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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Hubble prevê o fim da Via Láctea - Fúria de Titãs

SÉRIE: CIÊNCIA

por Fargon Jinn

Os astrônomos utilizaram as imagens geradas pelo Telescópio Espacial Hubble, e conseguem calcular o destino da Via Láctea: nossa galáxia vai se chocar com Andrômeda, e as duas se fundirão numa única nova galáxia.

Nossas galáxias poderão tomar uma forma esférica
Podemos começar a nos preocupar desde já, se quisermos, mas será meio demorado. O processo terá início em pouco menos de quatro bilhões de anos, e deverá estar completamente concluído em oito bilhões de anos. Haveria alguém para presenciar tal acontecimento? Se houvesse, teria que ser algum tipo de Highlander. Tudo é tão lento que, de fato, ninguém notaria. Só com o passar de séculos é que mudanças seriam perceptívieis, aos instrumentos e fotografias.

Qual o destino da nossa civilização?

O que podemos esperar do futuro para a humanidade? Com certeza muita coisa. Estima-se que a nossa espécie começou a evoluir há não mais de um milhão de anos. Nosso comportamento inteligente deve ter começado há pouco mais de cem mil anos. A história de nossa sociedade não tem mais de cinco mil anos. Neste pouco tempo, saímos de tribos de nômades para uma civilização capaz de entender o universo, nossa genética, o átomo, e estamos nos aventurando pelo cosmo. Acredita-se que, em não mais de um século, estaremos plenamente capacitados a estabelecer colônias espaciais autônomas e, talvez em dois séculos, teremos condições de tornarmos-nos uma civilização habitante do espaço sideral. Não mais dependeríamos de planetas, e dos humores de suas estrelas. Não sofreríamos com o clima ou terremotos.

Em até seis bilhões de anos o Sol se tornará uma gigante vermelha
E isso é bom que aconteça. Dentro do próximo bilhão de anos o Sol estará dez por cento mais quente. Isso deverá destruir o nosso clima, e a nossa ecologia. Em seis bilhões de anos o planeta deverá ser destruído com a expansão do volume solar. Então se a humanidade não aprender a viver no espaço, teremos um fim, no mínimo, dramático. Até lá ainda teremos muito com o que nos preocupar, o aquecimento do clima já é conseguência do aumento de atividade solar, quanto tempo mais nossa agricultura resiste?

"...porque eu toquei o céu, e o mundo era oco!" Star Trek: TOS (citação)
E não adianta pensar em colonizar outros mundos em outras estrelas, isso é muito mais complicado do que construir nosso próprio mundo particular. Só para construírmos veículos capazes de transportar bilhões, por muito tempo, já soluciona a questão. Deveremos viver em colônias espaciais gigantescas, que serão (ora vejam a ironia) nômades, entre as estrelas.

Extreme makeover galáctico?

Galáxia do Sombrero M104 - descoberta por Vesto M. Slipher em 1912
Mas, afinal, e o que acontecerá a estas galáxias? Basicamente nada, apenas uma reformulação visual. Se pararmos para pensar, estes fenômenos cósmicos (galáxias) são megabogagigantescos. E, para nós, parecem densas, compactas, com trilhões de estrelinhas apertadinhas, e de planetas espremidinhos nas sobras. Não poderíamos errar mais. Existe, de fato uma quantidade de matéria muito pequena, em relação à área ocupada pelas galáxias. Daria para colidirmos quatro galáxias inteiras, ao mesmo tempo, e ainda assim, o choque de dois planetas, quiçá de alguma estrela, e seria o mesmo que ganharmos na megasena sozinhos, tão vazio é o espaço interestelar.

Retrata aqui a primeira passagem, serão três até a fusão total
As probabilidades maiores seriam as trocas de sistemas estelares inteiros entre as galáxias, na primeira passagem. Vejam na animação. Com o tempo, os núcleos irão se fundir, e então teremos ali boas colisões, visto que naquelas regiões temos altas concentrações de corpos celestes. E, mesmo estas colisões, em sua grande maioria não deverão ser verdadeiros choques. Em muitos casos teremos estrelas que entrarão em órbita de buracos negros e serão lentamente absorvidas.

Os que estiverem vivos terão uma vista e tanto

Muito interessante seria estar vivo dentro de dois a três bilhões de anos e olhar para o céu e ver Andrômeda preenchendo todo o nosso firmamento, bem ao lado do nosso centro galáctico.

Uma bela paisagem celeste de para um planeta moribundo

O céu de junho

Os maias previram isso também?
Mudando de assunto: neste próximo dia 5 (junho de 2012), terça-feira, teremos uma rara oportunidade de ver um eclipse de Vênus. Na verdade, é chamado de “trânsito de Vênus”. O planeta atravessa o disco solar, num alinhamento entre Sol, Vênus e Terra. É um raro fenômeno, ocorreu em 8 de junho de 2004, e o próximo somente no século XXII.

Para não perder o costume, estamos, esta semana, num período
nublado aqui em Fortaleza  (imagem do eclipse de 2009)
Infelizmente, parece que todos as ocorrências astronômicas das últimas décadas resolvem ser atrapalhadas pelo clima. As nuvens parecem gostar de observar tais fenômenos muito mais do que nós, e resolvem sempre ficar na frente. Para isso teremos a possibilidade de ver on-line. Os principais observatórios mundiais deverão transmitir suas imagens para sites da internet no momento da ocorrência.

Mas não esqueça, proteja seus olhos, não observe
o Sol diretamente, ou sem proteção devida
Como o evento cruza a linha internacional de data, na Ásia, Europa, África e Oceania, o fenômeno será presenciado na data de 6 de junho. Para assistir pelo webcast da NASA, o explorador, no Brasil, deve clicar aqui. O evento começa às 18h45, horário de Brasília do dia 5, 2145 (GMT - Greenwith Mean Time). O feed de imagens será direta do observatório astronômico, no topo do monte Mauna Kea, no Havaí.

Exploradores, cêis são tudibão...

Caros amigos exploradores, nestes dez meses e meio, temos levantado assuntos sobre comportamento, novas tecnologias, ciências, cinema, HQ, séries de TV, literatura, fanfiction, webseries e astronáutica. Acreditamos que temos oferecido um conteúdo, interessante, diversificado, original e de fácil entendimento à qualquer nível de formação. Podemos dizer isso, ao mesmo tempo em que agradecemos, pelos trezentos acessos diários. Gostaríamos de saber o que ainda não falamos, que alguém possa sugerir. Nos escrevam, digam o que teriam vontade de ler neste nosso fanzine. Pessoalmente prometo que não será ignorado, pelo contrário, teremos grande prazer em atender. Um grande abraço e até a próxima.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Construíndo a Enterprise

SÉRIE: CRÔNICAS NERDS

por Fargon Jinn

Olá amigos exploradores. Sendo esta semana um período do ano muito especial, estou trazendo este presente ou esta pérola, dependendo dos olhos de quem vê. O que temos nas linhas a seguir é algo com o qual esbarrei nas minhas atividades exploratórias da internet. Algo que além de me encher de espanto e incredulidade, também me trouxe um pouco daquele entusiasmo infantil e inconsequente. Me fez pensar e sentir como NERD, como alguém que sonha desmedida e irresponsavelmente. E, de repente, resolve que se ninguém começar a fazer em algum ponto, ninguém nunca o fará. Então, por que não ser eu o primeiro lunático a agir? E começo a dar asas à imaginação. Sigo aquilo que alguém disse: “Toda obra prima é um por cento de inspiração e noventa e nove de transpiração!”.

Comparação entre construções e navios com a Enterprise
Então, eis que um misterioso nerd, Dan (apenas Dan), com uma idade que deve estar na casa dos cinquenta, engenheiro elétrico e de sistema, que trabalha, há trinta anos, numa poderosa empresa que explora tecnologia de ponta, senta-se na frente de seu computador e do nada cria um site que vem recebendo dezenas de milhares de visitas diariamente. buildtheenterprise.org, é sem dúvida a coisa mais impressionante que já encontrei nos últimos anos.

Um sonho, um delírio e muito trabalho

Enterprise de Star Trek (2009)
Ele acredita que poderemos construir uma Enterprise em vinte anos. Mas não uma nave qualquer. A Enterprise. Aquela, capitaneada por ninguém menos do que James Tiberius Kirk. A NCC 1701-x, Gen1. Estamos falando aqui de uma realidade? Ou é um sonho? Seria um delírio? Nenhum, nem outro. É uma proposta para o mundo. Um desafio ao estilo J. F. Kennedy.

Orçamento para vinte anos
Trata-se aqui de uma réplica estrutural na escala 1:1 da nave estelar que deveria ser construída em 2245, cujo custo é orçado em um trilhão de dólares americanos. Equivalente a cinquenta bilhões/ano. Ou seja, como se lançássemos uma centena de missões do ônibus espacial por ano, pelos próximos vinte anos.

A proposta toda está pronta. Ele gerou tudo, desde os custos de produção; organogramas; cronogramas; plantas; soluções de engenharia; métodos de construção; desenvolvimento de tecnologias; usos; missões; evolução do projeto; e, todo o programa espacial para os próximos cem anos, pelo menos. É trabalho de gente grande com imaginação de gente miúda, prolixo, proativo, fértil e desmedido.

A culpa é de Newton

A coisa toda é extremamente fantasiosa. Algumas das soluções são baseadas em conhecimentos teóricos, mas quando se faz uma projeção realista sua aplicação não ‘bate’. Por exemplo, em Star Trek, existe um gerador de gravidade. A nave de Dan tem a roda ou carrossel gravitacional, concebida para suprir a tecnologia de gravidade artificial. Este seria um cilindro giratório do tamanho da seção disco (parte dianteira da Enterprise) que produziria o equivalente a uma gravidade terrestre.


A falha desta proposta está nas três Leis de Newton. Ao iniciar-se um sistema rotatório no interior de uma espaçonave, a força aplicada ao cilindro será repartida com o restante do sistema. O cilindro gira para um lado e o restante da nave para o outro. Teríamos que compensar com jatos de manobra.

A cada vez que a Enterprise parte para uma viagem ou chega ao seu destino, o cilindro deve parar, para que se fixe todo o sistema estrutural nas alterações inerciais e, já no novo estado inercial, retomar sua rotação. Reiniciar o giro durante deslocamento, mesmo já atingida sua velocidade de cruzeiro é outra dificuldade, pois há uma séria implicação na estabilidade do sistema.

Troco três reatores nucleares por um de anti-matéria

Propulsor iônico com tanque no Electric Propulsion Laboratory em Ohio
Enquanto que no século XXIII a nossa nave teria propulsão de dobra espacial e energia de reatores matéria-antimatéria, esta seria com motores iônicos e reatores nucleares. A de Kirk viajaria entre as estrelas, a de Dan, entre os planetas e satélites do Sistema Solar.

São inúmeras diferenças, e não poderia ser de outra forma. Mas o que mais chama à atenção é a seriedade com que são levadas as propostas. São páginas e páginas esclarecendo detalhes de construção, produção, utilização e correlação a outras soluções de usufruto do espaço. Desde posto de reabastecimento para a “frota” terrestre, reparo e lançamento de satélites, limpeza de detritos orbitais, passando por laboratório espacial e centro turístico, até ferramenta de instalação de bases lunares, planetárias e cidades nas nuvens (estilo Star Wars).

Lasers no papel de Phasers
Não estou brincando. Ele planeja instalar um laser de cem megaWatts na seção frontal do disco com o fim de desintegrar o lixo espacial, fazendo as honras dos canhões phasers. O que nós poderíamos usar para substituir os torpedos fotônicos?

É prá falar a sério...?!

E os internautas estão levando à sério. O site já sofreu crash mais de uma vez por acesso excessivo.

Olha! É uma delícia. Explorei o site como se estivesse num dos muitos jogos de Star Trek. É uma experiência de realidade virtual. Você se perde no entusiasmo da imaginação. Me senti criança, novamente, assistindo a Kirk e sua tripulação, nas noites de sexta-feira, numa TV preto e branco.

Quem sabe?! Vai que realmente a massa-crítica é atingida e, num efeito turba, o projeto começa a deslanchar. Talvez não seja em vinte anos, talvez seja em sessenta, talvez mais. O importante é que tem um maluco lá fora. E ele não sabe se conter. Com a cabeça nas nuvens e os pés ainda mais altos, ele desistiu de encontrar motivos-para-não-fazer. Resolveu que os-motivos-para-fazer são melhores, e abriu a torneirinha. Essa, nem o Visconde de Sabugosa fecha. Aahh! Essa é para nerds! E... o que nerds querem... Huummm...!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Robocop, José Padilha e um futuro violento

SÉRIE: CRÔNICAS INSTIGANTES

por Fargon Jinn

Recentemente, em entrevista à MTV americana, o ator Joel Kinnaman (Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, 2011), fez várias declarações a respeito do filme que irá estrelar. Dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite, 2007), este é, nada mais nada menos, do que um remake de Robocop (1987), um dos maiores sucessos da década de 80.

Joel Kinnaman será o policial Alex J. Murphy
José Padilha quando estreou com seus filmes, brilhou forte no mundo inteiro. E o reflexo disso está aí. Como que corroborando com estas espectativas, Joel Kinnaman, o astro principal do filme, o policial Murphy, descreve Padilha como sendo um jovem gênio, durão e criativo. Acrescenta ainda que sua visão sobre Robocop é única e espetacular, mostrando um personagem mais humano, respeitando os conhecimentos da neurolinguística. Desde sua concepção visual até o comportamento do homem-máquina, este Robocop atua com base nas mudanças ocorridas na criminalidade contemporânea, e nas modernas visões de combate ao crime e futuro da sociedade.

To Serve and Protect

Omni Consumer Products - a megacorporação criadora do Robocop
Robocop nos fala de um futuro distópico, onde as megacorporações controlam as funções sociais. O Estado admite a sua ineficiência em administrar os serviços fundamentais, entre eles, a segurança pública. Desta forma, o tecido social, totalmente corrompido e entregue às gangues e aos cartéis de drogas, está em colapso. A força policial, igualmente desonesta, não consegue manter a paz e a ordem.

Peter Weller é o Alex Murphy da versão original
Um policial honesto é posto propositalmente numa situação de alto risco e, portanto, acaba assassinado. Partes de seu corpo são preservadas, mas sua mente e memórias são bloqueadas por um software. A parte do corpo que aloja o seu sistema nervoso é instalada num robô. Assim, Murphy torna-se o policial perfeito, união do poder da máquina à infinita capacidade da mente humana.

Onde parece haver uma disputa entre homem e máquina, temos em outra camada um conceito diferente. Será o futuro consequência da ganância sem limites? Ou um resultado da nossa irresponsabilidade com a gestão da coletividade.

Estatísticas sobre uma realidade confusa

Podemos assim, fazer várias inferências que nos posicionam no que ocorre no nosso país, nos Estados Unidos e em diversas partes mundo.

Até algumas décadas atrás acreditava-se que a violência era uma força ascendente sem solução. A pobreza aumentando e a moral decaindo. A nossa elite social, há muito, deixou de ser exemplo. Pelo contrário, ali estão as fontes de muitos dos males sociais. Claramente, mudanças no sentido de corrigir este disparate não são simples. Mas ocasionalmente, algumas ocorrências surgem que provocam alterações imprevisíveis.

Nos anos 90 detectou-se uma queda acentuada na violência urbana dentro dos Estados Unidos. Inicialmente avaliou-se que a polícia e o judiciário vinham atuando com maior rigor. Mas, pesquisas posteriores mostraram outro fator muito mais influente: a população de jovens em faixa etária normalmente ligada a estes altos índices de criminalidade diminuiu drasticamente.

Aborto, seria uma solução para os políticos brasileiros?

O verdadeiro motivo é que, nos anos 70, o aborto foi legalizado em todos os Estados norte-americanos. Os jovens ligados às estatísticas de criminalidade estão dentro das classes sociais que mais recorrem ao aborto. Resultado: houve uma redução significativa na natalidade daquele grupo. Consequentemente, o número de jovens potencialmente criminosos na década de 90 foi muito menor e continua reduzindo.

Por outro lado, vemos que, atualmente, os grupos criminosos mais importantes são os que se formam em países onde a religião interfere na aprovação do aborto. Geralmente são países do terceiro mundo. Maior pobreza, maior natalidade, menor qualidade na formação, maior potencialidade de jovens criminosos. Liderando estas estatísticas estão a América latina e a África.

Gangues de origem latino-americana
Se verificarmos os filmes e séries policiais estadunidenses, notamos com folga que as “máfias” agora não são mais italianas, mas sim cubanas, porto-riquenhas, mexicanas, colombianas. Num outro nível existem máfias russas, chinesas e de outros focos asiáticos ou da Europa oriental.

Robocop 4 ou Tropa de Elite 3?

Um policial moderno deve entender destas questões e de como se formam e estruturam-se estes guetos criminais. Acredito que este seja o enfoque sócio-político a ser trabalhado no filme de Padilha. A vivência e o conhecimento deste jovem diretor com as noções da criminalidade, juntamente com as questões policiais do Brasil, dos Estados Unidos e ao redor do mundo, podem vir a criar as condições ideais para um Robocop mais politizado e mais agressivo do que o filme original.

Se pensarmos bem, poderemos, em agosto de 2013, ver um Robocop, dizer – Pede prá sair! Pede prá sair! Você não é caveira! Pede prá sair!

Seria este um “Robocop Nativity“ ou um “Robocopitão”?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Você leva tudo pro buraco da maldade...

SÉRIE: CIÊNCIA


por Fargon Jinn

Então vamos falar do tal buraco... Quem já não ouviu falar de buracos negros? Acho que até uma criança já teve contato com este termo. Mas de fato pouquíssimas pessoas sabem do que se trata.

Nossa estrela é uma formiguinha em comparação
Buracos negros são apelidos para estrelas absurdamente grandes. Tão grandes que suas massas geram campos gravitacionais colossais. Estes campos fazem com que a própria estrela fique tão comprimida que em alguns casos poderiam caber dentro de uma cidade como Aracati. E estamos falando aqui de estrelas com massas acima do equivalente a oito Sóis. Estas podem chegar a ser ainda muitas vezes maiores. Acredita-se que o buraco negro existente no centro de nossa galáxia, chamado de Sagitário A*, tenha massa equivalente a quatro milhões de vezes a do Sol. Não tentem pensar o quanto seria isso, há o risco de fundir alguns neurônios nessa tentativa.

No centro de nossa galáxia está Sagitarius A*
E então o que levou estas estrelas a terem o nome de ‘buracos’ e, ainda mais, ‘negros’? Um corpo com estes níveis de massa gera tanta gravidade que outro corpo que estivesse caindo sobre sua superfície chegaria à velocidade da luz. Obviamente, se um corpo é atraído a esta velocidade, para conseguir escapar dessa gravidade é necessário uma velocidade superior. Como a luz é o limite, nem a própria luz tem velocidade suficiente para sair desta estrela. Resultado é que não vemos a luz produzida e, portanto, para nós é um corpo negro.

Clique para ampliar a imagem
O termo ‘buraco’ tem relação com a curvatura causada no espaço. A massa de qualquer corpo gera deformações na chamada estrutura do espaço-tempo. Por isso que nada, nem mesmo a luz, se desloca em linha reta no espaço. Os campos gravitacionais curvam o espaço, maior a curvatura quanto maior for a massa. No caso de uma estrela negra a curvatura se parece com um funil longo e fino, daí o termo ‘buraco’. E nada mais justo, visto que tudo o que ali cai não retorna, como um buraco.

Telescópio do Observatório Keck na Alemanha
Daí vem a pergunta que não quer calar (nossa! que clichê!): se estas estrelas engolem tudo, luz, ondas eletromagnéticas, massa, como é que podemos saber que elas existem? Como podemos vê-las? Alguém já viu alguma?

Andrômeda em UV - utilizam-se o Hubble, o Chandra e outros, em terra,
para captar o infravermelho, ultravioleta, Raio-X e raio Gama
A resposta não é muito complicada. Ao redor de um buraco negro, logo onde começa a maior curvatura do espaço, existe um ponto chamado de horizonte de eventos. Toda matéria que está chegando a esta região sofre um estímulo muito forte, tem sua velocidade aumentada e enquanto circula ao redor emite Raio-X, luz de alta energia (ultravioleta). O bom do Raio-X e do ultravioleta é que suas ondas são tão pequenas que atravessam toda a matéria das nebulosas que por ventura estejam na região, podendo ser observadas por telescópios como o Hubble e o VLT/ESO (Very Large Telescope - European Southern Observatory) localizado ao norte do Chile, em pleno deserto do Atacama.

Via Láctea - 400 bilhões de estrelas só no núcleo
Então, ficou esclarecido? Espero que sim. Que tal falarmos agora de algumas coisas interessantes?

O buraco negro no centro de nossa galáxia está sendo objeto de uma observação muito curiosa, pois há uma nebulosa se aproximando em rota de colisão. Sua velocidade está aumentando (no momento viajando a oito milhões de quilômetros por hora), e isto permitirá aos astrônomos entenderem como todo o processo de absorção de massa ocorre nas proximidades do horizonte de eventos.

Outra curiosidade intrigante. De fato, tudo isto que está sendo observado já ocorreu. O centro da Via Láctea está a vinte seis mil anos luz de distância de nós. Portanto, o fenômeno em observação se passou há vinte seis mil anos. A humanidade vivia nas cavernas, nesta época. Mas só agora podemos presenciar estes eventos.

Não vemos a Via Láctea por estarmos nela, mas seria algo assim
Mais uma? Ok! Tudo o que se aproxima do horizonte de eventos sofre dilatação temporal. Ou seja, quanto mais perto mais lentamente o tempo passa. Em teoria, se passássemos próximos a estes lugares, num veículo potente o suficiente para não ser capturado pela gravidade, poderíamos levar uma eternidade para sair desta dilatação do tempo, e ao final, o espaço estaria muito diferente, civilizações teriam eclodido e talvez se extinguido, estrelas teriam nascido e encerrado seu ciclo de vida, a humanidade poderia ter atingido outros níveis de desenvolvimento.

Andrômeda. Toda galáxia tem um buraco negro supermassivo central?
Existem inúmeras hipóteses relativas aos buracos negros, algumas em vias de se tornarem teorias, outras de serem descartadas. Em verdade, só arranhamos a superfície deste novo universo de descobertas maravilhosas, e ainda precisaremos de muita observação e experimentos para podermos começar a realmente entender o que são e como funcionam estes corpos tão misteriosos.

Busquem leituras sobre isso na internet, exploradores, o Google e a Wikipedia têm fontes bem confiáveis e para todos os níveis de entendimento. Existem também aplicativos que são destinados ao estudo de astronomia, muita literatura impressa e em e-books. Boa sorte!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mistérios do passado

SÉRIE: CRÔNICAS INSTIGANTES

por Fargon Jinn

Eu sempre ‘curti’ mistérios arqueológicos. Gostava muito de imaginar os fantásticos desenvolvimentos tecnológicos que teriam sido desenvolvidos por civilizações como os egípcios, os maias, os astecas, toltecas, babilônicos, persas, tibetanos, druidas, enfim, todas estes povos de antiga origem, e da qual pouco ou quase nada restou, ou aquelas que ainda estão por aí, como os chineses e gregos, mas que perderam grande parte de sua história, tiveram em seus passados, níveis de tecnologia e desenvolvimento espiritual que os permitiram alçar conhecimentos que hoje estariam irremediavelmente perdidos e totalmente fora de nosso alcance.

Cyrill Hoskins se dizia ser Lobsang
Rampa, um monge com poderes mentais
Os gregos alegaram grandes conquistas bélicas no passado, como o famoso fogo grego, que hoje em dia ninguém sabe exatamente como era feito, ou o uso de espelhos para fulminar uma armada em pleno porto, intensificando a luz do sol em escudos. Os chineses e seu taoismo, do qual grande parte de suas conquistas ‘alquímicas’, médicas e parapsicológicas se perderam. Do alegado poder parapsicológico dos monges tibetanos, do qual falava Cyril Hoskins, usando o seu pseudônimo Lobsang Rampa.

Muito se escreveu sobre estes assuntos e outros pseudoarqueológicos, como os livros do italiano Peter Kolosimo e os do suíço Erich von Däniken, o primeiro um jornalista e pesquisador, e o segundo, ladrão e um diagnosticado mitômano (compulsão obsessiva por mentira).

Stonehenge um preferido entre os arqueoastronomos
Alguns dos assuntos que mais me fascinavam eram Stonehenge, a lenda de Atlântida, os continentes perdidos de Mu e Lemúria e, claro, as pirâmides.

O que escrevo a seguir não tem o intuito de ser a única verdade. É apenas a minha verdade, aquilo que entendo como correto. Se alguém tem uma opinião contrária, é livre para fazer comentários ou escrever um artigo, que publicarei sem problema. Mas como dizia...

Alice no Pais das Maravilhas, muitas referências à vida
Todas estas grandes questões enchiam a minha mente e a minha imaginação. Há muito tempo, no entanto, estes conhecimentos saíram da minha seção de Mistérios Verdadeiros e foram para a de Devaneios Infanto-juvenis. Com muita leitura e desprendimento fui entendendo que tudo não passa de uma grande conspiração para se vender milhões de livros a curiosos e crentes fervorosos, de todas as faixas etárias e sociais pelo mundo inteiro. De real só existem os livros. Na verdade descobri que J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Lewis Carroll e tantos outros autores de fantasia incluíam muito mais fatos em suas histórias, do que todos estes ‘cientistas’ detentores de conhecimentos exotéricos, colocavam de factóides em seus livros de fantasia.
Atena representa uma ciência questionadora

Recentemente resolvi dar uma olhada pela internet e ver o que se tem falado a respeito de alguns destes tópicos. E olha só que coisa interessante, amigos exploradores. Até hoje, a antropologia, a arqueologia, a história, a física e a biologia não conseguiram sequer qualquer prova ou indício de que hajam mistérios maiores por trás de todas estas lendárias teorias. Alguns podem dizer que a ciência é cega a estas proposições, por puro preconceito. Sim, já ouvi muito disso. Mas sempre lembro a estas pessoas que a ciência é cega apenas à fé. Ou seja, um cientista não pode usar fé como argumento ou ferramenta. Tudo deve ser colocado dentro do método e testado exaustivamente até que não restem dúvidas.

Big Bang a grande questão da ciência moderna
Assim como na matemática, dois e dois somados são quatro, em quaisquer condições de temperatura e pressão, todo o resto da ciência opera com estes mesmos postulados. Se algo é verdadeiro terá que o ser sempre, e resistir a todo tipo de teste e comprovação. Caso contrário jamais será aceito como ciência. Se uma proposição não pode ser comprovada, mas existem indícios, torna-se uma hipótese (hipótese do Big Bang), ao ser comprovada transforma-se em teoria (teoria da Relatividade). Aquilo que não consegue se refutar é lei (lei da ação e reação). Daquilo que só existem histórias, é fantasia ou lenda (lenda do santo graal).

Agora vamos ver algumas curiosidades?

Stonehenge, como supostamente teria sido
Stonehenge deve ter sido concluída entre 3.000 e 2.200 a.C e utilizaram-se as chamadas pedras azuis. O local mais próximo para extração destas pedras está a trezentos e sessenta quilômetros de distância, no País de Gales. Os monolitos maiores são as pedras Sarsen e o local de extração mais próximo está a cerca de quarenta quilômetros. A construção ocorreu em etapas e há indícios de que tenha sido iniciada em 8.000 a.C. Existem coincidências astronômicas, e por isso existem hipóteses de que tenha tido utilidade para o entendimento dos períodos de agricultura. Mas também há indícios de possível uso religioso. Não foram encontrados indícios de uso de magia ou tecnologia alienígena, então isso é mera fantasia.

Atlântida ainda mexe com a imaginação
Atlântida, relatada por Platão, foi fantasiosamente explicada por muita gente. Todos venderam livros e ‘documentários’ e estão bem ricos. Até hoje nunca surgiram indícios, sequer, de sua existência. E sem indícios, evidências ou comprovação tudo se torna pura especulação em cima do relato que Platão transcreveu.

Prova de Atlântida no Google Maps? Ruas com 1km de largura?
Em 2009, no entanto, o Google Maps mostrava em seus mapas uma região no fundo do mar, em que haveriam indícios de uma cidade, com ruas e quarteirões. Os ‘pesquisadores’ alegaram que aquilo estava batendo com todas as suas pesquisas e que, portanto, era a prova definitiva da existência de Atlântida. O Google foi rápido e firme em rebater os comentários, informando que tudo não passava de um glitch sensorial (um erro de leitura da análise das imagens dos satélites somadas a varreduras de sonares onde várias imagens são analisadas e utilizadas para obter-se uma foto confiável).

Imagem corrigida nas coordenadas 31 15'15.53N 24 15'30.53W.
Os crentes não ‘engoliram’ esta resposta e alegaram as conhecidas teorias das conspirações. Em fevereiro (2012) o Google fez uma revisão cartográfica e a Atlântida com quarteirões de oito quilômetros virou pequenas vilosidades submarinas iguais a muitas outras que existem. Ainda se parece com uma cidade de ruas gigantes, as larguras e comprimentos são absurdos, mas não é nada excepcional. Para os que apostam em teorias conspiratórias, porém, ela ainda está lá, apenas os dados foram falsificados.

O mundo é muito bonito, e cheio de coisas impressionantes. Mas nunca estamos satisfeitos, precisamos de mais. Harry Potter é um sucesso estrondoso por que nos fala de outro mundo que existe ao nosso lado, com maravilhas a serem descobertas. Mesmo sendo uma fantasia, nos faz querer que sejam reais. Receio que seja por isso que as pessoas acreditam com mais força em atlântidas e no poder das pirâmides do que no pouso da missão Apollo XI na Lua.

Por hoje é só, exploradores...