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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Star Trek Ongoing: série em quadrinhos abre caminho para novo Star Trek

SÉRIE: QUADRINHOS

por Fabok
Nunca fui muito fã de quadrinhos, mas passei a apreciá-los depois que comecei a lê-los no iPad. A interface gráfica é muito inteligente e confortável para o leitor. Como trekker acabei descobrindo a série Star Trek Ongoing, que faz a ligação entre o filme Star Trek (2009) e a sua sequência que chega aos cinemas no ano que vem.

Edição #1-Where No Man Has Gone Before
O projeto é bem interessante, onde as aventuras da série clássica de Jornada nas Estrelas são revividas agora, já no novo universo criado por J.J. Abrams. A produção é de primeira. Os traços são muito bonitos e reproduzem fielmente os personagens e cenários do filme. Além disso Ongoing conta com a participação de Roberto Orci, um dos roteiristas do reboot e da sequência como Consultor Criativo. A proposta é boa, visto que constrói o background das aventuras nos permitindo um melhor posicionamento ante os eventos do novo filme.

Estórias em arcos duplos

Explore estranhos mundos novos!
Aliste-se na Frota Estelar!
Cada aventura é dividida em duas edições. Logicamente o primeiro episódio adaptado foi "Onde Nenhum Homem Jamais Esteve". Esta é uma adaptação bem fiel ao episódio da Série Clássica, e sem muitas novidades, a não ser a personagem da doutora Elizabeth Dehner que não está presente; o Dr. McCoy já é o oficial Médico-Chefe da nave e não o Dr. Mark Piper. O personagem Gary Mitchell ganhou os traços do ator Gary Lockwood (2001, Uma Odisséia no Espaço). O roteiro ganhou um acabamento melhor, mais moderno e mais casado com a "realidade" construída ao longo da série. Uma curiosidade é que o planeta onde se passa a aventura chama-se Delta Vega. No filme de 2009, Delta Vega é onde Kirk encontra Spock Prime e Scott. E, não tem nada haver com o planeta da Série Clássica. Cuidado aí J.J.!

Acabamento primoroso
O próximo episódio escolhido foi "O Primeiro Comando", que traz duas grandes mudanças em relação ao episódio original. Uma das tripulantes da nave auxiliar é a Alferes Rand, fazendo sua primeira aparição no novo universo. E quem salva o dia é Uhura que, contra todas as ordens, rouba uma nave auxiliar, para encontrar Spock. Ponto para a personagem, mas que, por outro lado acaba por enfraquecer Spock. Um dos pontos altos do episódio original era justamente a visão pragmática do Vulcano, que resolve tomar uma decisão "desesperada" baseada na sua maneira peculiar de usar a lógica. Ainda sim, a aventura é bem interessante.

Os clássicos episódios da TV estão sendo revisitados

Belo tratamento de imagem
Em "Operação Aniquilação", os quadrinhos tomam um rumo bem diferente do que foi visto antes. Aqui Kirk encontra seu irmão George vivo e temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o passado dos dois personagens. Legal aqui é que os roteiristas trouxeram a boa química entre McCoy e Spock de volta. Outro bom momento é dado na relação entre Spock e Uhura, que se mostra bem preocupada com as atitudes um tanto quanto "ilógicas" do Vulcano desde a perda de sua mãe e do seu planeta natal. Até o momento esta foi a melhor adaptação dos episódios originais.

Já para a próxima aventura, os roteiristas resolveram contar uma trama original, diretamente ligada ao filme de 2009, "Vingança Vulcana". Novamente mostrando a, cada vez mais preocupante, falta de conhecimento da geografia de Star Trek, o episódio começa no distante Quadrante Delta, é mole? Onde um alienígena tenta negociar a venda de informações sobre a Narada, a um misterioso grupo. Enquanto isso, a Enterprise está em patrulha próxima à Zona Neutra Romulana e recebe um pedido de socorro de uma nave científica vulcana. Aqui os roteiristas foram felizes em manter o desenho das naves vulcanas como vistas na série Enterpise. Kirk encontra a nave ainda sendo atacada, mas o grupo consegue fugir, deixando para trás um tripulante que revela ser um sobrevivente da tripulação da nave de Nero. Sem muitos spoilers, a trama envolve uma missão secreta vulcana para recolher o que restou da infame "matéria vermelha" e acaba por levar a Enterprise a Romulus. O roteiro é bem interessante e cheio de reviravoltas, pena que o final fica um pouco a desejar por não ousar em transformar um importante personagem do canon de Jornada em vilão. Faltou coragem ou liberdade aos roteiristas...

Lançamento - A Vingança do Vulcano p.2
Para os próximos números teremos adaptações de "A Hora Rubra" e uma aventura inédita com os pingos intitulada de "A Verdade Sobre os Pingos". Os produtores já disseram várias vezes que alguns eventos e personagens vistos nos quadrinhos terão conexão com o próximo filme. Para o fã de Jornada vale a conferida, mas infelizmente não há previsão de lançamento no Brasil. A boa notícia é que a editora IDW, disponibiliza Ongoing pela Internet, App Store, Android e Kindle. Confira o site.



Star Trek Ongoing: 2011, EUA
História: Mike Johnson
Arte: Joe Phillips, Steve Molnar, Tim Bradstreet, Joe Corroney

Editora: IDW Publishing
Número de páginas: de 28 a 33
Preço de venda: US$1,99 - lançamentos US$3,99
Mídia: Leitor eletrônico (internet, iPad, iPhone, iPod, Kinde e pads com Android)

Idioma: inglês

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Área Q – ficção alienígena brasileira

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA

por Fargon Jinn

O Brasil tem produzido filmes de alta qualidade, nos últimos quinze anos. “O Quatrilho” (1995) foi o primeiro que recordo como sendo um produto refinado. Qualidade de produção, direção de alto nível, atores reconhecidos e outros que são verdadeiras revelações, história e roteiro com excelência, são alguns dos itens que podemos ressaltar neste e em muitos outros depois.

Há alguns anos me choquei com o nível de Cidade de Deus (2002), um filme que, além de atores desconhecidos e excelentes, uma fotografia avassaladora, tinha um roteiro maravilhoso e, o melhor, apresentava uma das mais perfeitas edições que já vi.

Filmes espíritas dominam o mercado nacional

Produção nacional de 2008
Mais recente, vieram os filmes de cunho espírita, notamos aqui uma queda pequena, mas importante, na qualidade. As histórias são conhecidas de muita gente, e não houve coragem de produzir um roteiro marcante. Para piorar, além da falta de inovação na direção, sentiram que tínhamos qualidade suficiente para arriscar CGI’s. Que falta de autocrítica. Senti-me assistindo a filmes da década de 80, feitos para a TV norte-americana.

Desta vez Halder Gomes (Cine Holiúdy – O Astista Contra o Cabra do Mal, 2004), um excelente cineasta brasileiro, atuou como produtor executivo de Área Q.

Debut brasileiro na ficção fantástica

Cenas nas formações rochosas de Quixadá - CE
Área Q é uma ficção alienígena, gênero que pertence à ficção científica. Este roteiro, no entanto, tem um argumento pouco definido: Um repórter de Los Angeles narra suas experiências de abdução por extraterrestres, durante o período em que investigava fenômenos de abdução no território brasileiro, Quixadá – CE.

Falando assim, até parece definido mas, ao final do filme, não sabemos dizer, realmente, qual é o ponto focal da história. É a experiência do jornalista? São os fenômenos de abdução? São os mistérios e milagres ligados às vítimas dos alienígenas? São as motivações dos ET’s? Ou é o filho desaparecido do protagonista?

Halder Gomes e Tânia Khalil
Nas questões técnicas, vai uma nota baixa para a fotografia e a qualidade da imagem, muito granulada, cores esmaecidas, sem contraste e sem brilho. Não sei exatamente se foi proposital, ou se foi resultado de um orçamento deficiente, ou se foi pelo cinema, mas é uma das mais baixas qualidade de imagem que já vi.

Problemas técnicos e de arte

A atuação dos atores ficou prejudicada por um roteiro fraco e uma aparente inexistência de direção. O filme é de Gerson Sanginitto (Cadáveres 2, 2008) diretor que, até então, me era desconhecido, não conheço seus trabalhos anteriores, mas se este servir de referência, poderia melhorar.

E por fim, algum uso de CGI coerente e bem conduzido. Em contrapartida, há uma cena que não diz nada, não enriquece a narrativa, apenas notei uma necessidade de se fazer algo grandioso para mostrar domínio desta tecnologia, mas achei que a tomada me lembrou muito ao remake de O Dia em que a Terra Parou (2008).

Salas vazias, dois meses em cartaz? Faz sentido?!

O diretor Sérgio Sanginitto
Gostaria muito de que um filme brasileiro com essa temática tivesse recebido um tratamento de roteiro melhor, com mais ritmo e consistência. Co-escrever junto a algum escritor brasileiro com mais know-how no assunto teria sido uma possível saída. Temos pessoal bom para isso, é só procurar.

Acho que devemos, de qualquer forma, assistir a mais esta produção nacional. Precisamos, não podemos nos furtar em comentar nossas impressões. É preciso que percebam que o público brasileiro consome, mas quer qualidade. Não somos Bollywood, e produzimos pouquíssimos filmes por ano, por isso temos que ter excelência.

OVNI's e Quixadá, uma mistura explosiva
De um modo ou de outro, o espectador não sai o mesmo, ao término do filme. Nos deixa pensativo, nos faz questionar. Isso, em si, já é algo. Tem muito, mas muita obra por aí que rende muito, e não tem um micron de conteúdo.

Se os exploradores quiserem minha recomendação: Assistam. É interessante, abre o diálogo, desperta a curiosidade e nos faz querer saber mais, ir além do final.

Área Q: 2011, Brasil
Direção: Sérgio Sanginitto
História: Sérgio Sanginitto, Carla Sanginitto e Halder Gomes
Roteiro: Sérgio Sanginitto e Júlia Câmara
Música: Perry La Marca
Edição: Helgi Thor
Elenco: Isaiah Washington, Ronnie Gene Blevins, Murilo Rosa, Ricardo Conti e Tânia Khalil

Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nova Série de Terror: The River

SÉRIES DE TV

por Helder Maia

Imagino o Spielberg passando por seu amigo J.J. Abrams pelo corredor de algum canal de TV, ambos carregando suas pastas cheias de grana, e trocando um aceno cúmplice de cabeça. Afinal, recentemente Spielberg também tem associado seu nome a projetos fracos: o ruim seriado Terra Nova (com seus efeitos especiais de quinta categoria) e o muito mal falado Falling Skies (que não senti vontade de ver depois de tanta “cacetada” que a série levou).

The River nos apresenta ao mistério do desaparecimento de Emmet Cole, ambientalista e apresentador de um programa sobre natureza que faz sucesso na TV há anos. Ele, juntamente com sua equipe, foi avistado pela última vez no rio Amazonas, a bordo de seu barco Magus. Então, sua esposa decide continuar a busca por ele após a desistência das autoridades. Mas para financiar esta expedição o canal que exibia o programa de Cole exige que tudo seja filmado. Temos assim um seriado no estilo Bruxa de Blair, com a ação sendo capturada por várias câmeras.

A série até que se esforça, mas o seu maior problema é não conseguir estabelecer a suspensão da descrença no expectador: os mitos e lendas sobrenaturais (alguns baseados em lendas do nosso folclore) explorados pelos roteiristas não conseguem convencer e fazer o expectador entrar no clima de suspense e tensão pretendidos.

Some-se a isso atores fracos, sem nenhuma química entre eles, assim como uma trilha sonora irritante e temos apenas um seriado de mediano a fraco. O único ator que brilha na série é o carismático Bruce Greenwood (o capitão Pike de Star Trek) interpretando Emmet Cole, mas sua participação, em flashbacks ou gravações de vídeo, é muita pequena para manter o interesse no seriado.

Bruce Greenwood como Dr. Emmet Cole
Uma pena, pois séries de terror são raras na TV e eu estava torcendo por um bom programa. Vale citar a participação de Glen Morgan (Arquivo X, Millennium) como co-produtor executivo.

Devido à baixa audiência, o seriado pode vir a ser cancelado, tendo sido produzidos apenas oito episódios em sua primeira temporada. No entanto, existe a possibilidade de que o Netflix, serviço de vídeo sob demanda, assuma a série.

Confesso que, como fã de seriados, estou preocupado. Se a TV americana teve um salto em qualidade a partir dos anos noventa (boa parte graças a Arquivo X) me parece que estamos vivendo uma nova fase de declínio. Uma pena.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

The Hunger Games

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Jogos Vorazes

por Fargon Jinn

Interessante conceito este, discretamente apresentado, nesta nova saga da Lionsgate. Na verdade muita gente assiste ao filme e vê um jogo de caça e caçador, onde os dois fatores são humanos. Pior, são adolescentes. Pior, são garotos fortes, crescidos e treinados contra garotinhas criadas na roça. Pior, tudo é orquestrado por adultos. E consegue piorar mais? Claro que sim. Por que parar agora? O fundo do poço é mais embaixo. Para piorar mais, vemos aqui um Big Brother from Hell. Tudo é televisado e orquestrado para que os patrocinadores invistam seus recursos naqueles jogadores (adolescentes) mais populares.

A audiência vai sendo apresentada a um mundo moribundo
Agora vem o pulo do gato: tudo é a mais porca e mais descabida política. Estes jogos trazidos por estes livros e filmes, na verdade está descortinando uma realidade política. É cruel, mas é verdade, os poderes da "Nova Ordem Mundial" tentam manter o grosso da população na ignorância e inépcia.

1984, revisitado?!

Um livro profético?
Estamos olhando para a versão moderna de 1984. Isto é uma pantomima política. Ali é mostrado que busca-se favorecer uma elite de privilegiados (habitantes da Capital). Estes, para nadarem na fartura e na opulência, exploram a população desfavorecida, de descalços e descamisados, que passam fome, doenças e miséria (habitantes dos doze distritos).

Mas não acaba aí. Existe outra camada nesta história. Existe um outro nível de dominantes, quase ocultos, como devem ser. Estes são os verdadeiros arquitetos desta estrutura. Estes criam o circo para apaziguar e distrair tantos os distritais, como os capitais.

A função deles é reger esta orquestra política, e dizer quem realmente deve ser o popular e quem é o vilão.

Mocking Bird (pássaro brincalhão) símbolo da luta
representa o descaso à ordem dominante
Tudo deve ser balanceado para manter o nível de ‘esperança’, segundo o autor, o sentimento mais forte depois do medo. E para isso os vencedores devem ser construídos cuidadosamente. Eles devem gerar apenas a quantidade necessária daquele sentimento.

Para que não hajam levantes populares, as emoções devem ser produzidas dentro de um patamar suficiente apenas para que as pessoas anseiem pelo próximo embate, e não queiram resolver as injustiças mano-a-mano.

Isso não existe no mundo real

Isto pode ser levado às últimas consequências?
Isso não se parece muito com algo familiar? Futebol?! Ultimate Fight Constest?! Big Bosta?! Não, não, não, mera coincidência. Não iriam esfregar estes filmes na cara da gente, se fosse verdade, iriam? Eles não achariam que seríamos tão cegos...!

E nós, poderíamos algum dia, num futuro incerto, apreciarmos estes tipos de jogos? Em minha opinião: jamais. Nós estamos evoluindo. Não temos mais gladiadores. Agora são apenas lutas enjauladas. Não gostamos mais de jornais sangrentos. Hoje, só gostamos do Datena e da internet sensacionalista. Não queremos ver ninguém se arrebentando. Só nas videocassetadas.

Análise do filme

Gary Ross já desistiu de dirigir a sequência
Um roteiro bem desenvolvido, edição bem realizada, e uma ótima direção de atores e de cena. O cansativo é essa brincadeira de câmera com Parkinson. Isso é irritante e reduz em muito a compreensão da cena.

Catching Fire está com Francis Lawrence
A ideia de reduzir a violência explícita através destes movimentos de câmera não é novidade e nem inteligente. Isso é recurso de um diretor com pouca imaginação narrativa.

A música, edição de som e efeitos sonoros estão irretocáveis. Assim posso dizer, também, dos efeitos visuais e da fotografia. Maquiagem e figurino com certeza valem uma indicação para os prêmios da Academia ou o Globo de Ouro.

Embora parte destes atores sejam adolescentes, e dia desse estavam estreando filmes com temática infantil (Ponte Para Terabítia e Os Seis Signos da Luz), todos saíram-se muito bem em seus papéis. E não vejo aqui nenhum digno de destaque, excetuando-se a beleza de Jennifer Lawrence (a Mystique de X-Men: Primeira Classe)

Saldo e méritos

Personagens belos e cativantes
É um filme muito divertido. Realmente envolve. Não deve ser assistido com preconceitos. Pense apenas em se divertir e a partir de então vá analisando. As músicas e toda a sonografia realmente compensa e a história empolga.

As bilheterias brasileiras que, a princípio, foram desfavoráveis estão se recuperando, o boca-a-boca está fazendo o seu papel. Nos States as bilheterias bateram recordes e as sequências já estão garantidas.

Vou agora procurar os livros. Que chegue logo a Amazon Brasil e seu maravilhoso Kindle. Setembro ‘tai’ gente.

Jogos Mortais (The Hunger Games): 2012, EUA
Direção: Gary Ross
História: baseado no livro homônimo de Suzanne Collins
Roteiro: Suzanne Collins, Gary Ross e Billy Ray
Música Original: James Newton Howard
Edição: Christopher S. Capp, Stephen Mirrione e Juliette Welfling
Elenco: Stanley Tucci, Wes Bentley, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Woody Harrelson

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os Vingadores - The Avengers

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
The Avengers


por Fargon Jinn

Joss Whedon é o cara. Esse é o diretor. Eu nunca imaginei que um filme de super-heróis poderia ser tão bom. Ainda mais com a bagunça de vários deles juntos. Mas é excelente.

Mark Ruffalo é Bruce Banner
Desde a abertura, sem os 'tradiciochatos' quadrinhos (uma ou duas vezes vai, mas tornar isso uma marca?!) o filme já começa e arrebata a atenção do público. Mesmo que não entenda do gênero (HQ), o filme é rico em ganchos que prendem a todos e introduz àqueles que não estão familiarizados com a saga.

Leonardo da sétima arte

Now, Joss Whedon is the King of the World! Hail the King!
Os diálogos... O quê que é isso? Que espetáculo! Mr. Whedon em sua fantástica carreira de sucesso com qualidade de produção, trazendo excelentes argumentos, roteiros, tramas e dramas bem montados, sempre nos proporcionou um show de escrita de roteiros. Os diálogos deste filme são horrorosamente perfeitos. Gosto de escrever, e sei o quanto é difícil. Mas ao ver uma obra deste tipo, Joss Whedon faz parecer tudo tão fácil que, aquele que aspira a, um dia, fazer parte deste grupo de profissionais, se sente ridículo e imbecil.

Com uma mistura de dramas pessoais leves, e diálogos bem humorados, a história vai-nos sendo contada, permitindo a todos uma boa compreensão. Em nenhum momento vemos um aprofundamento nas questões pessoais de cada personagem, e nem é isso o foco do enredo. Mas mesmo assim temos uma cena (sem spoilers, por favor) em que sentimos um 'baque' impressionante por uma perda. E somos envolvidos neste drama com meia dúzias de frases dispersadas pelo primeiro ato do filme. Mas sentimos como se fosse uma facada no nosso peito.


Salas lotadas em todas as versões

Porta-aviões da S.H.I.E.L.D, show de FX
Os Vingadores – The Avengers (alguém pode me explicar o motivo deste subtítulo?!?) está recheado de acertos e praticamente nenhuma falha. Não sei, teria que assistir algumas vezes, talvez, para detectar, com um ponto de vista mais crítico, se existem falhas. Mas se o explorador vai ao cinema com o intuito primário de diversão, vai conseguir a melhor possível.

Capitão América, Viúva Negra e Gavião Arqueiro
A fotografia é primorosa, gostaria de ter visto em 3D, mas as sessões legendadas já estavam esgotadas, vou tentar ainda mais uma vez, quem sabe, então atualizo aqui. A edição é impecável, o ritmo, com exceção de momentos absolutamente necessários em que se torna mais lento, é constante, agradável, permite uma boa compreensão de tudo o que está ocorrendo e é sempre envolvente.

Isso em 3D... ai ai!
Os efeitos especiais estão maravilhosos, houve uma única cena em que eu pediria um retoque. A movimentação de câmera é agradável, variada e não busca mostrar nada de sofisticado, apenas contar a história. Os efeitos de som e a sonografia nada menos do que perfeitas. As músicas, sob a tutela do perfeccionista Alan Silvestri, estão espetaculares. E, novamente temos AC/DC com o Iron Man (e sua camiseta nerd).

A Liga da Justiça nunca terá uma chance

Hulk smash!
Exploradores, eu gostei muito do Incrível Hulk, mas este foi o melhor Hulk que eu vi. E o mais divertido, sem dúvida. O Thor, este sim é o The Might Thor dos quadrinhos, soturno, maduro, muito forte, nada parecido com aquele do primeiro filme. E o Capitão América que foi muito bom no seu filme, agora está melhor, este sim torna-se um líder e você vê a sua liderança nascer, e como ele obtém respeito de todos.

A bela Cobie Smulders é Maria Hill
A S.H.I.E.L.D. foi muito bem também. A Viúva Negra, Nick Fury, Gavião Arqueiro e a Agente Maria Hill estão todos espetaculares. Mas, embora seja uma parte importante, a Organização é coadjuvante neste enredo. Obviamente o papel principal é para os super-heróis. Neste contexto, contudo, ainda credito ao ator Clark Gregg, o agente Phil Coulson, como aquele que roubou a cena e que, aliás, sempre fez.


Nova York é a nova Tóquio

CHUUUPAAA, Michael Bay!!!
E por fim, mas não menos importante, tenho que falar da cena da batalha final. Não é spoiler, garanto. Amigos, que BATALHA, que coisa impressionante. Digno de uma sinfonia de Beethoven. Nunca vi uma regência mais precisa. As cenas são compreensíveis, verossímeis, o expectador dança, pula e chuta na cadeira, a garota ao meu lado aplaudia e dava gritinhos em todos os lances, o público gemia, parava de respirar, soltava o ar e novamente gemia em uníssono, essa cena é uma suruba cinematográfica coreografada. Imperdível.

Então é isso, amigos exploradores, se podem acreditar no que digo, estamos aqui diante de um divisor de águas em termos de filmes de personagens de quadrinhos. Ao meu ver juntando-se todos os anteriores, mesmo levando-se em conta Iron Man, o Capitão América – O Primeiro Vingador e o Incrível Hulk, somados, não chegamos a empatar com a qualidade de The Avengers.

Os Vingadores - The Avengers (The Avengers): 2012, EUA
Direção: Joss Whedon
História: Joss Whedon e Zak Penn
Roteiro: Joss Whedon
Direção musical: Alan Silvestri
Edição: Jeffrey Ford e Lisa Lassek
Elenco: Robert Downey Jr, Chris Evans, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Cobie Smulders, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow e Clark Gregg

Nossa avaliação:

Delta-Shield Diamante

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Nova Série de J. J. Abrams: Alcatraz

SÉRIES DE TV


por Helder Maia

Hoje em dia, J.J. Abrams parece colocar seu nome em qualquer coisa. Eu até imagino ele saindo de um canal de TV com uma pasta cheia de dinheiro, após ter carimbado seu nome em mais um seriado qualquer. Não é difícil pensar assim, tendo assistido aos primeiros episódios de sua nova série: Alcatraz.

A premissa até que é interessante: em uma noite tempestuosa de 1963 é descoberto que todos os presos e guardas da famosa prisão sumiram misteriosamente. Na época atual, os presos vão reaparecendo e cometendo crimes. Ao investigar um assassinato, a detetive Rebecca Madsen, com a ajuda do nerd Dr. Diego Soto, especialista na história de Alcatraz (Intepretado por Jorge Garcia, o Hugo Reyes de Lost), acabam indo parar no meio deste mistério.

Mas o seriado tem muitos problemas. O primeiro sendo a escolha do elenco. A tal detetive parece uma adolescente, sendo jovem demais para convencer como policial. Os roteiristas até tentam justificar sua precocidade, já que ela, quando criança, lia os relatórios dos casos que o pai policial investigava e o ajudava a desvendá-los. Ai cacete!

Depois temos problemas de lógica. Sam Neill, como o irascível agente Emerson Hauser, há anos tem uma equipe montada aguardando o retorno dos prisioneiros, mas ele coloca as investigações nas mãos destes dois manés. Fala sério! Assim não dá! Some-se a isso vilões com motivações esdrúxulas. Os caras não tinham algo melhor para fazer do que voltar a cometer crimes depois de passar tantos anos na prisão? Ou que tal se questionarem como continuam jovens e por onde andaram este tempo todo?

Quanto à trilha sonora, Michael Giacchino é um bom compositor, mas ele repete aqui o mesmo estilo de música de Alias e Lost, com a mesma sempre elevando-se ao final de cada segmento dos episódios, para dar impacto e suspense, o que já ficou mais que repetitivo. Acho que está na hora de ele variar um pouco e fazer algo de novo.

Seria Alcatraz um 'Enrolost'?
Se esta série deveria ser o novo Lost, passaram foi longe. Se “Enrolost” acabou decepcionando, com a não explicação dos inúmeros mistérios criados, pelo menos, no começo, cativava pelos ótimos personagens. O que aqui não acontece. Além de que colocar um nerd como personagem para agradar a uma parcela da audiência já ficou meio cansativo, pois várias séries tem feito isto, de Heroes a Dollhouse.

Série policial disfarçada de fantasia
Apesar de parecer uma série de fantasia, Alcatraz é na verdade mais um seriado policial disfarçado por elementos fantásticos. Ao exemplo de Lost, alguns mistérios vão sendo mostrados a conta-gotas, como pessoas que trabalham para Hauser que estiveram envolvidas com a prisão e que também não envelheceram, ou o fato dos presos terem sido submetidos a experimentos, mas nada é revelado. E, devido ao fato de que alguns dos envolvidos na produção terem sido responsáveis por Lost, os enigmas devem ser esticados ao máximo, frustrando o expectador e fazendo com que a história não ande a contento.

A primeira temporada teve treze episódios exibidos pelo canal americano Fox, mas a série corre o risco de ser cancelada devido à fraca recepção do público.

Já vai tarde!

sexta-feira, 23 de março de 2012

John Carter

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
John Carter: Entre Dois Mundos


por Fargon Jinn

Ultimamente temos assistido a filmes que são um espetáculo visual, fotografia primorosa, efeitos visuais e sonoros impecáveis, CGI’s indistinguíveis de objetos ou seres reais, 3D’s cada vez mais bem utilizados fazendo, por vezes, nos esquecermos de que estamos vendo um filme, parecem cenas verdadeiras.

Martin Scorsese em Hugo (2012) nos conta um pouco dessa evolução
Voltamos então ao referencial de partida da espiral evolucionária que rege o cinema. A cada vez que uma nova tecnologia eclode e a vemos num filme, tudo o mais empalidece e nos perguntamos o que será do futuro do cinema. Nesta hora esquecemos do roteiro, da atuação, da direção de arte, etc. Quando nos acostumamos a esta nova evolução, voltamos a lembrar dos atores, do roteiro, do diretor, e vemos novamente do que se trata este mundo da sétima arte. Neste ponto da espiral em que estamos, o que aparece prá valer é o trabalho do ator, a direção e a contação de histórias.

O novo filme da Disney está neste patamar. Não temos mais tecnologias que nos mesmerizem, então sobra roteiro, atuação e direção para avaliarmos.

Andrew Stanton
O diretor de Procurando Nemo (2003) e Wall-E (2008), Andrew Stanton, não me agradou desta vez. E sou fã de todos os trabalhos que ele realizou até então. Parece que é uma fase em que a Pixar não está indo muito bem, pelo menos neste último ano. Carros 2 foi problemático, e agora o primeiro live action que eles realizam também não está fazendo jus a um nome tão bem construído, nas duas últimas décadas.

John Carter inicia com um desenvolvimento lento, com muita história, mas sem atrativos. Aos poucos passa de uma total inatividade para uma ação frenética, mas sem um enredo mais profundo, chegando a ser confuso. Acompanhamos uma história que se desenvolve sem dar à audiência uma noção da motivação de seus protagonistas, ou uma ideia do objetivo da trama.

As personagens principais não fazem o público se envolver emocionalmente com seus interesses. Faltam subtramas, não existem mensagens nas entrelinhas. O enredo é monodimensional, não instiga e não empolga.

A belíssima Lynn Collins, atuação pobre
Para piorar os atores principais, Taylor Kitsch e Lynn Collins (ambos de X-Men Origens: Wolverine, 2009), foram tão simplórios quanto o roteiro. Faltou, claramente, um trabalho de direção de atuação, e isto é, para mim, um ponto fortíssimo para se avaliar um bom diretor. Ilustra-se esse exemplo ao vermos a segunda trilogia de Star Wars, com atores do mais alto gabarito, mas pessimamente conduzidos, e o resultado é fácil de conferir. Liam Neeson, Natalie Portman e Ewan McGregor nunca estiveram tão mal em qualquer outra atuação, mas Lucas é um caso clássico de diretor fraco. Andrew Stanton, por outro lado, é estreante em live action, mas teve que dirigir personagens animados, e imagino que é até mais difícil. Uma vez que primeiro são feitas as vozes, e depois a animação através dos desenhistas e artistas de modelagem digital. Acredito, e assim dizem os diretores, que o trabalho de direção de animação é muito mais minucioso em todas as suas etapas, do que observar a atuação acontecendo num set, onde pode-se corrigir e explicar aquilo que se deseja, a qualquer momento.


Fotografia espetacular
Por outro lado, tecnicamente falando, John Carter é um filme perfeito, impecável em cada quesito, som (trilha sonora e edição), imagem (fotografia, edição e efeitos especiais), guarda-roupa, maquiagem, etc. Não pude observar nenhuma falha, nenhum erro de continuidade, nada. Nisso estão todos de parabéns.

As composições visuais são maravilhosas
Mas sabe quando você sai do cinema, e acabou de ver um filme maravilhoso? Saímos com vontade de conversar, de perguntar se todos os presentes observaram tal e tal cena. O que irá acontecer com o herói, ou se o vilão pode voltar? Mas John Carter, não. Saí do cinema e fomos falar dos eventos do dia. Pronto, o filme foi esquecido.

Um detalhe que ainda gostaria de acrescentar aqui. Os exploradores têm reparado como os filmes 3D estão ficando cada vez mais escuros? Os cinemas estão tentando economizar horas de lâmpada, energia elétrica, ou é falha técnica mesmo? É o segundo filme 3D que assisto no UCI do Iguatemi (Fortaleza), neste mês, e saio do cinema com os olhos cansados pela falta de luminosidade da tela. Um verdadeiro horror.

John Carter: Entre Dois Mundos (John Carter): 2012, EUA
Direção:
Andrew Stanton
História: Edgar Rice Burroughs
Baseado em: A Princess of Mars (E.R.Burroughs), 1912
Roteiro: Andrew Stanton, Mark Andrews e Michael Chabon
Elenco: Taylor Kitsch, Lynn Collins, Willem Dafoe e Samantha Morton



Nossa avaliação:

Delta-Shield Bronze