, transformou-se numa disputa de velocidade. Estamos muito preocupados em lançar algo antes dos concorrentes.

Afinal, a Apple estabeleceu-se como um exemplo disso. Os demais estão correndo atrás do atraso. Nesta disputa não se parou para avaliar o impacto destas rápidas mudanças tecnológicas no dia-a-dia das pessoas, nos mercados financeiros, nos parques industriais, nos mecanismos de empregos e geração de renda, ou sequer nos técnicos e cientistas que trabalham no desenvolvimento destas conquistas do design e da física.

Voltando ao filme, temos o trabalho sempre impecável do 'oscarizado' Adrien Brody (O Pianista, 2002 – A Vila, 2004), mas neste faltou o seu 'brilho' especial (foi meio frustrante). A menos conhecida Sarah Polley teve uma presença mais marcante.

  A direção de Vincenzo Natali não surpreende, é um diretor que se atém mais à história do que aos quesitos técnicos. Mas pode-se notar sua evolução. Este filme, com certeza, mostra a melhor fotografia e edição de seus trabalhos. Os efeitos são impecáveis. E para um orçamento de US$30 milhões, faz 'A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1' que custou US$110 milhões, juntamente com seus ridículos lobos em CGI ficar ainda mais ridículo.


O filme não é um 'pipocão', e portanto não é para diversão pura. É para análise, fomentar discussões, buscar entendimento de algo que aparentemente é fantasia para a maioria da população, mas que algum dia teremos que parar e fazer nosso debate. Quem for alugar este filme, não deve esperar um thriller, é uma ficção-científica hard, meio chatinha, com uma ponta de terror. Mas extremamente bem produzida e conduzida. Vale à pena.

Splice - A Nova Espécie (Splice): 2009, (França, Canadá)
Direção: Vincenzo Natali
História: Vincezo Natali e Antoinette Terry Bryant
Roteiro: Vincenzo Natali, Antoinette Terry Bryant e Doug Taylor
Elenco: Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chanéac

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata