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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus: uma análise

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Prometheus
ALERTA ESTE ARTIGO TEM SPOILERS

por Fabok

Antes um protesto

Sei que o explorador deve estar ansioso pelo nosso review do filme, mas não posso deixar de falar nos eventos que os expectadores da minha sessão testemunharam antes da exibição.

Tudo o que queremos é assistir filmes com a qualidade do preço que pagamos
Quando a entrada na sala foi liberada, levei um susto. Tudo estava numa escuridão total. Imediatamente os que lá estavam começaram a ligar seus celulares para termos um pouco de luz. A princípio, até pensei que poderia ser uma campanha de marketing do filme, mas no momento que as fracas luzes de nossos celulares começaram a varrer a sala, um sentimento de horror se abateu em todos nós, e não era por causa de nenhum alien. A sala 3 do UCI Fortaleza estava simplesmente imunda. Restos de comida e pipoca por todos os lados, o chão completamente melado e, ainda por cima, os assentos sujos e com manchas de gordura para todos os lados.

Mas o pior estava por vir. Quando começou a projeção, a imagem estava tão escura, que em determinados momentos ficava difícil de entender o que estava se passando na tela. Com isso, o efeito 3D foi muito prejudicado e acabou por ficar abaixo do esperado. Com um ingresso na casa dos R$ 30,00, é uma vergonha como o UCI Iguatemi Fortaleza trata seu público. Aos exploradores, evitem as salas 3D de lá a qualquer custo.

Agora o filme

E Deus amou tanto a humanidade que a ela sacrificou seu próprio filho
Eis que Prometheus começa. A sequência inicial, com um humanóide se sacrificando para dar origem à vida na Terra, é espetacularmente bela e me encheu de expectativas. Logo em seguida a nave Prometheus surge enchendo completamente a tela, indo rumo ao desconhecido. Pensei, é... Ridley Scott está de volta e em grande estilo.

Fassbender é um andróide que esconde sua humanidade e suas obsessões
Aos poucos vamos conhecendo a nave através de David, um andróide, que aparentemente tem a missão de manter os sistemas automáticos e a tripulação da Prometheus em ordem. David parece ser único. Ele é fascinado com filmes antigos, em especial Lawrence da Arábia, e acaba por adotar o visual do personagem vivido por Peter O'Toole. Ainda assim, há algo perturbador sobre David: ele é tão humano em suas ações que acabam por torná-lo diferente de nós. Pior, ele tem o hábito de acessar os sonhos dos tripulantes que estão em congelamento criogênico para a longa viagem de dois anos da nave.

Ao chegar ao seu destino, a tripulação é despertada. Ficamos conhecendo o casal de arqueólogos Elizabeth Shawn (Noomi Repace) e Holloway (Logan Marshall-Green - reparem que o ator é quase um clone de Tom Hardy de A Origem e do novo Batman). Eles conseguem convencer o magnata Peter Wayland (Guy Pierce, debaixo de uma maquiagem muito pesada), dono da Weyland Coorp. a financiar a missão, antes de sua morte.

Logan Marshall-Gree e Tom Hardy, que é isso "doppelgängers"?

E qual seria esta missão? Shawn e Holloway encontraram evidências de que a humanidade foi criada por seres extraterrestres, os quais eles chamam de "engenheiros". Nestas evidências há um aparente convite de nossos criadores para encontrá-los. Até este momento, o filme vai criando uma atmosfera muito boa e cheia de mistérios. Mas logo vem a primeira decepção, pelo menos para os fãs de Alien - O Oitavo Passageiro. O destino da Prometheus não é LV426, o planeta no qual o alienígena do filme original é encontrado, e sim LV223, que aparentemente orbita o mesmo gigante gasoso com anéis, do filme de 79. Neste momento meu sinal amarelo se acendeu, mas logo em seguida ele passou a vermelho, quando a tripulação da nave entrou em ação.

O velho cliche da ignorância
do método científico


Para uma expedição científica com potencial de mudar para sempre a humanidade, a Weyland escolheu os piores profissionais possíveis. Os "cientistas" não seguem nenhum tipo de procedimento ou protocolo que garantam o sucesso e a segurança da missão. De cara Holloway quer logo sair da nave para explorar a estrutura que fora avistada por eles. Quando o Capitão Janek (Idris Elba) pede que o arqueólogo espere até o dia seguinte, pois eles só teriam mais seis horas de luz, este responde algo do tipo, "Esperei dois anos para poder abrir meus presentes de natal". Pior ainda é a resposta de Janek, "ok, estou aqui só para pilotar a nave". Logo em seguida nos é apresentada a personagem Vickers (Charlize Theron), os olhos e ouvidos da Weyland e que logo ordena que qualquer contato com os "engenheiros" deve ser evitado. A atriz faz o possível para tornar Vickers interessante, mas ela é apenas uma coadjuvante de luxo na trama.

Charlize não foi nem bonita nem teve uma grande atuação
Falando em incompetência, o que dizer do geologista Fifield (Sean Harris) e do biólogo Milburn (Rafe Spall). A dupla consegue criar momentos antológicos de humor involuntário. Milburn é um biólogo que não gosta de coisas mortas e junto a Fifield simplesmente abandonam a expedição quando vários corpos alienígenas aparecem. Para completar, o geologista consegue com que a dupla se perca, quando ele próprio tinha dispositivos que mapeavam o lugar em que se encontravam. O momento em que eles encontram a criatura hammerpede é tão ridículo que você torce para que os dois morram logo...

Desenvolvimento confuso e sem sentido

Salada completa, alienígenas+zombies from outer space
George Romero deve estar às gargalhadas
Daqui em diante o filme entra numa espiral de situações mal resolvidas e mal escritas. Com que propósito David infecta Halloway? Fica a impressão que os roteiristas não sabiam o que fazer para "engravidar" Shawn. Ok, a cena do "parto" é plasticamente visceral e perfeita bem ao estilo do diretor, mas Shawn, uma arqueologista, consegue operar um equipamento médico de última geração, com dores excruciantes e sozinha, do mesmo modo que operamos um tablet. A quantidade de sangue que cai nela antes do final do "parto" é tanta, que ela teria que ter alguma sequela. Mas não, deste momento em diante o roteiro resolve transformar Shawn em uma nova Ripley com poderes sobre-humanos e imune às consequências do procedimento cirúrgico pela qual passou. Para completar, ninguém à bordo pareceu se interessar pela criatura que ela deu à luz, que fica esquecida até os momentos finais do filme.

A cenografia de Dariuz Wolski é impecável e formidável
Mas quem são os responsáveis por um roteiro tão problemático? Um deles, o explorador já deve conhecer. Sim, é ele, Damon Lindelof que tem em sua "ficha criminal" pérolas como o final de Lost, e é coautor do roteiro de Cowboys and Aliens e do futuro Star Trek. Por todo o filme você consegue ver o "dedo" do senhor Lindelof. Diálogos sofríveis, eventos sem o menor sentido e, claro, mais furos no roteiro do que um queijo suíço. Vou citar alguns: Por que os "engenheiros" se dariam ao trabalho de semear a Terra com vida, para simplesmente querer exterminá-la depois? Se o que Shawn e Halloway encontraram foi um convite, por que um convite para o que obviamente parece ser uma instalação militar? O que houve na Terra dois mil anos atrás para levá-los à uma decisão tão drástica como a que vimos no filme? E por último, a tripulação de "engenheiros" devia ser ainda mais incompetente que a da própria Prometheus, por se deixarem destruir por suas próprias armas biológicas.

É um filme de Ridley Scott?

Você é humana ou andróide? (referência a Blade Runner?)
O filme consegue se salvar graças a Ridley Scott, que fez milagre com um roteiro tão fraco. Scott sabe como ninguém valorizar a direção de arte de seus filmes para criar suspense. Prometheus é um banquete visual e auditivo. O nível de detalhes da nave, roupas e cenários é espetacular sempre fazendo referência a Alien - O Oitavo Passageiro. Há ainda uma pequena referência a Blade Runner. Repare na touca que os tripulantes da Prometheus usam com o traje espacial. É muito parecida com a usada pelo personagem Gaff, vivido por Edward James Olmos naquele filme. Outro exemplo do minimalismo do diretor, as informações vistas nos computadores da nave seguem o mesmo estilo das que são vistas na Nostromo, do filme de 1979.

Uma grande sacada de Scott foi ter trazido o bizarro artista H.R. Giger, criador da criatura original do filme de 1979, como consultor. O visual da nave dos "engenheiros" e das criaturas nos remete a Alien, mas ainda assim com um toque diferente. O Space Jockey ser apenas um traje espacial dos "engenheiros" foi uma boa surpresa. Contudo, o perfeccionismo de Scott não foi tão feliz na trilha sonora composta por Marc Streitenfeld, que só brilha no momento em que Peter Weyland aparece como holograma, usando um trecho da clássica trilha composta por Jerry Goldsmith.

Ridley Scott raramente fecha suas histórias

Os 'engenheiros' como uma sociedade monástica
Os atores fazem o que podem, mas realmente quem se destaca é Michael Fassbender. David é ao mesmo tempo encantador e assustador e foi um ótimo precursor para os andróides da série. Noomi Rapace consegue dar alguma credibilidade a Shawn, mas não é nenhuma Ripley. O restante não consegue ter o mesmo tipo de empatia que a tripulação da Nostromo em Alien, infelizmente.

Para completar, Prometheus não é um estória fechada. O final em aberto lança mais perguntas do que o próprio filme conseguiu responder. Qual a origem dos "engenheiros"? Para onde Shawn e David foram? Como o "pré-facehugger" e o "pré-alien" vistos na boa cena final evoluíram para o que vimos nos filmes da série Alien? A Terra ainda está em perigo? As respostas ficaram para uma possível sequência, que nem sabemos se será realizada. Tudo vai depender da bilheteria do filme. Ah! Uma dica pro pessoal da Weyland Coorp: se vocês financiarem uma nova missão, por favor escolham uma tripulação melhor. O pessoal do Relatório da Situação de antemão já se oferece para tripular uma nova Prometheus. Nós seríamos muito mais profissionais... Já para Ridley Scott...você é o cara, mas pelo amor de Deus se livra deste picareta que é o Sr. Lindelof. Existem excelentes roteiristas por aí que fariam de tudo para trabalhar com você no universo de Alien.

Resolveram economizar no figurino
Visualmente Promeheus é arrebatador, mas isto não é suficiente. Sem um bom roteiro, o filme se torna vazio e acaba por decepcionar, justamente por toda a expectativa que criou. Como prelúdio de Alien, o filme também falha, simplesmente por não dar nenhuma resposta satisfatória aos mistérios daquele filme. Agora nos resta uma pequena esperança, Ridley Scott já anunciou que a edição em DVD e Blu-Ray terá uma nova versão com mais 20 minutos. Não estou otimista, mas vamos aguardar...

E você explorador, o que achou? Mande suas opiniões! Até a próxima!


Prometheus: 2012, EUA
Direção: Ridley Scott
Roteiro e História: Jon Spaihts e Demon Lindelof
Música: Marc Streitenfeld
Edição: Pietro Scalia
Elenco: Noomi Rapace, Logan Marshall-Green, Charlize Theron e Michael Fassbender


Nossa avaliação:

Delta-Shield Bronze

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Star Trek Ongoing: série em quadrinhos abre caminho para novo Star Trek

SÉRIE: QUADRINHOS

por Fabok
Nunca fui muito fã de quadrinhos, mas passei a apreciá-los depois que comecei a lê-los no iPad. A interface gráfica é muito inteligente e confortável para o leitor. Como trekker acabei descobrindo a série Star Trek Ongoing, que faz a ligação entre o filme Star Trek (2009) e a sua sequência que chega aos cinemas no ano que vem.

Edição #1-Where No Man Has Gone Before
O projeto é bem interessante, onde as aventuras da série clássica de Jornada nas Estrelas são revividas agora, já no novo universo criado por J.J. Abrams. A produção é de primeira. Os traços são muito bonitos e reproduzem fielmente os personagens e cenários do filme. Além disso Ongoing conta com a participação de Roberto Orci, um dos roteiristas do reboot e da sequência como Consultor Criativo. A proposta é boa, visto que constrói o background das aventuras nos permitindo um melhor posicionamento ante os eventos do novo filme.

Estórias em arcos duplos

Explore estranhos mundos novos!
Aliste-se na Frota Estelar!
Cada aventura é dividida em duas edições. Logicamente o primeiro episódio adaptado foi "Onde Nenhum Homem Jamais Esteve". Esta é uma adaptação bem fiel ao episódio da Série Clássica, e sem muitas novidades, a não ser a personagem da doutora Elizabeth Dehner que não está presente; o Dr. McCoy já é o oficial Médico-Chefe da nave e não o Dr. Mark Piper. O personagem Gary Mitchell ganhou os traços do ator Gary Lockwood (2001, Uma Odisséia no Espaço). O roteiro ganhou um acabamento melhor, mais moderno e mais casado com a "realidade" construída ao longo da série. Uma curiosidade é que o planeta onde se passa a aventura chama-se Delta Vega. No filme de 2009, Delta Vega é onde Kirk encontra Spock Prime e Scott. E, não tem nada haver com o planeta da Série Clássica. Cuidado aí J.J.!

Acabamento primoroso
O próximo episódio escolhido foi "O Primeiro Comando", que traz duas grandes mudanças em relação ao episódio original. Uma das tripulantes da nave auxiliar é a Alferes Rand, fazendo sua primeira aparição no novo universo. E quem salva o dia é Uhura que, contra todas as ordens, rouba uma nave auxiliar, para encontrar Spock. Ponto para a personagem, mas que, por outro lado acaba por enfraquecer Spock. Um dos pontos altos do episódio original era justamente a visão pragmática do Vulcano, que resolve tomar uma decisão "desesperada" baseada na sua maneira peculiar de usar a lógica. Ainda sim, a aventura é bem interessante.

Os clássicos episódios da TV estão sendo revisitados

Belo tratamento de imagem
Em "Operação Aniquilação", os quadrinhos tomam um rumo bem diferente do que foi visto antes. Aqui Kirk encontra seu irmão George vivo e temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o passado dos dois personagens. Legal aqui é que os roteiristas trouxeram a boa química entre McCoy e Spock de volta. Outro bom momento é dado na relação entre Spock e Uhura, que se mostra bem preocupada com as atitudes um tanto quanto "ilógicas" do Vulcano desde a perda de sua mãe e do seu planeta natal. Até o momento esta foi a melhor adaptação dos episódios originais.

Já para a próxima aventura, os roteiristas resolveram contar uma trama original, diretamente ligada ao filme de 2009, "Vingança Vulcana". Novamente mostrando a, cada vez mais preocupante, falta de conhecimento da geografia de Star Trek, o episódio começa no distante Quadrante Delta, é mole? Onde um alienígena tenta negociar a venda de informações sobre a Narada, a um misterioso grupo. Enquanto isso, a Enterprise está em patrulha próxima à Zona Neutra Romulana e recebe um pedido de socorro de uma nave científica vulcana. Aqui os roteiristas foram felizes em manter o desenho das naves vulcanas como vistas na série Enterpise. Kirk encontra a nave ainda sendo atacada, mas o grupo consegue fugir, deixando para trás um tripulante que revela ser um sobrevivente da tripulação da nave de Nero. Sem muitos spoilers, a trama envolve uma missão secreta vulcana para recolher o que restou da infame "matéria vermelha" e acaba por levar a Enterprise a Romulus. O roteiro é bem interessante e cheio de reviravoltas, pena que o final fica um pouco a desejar por não ousar em transformar um importante personagem do canon de Jornada em vilão. Faltou coragem ou liberdade aos roteiristas...

Lançamento - A Vingança do Vulcano p.2
Para os próximos números teremos adaptações de "A Hora Rubra" e uma aventura inédita com os pingos intitulada de "A Verdade Sobre os Pingos". Os produtores já disseram várias vezes que alguns eventos e personagens vistos nos quadrinhos terão conexão com o próximo filme. Para o fã de Jornada vale a conferida, mas infelizmente não há previsão de lançamento no Brasil. A boa notícia é que a editora IDW, disponibiliza Ongoing pela Internet, App Store, Android e Kindle. Confira o site.



Star Trek Ongoing: 2011, EUA
História: Mike Johnson
Arte: Joe Phillips, Steve Molnar, Tim Bradstreet, Joe Corroney

Editora: IDW Publishing
Número de páginas: de 28 a 33
Preço de venda: US$1,99 - lançamentos US$3,99
Mídia: Leitor eletrônico (internet, iPad, iPhone, iPod, Kinde e pads com Android)

Idioma: inglês

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prometheus: O Mistério está próximo a ser revelado

CINE PREVIEW
Alerta este artigo traz spoilers moderados

por Fabok

Recentemente, li em algum lugar, que muitos fãs dos filmes da série Alien estariam preocupados com Prometheus, o novo filme de Ridley Scott, que estreia mês que vem. O problema segundo eles, é que a trama não seria centrada nos aliens ou que eles apareceriam muito pouco e outras coisas do gênero. Minha pergunta a estes fãs é uma só: mas, e daí?

Space Jockey já visto no filme de 1979
Prometheus não é um filme da série Alien. Ele apenas se situa no mesmo universo. A proposta de Ridley Scott é muito mais ambiciosa que um simples prequel. Ao abordar dois pontos jamais respondidos pelos filmes da saga: como a megacorporação Weyland Industries sabia da existência do sinal alienígena captado pela nave Nostromo e dos xenomorfos, e quem seria o misterioso alienígena fossilizado (Space Jockey), ambos vistos em Alien, O Oitavo Passageiro (1979), o diretor se propôs a criar uma nova e ambiciosa mitologia que levará o expectador a descobrir nada menos que a própria origem da humanidade.

Enfim algumas das perguntas terão respostas

O filme ainda está cercado de mistérios, e os espetaculares trailers lançados só aumentam as expectativas. Sabendo disso, a Fox criou uma interessante campanha de marketing viral. Através do site http://www.weylandindustries.com/, o explorador poderá conhecer detalhes sobre a empresa e seu criador, Peter Weyland que é interpretado pelo ator Guy Pierce. Lá, os mais atentos, encontrarão entre os feitos da empresa, ligações com o universo de Alien como a invenção das câmaras de hipersono, da propulsão FTL (Faster than Light) e da descoberta do planeta Acheron LV-426 vistas no filme de 1979; dos processadores atmosféricos, do exoesqueleto motorizado que Ripley usa para lutar com a rainha Alien e a criação dos Space Marines de Aliens (1986); e da construção de colônias penais fora da Terra (Alien 3, 1992).

Você também encontrará informação sobre os Cybernetic Individuals, os robôs, que foram tão importantes para a série. O site conta a gênese deste projeto, desde a primeira patente registrada em 2023 até a série David 8, primeiros robôs a replicar emoções humanas e serem praticamente indistinguíveis dos seres humanos. Na nave Prometheus temos um robô desta série vivido pelo ator Michael Fassbender.

O roteiro cobre uma longa linha de tempo

Guy Pearce é Peter Weyland
O legal desta linha do tempo que vai de 1990 até 2073, é que todos os feitos de Weyland culminam com o Projeto Prometheus. E aqui vai uma curiosidade, este projeto realmente existiu. Ele foi parte de um esforço da NASA para a criação de naves movidas a propulsão nuclear para missões de longa duração. Infelizmente esta iniciativa foi cancelada pela agência em 2006 por falta de fundos. No universo do filme, a medida que a Weyland controla todos os campos do desenvolvimento científico do planeta, ela acaba comprando todos os dados referentes a ele.

Charlize Theron como Meredith Vickers
Mas qual será realmente a trama do filme? Do que consegue-se entender dos trailers é que são encontrados, em diferentes cantos da Terra, sinais de que fomos visitados por seres extraterrestres. Ao se juntar estes sinais, um aparente convite ou localização destes alienígenas é descoberto. A Weyland Industries, megacorporação de poder e influência jamais vistas na história do planeta, envia uma missão a este local. Qual sua ligação com o que já vimos na série Alien é uma resposta que só teremos quando o filme estrear. Mas do pouco que se viu, nota-se todo o cuidado com que Ridley Scott conduziu o projeto. O estúdio está tão empolgado que apoiou a decisão de levar as telas a versão sem cortes do filme, que recebeu a classificação R nos EUA, reservada a filmes com conteúdo mais adulto e agressivo.

Promessas e muita ansiedade

Para os exploradores mais ansiosos, não deixem de reassistir Alien (1979), o trailer de Prometheus faz inúmeras referências aquele filme, que só para lembrar também foi dirigido por Scott. No dia que o segundo trailer saiu, fiquei tão empolgado que resolvi rever todos os filmes da série, bom quase todos, ainda não tive coragem de enfrentar os Aliens vs Predador, se é que vocês me entendem... Uma boa pedida também é visitar o site da Weyland Industries e conferir os interessantes vídeos virais com os personagens Peter Weyland e David 8. Ao explorador mais cauteloso, fique tranquilo pois os vídeos não possuem spoilers.

Confesso que adorei os Avengers, mas pra mim Prometheus será o filme do ano. Muitos já o comparam a 2001 Uma Odisseia no Espaço. Será que teremos um novo clássico da Ficção Científica surgindo este ano? Em 15 junho descobriremos...

Ridley Scott nunca decepcionou... muita ansiedade
Até a próxima!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Robocop, José Padilha e um futuro violento

SÉRIE: CRÔNICAS INSTIGANTES

por Fargon Jinn

Recentemente, em entrevista à MTV americana, o ator Joel Kinnaman (Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, 2011), fez várias declarações a respeito do filme que irá estrelar. Dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite, 2007), este é, nada mais nada menos, do que um remake de Robocop (1987), um dos maiores sucessos da década de 80.

Joel Kinnaman será o policial Alex J. Murphy
José Padilha quando estreou com seus filmes, brilhou forte no mundo inteiro. E o reflexo disso está aí. Como que corroborando com estas espectativas, Joel Kinnaman, o astro principal do filme, o policial Murphy, descreve Padilha como sendo um jovem gênio, durão e criativo. Acrescenta ainda que sua visão sobre Robocop é única e espetacular, mostrando um personagem mais humano, respeitando os conhecimentos da neurolinguística. Desde sua concepção visual até o comportamento do homem-máquina, este Robocop atua com base nas mudanças ocorridas na criminalidade contemporânea, e nas modernas visões de combate ao crime e futuro da sociedade.

To Serve and Protect

Omni Consumer Products - a megacorporação criadora do Robocop
Robocop nos fala de um futuro distópico, onde as megacorporações controlam as funções sociais. O Estado admite a sua ineficiência em administrar os serviços fundamentais, entre eles, a segurança pública. Desta forma, o tecido social, totalmente corrompido e entregue às gangues e aos cartéis de drogas, está em colapso. A força policial, igualmente desonesta, não consegue manter a paz e a ordem.

Peter Weller é o Alex Murphy da versão original
Um policial honesto é posto propositalmente numa situação de alto risco e, portanto, acaba assassinado. Partes de seu corpo são preservadas, mas sua mente e memórias são bloqueadas por um software. A parte do corpo que aloja o seu sistema nervoso é instalada num robô. Assim, Murphy torna-se o policial perfeito, união do poder da máquina à infinita capacidade da mente humana.

Onde parece haver uma disputa entre homem e máquina, temos em outra camada um conceito diferente. Será o futuro consequência da ganância sem limites? Ou um resultado da nossa irresponsabilidade com a gestão da coletividade.

Estatísticas sobre uma realidade confusa

Podemos assim, fazer várias inferências que nos posicionam no que ocorre no nosso país, nos Estados Unidos e em diversas partes mundo.

Até algumas décadas atrás acreditava-se que a violência era uma força ascendente sem solução. A pobreza aumentando e a moral decaindo. A nossa elite social, há muito, deixou de ser exemplo. Pelo contrário, ali estão as fontes de muitos dos males sociais. Claramente, mudanças no sentido de corrigir este disparate não são simples. Mas ocasionalmente, algumas ocorrências surgem que provocam alterações imprevisíveis.

Nos anos 90 detectou-se uma queda acentuada na violência urbana dentro dos Estados Unidos. Inicialmente avaliou-se que a polícia e o judiciário vinham atuando com maior rigor. Mas, pesquisas posteriores mostraram outro fator muito mais influente: a população de jovens em faixa etária normalmente ligada a estes altos índices de criminalidade diminuiu drasticamente.

Aborto, seria uma solução para os políticos brasileiros?

O verdadeiro motivo é que, nos anos 70, o aborto foi legalizado em todos os Estados norte-americanos. Os jovens ligados às estatísticas de criminalidade estão dentro das classes sociais que mais recorrem ao aborto. Resultado: houve uma redução significativa na natalidade daquele grupo. Consequentemente, o número de jovens potencialmente criminosos na década de 90 foi muito menor e continua reduzindo.

Por outro lado, vemos que, atualmente, os grupos criminosos mais importantes são os que se formam em países onde a religião interfere na aprovação do aborto. Geralmente são países do terceiro mundo. Maior pobreza, maior natalidade, menor qualidade na formação, maior potencialidade de jovens criminosos. Liderando estas estatísticas estão a América latina e a África.

Gangues de origem latino-americana
Se verificarmos os filmes e séries policiais estadunidenses, notamos com folga que as “máfias” agora não são mais italianas, mas sim cubanas, porto-riquenhas, mexicanas, colombianas. Num outro nível existem máfias russas, chinesas e de outros focos asiáticos ou da Europa oriental.

Robocop 4 ou Tropa de Elite 3?

Um policial moderno deve entender destas questões e de como se formam e estruturam-se estes guetos criminais. Acredito que este seja o enfoque sócio-político a ser trabalhado no filme de Padilha. A vivência e o conhecimento deste jovem diretor com as noções da criminalidade, juntamente com as questões policiais do Brasil, dos Estados Unidos e ao redor do mundo, podem vir a criar as condições ideais para um Robocop mais politizado e mais agressivo do que o filme original.

Se pensarmos bem, poderemos, em agosto de 2013, ver um Robocop, dizer – Pede prá sair! Pede prá sair! Você não é caveira! Pede prá sair!

Seria este um “Robocop Nativity“ ou um “Robocopitão”?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

The Hunger Games

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Jogos Vorazes

por Fargon Jinn

Interessante conceito este, discretamente apresentado, nesta nova saga da Lionsgate. Na verdade muita gente assiste ao filme e vê um jogo de caça e caçador, onde os dois fatores são humanos. Pior, são adolescentes. Pior, são garotos fortes, crescidos e treinados contra garotinhas criadas na roça. Pior, tudo é orquestrado por adultos. E consegue piorar mais? Claro que sim. Por que parar agora? O fundo do poço é mais embaixo. Para piorar mais, vemos aqui um Big Brother from Hell. Tudo é televisado e orquestrado para que os patrocinadores invistam seus recursos naqueles jogadores (adolescentes) mais populares.

A audiência vai sendo apresentada a um mundo moribundo
Agora vem o pulo do gato: tudo é a mais porca e mais descabida política. Estes jogos trazidos por estes livros e filmes, na verdade está descortinando uma realidade política. É cruel, mas é verdade, os poderes da "Nova Ordem Mundial" tentam manter o grosso da população na ignorância e inépcia.

1984, revisitado?!

Um livro profético?
Estamos olhando para a versão moderna de 1984. Isto é uma pantomima política. Ali é mostrado que busca-se favorecer uma elite de privilegiados (habitantes da Capital). Estes, para nadarem na fartura e na opulência, exploram a população desfavorecida, de descalços e descamisados, que passam fome, doenças e miséria (habitantes dos doze distritos).

Mas não acaba aí. Existe outra camada nesta história. Existe um outro nível de dominantes, quase ocultos, como devem ser. Estes são os verdadeiros arquitetos desta estrutura. Estes criam o circo para apaziguar e distrair tantos os distritais, como os capitais.

A função deles é reger esta orquestra política, e dizer quem realmente deve ser o popular e quem é o vilão.

Mocking Bird (pássaro brincalhão) símbolo da luta
representa o descaso à ordem dominante
Tudo deve ser balanceado para manter o nível de ‘esperança’, segundo o autor, o sentimento mais forte depois do medo. E para isso os vencedores devem ser construídos cuidadosamente. Eles devem gerar apenas a quantidade necessária daquele sentimento.

Para que não hajam levantes populares, as emoções devem ser produzidas dentro de um patamar suficiente apenas para que as pessoas anseiem pelo próximo embate, e não queiram resolver as injustiças mano-a-mano.

Isso não existe no mundo real

Isto pode ser levado às últimas consequências?
Isso não se parece muito com algo familiar? Futebol?! Ultimate Fight Constest?! Big Bosta?! Não, não, não, mera coincidência. Não iriam esfregar estes filmes na cara da gente, se fosse verdade, iriam? Eles não achariam que seríamos tão cegos...!

E nós, poderíamos algum dia, num futuro incerto, apreciarmos estes tipos de jogos? Em minha opinião: jamais. Nós estamos evoluindo. Não temos mais gladiadores. Agora são apenas lutas enjauladas. Não gostamos mais de jornais sangrentos. Hoje, só gostamos do Datena e da internet sensacionalista. Não queremos ver ninguém se arrebentando. Só nas videocassetadas.

Análise do filme

Gary Ross já desistiu de dirigir a sequência
Um roteiro bem desenvolvido, edição bem realizada, e uma ótima direção de atores e de cena. O cansativo é essa brincadeira de câmera com Parkinson. Isso é irritante e reduz em muito a compreensão da cena.

Catching Fire está com Francis Lawrence
A ideia de reduzir a violência explícita através destes movimentos de câmera não é novidade e nem inteligente. Isso é recurso de um diretor com pouca imaginação narrativa.

A música, edição de som e efeitos sonoros estão irretocáveis. Assim posso dizer, também, dos efeitos visuais e da fotografia. Maquiagem e figurino com certeza valem uma indicação para os prêmios da Academia ou o Globo de Ouro.

Embora parte destes atores sejam adolescentes, e dia desse estavam estreando filmes com temática infantil (Ponte Para Terabítia e Os Seis Signos da Luz), todos saíram-se muito bem em seus papéis. E não vejo aqui nenhum digno de destaque, excetuando-se a beleza de Jennifer Lawrence (a Mystique de X-Men: Primeira Classe)

Saldo e méritos

Personagens belos e cativantes
É um filme muito divertido. Realmente envolve. Não deve ser assistido com preconceitos. Pense apenas em se divertir e a partir de então vá analisando. As músicas e toda a sonografia realmente compensa e a história empolga.

As bilheterias brasileiras que, a princípio, foram desfavoráveis estão se recuperando, o boca-a-boca está fazendo o seu papel. Nos States as bilheterias bateram recordes e as sequências já estão garantidas.

Vou agora procurar os livros. Que chegue logo a Amazon Brasil e seu maravilhoso Kindle. Setembro ‘tai’ gente.

Jogos Mortais (The Hunger Games): 2012, EUA
Direção: Gary Ross
História: baseado no livro homônimo de Suzanne Collins
Roteiro: Suzanne Collins, Gary Ross e Billy Ray
Música Original: James Newton Howard
Edição: Christopher S. Capp, Stephen Mirrione e Juliette Welfling
Elenco: Stanley Tucci, Wes Bentley, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Woody Harrelson

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata