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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus: uma análise

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Prometheus
ALERTA ESTE ARTIGO TEM SPOILERS

por Fabok

Antes um protesto

Sei que o explorador deve estar ansioso pelo nosso review do filme, mas não posso deixar de falar nos eventos que os expectadores da minha sessão testemunharam antes da exibição.

Tudo o que queremos é assistir filmes com a qualidade do preço que pagamos
Quando a entrada na sala foi liberada, levei um susto. Tudo estava numa escuridão total. Imediatamente os que lá estavam começaram a ligar seus celulares para termos um pouco de luz. A princípio, até pensei que poderia ser uma campanha de marketing do filme, mas no momento que as fracas luzes de nossos celulares começaram a varrer a sala, um sentimento de horror se abateu em todos nós, e não era por causa de nenhum alien. A sala 3 do UCI Fortaleza estava simplesmente imunda. Restos de comida e pipoca por todos os lados, o chão completamente melado e, ainda por cima, os assentos sujos e com manchas de gordura para todos os lados.

Mas o pior estava por vir. Quando começou a projeção, a imagem estava tão escura, que em determinados momentos ficava difícil de entender o que estava se passando na tela. Com isso, o efeito 3D foi muito prejudicado e acabou por ficar abaixo do esperado. Com um ingresso na casa dos R$ 30,00, é uma vergonha como o UCI Iguatemi Fortaleza trata seu público. Aos exploradores, evitem as salas 3D de lá a qualquer custo.

Agora o filme

E Deus amou tanto a humanidade que a ela sacrificou seu próprio filho
Eis que Prometheus começa. A sequência inicial, com um humanóide se sacrificando para dar origem à vida na Terra, é espetacularmente bela e me encheu de expectativas. Logo em seguida a nave Prometheus surge enchendo completamente a tela, indo rumo ao desconhecido. Pensei, é... Ridley Scott está de volta e em grande estilo.

Fassbender é um andróide que esconde sua humanidade e suas obsessões
Aos poucos vamos conhecendo a nave através de David, um andróide, que aparentemente tem a missão de manter os sistemas automáticos e a tripulação da Prometheus em ordem. David parece ser único. Ele é fascinado com filmes antigos, em especial Lawrence da Arábia, e acaba por adotar o visual do personagem vivido por Peter O'Toole. Ainda assim, há algo perturbador sobre David: ele é tão humano em suas ações que acabam por torná-lo diferente de nós. Pior, ele tem o hábito de acessar os sonhos dos tripulantes que estão em congelamento criogênico para a longa viagem de dois anos da nave.

Ao chegar ao seu destino, a tripulação é despertada. Ficamos conhecendo o casal de arqueólogos Elizabeth Shawn (Noomi Repace) e Holloway (Logan Marshall-Green - reparem que o ator é quase um clone de Tom Hardy de A Origem e do novo Batman). Eles conseguem convencer o magnata Peter Wayland (Guy Pierce, debaixo de uma maquiagem muito pesada), dono da Weyland Coorp. a financiar a missão, antes de sua morte.

Logan Marshall-Gree e Tom Hardy, que é isso "doppelgängers"?

E qual seria esta missão? Shawn e Holloway encontraram evidências de que a humanidade foi criada por seres extraterrestres, os quais eles chamam de "engenheiros". Nestas evidências há um aparente convite de nossos criadores para encontrá-los. Até este momento, o filme vai criando uma atmosfera muito boa e cheia de mistérios. Mas logo vem a primeira decepção, pelo menos para os fãs de Alien - O Oitavo Passageiro. O destino da Prometheus não é LV426, o planeta no qual o alienígena do filme original é encontrado, e sim LV223, que aparentemente orbita o mesmo gigante gasoso com anéis, do filme de 79. Neste momento meu sinal amarelo se acendeu, mas logo em seguida ele passou a vermelho, quando a tripulação da nave entrou em ação.

O velho cliche da ignorância
do método científico


Para uma expedição científica com potencial de mudar para sempre a humanidade, a Weyland escolheu os piores profissionais possíveis. Os "cientistas" não seguem nenhum tipo de procedimento ou protocolo que garantam o sucesso e a segurança da missão. De cara Holloway quer logo sair da nave para explorar a estrutura que fora avistada por eles. Quando o Capitão Janek (Idris Elba) pede que o arqueólogo espere até o dia seguinte, pois eles só teriam mais seis horas de luz, este responde algo do tipo, "Esperei dois anos para poder abrir meus presentes de natal". Pior ainda é a resposta de Janek, "ok, estou aqui só para pilotar a nave". Logo em seguida nos é apresentada a personagem Vickers (Charlize Theron), os olhos e ouvidos da Weyland e que logo ordena que qualquer contato com os "engenheiros" deve ser evitado. A atriz faz o possível para tornar Vickers interessante, mas ela é apenas uma coadjuvante de luxo na trama.

Charlize não foi nem bonita nem teve uma grande atuação
Falando em incompetência, o que dizer do geologista Fifield (Sean Harris) e do biólogo Milburn (Rafe Spall). A dupla consegue criar momentos antológicos de humor involuntário. Milburn é um biólogo que não gosta de coisas mortas e junto a Fifield simplesmente abandonam a expedição quando vários corpos alienígenas aparecem. Para completar, o geologista consegue com que a dupla se perca, quando ele próprio tinha dispositivos que mapeavam o lugar em que se encontravam. O momento em que eles encontram a criatura hammerpede é tão ridículo que você torce para que os dois morram logo...

Desenvolvimento confuso e sem sentido

Salada completa, alienígenas+zombies from outer space
George Romero deve estar às gargalhadas
Daqui em diante o filme entra numa espiral de situações mal resolvidas e mal escritas. Com que propósito David infecta Halloway? Fica a impressão que os roteiristas não sabiam o que fazer para "engravidar" Shawn. Ok, a cena do "parto" é plasticamente visceral e perfeita bem ao estilo do diretor, mas Shawn, uma arqueologista, consegue operar um equipamento médico de última geração, com dores excruciantes e sozinha, do mesmo modo que operamos um tablet. A quantidade de sangue que cai nela antes do final do "parto" é tanta, que ela teria que ter alguma sequela. Mas não, deste momento em diante o roteiro resolve transformar Shawn em uma nova Ripley com poderes sobre-humanos e imune às consequências do procedimento cirúrgico pela qual passou. Para completar, ninguém à bordo pareceu se interessar pela criatura que ela deu à luz, que fica esquecida até os momentos finais do filme.

A cenografia de Dariuz Wolski é impecável e formidável
Mas quem são os responsáveis por um roteiro tão problemático? Um deles, o explorador já deve conhecer. Sim, é ele, Damon Lindelof que tem em sua "ficha criminal" pérolas como o final de Lost, e é coautor do roteiro de Cowboys and Aliens e do futuro Star Trek. Por todo o filme você consegue ver o "dedo" do senhor Lindelof. Diálogos sofríveis, eventos sem o menor sentido e, claro, mais furos no roteiro do que um queijo suíço. Vou citar alguns: Por que os "engenheiros" se dariam ao trabalho de semear a Terra com vida, para simplesmente querer exterminá-la depois? Se o que Shawn e Halloway encontraram foi um convite, por que um convite para o que obviamente parece ser uma instalação militar? O que houve na Terra dois mil anos atrás para levá-los à uma decisão tão drástica como a que vimos no filme? E por último, a tripulação de "engenheiros" devia ser ainda mais incompetente que a da própria Prometheus, por se deixarem destruir por suas próprias armas biológicas.

É um filme de Ridley Scott?

Você é humana ou andróide? (referência a Blade Runner?)
O filme consegue se salvar graças a Ridley Scott, que fez milagre com um roteiro tão fraco. Scott sabe como ninguém valorizar a direção de arte de seus filmes para criar suspense. Prometheus é um banquete visual e auditivo. O nível de detalhes da nave, roupas e cenários é espetacular sempre fazendo referência a Alien - O Oitavo Passageiro. Há ainda uma pequena referência a Blade Runner. Repare na touca que os tripulantes da Prometheus usam com o traje espacial. É muito parecida com a usada pelo personagem Gaff, vivido por Edward James Olmos naquele filme. Outro exemplo do minimalismo do diretor, as informações vistas nos computadores da nave seguem o mesmo estilo das que são vistas na Nostromo, do filme de 1979.

Uma grande sacada de Scott foi ter trazido o bizarro artista H.R. Giger, criador da criatura original do filme de 1979, como consultor. O visual da nave dos "engenheiros" e das criaturas nos remete a Alien, mas ainda assim com um toque diferente. O Space Jockey ser apenas um traje espacial dos "engenheiros" foi uma boa surpresa. Contudo, o perfeccionismo de Scott não foi tão feliz na trilha sonora composta por Marc Streitenfeld, que só brilha no momento em que Peter Weyland aparece como holograma, usando um trecho da clássica trilha composta por Jerry Goldsmith.

Ridley Scott raramente fecha suas histórias

Os 'engenheiros' como uma sociedade monástica
Os atores fazem o que podem, mas realmente quem se destaca é Michael Fassbender. David é ao mesmo tempo encantador e assustador e foi um ótimo precursor para os andróides da série. Noomi Rapace consegue dar alguma credibilidade a Shawn, mas não é nenhuma Ripley. O restante não consegue ter o mesmo tipo de empatia que a tripulação da Nostromo em Alien, infelizmente.

Para completar, Prometheus não é um estória fechada. O final em aberto lança mais perguntas do que o próprio filme conseguiu responder. Qual a origem dos "engenheiros"? Para onde Shawn e David foram? Como o "pré-facehugger" e o "pré-alien" vistos na boa cena final evoluíram para o que vimos nos filmes da série Alien? A Terra ainda está em perigo? As respostas ficaram para uma possível sequência, que nem sabemos se será realizada. Tudo vai depender da bilheteria do filme. Ah! Uma dica pro pessoal da Weyland Coorp: se vocês financiarem uma nova missão, por favor escolham uma tripulação melhor. O pessoal do Relatório da Situação de antemão já se oferece para tripular uma nova Prometheus. Nós seríamos muito mais profissionais... Já para Ridley Scott...você é o cara, mas pelo amor de Deus se livra deste picareta que é o Sr. Lindelof. Existem excelentes roteiristas por aí que fariam de tudo para trabalhar com você no universo de Alien.

Resolveram economizar no figurino
Visualmente Promeheus é arrebatador, mas isto não é suficiente. Sem um bom roteiro, o filme se torna vazio e acaba por decepcionar, justamente por toda a expectativa que criou. Como prelúdio de Alien, o filme também falha, simplesmente por não dar nenhuma resposta satisfatória aos mistérios daquele filme. Agora nos resta uma pequena esperança, Ridley Scott já anunciou que a edição em DVD e Blu-Ray terá uma nova versão com mais 20 minutos. Não estou otimista, mas vamos aguardar...

E você explorador, o que achou? Mande suas opiniões! Até a próxima!


Prometheus: 2012, EUA
Direção: Ridley Scott
Roteiro e História: Jon Spaihts e Demon Lindelof
Música: Marc Streitenfeld
Edição: Pietro Scalia
Elenco: Noomi Rapace, Logan Marshall-Green, Charlize Theron e Michael Fassbender


Nossa avaliação:

Delta-Shield Bronze

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prometheus: O Mistério está próximo a ser revelado

CINE PREVIEW
Alerta este artigo traz spoilers moderados

por Fabok

Recentemente, li em algum lugar, que muitos fãs dos filmes da série Alien estariam preocupados com Prometheus, o novo filme de Ridley Scott, que estreia mês que vem. O problema segundo eles, é que a trama não seria centrada nos aliens ou que eles apareceriam muito pouco e outras coisas do gênero. Minha pergunta a estes fãs é uma só: mas, e daí?

Space Jockey já visto no filme de 1979
Prometheus não é um filme da série Alien. Ele apenas se situa no mesmo universo. A proposta de Ridley Scott é muito mais ambiciosa que um simples prequel. Ao abordar dois pontos jamais respondidos pelos filmes da saga: como a megacorporação Weyland Industries sabia da existência do sinal alienígena captado pela nave Nostromo e dos xenomorfos, e quem seria o misterioso alienígena fossilizado (Space Jockey), ambos vistos em Alien, O Oitavo Passageiro (1979), o diretor se propôs a criar uma nova e ambiciosa mitologia que levará o expectador a descobrir nada menos que a própria origem da humanidade.

Enfim algumas das perguntas terão respostas

O filme ainda está cercado de mistérios, e os espetaculares trailers lançados só aumentam as expectativas. Sabendo disso, a Fox criou uma interessante campanha de marketing viral. Através do site http://www.weylandindustries.com/, o explorador poderá conhecer detalhes sobre a empresa e seu criador, Peter Weyland que é interpretado pelo ator Guy Pierce. Lá, os mais atentos, encontrarão entre os feitos da empresa, ligações com o universo de Alien como a invenção das câmaras de hipersono, da propulsão FTL (Faster than Light) e da descoberta do planeta Acheron LV-426 vistas no filme de 1979; dos processadores atmosféricos, do exoesqueleto motorizado que Ripley usa para lutar com a rainha Alien e a criação dos Space Marines de Aliens (1986); e da construção de colônias penais fora da Terra (Alien 3, 1992).

Você também encontrará informação sobre os Cybernetic Individuals, os robôs, que foram tão importantes para a série. O site conta a gênese deste projeto, desde a primeira patente registrada em 2023 até a série David 8, primeiros robôs a replicar emoções humanas e serem praticamente indistinguíveis dos seres humanos. Na nave Prometheus temos um robô desta série vivido pelo ator Michael Fassbender.

O roteiro cobre uma longa linha de tempo

Guy Pearce é Peter Weyland
O legal desta linha do tempo que vai de 1990 até 2073, é que todos os feitos de Weyland culminam com o Projeto Prometheus. E aqui vai uma curiosidade, este projeto realmente existiu. Ele foi parte de um esforço da NASA para a criação de naves movidas a propulsão nuclear para missões de longa duração. Infelizmente esta iniciativa foi cancelada pela agência em 2006 por falta de fundos. No universo do filme, a medida que a Weyland controla todos os campos do desenvolvimento científico do planeta, ela acaba comprando todos os dados referentes a ele.

Charlize Theron como Meredith Vickers
Mas qual será realmente a trama do filme? Do que consegue-se entender dos trailers é que são encontrados, em diferentes cantos da Terra, sinais de que fomos visitados por seres extraterrestres. Ao se juntar estes sinais, um aparente convite ou localização destes alienígenas é descoberto. A Weyland Industries, megacorporação de poder e influência jamais vistas na história do planeta, envia uma missão a este local. Qual sua ligação com o que já vimos na série Alien é uma resposta que só teremos quando o filme estrear. Mas do pouco que se viu, nota-se todo o cuidado com que Ridley Scott conduziu o projeto. O estúdio está tão empolgado que apoiou a decisão de levar as telas a versão sem cortes do filme, que recebeu a classificação R nos EUA, reservada a filmes com conteúdo mais adulto e agressivo.

Promessas e muita ansiedade

Para os exploradores mais ansiosos, não deixem de reassistir Alien (1979), o trailer de Prometheus faz inúmeras referências aquele filme, que só para lembrar também foi dirigido por Scott. No dia que o segundo trailer saiu, fiquei tão empolgado que resolvi rever todos os filmes da série, bom quase todos, ainda não tive coragem de enfrentar os Aliens vs Predador, se é que vocês me entendem... Uma boa pedida também é visitar o site da Weyland Industries e conferir os interessantes vídeos virais com os personagens Peter Weyland e David 8. Ao explorador mais cauteloso, fique tranquilo pois os vídeos não possuem spoilers.

Confesso que adorei os Avengers, mas pra mim Prometheus será o filme do ano. Muitos já o comparam a 2001 Uma Odisseia no Espaço. Será que teremos um novo clássico da Ficção Científica surgindo este ano? Em 15 junho descobriremos...

Ridley Scott nunca decepcionou... muita ansiedade
Até a próxima!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pioneer One


WEBSERIES


por Fabok

Quando um misterioso objeto espacial cai no Canadá, o Departamento Americano de Segurança Interna (US Departament of Homeland Security) envia uma equipe liderada pelo agente Tom Taylor para investigar, o que acredita-se ser, um ataque terrorista. Mas a verdade é muito mais chocante. A equipe encontra os restos de uma cápsula espacial russa com um jovem muito debilitado a bordo. Ele alega não só ter nascido em Marte, como também que a antiga União Soviética, ainda nos anos 80, teria enviado astronautas e construído uma base no planeta vermelho.

O que diferencia Pioneer One, é que a série é financiada inteiramente com doações e distribuída gratuitamente pela Internet através do serviço VODO. Não espere efeitos visuais ou ação desenfreada. A série foca muito bem no mistério e no suspense para contar sua estória. A versão do sobrevivente seria verdadeira? Se sim, como os russos conseguiram enviar homens para Marte há trinta anos? Por quê o segredo? Por quê estes cosmonautas marcianos enviariam um adolescente à Terra? E quais as ramificações deste evento nas relações políticas entre os EUA e a Rússia?

A série conta com um roteiro bem amarrado e com um elenco de desconhecidos, que se não é brilhante, realmente dá vida aos personagens. Infelizmente, para mim, o mais fraco deles é justamente o ator James Rich que interpreta o agente Taylor. Apesar de melhorar durante o decorrer da temporada, ele ainda não encontrou o tom certo para seu personagem. O trio central de protagonistas é completado por Alexandra Blatt (a agente Sofie Larson) e Jack Haley (o cientista Zachary Walzer) que lembra muito, principalmente no timbre de voz, o ator Richard Dreyfuss de Tubarão (1975). Apesar de ser produzida com um baixíssimo orçamento para os padrões da TV, o seriado tem ótimos valores de produção, sendo inclusive rodado em alta definição.

Pioneer One já tem uma temporada completa de seis episódios, com a segunda a caminho. O projeto pode ser considerado um sucesso: já tem quase quatro milhões de downloads, e conseguiu arrecadar 91.000 dos 100.000 dólares para assegurar sua continuação. Além disso os produtores estariam em negociações para lançá-la em DVD.

Ao explorador que for assistir, um lembrete. Assim como L5 (ver artigo de Fargon Jinn), os produtores dependem de nós, o público, para a continuação do trabalho. Se você gostar do trabalho, e quiser ver mais episódios serem produzidos, contribua com o que você puder. Inclusive eles aceitam doações através do Paypal.

Até a próxima!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mass Effect 3 - Conclusão

SÉRIE: GAMES


por Fabok

Conclusão da trilogia eleva Mass Effect à categoria das grandes space operas.

Obs: alguns spoilers no artigo!!!!

Após os eventos do DLC para Mass effect 2, The Arrival, Shepard é forçado a entregar a Normandy e ver sua tripulação seguir seu próprio caminho. Não é por menos, para evitar um ataque surpresa dos reapers ele sobrecarrega o mass relay de um sistema estelar destruindo tudo, inclusive uma colônia Batarian. Shepard de herói se transforma num embaraço para a Aliança. Pior ninguém leva a sério os avisos do comandante de que a invasão reaper está chegando.

É aqui que começa ME3. Shepard é chamado as pressas quando os reapers começam um avassalador ataque a Terra. Mas o QG da Aliança é destruído. Em meio às ruínas da megalópolis que resultou da união das cidades de Seattle e Vancouver e sob fogo reaper, Shepard precisa chegar a Normandy e fugir. Não há outra alternativa. A Terra não é o único planeta em chamas. Toda a galáxia está a beira da aniquilação. Ele é informado pelo capitão David Anderson (Keith David) e pelo almirante Hackett (Lance Henriksen) que uma base científica em Marte, estudando ruínas dos proteans, encontrou algo que pode ser usado na guerra, mas o contato com a base foi perdido e Shepard é enviado para investigar.

The Crucible
Quanto ao Comandante, além dos reapers, terá que enfrentar Cerberus, a organização paramilitar xenofóbica da Terra que tem seus próprios planos para os reapers. Ela é responsável pelo ataque a base científica, mas Shepard descobre que no planeta vermelho foram encontrados esquemas do que pode ser a única esperança de vitória para a galáxia, o misterioso dispositivo "The Crucible".

A missão de Shepard é quase impossível. Forjar uma aliança entre todas as espécies da galáxia. Algumas delas inimigas por séculos. Para isso ele precisará da ajuda de novos e velhos aliados. E ainda descobrir as reais intenções do The Illusive Man (Martin Sheen), líder de Cerberus.

Mordin e a pesquisa da Genophage
Mass Effect 3 não deixa nada a dever as melhores sagas espaciais. Ação, aventura, reflexão (olha aí Helder Maia) e por que não, sacrifício. A tripulação da Normandy levará o lema "as necessidades de muitos, superam as de poucos" as últimas consequências. Vale destacar o excelente trabalho dos atores, que fazem que os personagens de ME sejam mais bem desenvolvidos que os de muitos filmes e séries por aí. Destaque para duas missões em especial: o embate em Tuchanka para livrar os krogan da praga biolágica genophage e a liberação Rannoch, planeta natal dos quarians e ocupado pelos cibernéticos geth.

O roteiro é tão bom que ao me aproximar da última missão, me dei conta que estava realmente receoso pelos destinos de Liara, Tali, Joker, Edi, James, Legion, Wrex, Garrus, Ashley e toda a tripulação da Normandy. Explorador, lembra daquela antecipação para o final de Babylon 5 ou Battlestar Galactica? Foi a mesma coisa que senti.

E o final? Achei espetacular. Realmente não entendi toda a comoção na Internet. São três finais (que não contarei para não estragar a surpresa) e o que escolhi era totalmente coerente com a evolução que dei ao personagem de Shepard. Para os curiosos, escolhi o final verde. Para mim os finais azul ou vermelho não condiziam com meu personagem, mas de qualquer modo são muito interessantes, inclusive o final vermelho tem um bônus a mais...

Talvez meu lado scifi tenha falado mais alto que meu lado gamer, mas o final verde e sua temática de ficção científica hard me conquistou. Se há um lado negativo no final, alias, nos finais, é que você fica realmente sem saber o que aconteceu com a maioria dos membros da sua tripulação. No meu caso, meu esquadrão final era composto por Liara e James e após o devastador ataque de Harbinger fiquei sem saber o destino deles. Acredito que eles morreram, mas certeza... não tenho. Outro problema é o que aconteceu com os milhões de habitantes da Citadel. Jogue e tire suas conclusões. De qualquer modo, a chiadeira foi tamanha que a Bioware, está preparando uma série de cutscenes extras para dar um encerramento "melhor" para a saga que serão integradas ao jogo de maneira gratuita.

E o que o futuro reserva a Mass Effect? No momento uma série animada está sendo produzida e ainda temos boatos da versão cinematográfica de tempos em tempos. O fato é que a Bioware já prometeu que teremos mais jogos baseados no riquíssimo universo do jogo. Contudo, particularmente acredito que não teremos mais aventuras com Shepard e a tripulação da Normandy.

Aos exploradores que ainda não jogaram a saga completa, corram... vocês não sabem o que estão perdendo...são cerca de cem horas de ficção científica da melhor qualidade. Mass Effect conquistou seu lugar ao lado das icônicas space operas Star Trek, Star Wars, Babylon 5 e Stargate e merece ser conferida!!

Ah! Uma dica final: ao final do jogo, depois dos créditos finais, há uma bela cutscene com a participação do astronauta da Apollo XI Buzz Aldrin. Emocionante e imperdível!

Até a próxima!

segunda-feira, 5 de março de 2012

L5 - Webserie - Episódio 1: Piloto


WEBSERIE


por Fargon Jinn

Amigos exploradores, como dissemos, ficamos de olho, e aqui vai a grande novidade: foi lançado o Episódio 1: Piloto, da webserieL5’.

Primeiras impressões:

Cena do Piloto
Os caras são bons, cumpriram tudo o que prometeram. A produção é excelente, tudo de muito boa qualidade. É claro que temos que dar a mão à palmatória e dizer: - É uma série de baixo orçamento! – Então por mais que os caras se esforcem, eles não dispuseram dos recursos e ferramentas de uma produção ‘hollywoodiana’, mas é muito, muito bom mesmo.

O que temos aqui, afinal? Um grupo de artistas, cientistas, técnicos, voluntários, idealistas e visionários que estavam de ‘saco cheio’ com as produções que temos atualmente. Estavam desesperados para ver uma história de ficção científica hard (quando todos os conceitos empregados são científicos e não fantasiosos), com um argumento plausível e empolgante ao mesmo tempo.

Comandante Rich Adams
Existe sempre aquela dialética que acusa as ficções científicas rigorosas, de enfadonhas. Mas este grupo não acreditava nisto. Então resolveram tentar fazer algo de bom gosto, e baixo orçamento. Afinal, todos eles são pais de família, ou profissionais em início de carreira, têm que ganhar a vida e dedicar-se, nas horas vagas, à produção desta webserie. Não são milionários procurando um negócio para investimento.

Conseguiram levantar os valores para aluguel de equipamento de cinema, estúdios e materiais para construção de cenários, vestuários e maquiagem. E começaram o trabalho com menos de vinte mil dólares. E concluíram.

Entrando na colônia L5
Sucesso! Dia 21 de fevereiro de 2012 foi ao ar o primeiro episódio e o público amou. Eles estão recebendo doações volumosas de todo mundo que assiste. Eu, facilmente enviei uma pequena quantia pelo PayPal, e ainda fiquei com a consciência pesada, deveria ter doado mais (o bolso é que 'tá raso). Mas farei outras doações a cada episódio. A aceitação tem sido tão positiva que, só no torrent, pude verificar que exitem quase dois mil seeds (atualização 6.3.12 - são 80.000 seeds, agora, sucesso astronômico), e isso já é um termômetro muito bom. Em geral quando vejo um filme ou série de sucesso, raras vezes existem mais de mil seeds, e em geral as melhores classificadas estão em torno de duzentos a trezentos.

Para assistir é só carregar este link. A distribuição é gratuíta, mas eles não querem que sua obra seja objeto de lucro por terceiros. Então se alguém quer distribuir, deve lembrar que não pode obter lucro sobre a série.

Traje de atividade extra-veicular (EVA)
O idioma é inglês, o som é bom, e dá para compreender os diálogos, contudo para os mais duros de ouvido, como eu, existe legenda em inglês e português (que a propósito é obra minha) e está no Legendas.tv.

A história trata de um grupo de astronautas que retornam à Terra numa nave espacial, duzentos anos após sua partida. Ao chegarem no nosso planeta o encontram abandonado e com uma colônia espacial estacionada no ponto 5 de LaGrange (L5, daí o nome da série), e que também está deserta. Acredito que o desenvolvimento será relativo ao destino da humanidade com a solução desse mistério: Onde foram parar os ocupantes do nosso planeta?

Sala interna da espaçonave Argo
Agora é aguardar o segundo episódio que, na verdade, não se tem ainda uma previsão. Ou seja, é esperar que eles publiquem o novo cronograma para a segunda parte.

Vamos torcer para que seja logo. Enquanto isso vamos ver, rever e discutir os possíveis desdobramentos. Afinal, o que aconteceu com a civilização humana? Destruíu-se, mudou-se ou foram raptados e escravizados em Betelgeuse. Então, exploradores, o que vocês acham? Dêem suas opiniões. Eu acho que eles se mudaram...

L5: 2012, EUA
Criação: Stanley Von Medvey e Tom Ptasinski
Direção: Stanley Von Medvey
História: Tom Ptasinski
Elenco: Will Finson, Chad Burns, Tony Gratz e Bryn Packard

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro