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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Alphas


SÉRIE - SCIFI LIGHT


por Fabok

Já renovada para uma 2ª temporada
Confesso que não estava muito empolgado em assistir esta nova série do SyFy. Estava meio que "fulo" com o canal pelos cancelamentos de Caprica e Stargate Universe e para completar o próprio conceito de Alphas parecia muito próximo da excelente The 4400 ou da horrenda Heroes, ambas canceladas prematuramente. Mas parafraseando James Bond, "as coisas que temos que fazer pelos nossos exploradores...", resolvi dar uma chance e tive uma grata surpresa.

Azita Ganizatha é imperdível
Na série, devido a uma mudança na fisiologia do cérebro, várias pessoas começam a demonstrar algumas "habilidades" como super força, sentidos super apurados entre outros, sendo assim chamados de Alphas. O Dr. Lee Rosen (David Strathairn, de o Ultimato Bourne) é um cientista que estuda o fenômeno. Para ajudá-lo ele monta um equipe composta por Alphas e cuja missão a princípio, é encontrar mais pessoas com este dom. Gary Bell (Ryan Cartwright) é um jovem autista funcional (capaz de se relacionar com a sociedade) que tem a habilidade de ver o espectro eletromagnético, acessando e interpretando sinais de TV, radio ou telefonia. Cameron Hicks (Warren Christie de Apollo XVIII) é um ex-marine cujo cérebro processa todo e qualquer tipo de movimento em uma velocidade muito mais rápida que a nossa, dando a ele super reflexos e uma incrível capacidade de prever a trajetória de balas e outros objetos. Rachel Pizard (Azita Ganizatha) é uma ex linguista da CIA que possui todos os seus sentidos tão apurados a ponto de dificultar sua vida em sociedade. Nina Theroux (Laura Mennell) é capaz de forçar qualquer um fazer o que ela quer apenas com a força de sua voz. Por último temos o ex agente do FBI Bill Harken (Malik Yoba de Defying Gravity) que em momentos de estresse consegue explosões de extra força, mas somente por curtos períodos de tempo.

O irreverente Ira Steven Behr e sua barba púrpura
Alphas lembra muito The 4400, não é por acaso, já que as duas tem a produção executiva assinada por Ira Steven Behr (Star Trek DS9). Por causa disso, alguns atores também vieram deste trabalho. É o caso de Mahershala Ali que interpreta Nathan Clay, responsável por capturar os Alphas que não conseguem viver em sociedade e da atriz Laura Mennell.

Gary Bell um Alpha "especial"
A série segue o esquema atual de produção do canal Syfy, com poucos, mas bons efeitos visuais, principalmente quando o grupo de Alphas utiliza seus poderes. Alguns considero até mesmo um pouco exagerados, como os que mostram as "habilidades" de Gary Bell. O conceito é muito bem sacado, o ator usa os movimentos aparentemente desconexos de um autista para acessar o espectro eletromagnético, só que ele acessa a informação como se estivesse usando um tablet. Demora um pouco para se acostumar. Também não consegui visualizar a série se passar no mesmo universo de Eureka e Warehouse 13, pois Alphas tem um tom muito mais sério que suas séries "irmãs".

Sendhil Ramamurthy
Apesar de um conceito batido, a eventual diáspora entre os humanos normais e os com habilidades, Alphas tem em seu favor um bom elenco, que se não é brilhante, tem uma ótima química. Diferente de Heroes e sua coleção de canastrões, por exemplo. Quem não se lembra do "mala" Dr. Suresh (Sendhil Ramamurthy)? Outro ponto forte é a mitologia, que vai sendo trabalhada de episódio a episódio deixando o público sempre intrigado. Você sente que os roteiristas tem um boa estória para contar. E seguindo o exemplo de The 4400, a temporada se encerra de maneira inesperada, deixando um ótimo gancho a ser desenvolvido no ano seguinte.


Alphas conseguiu uma sólida audiência em sua temporada de estréia e já tem garantida pelo menos mais uma. Espero que os produtores tenham a oportunidade de contar a estória até seu final, caso contrário ficaremos a ver navios, do mesmo modo quando o canal americano USA resolveu cancelar The 4400. Se você explorador ficou curioso, a série já está em exibição por aqui no canal Syfy.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Preço do Amanhã

por Fargon Jinn

Você pode imaginar o que seria a sua vida se soubesse que não poderia morrer por envelhecimento? Essa é a grande questão levantada por esse filme fantástico.

Aos vinte e cinco anos o seu organismo se estabiliza e você torna-se eterno. Mas como fica a superpopulação? Todos os dias nascendo pessoas e não morrendo mais. O mundo se tornaria inabitável em cerca de trinta ou quarenta anos. Os meios de produção utilizariam o limite de toda matéria prima nova ou reciclada. Talvez desenvolvêssemos alternativas. Mas como ficariam a água, o ar, as ruas, e tudo o mais?

Vive-se para o minuto de cada dia
A ciência, no filme, desenvolve um relógio genético. Todos os humanos nascem com ele, aos vinte e cinco ele começa a funcionar e a pessoa tem um ano de crédito a partir de então. A contagem regressiva inicia e, ao zerar do cronômetro seu coração para instantaneamente, sem dor.

Então, se você prestar trabalho ou vender coisas receberá créditos de tempo. Se comprar coisas ou serviços, fizer empréstimos, perderá tempo. O seu relógio é ajustado a cada transação. O tempo é a moeda. E aos vinte e cinco anos um cidadão já pode estar endividado de todo o seu tempo. Ao invés de um ano, no momento em que o relógio se ativa, você terá apenas alguns segundos. Alguém que seja rico pode viver por milhões de anos.

Repito a pergunta do início deste artigo: O que você faria de sua vida, o que aprenderia, como se divertiria, o que construiria, o que criaria, como se melhoraria, se tivesse vida eterna?

Nós, em geral, nos damos conta do tempo após os vinte e oito ou trinta anos. Até então muita gente sabe que precisa estudar e trabalhar, porque precisaremos de dinheiro para nossa velhice. Mas, de fato, tudo parece meio irreal. Aos dezessete anos parece-nos que aquilo que diz respeito ao tempo é muito demorado, e envelhecimento só ocorrerá em séculos. Com o passar dos anos vemos como estávamos enganados, as coisas acontecem muito antes do que supúnhamos e a idade nos assalta (essa é a palavra – assalto), e nos tira nossa juventude de um instante para outro.

Crédito de tempo
O filme ocorre num futuro próximo, 2161, e nos confronta com aspectos que eu nunca imaginei. Tais questionamentos em nossas mentes é algo absolutamente maravilhoso.



Andrew Niccol - Diretor e Escritor
Escrito e dirigido por Andrew Niccol, que já tem em sua filmografia obras primas como Gattaca (1997), Show de Truman (1998) e S1m0ne (2002), nos apresenta mais esta distopia de uma forma singela e criativa. Os diálogos, a atitude, a cenografia, a edição, a trilha sonora, enfim, tudo está exatamente na medida. Vemos aqui uma ficção científica hard, tal como vimos em Gattaca, algo absolutamente verossímil e introspectivo.

A narrativa é agradabilíssima e, aos poucos, vamos sendo introduzidos neste novo mundo sem estranheza e sem choques. A história é rápida sem aqueles lapsos contemplativos de filmes como Solaris (1968 e 2002) ou 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), por exemplo. O final nos chega cedo, bem quando ainda queríamos mais umas três horas de exibição.

Exemplo de cena bem projetada
O roteiro foge aos clichês, bem ao estilo Andrew Niccol. E as cenas de ação são leves mas reais, os pontos intensos são bem marcados e sem exageros, nada de slow motion ou multicam digital ring (efeito Matrix). Ou seja, não vamos assistir a um espetáculo de efeitos especiais, mas a um espetáculo que utiliza efeitos para dar consistência e relevância. Ali pode-se ver muita tomada de grua ou de tripé, sem abusar da steadycam. Nada contra um steadycam mas, às vezes, isso cansa.

Cillian Murphy como Guardião do Tempo
O ponto negativo fica para o elenco. Diria mal escolhido se não fosse por Cillian Murphy, o Espantalho de Batman Begins (2005), Olivia Wilde (Tron: Legacy – 2010) e Johnny Galecki, o Leonard Hofstadter de The Big Bang Theory. Todo o resto, a começar por Justin Timberlake (protagonista), careceu de uma maior dramaticidade. O que não é comum para este diretor que sabe muito bem como trabalhar atores. Desta vez, se não foi proposital, errou a mão.


Cillian Murphy, por sua vez, deu um show de talento e roubou o filme. Este ator é alguém que definitivamente deverá nos apresentar grandes trabalhos. Vamos acompanhar sua carreira com a devida atenção e ver no que ele se transformará se continuar crescendo assim.

Recomendo a todos este filme, é diversão garantida e digna de uma sala de cinema.

O Preço do Amanhã (In Time): 2011, EUA
Roteiro e direção: Andrew Niccol
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Olivia Wilde, Alex Pettyfer, Vincent Kartheiser e Johnny Galecki
Orçamento: US$40 milhões
Bilheteria: US$95 milhões

Nossa avaliação: 
Delta-Shield Diamante

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ficções científicas envolvendo genética

por Fagon Jinn
2º da série FC vs Ciência

Sendo um dos assuntos prediletos em FC, vemos todo tipo de ocorrência, desde manipulações genéticas até clonagem. Alguns acertam outros viajam loucamente. Mas entre viagens e acertos vemos coisas curiosas e instigantes.

Jurassic Park (1993)
O que me vem primeiro à mente é o fantástico e arrebatador Jurassic Park (1993). Esta série de filmes produzidos por Spielberg e os dois livros escritos por Michael Crichton, são extremamente interessantes e até se aproximam muito do que poderia ser algo realizável, principalmente por uma descrição cuidadosa, bem pesquisada e utilizando-se de muita ciência real.

Cena de Jurassic Park
Se fôssemos tentar criar dinossauros hoje, o que teríamos que fazer? Em primeiro lugar, teríamos que reprojetar todo o sistema respiratório dos espécimens, já que no período jurássico, a concentração de oxigênio na atmosfera era consideravelmente maior, o que, teoriza-se, propiciou os grandes animais. Então teríamos que modificar todo o sistema digestivo, para que estes animais pudessem se alimentar de plantas e animais do nosso tempo, com todo um conjunto protéico diferenciado. Depois viria a adaptação do sistema defensivo, para evitar que as doenças atuais os atingissem. Por fim um processo de programação para as condições ambientais atuais, e poder conviver com as restrições e as limitações de área, número de indivíduos, métodos de alimentação, sexualidade e maternidade. Se é que seria possível, já que mal sabemos onde isso se situa em nossa carga genética. Pior ainda para alterar essa programação, de bilhões de anos de desenvolvimento, em algumas décadas. Ao fim de tudo, não teríamos dinossauros, mas uma imitação nada barata. Algo que não poderia ser utilizado para nada além de um zoológico. Não haveria interesse biológico, já que não haveriam segredos a ser descobertos. Nós os projetamos, então é só perguntar ao programador o que esperar de cada um e pronto. Acabou-se qualquer proposta de monografia. Só quem escreveria sobre estes animais seriam jornalistas, publicitários e blogueiros.

IDIC - Infinita Diversidade, Infinitas Combinações
Jornada nas Estrelas gosta de juntar alienígenas de espécies diferentes e gerar meninos. Qual a possibilidade? As mesmas que teríamos em recriar dinossauros. Teria que ser a construção completa de um genoma, que ao final só teria os traços dos seus progenitores. Jamais poderíamos combinar seres de linhagens tão distintas quanto uma rã e uma tartaruga.

Híbrido entre humano e klingon
Se cruzamos cavalos e jumentos, obtemos burros e mulas, que são estéreis. E são muito aproximados na escala evolucionária. Não é possível cruzarmos símios com humanos, muito, muito próximos na comparação genética. Cruzamento de espécies de mundos diferentes, é algo aceitável apenas para compor a licença poética desenvolvida na Franquia, visto que a narrativa busca atingir o fim do preconceito em todas as vertentes possíveis.

Poster de A Mosca da Cabeça Branca
Neste rol poderíamos incluir A Mosca da Cabeça Branca (The Fly – 1958) e todas as suas sequências e reboots. Um computador unifica duas espécies separadas por meio bilhão de anos de evolução. Respeito a esta máquina. Perfeito exemplo de Deus Ex Machina.

Gattaca (1997), por outro lado não tem nada que a ciência não possa realizar. Aliás, é um exemplo perfeito de ficção científica: busca nos alertar onde o uso irresponsável do conhecimento pode nos conduzir. Um homem gerado sem as melhorias da manipulação genética poderia ser discriminado pela sociedade dos humanos aperfeiçoados. Nesta sociedade, as profissões são definidas pelas características programadas nos núcleos de suas células. É o fim da liberdade de escolha, seríamos gerados e destinados a um trabalho desde nossa concepção. Melhor? Pior? É a questão levantada pela obra. Cabe a nós encontrarmos estas respostas.

Alter ego de Mila Jovovich
Em 'A Experiência' (Species – 1995), alienígenas nos enviam uma codificação genética que, misturada ao nosso ADN, gera um soldado programado para se procriar e destruir-nos. Esse só dá para engolir desligando o cérebro e não tentando entender as possibilidades científicas. Mas o pior ainda vem com as metamorfoses instantâneas, produzindo exoesqueletos e 'desproduzindo', sem timidez. Por fim, o mutante ainda consegue se salvar contaminando um camundongo. Este passa a ter todas as características possuídas pelo mutante quando era meio humano.

Por fim temos Planeta dos Macacos: A Origem (2011) e podemos incluir aí A Batalha do Planeta dos Macacos (1973) e Planeta dos Macacos (2001) de Tim Burton. Todos tentam esclarecer como seria a possível explicação científica de como chimpanzés, gorilas e orangotangos, se tornam seres dominantes no nosso planeta. É preciso desligar o cérebro nestes aqui, também. Não existe uma possibilidade viável de termos uma involução de uma espécie e a evolução de outra sobre a primeira.

Uma evolução leva milhares de anos para se firmar. Ou seja, os ursos brancos não surgiram de uma geração para outra, nem em décadas, nem em séculos. Mas foram precisos milhares de anos até que toda uma população de ursos coloridos perdessem espaço para os mutantes brancos, e estes, por fim, conseguissem eliminar toda e qualquer preponderância de genes coloridos.

Cezar no novo filme Planeta dos Macados: A Origem
Mas vamos falar de inteligência. Acredita-se que o desenvolvimento da inteligência pode ter começado a mais de dois milhões de anos, quando os primeiros primatas teriam surgido. Então uns poucos mutantes conseguiram alguma diferenciação. A partir de então, qualquer possibilidade de se pegar um cérebro que derivou por outras ramificações da evolução, e que obviamente não conseguiu desenvolver uma linguagem mais rica, ou atitudes mais direcionadas a suplantar as dificuldades ambientais, uma laringe, cordas vocais, controle motor de todo este conjunto, etc, de um dia para outro, por força de vírus e outras manipulações genéticas tornar-se mais inteligente que o ser humano médio, e ainda falar, foge a qualquer crivo de realidade.

A evolução nos projetou durante milênios, e ainda está tendo trabalho. Os chimpanzés estão evoluindo, apenas para se adequarem cada vez mais ao seu meio. Nós poderíamos através de um processo eugênico selecionar os símios mais inteligentes e os aperfeiçoar, mas iríamos levar séculos de procriação para podermos ter um animal que pudesse competir em alguns aspectos da inteligência humana. Contudo, para termos um ser pensante, racional, capaz de falar, de projetar estratégias dentro de um ambiente multidimensional, seria necessário uma ajudinha divina, ou demoníaca.

No próximo falaremos de viagens interestelares... até...