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segunda-feira, 12 de março de 2012

A popularidade de Star Wars e Star Trek


SÉRIE: GRANDES SAGAS


por Fabok

Star Wars sempre tem um público um pouco maior
Estávamos saindo de nossa participação na Comic Con do SANA Fest 2012 e estávamos impressionados que o nosso painel sobre Star Wars atraiu muito mais o interesse do público do que o de Star Trek. Alguns dias mais tarde, fui ao cinema assistir à estreia de Star Wars - Episódio I em 3D, e me surpreendi com a quantidade de crianças, havia até uma garotinha de no máximo seis anos toda orgulhosa com um sabre de luz na cintura, vibrando com um filme, que é de longe considerado o mais fraco da série.

Star Wars tem um certo charme, mas não sei bem onde...
Dias depois, ao contar esta experiência ao pessoal do Relatório da Situação, nosso amigo Helder Maia fez um comentário muito interessante, que me fez refletir bastante, e tomei a liberdade de citar aqui:
Star Wars encanta, Star Trek é reflexão!”


Pensando bem, isso até que faz sentido!!! ¬¬ ?
Aquilo me 'deixou com a pulga atrás da orelha' e, por mais que tentasse, não conseguia concordar inteiramente com o Helder. A Série Clássica e até mesmo a Nova Geração definitivamente sempre deixavam no ar alguma reflexão, algumas muito bem trabalhadas, outras nem tanto. Mas as séries subsequentes de Jornada abandonaram quase que completamente esta característica. Se nós pensarmos nos filmes para o cinema, pelo menos com os filmes da tripulação original, havia uma preocupação de se deixar uma mensagem. O valor da amizade, tolerância, moral, ética, preocupação com ecologia ou a nossa situação política vivida naquele momento, refletindo-se nos roteiros, são elementos que sempre estiveram presentes. Por outro lado, isto foi sendo deixado de lado nos filmes da Nova Geração e, a meu ver, ignorado completamente em Star Trek (2009).

"Doca-seca" de Jornada nas Estrelas: O Filme (1979)
Então explorador, pelo menos até agora, vocês devem estar concordando com o Helder, mas é aí que a coisa complica. Se excluirmos Jornada nas Estrelas - O Filme (1979), as aventuras mais rentáveis de Jornada foram First Contact (1996) e Star Trek (2009), que tiveram muita ação, grandes efeitos visuais, e quase nada de reflexão; e o primeiro filme (1979) foi considerado um show de efeitos visuais em sua época. Resolvemos a charada, o segredo do sucesso é a ação e os efeitos visuais. Certo?

Acho que seria certo, para quase tudo em cinema, mas para estas franquias está errado... Claro que os efeitos e a ação são um importante chamariz, mas o que encanta, principalmente, em Star Wars é a saga do herói, não somente de Anakin ou Luke Skywalker. A saga apresenta uma galeria de incontáveis personagens heroicos: Padmé, Han Solo, Lea, Yoda e até mesmo os droids R2D2 e C3PO, e cada um deles tem seu momento de sacrifício em prol de alguém ou de uma causa. Aí está um elemento de força na saga de George Lucas. Até mesmo o maior vilão de todos os tempos, Vader, tem seu momento de redenção ao deixar o Lado Negro e se sacrifica para salvar seu filho. Não tenha dúvida, mesmo o público mais jovem é capaz de identificar-se com isto. E, se o público jovem fica "encantado", jamais esquece. Sucessos baseados somente em efeitos visuais ou ação são efêmeros e, no final, esquecidos pelo público.

O filme de Jornada que melhor trabalhou o valor do herói foi ‘A Ira de Khan’ (1982). Não é à toa que esta é a aventura mais querida dos fãs. Mas, o que compensava a falta de um herói, nos filmes com o elenco original, era a incrível química e cumplicidade entre os atores, refletindo isso em seus papéis. Por isso Kirk e companhia funcionavam tão bem. Já com a Nova Geração, a primeira coisa que fizeram, no cinema, foi transformar Picard num "herói de ação"...!!

Calma, explorador, me deixa terminar... "Tentaram" criar um herói, mas que ficou sem uma saga, sem sacrifício e, no final, sem graça. De que adianta mandar a Enterprise se chocar contra a nave do vilão, se isto não traz nenhuma empatia com audiência, a não ser uma sequência de ótimos efeitos visuais? Pior ainda, o excelente elenco da Nova Geração foi extremamente mal utilizado nos filmes, as espinhas do Worf e os comentários bobos de Data em Insurrection (1998) estão aí para provar o que estou dizendo. Os filmes da Nova Geração foram ficando cada vez piores com o tempo, o que causou o fim das aventuras da Enterprise de Picard no cinema, mesmo com boas cenas de ação e efeitos visuais.

A 'divinal' obra de J.J. Abrams
E assim chegamos a Star Trek 2009. A idéia do reboot foi uma saída interessante para se escapar das armadilhas do canon, mas a decisão de transformar o filme num festival de pirotecnia em detrimento da estória, é motivo, sim, de preocupação. J.J Abrams e sua turma tem um elenco promissor nas mãos, mas eles precisam trabalhar melhor os personagens. Jornada, para sobreviver, precisa de heróis, no verdadeiro sentido da palavra, e não somente Kirk, Spock e McCoy. Uhura, Sulu, Chekov, Scotty. Estes personagens estão prontos, e com certeza seus interpretes também, para partir em direção a novos caminhos para a série. Deixem a nova tripulação da Enterprise sair em busca de sua própria saga! É este ponto, pelo menos para mim, que Star Trek deveria emular Star Wars.

Sei que muitos discordam de mim. Mas, e você explorador, qual é a sua visão desta temática? Expresse sua opinião. Diga-nos por que Jornada não encanta. É uma discussão interessante...


Participação de Fargon Jinn


Bom, como editor deste fanzine, e fã de ambas as sagas, me sinto compelido a expressar a minha opinião sobre este tema, que me é muito instigante.

Enfim uma série de respeito
Star Trek, minha paixão de infância, é uma série que me cativou profundamente, por que nos trazia um posicionamento sério, e acessível o suficiente para uma criança de 8 anos entender. E eu entendia sim. Claro que muitos dos layers de Star Trek eram invisíveis, na época, mas eu tinha pelo menos um insight por episódio. No lado oposto eu tinha Perdidos no Espaço (1965-1968), que não era nada mais do que “o monstro da semana”. E eu, aos 6 anos, me cagava de medo do monstro, ou morria de rir do Robô, ou de raiva da vilania do Dr. Smith. Achava que no ano 2000 todos vestiriam roupas prateadas e usariam pistolas laser no coldre.

Jornada era uma proposta séria, e me fazia viajar. Eu gostaria de poder ter uma nave e sair ao bel prazer pelo espaço à fora, e solucionar elegantemente todos os desafios propostos como Kirk e Spock sempre faziam.

Resposta do público durante todo o ano de '77 em Hollywood
Quando vi Star Wars, em 1977, meu cérebro fundiu. A space opera entrou em minha vida de uma forma violenta. E foi, além das naves, robôs e cenas de combate, principalmente pelo poder da Força. Uau! Nessa época, o misticismo, para mim, era algo que tinha um apelo muito poderoso. E aquele poder etéreo batia em muito com o que eu acreditava do que deveria ser “a verdade sobre a vida, o universo e tudo o mais”. A história em si, eu sempre achei muito cheia de furos, pequenos e grandes, muitas pontas soltas. Por isso, o 'ambiente' em si, o grande cenário, a saga propriamente dita, foi o grande anzol que me fisgou.

E se, mesmo após esta lógica explanação, alguém discordar...
Sempre existem formas mais eficazes de convencimento!
Este é para mim o grande diferencial entre estas grandes séries. Para mim, Star Trek encanta tanto quanto Star Wars. Mas concordo plenamente que o universo de Lucas tem muito mais elementos que apelam emocionalmente. E mesmo que a mística da Força tenha sido destruída (Obrigado titio Lucas!), existem um sem-número de elementos que ainda exercem uma atração maravilhosa. E, com certeza, "Assim Falou Fabok", a jornada do herói, de cada um dos grandes personagens de Star Wars, é um dos elementos mais fortes destes apelos.


Participação de Helder Maia


Peraí, se todo mundo está dando sua opinião, eu vou dar a minha também. Hehehe...

Nunca conseguiu entrar na minha cabeça como Guerra nas Estrelas consegue ser mais popular que Jornada nas Estrelas (sim, eu não chamo de Star Wars, pois cresci com o título em português. Caramba, até me lembro de uma promoção do achocolatado Nescau nos anos 80: você comprava uma lata e “ganhava” uma máscara do Darth Vader! Claro que eu comprei e ficava brincando com a tal máscara). Afinal, como seis filmes para o cinema de Guerra podem competir com onze de Jornada, mais setecentos e vinte e seis episódios de todas as suas séries juntas? Claro que Guerra tem seu “universo expandido” nos livros, jogos e nas séries de animação, mas tirando estas últimas, os dois primeiros formatos não são tão difundidos aqui no Brasil.

Mas, ei, qual era o tema mesmo...? Ah, sim... Guerra x Jornada. Bem, eu não diria que os filmes da Nova Geração sejam apenas aventuras de ação, como ponderou o meu amigo Fabok. Apesar de sofrível, Generations trata da questão da mortalidade e de como ela nos define. Primeiro Contato coloca em meio à ação o drama particular de Picard, que tendo sido sequestrado e sofrido “lavagem cerebral” na mão dos borgs, fica obcecado por destruí-los, mesmo esquecendo seus princípios, em sua sede de vingança. Insurreição, como todos os seus defeitos, trata da busca da criança dentro de todos nós e do mito da “fonte da juventude”. Mesmo o fraquíssimo Nêmesis (2002) trata da questão do desenvolvimento humano sob a ótica da carga genética versus o ambiente e experiências vividas: qual delas tem maior poder sobre a formação do indivíduo? Será que Picard teria se tornado como seu clone, Chinzon, se tivesse passado pelas mesmas experiências de humilhação e violência como escravo nas minas remanas?

Apesar de Guerra nas Estrelas ser um espetáculo visual e trazer, claro, personagens cativantes como Han Solo, Luke e a Princesa Léia, eu não vejo uma temática maior sendo tratada nos filmes da saga de Lucas. Não é que eu não goste deles, mas prefiro Jornada por ser mais cerebral, sem abrir mão da ação ou entretenimento. Se não fosse assim não estaria cogitando conferir os seis filmes de Guerra recentemente lançados em Bluray.

Mas, mais importante do que os fãs ficarem se digladiando sobre qual das franquias é a melhor, naquele ‘besteirol’ de tentar convencer o outro de sua opinião, é que se consiga ver em cada uma delas seus valores, sem perder o senso critico para seus defeitos. Porque uma não poderia complementar a outra, afinal? 


- No próximo falaremos da guerra final Star Wars e Star Trek versus Crepúsculo!
- Nãaaaooooo! Não é possíiiivel!
- It's a trap!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Séries dos anos 90 em alta definição: é viável?

por Fabok

Um belo brasão de armas
Há alguns meses atrás a Paramount anunciou que estaria lançando um blu-ray demo com três episódios de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração remasterizada em HD, para ver se existiria o potencial para o lançamento de toda a série no formato do “raio azul”. Os episódios deste disco são Encounter at Fairpoint, Sins of The Father, The Inner Light.

Um, bem produzido, trailer foi lançado, você pode conferir aqui, mas confesso que não fiquei muito impressionado com o que vi e com os detalhes do projeto. Esperava a série recebesse o mesmo tratamento dado à Série Clássica que, quando foi 'remasterizada' para a alta definição, passou por um processo de restauração 'quadro-a-quadro' e também teve todas as cenas de efeitos visuais refeitas com o cuidado de não se modificar o conceito imaginado nos anos 60. Enfim, um belíssimo trabalho de restauração.

Patrick Stewart é Cap Jean Luc Picard
Já, para A Nova Geração teremos a restauração 'quadro-a-quadro', mas os efeitos visuais não seriam refeitos, eles também iriam passar pelo mesmo processo. Imediatamente a polêmica tomou conta dos fóruns especializados, pois se acreditava que estes efeitos teriam sido gravados em vídeo e não em película como as imagens em live action com os atores. A gravação em vídeo é praticamente impossível de se 'remasterizar' em HD devido a sua baixa resolução original. Para você ter uma idéia do que estou falando: nos anos 80 e 90 os seriados eram gravados em película, mas finalizados e enviados para exibição na TV em fitas magnéticas de vídeo, não muito diferentes das que usávamos nos antigos videocassetes. Numa época em que a esponja de aço, na antena da TV, era usada para dar uma melhorada na recepção da imagem, e o conceito de alta definição nem existia, as fitas magnéticas barateavam o custo de produção e a qualidade oferecida era compatível com as televisões disponíveis.

Box DVD Importado - Maldita Inveja
Confira o que estou falando. Se você tiver o DVD da Série Clássica, assista-o e compare-o com o DVD da Nova Geração. A nitidez e qualidade do primeiro é muito superior ao do segundo, que tem uma imagem meio que borrada e sem vida, mesmo tendo sido gravado 20 anos depois. A Série Clássica foi toda finalizada em película, o que facilitou sua 'remasterização' ainda para o seu lançamento em DVD. Já as aventuras da Enterprise D não puderam passar pelo mesmo processo, e o master, em vídeo Betamax, foi gravado e lançado sem modificações no DVD.

Ponte da Enterprise, nenhum CGI
A Paramount, contudo, tinha um 'coelho na cartola'. Diferentemente do que se acreditava, os efeitos visuais foram também gravados em película e passaram pelo mesmo cuidadoso processo de restauração das cenas live action. A ILM foi responsável por grande parte dos efeitos da série e utilizava as mesmas técnicas, maquetes e câmeras com controle de movimento por computador, utilizadas nos próprios filmes de Jornada e Star Wars, por exemplo.

Robert Legato
Mais tarde os efeitos visuais ficaram a cargo de Robert Legato, que nos anos seguintes ganharia o Oscar em produções como Apollo 13, Titanic, Avatar, entre outros. Ou seja, o trabalho de Legato e da ILM definitivamente vale a pena ser restaurado. Estamos aqui falando da escola clássica de efeitos visuais, quando gigantescas maquetes eram filmadas num processo lento e trabalhoso, mas que são em muitos aspectos mais realistas que os feitos por computador de hoje em dia.

Para provar a qualidade do projeto, a Paramount lançou um segundo trailer. Confira aqui. As imagens são de cair o queixo. Veja as fotos:

Encounter at Fairpoint - Piloto Encounter at Fairpoint - Piloto
The Inner Light - 5ª Temporada Sins of The Father - 3ª Temporada
Clique para ampliar

O mais surpreendente é que as imagens apontam para uma transferência em widescreen, mas esta informação ainda não foi confirmada pelo estúdio. Mas o que A Nova Geração em HD pode trazer, caso seja um sucesso de vendas?

De cara, séries finalizadas da mesma maneira, mas que tenham preservadas as películas originais poderiam passar pelo mesmo processo. Arquivo-X, Millennium (uma ou mais temporadas rodadas em widescreen), Babylon 5 (toda rodada em widescreen), Deep Space 9, e Voyager são as candidatas mais prováveis.

Star Trek: Voyager
O problema ainda seriam os efeitos visuais. Babylon 5 é o caso mais problemático. Seus efeitos foram inteiramente feitos em computador, mas finalizados em vídeo e, para piorar, todos os modelos projetados para a série foram perdidos. Tudo teria que ser feito do zero. Deep Space 9 e Voyager foram gravadas nos mesmos moldes da Nova Geração. Sobre Arquivo X, não se sabe nem o estado, nem como foram gravados seus efeitos visuais, o mesmo acontece em Millennium. No final tudo vai depender do custo da 'remasterização'. As séries de Jornada têm fãs dispostos a pagar por ela. Será que os fãs das demais também estariam? Eu sei que eu estaria. E você, caro explorador? 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Enterprise (parte II) - As séries modernas de Jornada (parte final)


por Fabok

A terceira temporada de Enterprise deu aos produtores e roteiristas a oportunidade de desenvolver um arco de episódios de vinte e quatro episódios, algo inédito em Jornada. À medida que a NX-01 adentrava à Expansão, mais sombrio ficava o tom da série. Isto se refletia também nos personagens. Archer deixa de ser o explorador otimista dos anos anteriores e se transforma num comandante militar com o peso do futuro da Terra em suas costas. Trip fica obcecado em vingar sua irmã, morta no primeiro ataque xindi. T'Pol se torna cada vez mais leal aos humanos. Sem contar a sensação de isolamento crescente da tripulação.

Jolene Blalock como T'Pol
É claro que nem tudo é perfeito. Para apimentar um pouco a série, T'Pol se aproxima cada vez mais de Trip. Nada contra isso, mas as tais massagens relaxantes da vulcana pareciam sempre fora do tom e nada acrescentavam. Alguns episódios tentaram sair do arco xindi, mas foram muito fracos, como em North Star por exemplo, uma “homenagem” aos filmes de velho oeste. Mas, talvez a bomba da temporada seja The Hatchery, onde, sob influência de uma substância alienígena, Archer coloca sua nave e tripulação em perigo para salvar um ninho cheio de ovos da espécie insectóide xindi.

Definitivamente, entretanto, temos muito mais melhores, que maus episódios. Há dois em especial: Twilight, que se passa num futuro alternativo em que a Terra foi destruída pelos xindi; e, Similitude, uma interessante alegoria sobre a clonagem humana. Estes estão entre os melhores de toda a Franquia.

Esfera da Expansão
O legal era que o público descobria, junto com Archer e turma, a real natureza da ameaça xindi. Tá certo que faltou um pouco de originalidade. O mistério envolvia seres de outra dimensão querendo alterar o futuro. Mas, isso pouco importava. A tensão e expectativa chegaram ao ápice no episódio final, quando, após derrotarem os inimigos, a Enterprise se vê em plena Segunda Guerra Mundial e Archer é capturado por nazistas alienígenas. Um final que levantou uma série de debates entre o público.

E a audiência? Mesmo com uma boa temporada, os números eram desanimadores. O estúdio resolveu dar uma última chance a série. Many Coto assume a produção da série e convoca o casal Reeves-Stevens, co-autores dos livros do Shatnerverse, como editores de roteiros e co-produtores.

Observatório Temporal
A quarta temporada foi dividida em mini-arcos. As estórias se resolveriam em dois ou três episódios no máximo. O primeiro deles resolveu a mal explicada Guerra Fria Temporal. A batalha entre a NX-01 e caças alemães da Segunda Guerra sobre os céus de Nova York compensa o roteiro confuso e cheio de furos. O arco xindi é concluído definitivamente no episódio Home, onde finalmente a tripulação retorna à Terra e tem que lidar com as consequências de suas ações na temporada anterior.

Brent Spiner como Arik Soong
Deste ponto em diante Enterprise finalmente faz jus a palavra prequel e começa a abordar temas que se tornariam parte da mitologia de Jornada nas Estrelas, principalmente a Série Clássica. As guerras eugênicas são tratadas num arco que contou com a participação de Brent Spiner, interpretando um antepassado do Dr. Soong. A origem dos vulcanos e a razão de seu comportamento tão atípico na série também ganharam um excepcional arco próprio. Archer teve consigo o katra de Surak que, simplesmente, é responsável por tornar os vulcanos aquele povo tão adorado pelos fãs de Jornada nas Estrelas. Os romulanos ganharam um arco próprio que leva aos primeiros passos da criação da Federação. Ficamos conhecendo a verdadeira razão dos klingons da Série Clássica serem diferentes dos que aparecem nas demais, num arco em que, a la "Velocidade Máxima", a Enterprise não pode sair de dobra cinco ou explodirá. E ainda temos Trip sendo transportando por um cabo entre duas naves em formação e em dobra... É mole ou quer mais? Até mesmo o Universo Espelho é revisitado, pegando os eventos de "A Teia Tholiana" da Série Clássica.

T'Pol do universo espelho
Os episódios simples infelizmente foram fracos. Nem mesmo trazendo as verdes escravas de Órion, ou fazendo referências à origem do teletransporte, ou à origem dos organianos foram interessantes. Prá piorar a situação, em fevereiro de 2005, o cancelamento da série é anunciado. A UPN perdera o interesse em produzir Enterprise. Os números de audiência eram tão ruins que até mesmo Battlestar Galactica na TV à cabo estava levando a melhor.

Peter Weller como John F. Paxton
Ainda assim, o arco final mais uma vez traçava o caminho para a criação da Federação, ao mesmo tempo em que falava de racismo, contando ainda com a presença do sempre excelente Peter Weller como vilão.

Se era para acabar, que tivesse sido com Terra Prime. Infelizmente, eis que Rick Berman resolve voltar à ativa para o último episódio, These Are The Voyages. O último momento de Enterprise na TV se passa no holodeck da Enterpise D!? É isso mesmo, a estória se passa na sétima temporada de A Nova Geração, mais precisamente no episódio The Pegasus, onde Troi e Riker veem a recriação de um momento crucial para a tripulação da NX-01, que pode ajudar Riker a tomar uma importante decisão... Resultado: Horrível!!! Berman que já era considerado o responsável pela má fase de Jornada, de quebra decide matar Trip, na despedida da série e sem nenhuma necessidade.

Enterprise NX-01
Muito já se discutiu sobre o cancelamento de Enterprise, ou o motivo dos fãs a terem abandonado. A resposta não é tão difícil. Com um produtor que, se no início fora extremamente competente, mas que ao longo dos anos se tornara prepotente a ponto de jamais levar em conta os fãs e sistematicamente ignorar a Série Clássica, a resposta parece óbvia. Uma pena. Enterprise merecia uma chance, mas esta jamais lhe foi dada, tanto pelo radicalismo do fandom, quanto de seus produtores.

O que teria sido a quinta temporada? Muito provavelmente o andoriano Shran (Jeffrey Combs) seria um personagem regular, devido a sua enorme popularidade e teríamos a famosa Guerra Romulana, momento ímpar da mitologia Trek e que jamais aparecera num episódio. Prometia...

Pocket Book de Enterprise
Para aqueles que conhecem um pouco de inglês e sentem falta da NX-01, há uma série de livros onde não só Trip está vivo, mas também tem papel fundamental no conflito Terra-Romulus. Aqui vão os nomes: Star Trek Enterprise: The Good That Men Do, Star Trek Enterprise: Kobayashi Maru, Star Trek Enterprise: The Romulan War - Beneath the Raptor's Wing e Star Trek Enterprise: The Romulan War - To Brave the Storm.

E assim, amigos exploradores, damos por concluída esta série de artigos sobre as séries modernas de Jornada. Esperamos que apreciem e que possa contribuir para continuar discutindo estes aspectos tão importantes dentro da Franquia.

Vida Longa e Próspera!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Enterprise (parte I) - As séries modernas de Jornada (parte IV)

por Fabok

Com o final de Voyager no horizonte, Rick Berman anunciou mais um spin off da Franquia. Desta vez teríamos um prequel situado cerca de 100 anos antes da Série Original. Os fãs logo ficaram desconfiados. Prequel 100 anos antes? Ainda por cima numa nave chamada Enterprise e com uma primeira oficial vulcana? Tudo ia de encontro com o que fora estabelecido pelo canon. Afinal a NCC 1701 era considerada a primeira Enterprise da Frota Estelar e Spock o primeiro vulcano a servir na instituição.

Scott Bakula como Capitão Archer
Com os índices de audiência do canal UPN cada vez mais baixos, a Paramount resolveu arriscar, já que na época passávamos pelo boom dos prelúdios, iniciado por Star Wars em 1999. Tentando evitar o mesmo erro que acontecera com Voyager, desta vez os produtores procuraram um elenco mais talentoso e com um ator de renome para o papel principal. Quando o nome de Scott Bakula foi anunciado, os fãs adoraram, dissipando um pouco da má reação inicial à proposta para a série, pois ele fora protagonista de Quantum Leap, uma série de ficção científica muito popular que durou seis temporadas nos final dos anos 80 e começo dos 90.

Cena de Broken Bow (piloto 2001)
Finalmente em setembro de 2001, Enterprise estréia na TV americana com o episódio Broken Bow, narrando as aventuras da Enterprise sob o comando do Capitão Archer. A nave, a primeira da ainda jovem Frota Estelar a atingir dobra cinco, vê-se envolvida num misterioso conflito chamado de Guerra Fria Temporal, ao levar de volta ao mundo natal klingon, um guerreiro capturado na Terra.

Primeira nave batizada de Enterprise
A verdade é que prequels são complicadas. Os roteiristas ficam com as mãos atadas, pois em tese não devem escrever algo que vai de encontro ao que foi estabelecido previamente. Além disso, a equipe de produção tem que ficar atenta, no caso de uma série ou filme sci-fi, para que as tecnologias mostradas não pareçam mais modernas que as vistas na obra original. Rick Berman e equipe sempre se gabaram de pouco terem assistido à Série Original, e daí vem grande parte da antipatia dos fãs com Enterprise. Em Broken Bow, grande parte do canon original é jogado no lixo mostrando klingons na Terra, uma vulcana servindo numa nave da Frota e a própria NX-01, que parece ser mais moderna que a Enterprise de Kirk. Alguns esforços foram feitos para a série parecer low tech como a limitação de velocidade, a ausência de escudos, o armamento inferior e o teletransporte mais primitivo da nave, mas isto foi, aos poucos, deixado de lado com o passar das temporadas.

Trip e T'Pol na descontaminação
Apesar destes problemas, o piloto teve uma boa recepção com algumas ressalvas, como a música tema, a primeira, na Franquia, interpretada por um cantor; a infame cena de descontaminação protagonizada pelo engenheiro Trip e T'Pol, onde os dois, em roupas sumárias, ficam esfregando uma pomadinha sem vergonha, enquanto a câmera dá closes bem generosos no corpo de T'Pol.

Com o começo da temporada logo ficou claro que os roteiristas não tinham a mínima idéia do que seria a tal Guerra Fria Temporal, pois a cada episódio a audiência menos entendia o que estava acontecendo. Lembra quando falei sobre roteiristas de mãos atadas? Parecia que eles não sabiam também como escrever para Enterprise, pois a quantidade de episódios sem relevância era enorme. A primeira temporada acabou e os fãs se perguntavam a razão da série existir, pois não houve nenhum episódio que tratasse dos primórdios de um universo tão rico quanto o de Jornada.

Para piorar na segunda temporada, os roteiristas começaram a trazer elementos da Nova Geração, como ferengis e até mesmos borgs. Só pra lembrar, o holodeck deu o ar da graça logo no começo da primeira temporada e pior, ainda acaba nas mãos dos klingons. Além disso, o canon, mais de uma vez, é desrespeitado: aparecimento de vulcanos na Terra nos anos 50; 'Aves de Guerra' romulanas camufladas; e, Archer se tornando o primeiro humano a escapar da prisão klingon de Rura Pente.

Tripulação da Enterprise
Apesar disso, tenho que confessar que gosto desta temporada. Se você assistir Enterprise sem levar em conta as agressões ao canon, a série é bem interessante. Não querendo fazer defesa a tais atentados, para mim, caro explorador, Enterprise se encontra numa realidade alternativa. Os eventos vistos em "Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato" seriam os catalizadores desta nova linha temporal. O visual, a tecnologia, história e roteiro, tudo se justifica sob esta ótica; menos, é claro, os vulcanos ranzinzas, algo que realmente sempre detestei. Outro ponto positivo são os personagens. Todos são interessantes, você se importa e se identifica com eles. Além de Bakula, John Billingsley (Dr. Phlox), Jolene Blalock (T'Pol) e Connor Trinneer (Trip) vão ganhando cada vez mais destaque e acabam por formar o quarteto central da série. Já Dominic Keating (Malcom Reed) e Linda Park (Hoshi Sato) apesar de participações menores sempre defenderam seus personagens com competência. A nota destoante aqui vai para Anthony Montgomery que não conseguiu tornar Mayweather um personagem interessante.

Algumas das espécies xindi
Infelizmente, a maioria da audiência não vinha aceitando bem a série. Ao final da temporada, temos um reboot, quando após um covarde ataque à Terra pelos desconhecidos xindi, a Enterprise é chamada de volta à doca espacial e é transformada numa nave de guerra, inclusive recebendo uma tropa de soldados de elite chamados MACOS. Numa metáfora aos atentados de 11 de setembro, a Enteprise parte sozinha para uma estranha região da galáxia chamada de A Expansão, onde deverá impedir que o nosso planeta seja inteiramente destruído pelos xindi.

Na próxima semana falaremos como Enterprise em seus dois últimos anos se torna a melhor das séries modernas de Jornada e porque a maioria dos fãs discorda disso. Até lá...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Voyager - as séries modernas (parte III)

por Fabok

Nos meados dos anos 90, a Paramount lançou sua própria rede de TV, a UPN. Para ser o carro chefe da programação o canal encomendou mais um spin-off de Jornada nas Estrelas. Nascia então Voyager, que contava as aventuras da nave do mesmo nome, que numa missão de rotina é lançada inesperadamente ao longínquo quadrante delta.

USS Voyager - NCC-74656
O pano de fundo para a série começou a ser apresentado em DS9, no episódio Maquis. Neste, os rebeldes, de mesmo nome, são apresentados, e reaparecem logo em seguida no penúltimo episódio de A Nova Geração (Preemptive Strike). Caretaker, o episódio piloto desta nova série, mostra como a USS Voyager é lançada no distante quadrante delta, sem contato ou suporte da Frota Estelar e com uma tripulação composta de oficiais da Frota e rebeldes maquis.

O público e a crítica gostaram do episódio e parecia que seria um hit. Percebam que eu disse 'parecia'...

Caretaker
Já no segundo episódio, os problemas começaram a aparecer. Toda a tensão que deveria haver entre os oficiais da Frota e os maquis fora magicamente esquecida, além disso, nenhum oficial à bordo questionou quaisquer ordens da Capitã Janeway que, além de violarem a Diretriz Primeira, isolou a nave e tripulação há mais de 70.000 anos-luz do espaço da Federação, num ambiente desconhecido e hostil. E, claro, o mesmo episódio nos apresentava mais uma das famosas anomalias 'sem pé nem cabeça' da semana que marcou os sete anos de produção.

Tripulação da Voyager
Com roteiros muito fracos, ficou cada vez mais clara outra deficiência: o elenco com seus personagens. Voyager tem, sem dúvida nenhuma, os piores personagens de todas as encarnações de Jornada. Senão, vejamos: Neelix, cozinheiro e assessor para assuntos aleatórios da nave; Kess, a namorada sem sal do cozinheiro; Tuvok, o vulcano mal-humorado; Chakotay, o primeiro-oficial inexpressivo e 'mané'; Alferes Kim, o oficial júnior certinho; e, Janeway, a Capitã deslumbrada que sempre punha a nave em perigo para estudar qualquer aberração espacial.

Quem conseguia se salvar desta teia de canastrões eram o médico-holograma que nem nome tinha, interpretado com competência por Robert Picardo, a engenheira klingon-humana B'Elanna Torres e o navegador Tom Paris interpretados respectivamente pelos atores Roxann Biggs-Dawson e Robert Duncan McNeill. Curiosamente estes três ainda têm carreira ativa na TV.

As três primeiras temporadas são difíceis de assistir. Curiosidade: em sua segunda temporada Voyager nos dá o pior episódio de Jornada nas Estrelas. Isso mesmo, pior que 'O Cérebro de Spock' da Série Clássica. Em Threshold, Tom Paris e Janeway conseguem, numa nave auxiliar modificada, quebrar a barreira da dobra dez e transformam-se em lagartixas... e prá completar: elas procriam, deixando um monte de filhotes num planeta qualquer... Para sorte de Paris e Janeway, e azar do público, o Doutor e Tuvok conseguem reverter este estranho fenômeno. Infelizmente as 'lagartixazinhas' são deixadas para trás...

Jerry Ryan como Seven Of Nine
Com a audiência no chão, ao final da terceira temporada, os produtores trazem os borgs para serem os vilões de Voyager. Para complementar a trama, criam para os borgs um nêmesis, a espécie 8472, e praticamente dão um reboot na série. No começo do quarto ano é apresentada a personagem de Seven Of Nine interpretada pela bela e boa atriz Jerry Ryan. Além disso, a personagem Kess é despachada e ao mesmo tempo a nave é lançada 10.000 anos-luz à frente, deixando para trás todas as espécies e planetas apresentados nas temporadas anteriores.

A entrada de Seven Of Nine trouxe um pouco da audiência perdida de volta. Por isso nas quarta e quinta temporadas ela é o centro das atenções. Entretanto a cada aparição os borgs perdiam sua áurea de supervilões, já que eram constantemente derrotados pela tripulação da Voyager. Nem mesmo a rainha borg conseguia derrotar a dupla Janeway e Seven.

Voyager equipada pelos borgs
Ainda assim, os melhores momentos ocorrem a partir da quarta temporada. O personagem do Doutor ganha cada vez mais destaque e alguns rostos conhecidos de A Nova Geração fazem participações especiais. Temos episódios excepcionais como Blink of an Eye, Year of Hell e Message in a Bottle que não eram centrados em Seven ou nos borgs.

Voyager falhou ao não conseguir diferenciar-se de A Nova Geração, emulando os defeitos desta última. De certo modo, a série iniciou o declínio da franquia Jornada nas Estrelas. A audiência cada vez mais cansada não chegou realmente a dar uma chance para Enterprise que estrearia em 2001. Bom... mas isto é assunto que discutiremos na próxima semana.

Até lá...