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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Imaginação, realidade ou loucura?

SÉRIE: CRÔNICAS INSTIGANTES


por Fargon Jinn

Muitas histórias de um passado recente nos trazem, cada uma, a sua versão do “cientista louco”. O que é isso? Por que este tipo de narrativa sugere que visionários e realizadores devem ser tidos como psicopatas?

Acredito que, a partir dos anos 50, quando começou a guerra fria, e o risco do holocausto nuclear se tornou uma constante no dia-a-dia das grandes nações, as pessoas começaram a buscar culpados pelos seus medos constantes. Aquilo era um produto da ciência. À frente da ciência temos os pesquisadores, os gênios, os visionários e os idealistas. Obviamente estes se tornam os culpados. Eles abrem a 'Caixa de Pandora' e libertam terrores que não podem ser guardados novamente.

Albert Einstein
Oppenheimer, Einstein, Feynman, são nomes que remetem à loucura dos primórdios da era atômica. Nomes como estes nos lembram de Hiroshima, mísseis nucleares, atol de Bikini, e o tão famigerado ‘Projeto Manhattan.

Isto bastou para que no imaginário popular criássemos os novos monstros de nossa era: os cientistas. Eles estão sempre prontos a raptar pessoas para suas experiências genéticas macabras; liberar doenças que nos levariam ao juízo final, apenas para vingar a morte trágica de sua amada esposa; expurgar o mal da espécie humana, transformando-nos a todos em autômatos, com chips implantados ou computadores que regem nossas vidas; tornarem-se os agentes do apocalipse, exterminando a civilização humana para que o planeta fosse repopulado por humanos perfeitos, sem doenças, sem falhas genéticas ou os males do espírito; ou simplesmente destruírem o mundo e o universo por alguma sede insaciável de conhecimento.

Cientista louco em Star Trek: TOS
Roteiristas, diretores de cinema e escritores de pulp fiction, abusaram desta temática. E o público, hoje em dia, tem uma grande facilidade em apontar o dedo acusador para os homens e mulheres de ciência, e taxá-los de irresponsáveis e ambiciosos inescrupulosos. Em alguns casos, isso até que não fica longe da verdade.

Na grande maioria, os impulsionadores da ciência são os governos, os investidores e as indústrias. Os cientistas, de fato, são pessoas do povo. Saem do nosso meio, e são, portanto, formados por nós. Além disso, sabemos que a ciência é absurdamente cara, e o cientista de garagem não é uma realidade. A ciência necessita de equipamentos de precisão absoluta, instrumentos delicadíssimos, computadores e sistemas de análise de modelos, desenvolvidos ao custo de milhões. São dezenas de técnicos, especialistas e milhões de horas de formação, treinamento, estudo e desenvolvimento. Um Professor Pardal ou um Doutor Brown (De Volta ao Futuro, 1985) é uma grande improbabilidade. Mesmo Graham Bell, Nikola Tesla e Thomas Edson precisaram de grandes investimentos, muitos técnicos, bons laboratórios e acesso ilimitado a todo o conhecimento de suas épocas.

Robert A. Heinlein
Por outro lado, temos um aspecto interessante. Cientistas trabalham muito dentro das questões levantadas pela literatura de ficção. Desde a infância somos contaminados por livros, quadrinhos e filmes que exploram a ciência através da imaginação (a ficção científica) e estes, em geral, trazem à tona grandes discussões sobre ética e moral. São estes grandes profetas da ciência e do futuro que inferem sobre tudo o que a ciência produz, combinam esta miríade de noções numa nova, possível, tecnologia e exploram-nas com sugestões, e alertas para que os atuais e os futuros agentes da tecnologia possam levantar questionamentos, ‘do que’ e ‘do se’ podemos ou devemos fazer com o conhecimento que adquirimos.

Philip K. Dick
Autores como Arthur C. Clarke, Aldous Huxley, Isaac Asimov, Robert A. Heinlein, Phillip K. Dick, Ray Bradbury, Carl Sagan, Jules Verne, Michael Crichton, Jorge Luiz Calife entre muitos outros, nos abriram janelas para o futuro e mostraram sociedades, tecnologias, perigos e possibilidades que só verdadeiros loucos poderiam antecipar.



Jorge Luiz Calife
Hoje em dia vivemos numa sociedade em que grande parte do que temos e somos foi antevisto por um grande autor de ficção científica. Alguns podem, na verdade, ter nos salvo de um possível perigo que, de outra maneira, jamais teria sido previsto.

Muita gente não sabe, mas os livros, o cinema, a música e a poesia, moldam o mundo que em que estamos, formam o nosso caráter, questionam os nossos valores e nosso modo de vida. São autores como esses que ajudaram a produziram o nosso presente. E são outros assim que formarão o nosso amanhã. A ficção científica tem esse poder, como oráculos estas obras nos mostram futuros muito mais prováveis dos que aqueles sugeridos por Nostradamus. Hoje temos o homem explorando o espaço, a sutileza da matéria, a essência do tempo e os caminhos da sociedade. Alguns os exploram em laboratórios, sob a superfície do mar, através de sensores em sondas interplanetárias. Outros exploram estes mesmos conceitos criando histórias em páginas de livros ou em películas cinematográficas. E como nós, amigos exploradores, são movidos pela curiosidade e pela ânsia de saber.

Pensem nisso...

sexta-feira, 2 de março de 2012

M. Night Shyamalan e After Earth


SÉRIE PERSONALIDADES

por Fargon Jinn

Este é um nome que sempre me causa certa ansiedade.

M. Night Shyamalan
Como a maioria de nós, tive contato com a obra deste contador de histórias em O Sexto Sentido (1999). Foi um filme que me fisgou na primeira cena. E posso dizer apenas uma pequena frase para elucidar o impacto que o filme teve em mim: Foi uma experiência perfeita!

Fiquei mesmerizado até a última cena do filme. Os créditos serviram para ir esfriando a cabeça fervilhante e aliviando a tensão emocional. Infelizmente é do tipo de filme que você assiste apenas uma vez. As seguintes não vão conseguir lhe causar os mesmos efeitos. Eu tenho o DVD, e já revi algumas vezes, mas apenas para aprender com o diretor. Gosto também de passar para pessoas que nunca viram (um evento raro), para observar suas reações. Tentem, é maravilhoso.

Os quatro grandes
Então restou-me esperar por suas novas obras. E não me decepcionaram. Em 2000 tivemos Unbreakable (me recuso a usar o título brasileiro), Sinais (2002) e A Vila (2004), são filmes que me pegaram tão facilmente quanto o primeiro e, igualmente, me surpreenderam de forma espetacular.

Os outros filmes de sua carreira já mudam de estilo narrativo, e embora sempre veja o reflexo de sua genialidade em cada roteiro, não são trabalhos que se possam classificar tão bem quanto os primeiros que mencionei.

Sempre que alguém quiser argumentar, negativamente, comigo sobre Shyamalan encontrará uma barreira intransponível. Poucos diretores e roteiristas conseguiram causar em mim, uma vez, o que ele fez por quatro vezes. E podem dizer o que quiserem: que seus filmes não são mais os mesmos; que o sucesso subiu à cabeça e agora ele não tem mais os estímulos de antes; que ele só tinha aquilo e agora está esgotado; etc.

Ele fez quatro vezes, e isso é mais do que todos os demais já fizeram.

Filmagens nas paisagens da Costa Rica
'Tá certo, ele não tem feito mais nada que chegue perto dos primeiros, mas o vício está ali. Algo como aquelas drogas que dizem viciar desde a primeira vez. A cada nova produção fico esperando a doze de 'hipnotizol' e acho que vou ficar esperando para sempre. Agora ele vem com After Earth (2013). As filmagens já começaram, e me recuso a ter noção do que está acontecendo. Sei que se trata de um filme de ficção futurística, algo com uma Terra pós-apocalíptica. Will Smith e seu filho Jaden voltam a atuar juntos, e isso me preocupa. Mr. Smith está mais interessado com a imagem de seus personagens do que com os roteiros, e interferir no processo criativo de Shyamalan, estando junto com seu filho, para ele é muito fácil.

Jaden Smith cena de After Earth (2013)
Na história, aparentemente, pai e filho caem num planeta selvático, para descobrirem que se trata do nosso planeta, agora 'ancestral'. Eles iniciaram suas filmagens no dia 6 de fevereiro, nas florestas da Costa Rica. E em alguns dias estarão filmando na Filadélfia. As filmagens devem ir até o final de abril, e então começa a edição e pós-produção para o lançamento, esperado para os feriados de ação de graças, final de novembro do ano que vem.

Bom, temos aí uma parceria que pode nos trazer um resultado inusitado.

Um fiasco e um desrespeito à obra
Com exceção do À Procura da Felicidade (2006), não consegui gostar de nada de Will Smith desde MIIB – Homens de Preto II (2002). Uma década inteira com apenas um filme bom. Esperei muito, em 2004, de “Eu, Robô” (sou fã incondicional de Isaac Asimov), mas tive uma violentíssima decepção. Hancock (2008), foi levemente divertido, daqueles filmes que você sai do cinema e esquece o que assistiu. As conversas divergem para qualquer outro assunto, menos para a história que acabou de ver. Isso me frustra. Gosto de conversar após uma sessão de cinema, prolonga-se a experiência, ressalta detalhes despercebidos, esclarecem-se dúvidas, surgem discussões sobre a temática e, algumas vezes (hoje em dia cada vez menos), rimos pelo resto da semana de uma excelente comédia.

Disto pode se concluir qual a importância do cinema em minha vida. Em cada um do O Senhor dos Anéis (2001 a 2003), por exemplo, saí das sessões vibrando, querendo dar socos para cima, conversei com amigos e a família, reli os livros, comprei os DVD's e revivi a experiência completamente, várias vezes. É isso o que procuro num bom filme. Mas é o que menos se obtém hoje em dia. E a cada dia está mais raro.

Mas alguém pode falar: - E Shyamalan? Suas experiências positivas, come ele, acabaram em 2004! Está pior do que os do Will Smith!

Obra prima da contação de história
Não, isto não é verdade. Eu gostei de todos os filmes de M. Night: A Dama na Água (2006), Fim dos Tempos (2008) e mesmo o fracassado “O Último Mestre do Ar” (2010), para mim são filmes que me deram a experiência completa. Saí dos cinemas conversando sobre o que vimos, revi os filmes em casa, e ainda hoje os assisto. São controversos, eu sei, mas são obras autorais, com uma linguagem própria, sofisticada, cheia de camadas. E de uma beleza plástica única. A cada vez que revejo algum, observo com mais clareza um ponto que estava obscuro.

Agora, estou nesta expectativa. Esta filmagem que já sofreu vários problemas, principalmente de roteiro, já que os produtores recusaram os originais de Shyamalan, mas já decolou e está indo com força. Estou na torcida para que seja algo valoroso e que agrade o grande público. A família Smith tem esse dom, esse charme, e o toque de Midas. Vamos esperar que eles sejam a boa estrela na carreira deste nosso roteirista e diretor, contador de boas histórias.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Máquinas Sentimentais (parte II)

por Phoenix

É interessante observar como o homem flerta com o perigo. Mesmo ele vislumbrando a possibilidade de uma máquina com inteligência artificial, constituída com emoções, nos colocar em algum tipo de risco, ele não se abstém de ousar, experimentar. Um computador ou robô que pense por si só, pode chegar à conclusão de que os homens são   desnecessários   e   nocivos   a  sua própria Terra.
Colossus 1980
Um bom exemplo disso é o Colossus 1980 (1970), um supercomputador programado para comandar o sistema de defesa americano durante a guerra fria, inclusive sendo responsável pelos mísseis nucleares. Mas Colossus descobre que não é o único supercomputador no comando de uma nação. O russos também haviam criado o seu, e esta máquina ultrainteligente, após adquirir vontade própria, entra em contato com o computador russo e, juntos, decidem que para evitar a autodestruição dos humanos e proteger o planeta, eles deveriam tomar o poder, colocando a população a seu jugo.

Mais exemplos se seguem, nessa busca de máquinas inteligentes e independentes, como os temidos T-800 e T-1000, da série O Exterminador do Futuro (1984 e 91) – são máquinas frias, focadas em seu objetivo, quase indestrutíveis e terrivelmente poderosas, a ponto de matar quem estivesse em seu caminho: mulheres, criança, idosos, não importa. A impressão que se tem ao ver um exterminador em ação é que ele é dotado de muito, mas muito sentimento malévolo. É o grande vilão entre os robôs.

Johnny 5
Robô Número 5, ou Johnny 5 como ele se auto-nomeia depois de ouvir a canção “Who’s Johnny?”, do filme Short Circuit (1986), vai por um caminho inverso, é um robô construído com fins militares que, quando atingido por um raio, ganha consciência e foge de sua base militar. Ele recebe abrigo da ecologista Stephanie Speck, que enche o banco de dados do robô com cultura pop e o ensina sobre a natureza da vida e da morte. Johnny temendo ser desligado pelos militares, o que, para ele, significa o mesmo que morrer, se aventura em fugas hilariantes.

Sonny de I, Robot
O filme I, Robot (2004) passa no ano de 2035, em que o uso de robôs como empregados e assistentes dos humanos é comum, e por segurança existe um código de programação, conhecido como ‘As Três Leis da Robótica’, onde os robôs: não podem fazer mal a um humano; devem obedecer as ordens dos humanos; devem proteger a própria existência, desde que cada lei não fira a anterior. Com a morte do Dr. Lanning, o detetive Del Spooner é chamado para investigar o caso. Todos acham que foi suicídio, mas Spooner acredita que Sonny, um humanóide com emoções e com a capacidade, inclusive, de sonhar, tenha cometido assassinato, quebrando, assim, as Leis da Robótica.

HAL-9000
HAL 9000 de 2001: A Space Odyssey (1969) da nave Discovery, foi feito com a mais avançada inteligência artificial, capaz de realizar reconhecimento facial e vocálico, fazer leitura labial, apreciar manifestações artísticas, interpretar emoções, raciocinar, expressar emoções e jogar xadrez. “I’m sorry David. I'm afraid I can't do that!”, diz HAL com sua voz tranquila ao Dr. David Bowman, quando este, após ter saído em uma nave auxiliar tenta regressar à Discovery. HAL havia feito leitura labial da conversa de David e Poole sobre a possibilidade de desligá-lo por conta de falhas em seu sistema. Quando, enfim, David consegue chegar até o núcleo de memória do computador, HAL tenta acalmá-lo, e vendo que não surtiu efeito, começa a pedir a David que não o desligue, demonstra medo e, por fim, começa a cantar Daisy Bell.

Eu sou você amanhã!!!
Se podemos construir máquinas e atribuir a elas os valores que quisermos, porque muitas vezes as fazemos vilãs? Destroem patrimônios, matam pessoas sem hesitar. OK, também temos os mocinhos, os bem-humorados, os heróis, mas estamos sempre brincando com o bem e com o mal, como tempero para as tramas. Na vida real há que se ter muito cuidado antes de dar autonomia a um ser que, ainda, não tem coração, senão podemos acabar sendo vítimas de nossas criações. Nos filmes, no entanto, tudo isso é válido e, se bem trabalhado, nos diverte e emociona. Portanto, viva a tecnologia!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Máquinas Sentimentais (parte I)

por Phoenix

 
Os robôs e computadores do cinema e da TV têm características interessantes, intrigantes ou até mesmo cômicas. Eles são personagens importantíssimos nos filmes de ficção científica e, por muitas vezes, acabam recebendo de seus idealizadores sentimentos exclusivamente humanos, e por isso nos proporcionam momentos em que nossas mentes divagam, acreditando que aquele pedaço de metal e fios realmente pensa, fala, sente. Não nos contentamos em vê-los apenas como objetos, sentimos a necessidade de promover a antropomorfização das máquinas. Talvez por considerarmos nossa espécie perfeita em sua anatomia e psiqué, o que, ao nosso ver, seria um presente para nossos seres cibernéticos.


Robô-Gigante tokusatso (1967 a 68)
Temos bons e inesquecíveis exemplos de máquinas que ultrapassaram os limites da ciência, como Robby de Forbidden Planet (1956), cordial e preocupado com a proteção e preservação da vida humana. Ficou famoso e acabou por participar de um outro filme da MGM The Invisible Boy (1957).

B-9 de Perdidos no Espaço (1966 a 69) tem uma força sobre-humana e uma inteligência bastante avançada, capaz de realizar cálculos complexos e deduzir fatos. Foi programado com diversos assuntos e especialidades. Não bastasse ser uma máquina de grande utilidade, ele também ri, fica triste e faz algumas zombarias, além de cantar e tocar guitarra.

Wall-E (Pixar 2008)
Um robozinho encantador é WALL-E, do filme de animação homônimo de 2008. É um compactador de lixo, que tem como função fazer a limpeza da Terra, após sua população ter sido evacuada em naves estelares. WALL-E foi o único robô que sobrou. Desenvolveu consciência e tornou-se o grande amigo de uma barata. Apaixona-se por EVA, uma robô altamente avançada, que vem à Terra em busca de sinais de vegetação. Os sentimentos de WALL-E são tocantes, suas expressões nos faz vê-lo como um ser vivo.


Marvin (Guia do Mochileiro 2005)
Em 'O Guia do Mochileiro da Galáxia' encontramos dois representantes bem distintos: o animado e bem-humorado Eddie, computador da nave Coração de Ouro, que está sempre bem disposto, alegre e otimista; e Marvin, um robô com inteligência imensurável, que foi projetado com a tecnologia PHG (Personalidade Humana Genuína), é dono de um cérebro do tamanho de um planeta, mas que por ser requisitado para trabalhos pequenos, de nenhum valor intelectual, vive deprimido, pessimista, de baixo-astral e com um desprezo imenso pela vida.

'O Gigante de Ferro' (animação de 1999) é um robô doce, carismático e ingênuo, que se torna amigo de um menino. O “gigante” parece ter um coração bondoso em meio a tanto aço. Inofensivo, ele se transforma quando é atacado, fica altamente perigoso, e reage furiosamente.

Agora, as grandes estrelas do cinema que não poderiam deixar de ser citados são R2D2 e C3PO, astros de Star Wars (1977). Sempre metidos em aventuras e missões variadas, esta dupla é a grande responsável pelos momentos divertidos na saga. R2D2 é responsável pela manutenção e navegação de astronaves e se comunica através de ruídos e bípes. Tem um compartimento com inúmeras geringonças, com todo tipo de função. C3PO construído por Anakin Skywalker para que ajude a sua mãe. Inicialmente ele fica com seus mecanismos expostos, mas depois ganha placas de revestimento. Ele é um robô programado para atuar como intérprete e relações sociais. R2D2 e C3PO são uma atração à parte e mereceram um desenho animado, não tão bom, só para eles, com aventuras hilárias e emocionantes.

Cena de Bicentennial Man (1999)
O Homem Bicentenário (1999) mostra Andrew, um robô inteligente, com emoções e personalidade própria, curioso, e que vai tomando, cada vez mais, características humanas. Com sentimentos, Andrew torna-se confuso, tem dúvidas e conflitos a respeito de sua existência. Ele passa a buscar sua liberdade e a chance de se reconhecido como um humano.

Cena de AI (2005)
David Swinton, em AI (2001) é um garoto andróide, construído para amar seus pais eternamente, e é adquirido por um casal cujo filho está prestes a morrer. O filho se recupera e David acaba por ser considerado um ameaça por causa de um acidente do qual não teve culpa. Com medo de que o menino-robô seja destruído, Mônica, sua “mãe”, abandona-o em uma floresta junto com Teddy, um pequeno urso de pelúcia. Daí em diante David segue na luta por sobreviver e poder tornar-se um menino de verdade, sempre com esperanças de voltar para sua mãe.

Em Star Trek: The Next Generation (1987a 94) surge Data, segundo oficial e chefe de operações da nave USS Enterprise. Um andróide constituído para ser como um humano, mas sem os sentimentos. Ao contrário de Spock, vulcano meio-humano que suprimia o sentimentalismo, Data queria sentir emoções. Quando lhe foi implantado um circuito integrado emocional, Data teve dificuldades em entender o comportamento humano.


Seja na ficção ou na vida real, o homem tem procurado dar mais vida possível às suas invenções. Sejam elas robôs, computadores, jogos, há sempre a busca da interação homem-máquina, real-virtual, sempre o desejo de ver um boneco falar, ou o action figure de sua amada coleção ostentar a expressão exata de sua personagem, ou, também, quem sabe, poder conversar com o seu andróide preferido... E tantos são os “brinquedos” que reproduzem sons e movimento que vocês, amigos exploradores, podem citar em seus comentários para que não fique nenhum sem a merecida referência. Um exemplo é o action figure do Bender, de Futurama (1999 a 2003), que fala algumas de suas frases como “Bite my shiny metal ass!”.
Com tudo isso, o que nos faz dotar nossas máquinas de sentimentos humanos? Carência, solidão, timidez, sentimentalismo exacerbado, a necessidade de mostrar através de outro o que temos dentro de nós? Talvez tudo isso, ou, talvez, nada disso, apenas a criatividade sendo explorada e externada de formas diversas, para nosso deleite.
Batalhar é preciso

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ponto de LaGrange 5 – Sociedade L5 (parte II)


por Fagon Jinn

Em setembro de 1974, um físico norte-americano e professor na Universidade de Princeton, Dr. Gerard K. O’Neill, publicou um trabalho que muitos considerariam produto de uma mente doentia, caso tivesse sido outra pessoa. Mas O’Neill tinha já uma bela reputação, e estava longe de ser um cientista louco.

Gerard K. O'Neill
Quando, ainda, estudante, foi o inventor do ‘Anel de Armazenagem de Partículas’, um equipamento essencial para conduzir experimentos de física de partículas em alta-energia. Isto lhe permitiu, em 1965, na Universidade de Stanford, realizar o primeiro experimento da história de uma colisão de partículas. Estamos falando aqui dos rudimentos de um acelerador cíclico de partículas, que permitiu chegar aos ciclotrons, e o que é hoje conhecido como: o Grande Colisor de Hádron, localizado na fronteira franco-suíça.

Livro de 1976
Daquele trabalho de ‘74 surgiu um livro, The High Frontier: Human Colonies in Space (1976), nele discute-se e mostra a forma como construiremos e viveremos em estações espaciais colossais num futuro não muito distante. Ali, ele trata de sua proposta para uma colônia, construída em dois cilindros com rotações opostas, cada um com um comprimento de trinta e quatro quilômetros por oito de diâmetro. Permitiria a ocupação de uma população que poderia chegar a dez milhões de habitantes.

Os locais indicados para serem ‘ancorados’ os Cilindros de O’Neill seriam os pontos de LaGrange L4 e L5.

Cilindros de O'Neill
Em 1975, Keith Henson e sua ‘então-esposa’ Carolyn Meinel, fundaram a Society L5 que trazia em seu bojo a idéia de angariar fundos para a construção e ocupação do que passou a se chamar de 'Cilindros de O’Neill'. Esta Sociedade prosperou e conquistou espaço entre empresários, economistas, cientistas e políticos. Houveram massivas doações para campanhas e desenvolvimentos de estudos para a operacionalização das propostas publicadas.

O Dr. O’Neill, ainda acrescentaria outra peça a este tabuleiro. Mais um de seus inventos estava para produzir frutos. Em 1977, estudantes do MIT, construíram o protótipo Mass Driver 1 que, em outras palavras, é uma catapulta eletromagnética que lançaria objetos para a órbita do planeta, evitando-se assim o uso de foguetes, que acabam sendo extremamente caros. Em sua proposta original o Mass Driver catapultaria as partes a serem utilizadas para a construção das estações espaciais, a partir de fábricas lunares, para os pontos L4 ou L5.

Este invento possibilitou muitas outras aplicações industriais, mas parece que se tornou pouco interessante para colocação de objetos e naves na órbita da Terra. Hoje em dia existem protótipos de vários inventos, inclusive armas, que são construídos utilizando-se dos princípios do Mass Driver.

A Society L5 atingiu o auge de atuação política quando, em 1980, conseguiu barrar o Tratado Lunar junto ao congresso norte-americano. A proposta era para regular o uso internacional dos corpos e órbitas do Sistema Solar, obviamente excluindo-se a Terra. Acabou, por efeito cascata, sendo rejeitado em todo o mundo, inclusive na ONU, principal patrocinadora da proposta.

Este fato marcou o início do fim da Society L5, mas, também, o nascimento de um novo caminho, cujos objetivos ainda estão por ser delineados ao público, em geral.

Werner Von Braun e sua Estação Anel
Em 1986, a Society L5, tinha atingido a fabulosa soma de dez mil militantes, em todo o mundo. Membros estes que permeavam os meios mais distintos de nossa sociedade global. Poucos cientistas da NASA e da ESA (European Space Agency) não tinham ainda se alistado. Cientistas como Carl Sagan e Stephen Hawking, escritores como Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e J. Michael Straczynski (olha só de onde podemos tirar Babylon 5), empresários como Bill Gates e Steve Jobs, e muitos outros, todos prestavam seus apoios moral e financeiro a esta causa. E, nesta época, resolveram dar um passo à frente e unindo-se aos vinte e cinco mil membros do National Space Institute, fundado por Von Braun, nos anos 50, e formando a National Space Society (NSS). Que existe até os dias de hoje e ostentando os mesmos status, nos meios científicos e acadêmicos de uma das várias Royal Societies da velha e boa Inglaterra.



Hoje a NSS foca seus interesses em desenvolvimentos paralelos para prover a transição da era da informação para a era da sociedade espacial. Os objetos de estudo ainda são um tanto obscuro para a maioria dos mortais, mas vislumbramos, aqui ou ali, referências a ciências conhecidas como mimética (a capacidade da cultura se transferir de mente em mente, como se fosse um processo viral), nanotecnologia (o desenvolvimento de máquinas em dimensões micrométricas), criogenia (a suspensão das funções vitais, por tempo indeterminado, provido por temperaturas extremamente baixas), propulsão tether 'corrente' (o desenvolvimento de elevadores orbitais, cabeamento intra-orbital ou de momentum orbital), transhumanismo (tecnologia para o desenvolvimento da condição humana como longevidade, estrutura física, inteligência e psicologia) e, por fim, inteligência artificial.

Obviamente, a proposta original, embora não seja mais o ponto principal, subsiste. Mestres, alunos e simpósios se desenvolvem mundialmente, gerando estudos de engenharia e arquitetura espacial, com o intuito do desenvolvimento de processos viáveis de construção espacial.

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Num futuro, talvez não tão próximo, mas bem definido, a humanidade irá finalmente deixar seu berço, assumindo o seu lugar no cosmo, não mais presa às estruturas planetárias, às questões territoriais, às economias de subsistência, ao extrativismo, mas criando comunidades autônomas que se deslocarão entre sistemas estelares, cruzando a Galáxia, ou até mesmo se aventurando através dos grandes vazios do universo. Nesta época poderemos ter encontrado o legado de Ponce de Leon, e viveremos longamente e, definitivamente, em paz e prosperidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ponto de LaGrange 5 – Sociedade L5 (parte I)



por Fargon Jinn

Pintura de LaGrange
Joseph-Louis de LaGrange, apesar do nome, foi um matemático italiano, do século XVIII. Mas o que tem ele de especial?! Simplesmente, um gênio. Aos 16 anos era mestre da Escola Real de Artilharia em Turin, e aos 19 desenvolveu a mecânica analítica de quatro dimensões. Aos 28 anos recebeu o Grande Prêmio da Academia Francesa de Ciências, por ter solucionado um problema que atormentava a todos desde Newton. O então conhecido "Problema dos Três Corpos".

Se você observar duas massas no espaço, como Vênus e o Sol, por exemplo, e considerar suas gravidades, com certeza deverá imaginar que em algum ponto entre estes dois corpos, as forças gravitacionais são equivalentes e anulam-se. Ou seja, o planeta ainda exerce sua atração gravitacional, mas quanto maior a distância que o observador está do centro de massa do planeta, menor a influência gravitacional que ele sofrerá, embora sempre haverá uma força atuando sobre o observador.

Quando estamos no espaço, temos a sensação de gravidade zero. Mas isso é um erro. De fato, seu corpo está a uma velocidade absurda de dezoito a vinte e dois mil quilômetros por hora, tentando ir em linha reta, enquanto a gravidade do planeta lhe desvia do caminho fazendo-o cair. A estas velocidades, você consegue anular a aceleração da gravidade, como a água que não cai de um balde em movimento giratório.

Os 5 pontos de LaGrange
Voltando a Vênus e o Sol, com o observador parado entre os dois, ou seja, sem o deslocamento orbital, sente-se a gravidade (mais fraca quanto maior for a distância), mas nunca será nula. A influência gravitacional se espalha indefinidamente. No entanto, em algum momento a força gravitacional de Vênus será tão pequena que acaba suplantada pela do Sol, ainda muito longe, mas muito mais forte. Existe ali, em algum ponto, um local em que as duas gravidades são idênticas. O que causa um equilíbrio, que  pode ser estável ou instável, o que não vem ao caso no momento. Mas, aparentemente, neste ponto de equilíbrio, temos gravidade zero. O observador pode ficar neste local indefinidamente, sem nunca se deslocar em direção a qualquer um dos corpos.

E, num caso como o Sol, a Terra e a Lua, existiria algum ponto de equilíbrio neste sistema? Foi aí que LaGrange entrou. Ele encontrou não um ponto, mas cinco. Eles ficaram conhecidos em astronomia e astrofísica como os pontos de LaGrange ou L1 a L5.

Esfera de Bernal (Island 1 e 2)
O que isso significa para nós?

Significa que, se resolvermos construir estações espaciais para criarmos comunidades espaciais, estes pontos seriam de grande interesse.

De fato, um deles já está na mira de um grande empreendimento imobiliário. A entidade é conhecida como Sociedade L5 (L5 Society ou apenas L5). Fundada em 1975 por Carolyn e Keith Henson, que basearam-se nos trabalhos do físico norte-americano Gerard K. O'Neill.

O'Neill desenvolveu uma proposta para uma estação espacial composta por dois cilindros de oito quilômetros de diâmetro, por trinta e dois de comprimento. Rotacionando em direções opostas. Batizando o projeto como Island 3, para dar continuidade em relação aos seus projetos anteriores Island 1 e 2, estações espaciais baseadas nas propostas, que são conhecidas como 'Esfera de Bernal', ambas com mil e seiscentos metros de diâmetro.

Cilindros de O'Neill
Os Cilindros de O'Neill, seriam uma solução para o desenvolvimento de tecnologias industriais que se beneficiam da microgravidade. Além disso, como os movimentos rotacionais gerariam gravidade artificial entre 0,9 e 1G (semelhantes à gravidade da Terra), o ser humano não sofreria os problemas orgânicos causados pela baixa gravidade, como seria se o homem estabelecesse comunidades na Lua ou em Marte. Teríamos energia solar em abundância, não haveria necessidade de combustíveis, não haveria poluição, tudo seria reciclado não ocasionando problemas de lixo ou destruição do meio-ambiente. Aos poucos a humanidade absorveria os mesmos princípios para uso no planeta, e até haveria possibilidade de abandonarmos definitivamente a Terra, onde não estaríamos tão sujeitos aos cataclismos naturais.

Espaçonave Argo
Com base nisso, um grupo de artistas e cientistas criou um projeto para uma webserie de ficção científica hard. L5 é a história de uma equipe de astronautas que retornam à Terra após duzentos anos de uma viagem espacial em hibernação, somente para encontrar um planeta vazio. No ponto 5 de LaGrange, eles encontram este gigantesco Cilindro de O'Neill, e ao que parece, também vazio.

O projeto vem se desenvolvendo há dois anos, e os profissionais são todos fanáticos por ficção científica classificada como hard, ou seja, aquela na qual as leis da física são interpretadas com realismo, não existe fantasia científica. A matemática, a física e a biologia atuais são respeitadas ao extremo. Quer dizer, nave espacial ao ser vista no espaço, viaja em silêncio, ou ao som de músicas, não de efeitos sonoros de aeronaves ou motores de foquetes. Eles se baseiam em autores como Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Alan Dean Foster e Ray Bradbury, e mais um monte de cientistas da NASA, MIT e CalTech, que atuam como consultores.



Curiosamente, o projeto conta com financiamento popular, através de doações, veiculadas pelo site kickstarter, onde foram realizadas duas fases de doação, a primeira com meta de US$10.000, e angariaram $10.400, e outra com meta de $2.500, onde atingiram $3.700. Eles estão atrasados, contudo. As previsões iniciais seriam de estrear na primavera deste ano, mas já está acabando o verão americano e eles ainda não estão prontos.

Com certeza o argumento é excelente, o projeto é viável, e deverá, se for tudo concluído a contento, ser um 'megasucesso'. Daí virão propostas de Hollywood e muitas outras oportunidades. Vamos aguardar.

Para saber mais: http://www.bagtaggar.com/l5series/ 
                                 http://l5production.blogspot.com
                                 http://www.studiohemogoblin.com