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quarta-feira, 30 de maio de 2012

MIB3 - Homens de Preto

RESENHA CINEMATOGRÁFICA
MIB3 - Homens de Preto 3
Alerta: este artigo tem spoilers moderados

por Babi-Wan

Pois bem, quinze anos depois do primeiro filme, será que é possível retomar a proposta de 1997 e 2002 sem perder a qualidade?

Tarefa difícil, uma vez que o filme de 97 foi um sucesso flamante, tanto pela crítica quanto pelo público, e o de 2002 que, apesar de seus respectivos merecimentos, não chegava aos pés de seu antecessor. MIB 3 acaba não sendo tão bom quanto o primeiro, mas superior em muitos sentidos para a sequela risível.

Jemaine Clement é a voz de Boris - o Animal
O enredo: Boris, o Animal (Jemaine Clement) é um alienígena da espécie boglodite que veio à Terra em 1969 com a finalidade de destruir o planeta em nome da perpetuação de seu povo. Foi impedido pelo Agente K (Josh Brolin) que decepou seu braço e o prendeu em Lunar Max. Quarenta anos depois, Boris consegue ajuda para fugir da prisão e retornar à Terra a fim, não só de acabar com o planeta mas também recuperar um pequeno pedaço do seu antigo eu. Para concretizar seus planos de vingança, o boglodite arranja um jeito de voltar no tempo. Então, quando isso ocorre, toda a memória do Agente K é apagada e uma invasão alienígena acontece. Com o intuito de evitar que a história seja modificada e seu parceiro nunca exista, é que o Agente J (Will Smith) volta no tempo. Na década de 60, J encontra K, e partilham de vários momentos divertidos. No meio dessa trama surge o personagem Griffin (Michael Stuhlbarg), um alienígena muito supimpa que tem o dom de visão multi-plataforma – basicamente ele consegue ver possíveis cenários para o que acontece em seguida, baseado no que acontece agora. Griffin se propõe a ajudar J e K, pois depois de ter tido seu planeta aniquilado ele não quer que outra civilização se perca.

Boris e sua namorada, Nicole Scherzinger do grupo The Pussycat Dolls
Bom, o filme tenta ser descontraído – e por muitas vezes fracassa no quesito, torna a piada um tanto forçada. A medida que a trama vai se desenrolando são acrescidos momentos mais profundos, como interações as quais Smith passa a conhecer um pouco mais de Brolin - que encara o personagem com naturalidade e consegue misturar de uma forma radiante sisudez, um pouco de 'cor' e até romantismo. O nojo continua sendo uma característica marcante. Os efeitos especiais muito bons. O vilão Boris não teve tantas aparições, mas todas muito pertinentes. O mesmo para a Agente O, a qual, a meu ver, não desempenha um papel fulcral no enredo, apenas de ilustrar o lado sentimental do Agente K da década de 60. Por fim Griffin, um personagem complexo, que abre margem para inúmeras possibilidades, no entanto mal exploradas. O filme termina com muito sentimentalismo. Necessário? Quem sabe?

Josh Brolin faz o Agente K
Apesar dos percalços, o filme proporciona um bom divertimento. A Franquia, felizmente, envelheceu dignamente. Então vamos parar por aqui, ok?

MTFBWY

MIB3 - Homens de Preto 3 (Men in Black III): 2012, EUA
Direção: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Lowell Cunninghan e Ethan Cohen
Baseado: HQ de Malibu Comic por Lowell Cunninghan
Música: Danny Elfman
Edição: Wayne Warhman e Don Zimmerman
Elenco: Will Smith, Tommy Lee Jones, Jemaine Clement e Josh Brolin

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Literatura Fantástica: A Máquina do Tempo e O Planeta dos Macacos


LITERATURA

por Helder Maia

A Máquina do Tempo


H. G. Wells é considerado, junto a Júlio Verne, um dos pais da Ficção Científica literária. Ele produziu obras importantes que habitam o imaginário popular, muitas delas tendo sido adaptadas para as telas de cinema: O Homem Invisível, A Guerra dos Mundos, A Ilha do Dr. Moreau e A Máquina do Tempo, entre outras.

Em A Máquina do Tempo, publicado em 1895, um cientista desenvolve uma máquina que lhe possibilita viajar tanto para o passado quanto para o futuro. Ele então embarca em uma viagem para a Terra de um futuro longínquo. Lá, ele a encontra habitada por duas espécies: os Eloi, seres belos, frágeis e de intelecto reduzido e os Morlocks, temíveis criaturas esbranquiçadas que vivem no subterrâneo.

Filme "Um Século em 43 Minutos"
de '79 inspirado no livro de Wells
Sendo um socialista, Wells fez de seu livro uma extrapolação alegórica sobre as barreiras sociais entre a burguesia e o proletariado. A Máquina do Tempo é uma novela curta escrita de forma extremamente objetiva, quase não havendo descrições, trazendo aquele tipo de narrativa que lhe dá vontade de ler tudo de uma vez até o fim.

O livro teve duas adaptações para o cinema. Embora nenhuma delas capture a essência da crítica ácida do livro contra uma humanidade desumana, a de 1960 tem seu charme, enquanto a de 2002 é terrivelmente ruim.

Cena do filme de 1960
Não deixe de conferir esta excelente obra que nos faz pensar para que tipo de futuro estamos nos encaminhando.


O Planeta dos Macacos


Este livro francês de 1963, escrito por Pierre Boulle, foi adaptado para o cinema em 1968, gerando a macacomania que produziu sete filmes para o cinema e duas séries de TV (uma em desenho animado e outra em live action).

Ele conta a história do jornalista Ulysse Mérou, que viaja com dois companheiros para a distante estrela de Betelgeuse. Lá, eles se deparam com o planeta Soror, que é incrivelmente muito semelhante à Terra. Para seu espanto ainda maior, eles descobrem humanos no planeta, embora estes não sejam a espécie dominante, mas sim os macacos! Os humanos, por outro lado, são criaturas bestiais, vivendo como selvagens na floresta e são constantemente capturados para estudos científicos. Ulysse acaba sendo aprisionado pelos macacos e tem de lutar para mostrar sua condição de ser inteligente.

Cena do filme de 19698
O livro, no entanto, difere bastante do filme. Nele, os macacos vivem no que seria o correspondente a uma sociedade da Terra de meados dos anos sessenta, onde vestem roupas e dirigem carros. Ao ler as descrições de macacos vestidos como humanos, me vinha sempre à mente a direção de arte e figuro do filme de 1968 com Charlton Heston. A concepção de roupas e arquitetura de edificações mais primitivas para os símios ficou, a meu ver, bem mais interessante do que no livro.

O livro traz uma narrativa a princípio arrastada, mas que depois prende a atenção. Merece ser conferido por qualquer fã da saga dos macacos no cinema.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Terra Nova II

ATUALIZAÇÃO: 29 DE MARÇO DE 2012


por Fargon Jinn

ATUALIZAÇÃO: Infelizmente, está confirmado o cancelamento de Terra Nova o Netflix desistiu de adquirir a série.

Abaixo segue o artigo original.


Completados os treze episódios da primeira temporada de Terra Nova, vemos um primeiro arco fechado. A continuidade da série, no entanto, ainda é uma incógnita. Aparentemente a conclusão da primeira temporada foi garantida a força de contrato com a produtora de Spielberg. Tudo ainda é um monte de especulação, já que Spielberg não teceu comentários. O que se supõe, em relação à segunda temporada, vem da movimentação da equipe de produção. Mas parece que esta poderá vir a ser produzida fora da Austrália e com a redução de um membro principal do elenco (ainda é fofoca).

Brannon Braga e Rene Echevarria
Rene Echevarria e Brannon "Viagem no Tempo" Braga, produtores executivos, têm sido mais do que reticentes em afirmar ou negar a segunda temporada. Eles alegam que o que pode ser prometido é cumprido. Como foi o caso de terem dado um arco completo para a primeira temporada, que inicialmente seria de dezoito episódios, mas foi cortada para treze. Mantiveram sua palavra. Se a produção não continuar, no mínimo temos um desfecho feito com muito bom gosto, diga-se de passagem.

– Enquanto algumas portas se fecharam, outras estão se abrindo ! – diz a dupla de produtores. Até o momento eles estão se safando de dar maiores esclarecimentos ao público. Aparentemente o fluxo de capital está garantido para financiar a próxima temporada, o problema é que estão esperando um cliente que queira encaixar o show em sua grade de programação. Coisa nova, aparentemente. Basta olharmos as porcarias que veem sendo produzidas atualmente, nos mais diversos canais. Se eles têm clientela, por que Terra Nova, muito superior à média, não está conseguindo se manter? Seria o custo de produção?

Christine Adams é Mira
O seriado não é barato. Muito embora o CGI seja ruim, ainda assim é muito caro. E, sendo a fotografia de Terra Nova, usando setenta porcento de Chroma Key, temos uma produção dispendiosa e mais lenta, exigindo mais trabalho da pré e pós produção.

A seguir, spoilers

O desfecho da temporada realmente me surpreendeu, e mostrou que os roteiros estão sendo levados com seriedade. Foram poucos episódios, mas não houve nenhum desperdiçado. Em cada história temos vários elementos relevantes para o contexto geral. Nem o caso da namorada de Josh foi ‘embromação’, as poucas vezes em que ela aparece tem a ver com o contexto do grande arco.

Ashley Zukerman como Lucas Taylor
O conflito entre Taylor pai e Taylor filho, no entanto, ficou muito fraco. Parece a reprise do vilão que é intrinsecamente mau. Não existe redenção e não há lógica coerente, apenas a emoção cega do ódio. Quer clichê maior?

O outro clichê que felizmente nos pouparam, na maior parte, é o da ‘síndrome de Will Robinson’, onde sempre temos que ter um jovem fazendo parte do elenco principal, filho ou filha desse alguém, e que é um gênio precoce. Aqui é a Maddy. Mas felizmente ela não teve um papel tão representativo. Talvez seja culpa dos poucos episódios da season.

Jason O'Mara é Jim Shannon
Estou ansioso para saber se teremos ou não continuidade. Até então, amigos exploradores, vamos aguardar e ver se aparecem mais notícias. Caso positivo, colocarei as novidades no 'Fantastic Zone'.

Nossa avaliação: (para a primeira temporada)
Delta-Shield Prata (está se mantendo)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

The Final Countdown


NIMITZ - DE VOLTA AO INFERNO


por Fargon Jinn

Hoje tive o renovado prazer de re-assistir a um bom filme de ficção temporal. The Final Countdown (1980), conta a história de um super porta-aviões da 3ª Frota do Pacífico nomeado em homenagem ao Almirante-de-Frota Chester William Nimitz (último, na história, a atingir este posto), e responsável pela extraordinária performance da marinha estadunidense, nos combates do Pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial.

CVN-68 USS Nimitz
No filme, uma estranha tempestade atinge o Nimitz e o transporta para 6 de dezembro de 1941, na véspera do ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí.

Imaginem o que seria o choque de duas tecnologias com 40 anos de diferença. A humanidade vem avançando em velocidades tão crescentes no que diz respeito à ciência e tecnologia, que alguém de 1990 poderia ficar chocado ao ver um iPhone, no qual pode-se falar e ver o seu interlocutor, localizar-se por GPS, ou fazer e editar um filme de alta definição em questões de minutos.

Válvula 1945 - Circuito Integrado 1975
O choque entre as tecnologias da década de quarenta, onde a válvula é o estado da arte em eletrônica, o que diriam se vissem um chip de circuito integrado com dois milhões de transistores e resistores, fazendo cálculos de balística ou controlando os aviônicos de uma aeronave.

Eles se deparam com uma situação sui generis, onde possuem tecnologia e armamento suficientes para destruir, incólumes, toda a frota de ataque japonesa. Para isso, contudo, iriam mudar a história para sempre.

F-14 e sua asa de geometria variável
Imaginem aviões com geometria variável (Tomcat F-14), velocidade mach 2 (quando a barreira do som só seria ameaçada mais de meia década depois), mísseis teleguiados, radares à bordo de cada aeronave, sistema de radiofonia de altíssima qualidade, energia nuclear nos motores e ogivas do navio, técnicas de combate e estratégias testadas e aprimoradas. Enfim, uma quantidade absurda de inovações e potência de combate que imediatamente colocaria os Estados Unidos à frente de qualquer nação, tornando-os soberanos globais, técnicamente, comercialmente e politicamente falando.

Um exemplo disso ocorre no começo do filme, quando dois Tomcats "passeiam" ao redor de dois caças-bombardeiro japoneses, os famigerados Mitsubishi A6M “Zero”. Estes aviões foram considerados os melhores do mundo durante a guerra e só começaram a perder sua hegemonia quando, já no final, surgiu o P-51 Mustang. Na história, os pilotos japoneses observam os jatos americanos como se estivessem vendo OVNI’s. A velocidade, a manobrabilidade, o design, as asas móveis, tudo incomparavelmente superior a qualquer aeronave pelas próximas duas décadas. Um dos japoneses chega mesmo a disparar suas metralhadoras de 7,7mm e 20mm contra um F-14, mas é como se estivesse jogando bolinhas de papel, os projéteis não chegaram nem perto do alvo.

Efeitos fracos - baixo orçamento
A produção apresenta alguns problemas. Os efeitos utilizados na transição temporal, por exemplo, são infantis, mesmo para a época. Nota-se que não houve uma preocupação maior com estes aspectos, afinal o tema central está na ética, na moral, na disciplina, no juramento e no patriotismo, do que em toda a questão científica.

Martin Sheen é outro exemplo: atua num papel pequeno, até dispensável, diria. Canastrão conhecido, não fez um bom uso do personagem, nem desenvolveu suas potencialidades.

Kirk Douglas como Cap Matthew Yelland
Por outro lado é muito bom ver o espetacular Kirk Douglas, ainda no pico da forma, dando um exemplo de um bom trabalho. Pena que o papel não exigiu tanto do ator. Problemas de roteiro e direção.

Falando de um patamar técnico, a edição e as tomadas são impecáveis. A fotografia é impressionante, e te coloca em meio ao Pacífico, rodeado por 75.000 toneladas métricas de puro aço e 6.000 tripulantes. Costumava, quando criança, ler e ver tudo o que se relacionava à frota naval dos Estados Unidos, tentava me imaginar vivendo numa pequena cidade que pode se deslocar à vontade pelos portos do mundo, com sua economia e vida social próprias. Nestas frotas existem esportes, cinema, escolas, shoppings, fast-foods, encontros sociais com churrascos, academias, centro de pesquisas, meteorologia, garotas, etc, só faltam os jardins, crianças e animais, de resto é uma comunidade completa.

Clique para ampliar
Neste filme podemos observar o dia-a-dia dos diversos setores do navio, seu funcionamento, o deque de voo com todos os detalhes de recepção e lançamento de aeronaves dos mais variados tipos, além dos rigorosos procedimentos disciplinares, de segurança e operações empregados na armada.

O diretor, Don Taylor (falecido em ’98), não fez nada expressivo (além de muitos seriados e filmes para a TV, dirigiu A Fuga do Planeta dos Macacos -1971, A Ilha do Dr. Moreau - 1977 e Damien – A Profecia II – 1978), e diria com tranquilidade que este é o seu melhor trabalho.

Poster original para o mercado americano
A melhor versão para DVD e Blu-ray voltou a ser em 2.35:1, como no original. Houveram lançamentos em 1.78:1 e full-screen para VHS e DVD, e está remasterizado.

O filme tem duração de cento e dois minutos e é pura diversão, “pipocão de primeira”.

Nimitz – De Volta ao Inferno (The Final Countdown): 1980, EUA
Direção: Don Taylor
História: Thomas Hunter, Peter Powell e David Ambrose
Roteiro: David Ambrose, Gerry Davis, Thomas Hunter e Peter Powell
Elenco: Kirk Douglas, Martin Sheen, Katharine Ross e James Farentino

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata