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quarta-feira, 30 de maio de 2012

MIB3 - Homens de Preto

RESENHA CINEMATOGRÁFICA
MIB3 - Homens de Preto 3
Alerta: este artigo tem spoilers moderados

por Babi-Wan

Pois bem, quinze anos depois do primeiro filme, será que é possível retomar a proposta de 1997 e 2002 sem perder a qualidade?

Tarefa difícil, uma vez que o filme de 97 foi um sucesso flamante, tanto pela crítica quanto pelo público, e o de 2002 que, apesar de seus respectivos merecimentos, não chegava aos pés de seu antecessor. MIB 3 acaba não sendo tão bom quanto o primeiro, mas superior em muitos sentidos para a sequela risível.

Jemaine Clement é a voz de Boris - o Animal
O enredo: Boris, o Animal (Jemaine Clement) é um alienígena da espécie boglodite que veio à Terra em 1969 com a finalidade de destruir o planeta em nome da perpetuação de seu povo. Foi impedido pelo Agente K (Josh Brolin) que decepou seu braço e o prendeu em Lunar Max. Quarenta anos depois, Boris consegue ajuda para fugir da prisão e retornar à Terra a fim, não só de acabar com o planeta mas também recuperar um pequeno pedaço do seu antigo eu. Para concretizar seus planos de vingança, o boglodite arranja um jeito de voltar no tempo. Então, quando isso ocorre, toda a memória do Agente K é apagada e uma invasão alienígena acontece. Com o intuito de evitar que a história seja modificada e seu parceiro nunca exista, é que o Agente J (Will Smith) volta no tempo. Na década de 60, J encontra K, e partilham de vários momentos divertidos. No meio dessa trama surge o personagem Griffin (Michael Stuhlbarg), um alienígena muito supimpa que tem o dom de visão multi-plataforma – basicamente ele consegue ver possíveis cenários para o que acontece em seguida, baseado no que acontece agora. Griffin se propõe a ajudar J e K, pois depois de ter tido seu planeta aniquilado ele não quer que outra civilização se perca.

Boris e sua namorada, Nicole Scherzinger do grupo The Pussycat Dolls
Bom, o filme tenta ser descontraído – e por muitas vezes fracassa no quesito, torna a piada um tanto forçada. A medida que a trama vai se desenrolando são acrescidos momentos mais profundos, como interações as quais Smith passa a conhecer um pouco mais de Brolin - que encara o personagem com naturalidade e consegue misturar de uma forma radiante sisudez, um pouco de 'cor' e até romantismo. O nojo continua sendo uma característica marcante. Os efeitos especiais muito bons. O vilão Boris não teve tantas aparições, mas todas muito pertinentes. O mesmo para a Agente O, a qual, a meu ver, não desempenha um papel fulcral no enredo, apenas de ilustrar o lado sentimental do Agente K da década de 60. Por fim Griffin, um personagem complexo, que abre margem para inúmeras possibilidades, no entanto mal exploradas. O filme termina com muito sentimentalismo. Necessário? Quem sabe?

Josh Brolin faz o Agente K
Apesar dos percalços, o filme proporciona um bom divertimento. A Franquia, felizmente, envelheceu dignamente. Então vamos parar por aqui, ok?

MTFBWY

MIB3 - Homens de Preto 3 (Men in Black III): 2012, EUA
Direção: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Lowell Cunninghan e Ethan Cohen
Baseado: HQ de Malibu Comic por Lowell Cunninghan
Música: Danny Elfman
Edição: Wayne Warhman e Don Zimmerman
Elenco: Will Smith, Tommy Lee Jones, Jemaine Clement e Josh Brolin

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Literatura Fantástica: A Máquina do Tempo e O Planeta dos Macacos


LITERATURA

por Helder Maia

A Máquina do Tempo


H. G. Wells é considerado, junto a Júlio Verne, um dos pais da Ficção Científica literária. Ele produziu obras importantes que habitam o imaginário popular, muitas delas tendo sido adaptadas para as telas de cinema: O Homem Invisível, A Guerra dos Mundos, A Ilha do Dr. Moreau e A Máquina do Tempo, entre outras.

Em A Máquina do Tempo, publicado em 1895, um cientista desenvolve uma máquina que lhe possibilita viajar tanto para o passado quanto para o futuro. Ele então embarca em uma viagem para a Terra de um futuro longínquo. Lá, ele a encontra habitada por duas espécies: os Eloi, seres belos, frágeis e de intelecto reduzido e os Morlocks, temíveis criaturas esbranquiçadas que vivem no subterrâneo.

Filme "Um Século em 43 Minutos"
de '79 inspirado no livro de Wells
Sendo um socialista, Wells fez de seu livro uma extrapolação alegórica sobre as barreiras sociais entre a burguesia e o proletariado. A Máquina do Tempo é uma novela curta escrita de forma extremamente objetiva, quase não havendo descrições, trazendo aquele tipo de narrativa que lhe dá vontade de ler tudo de uma vez até o fim.

O livro teve duas adaptações para o cinema. Embora nenhuma delas capture a essência da crítica ácida do livro contra uma humanidade desumana, a de 1960 tem seu charme, enquanto a de 2002 é terrivelmente ruim.

Cena do filme de 1960
Não deixe de conferir esta excelente obra que nos faz pensar para que tipo de futuro estamos nos encaminhando.


O Planeta dos Macacos


Este livro francês de 1963, escrito por Pierre Boulle, foi adaptado para o cinema em 1968, gerando a macacomania que produziu sete filmes para o cinema e duas séries de TV (uma em desenho animado e outra em live action).

Ele conta a história do jornalista Ulysse Mérou, que viaja com dois companheiros para a distante estrela de Betelgeuse. Lá, eles se deparam com o planeta Soror, que é incrivelmente muito semelhante à Terra. Para seu espanto ainda maior, eles descobrem humanos no planeta, embora estes não sejam a espécie dominante, mas sim os macacos! Os humanos, por outro lado, são criaturas bestiais, vivendo como selvagens na floresta e são constantemente capturados para estudos científicos. Ulysse acaba sendo aprisionado pelos macacos e tem de lutar para mostrar sua condição de ser inteligente.

Cena do filme de 19698
O livro, no entanto, difere bastante do filme. Nele, os macacos vivem no que seria o correspondente a uma sociedade da Terra de meados dos anos sessenta, onde vestem roupas e dirigem carros. Ao ler as descrições de macacos vestidos como humanos, me vinha sempre à mente a direção de arte e figuro do filme de 1968 com Charlton Heston. A concepção de roupas e arquitetura de edificações mais primitivas para os símios ficou, a meu ver, bem mais interessante do que no livro.

O livro traz uma narrativa a princípio arrastada, mas que depois prende a atenção. Merece ser conferido por qualquer fã da saga dos macacos no cinema.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Terra Nova II

ATUALIZAÇÃO: 29 DE MARÇO DE 2012


por Fargon Jinn

ATUALIZAÇÃO: Infelizmente, está confirmado o cancelamento de Terra Nova o Netflix desistiu de adquirir a série.

Abaixo segue o artigo original.


Completados os treze episódios da primeira temporada de Terra Nova, vemos um primeiro arco fechado. A continuidade da série, no entanto, ainda é uma incógnita. Aparentemente a conclusão da primeira temporada foi garantida a força de contrato com a produtora de Spielberg. Tudo ainda é um monte de especulação, já que Spielberg não teceu comentários. O que se supõe, em relação à segunda temporada, vem da movimentação da equipe de produção. Mas parece que esta poderá vir a ser produzida fora da Austrália e com a redução de um membro principal do elenco (ainda é fofoca).

Brannon Braga e Rene Echevarria
Rene Echevarria e Brannon "Viagem no Tempo" Braga, produtores executivos, têm sido mais do que reticentes em afirmar ou negar a segunda temporada. Eles alegam que o que pode ser prometido é cumprido. Como foi o caso de terem dado um arco completo para a primeira temporada, que inicialmente seria de dezoito episódios, mas foi cortada para treze. Mantiveram sua palavra. Se a produção não continuar, no mínimo temos um desfecho feito com muito bom gosto, diga-se de passagem.

– Enquanto algumas portas se fecharam, outras estão se abrindo ! – diz a dupla de produtores. Até o momento eles estão se safando de dar maiores esclarecimentos ao público. Aparentemente o fluxo de capital está garantido para financiar a próxima temporada, o problema é que estão esperando um cliente que queira encaixar o show em sua grade de programação. Coisa nova, aparentemente. Basta olharmos as porcarias que veem sendo produzidas atualmente, nos mais diversos canais. Se eles têm clientela, por que Terra Nova, muito superior à média, não está conseguindo se manter? Seria o custo de produção?

Christine Adams é Mira
O seriado não é barato. Muito embora o CGI seja ruim, ainda assim é muito caro. E, sendo a fotografia de Terra Nova, usando setenta porcento de Chroma Key, temos uma produção dispendiosa e mais lenta, exigindo mais trabalho da pré e pós produção.

A seguir, spoilers

O desfecho da temporada realmente me surpreendeu, e mostrou que os roteiros estão sendo levados com seriedade. Foram poucos episódios, mas não houve nenhum desperdiçado. Em cada história temos vários elementos relevantes para o contexto geral. Nem o caso da namorada de Josh foi ‘embromação’, as poucas vezes em que ela aparece tem a ver com o contexto do grande arco.

Ashley Zukerman como Lucas Taylor
O conflito entre Taylor pai e Taylor filho, no entanto, ficou muito fraco. Parece a reprise do vilão que é intrinsecamente mau. Não existe redenção e não há lógica coerente, apenas a emoção cega do ódio. Quer clichê maior?

O outro clichê que felizmente nos pouparam, na maior parte, é o da ‘síndrome de Will Robinson’, onde sempre temos que ter um jovem fazendo parte do elenco principal, filho ou filha desse alguém, e que é um gênio precoce. Aqui é a Maddy. Mas felizmente ela não teve um papel tão representativo. Talvez seja culpa dos poucos episódios da season.

Jason O'Mara é Jim Shannon
Estou ansioso para saber se teremos ou não continuidade. Até então, amigos exploradores, vamos aguardar e ver se aparecem mais notícias. Caso positivo, colocarei as novidades no 'Fantastic Zone'.

Nossa avaliação: (para a primeira temporada)
Delta-Shield Prata (está se mantendo)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Terra Nova

por Fagon Jinn

Steven Spielberg encampou um novo projeto. Terra Nova é uma série de aventura sob uma cortina de ficção científica, para televisão. Realmente a FC não é a parte mais representativa do show. Em geral, as séries de televisão com fundamentação neste gênero acabam sendo mais um novelão dramático do que ciência e tecnologia, estes aspectos entram nos equipamentos, armamentos etc, mas a discussão do emprego das novas descobertas científicas fica para poucos episódios.

Em 2149 a Terra está exaurida, a superpopulação esgotou o espaço. Não existem mais fauna ou flora, o ar e a água são nocivos, o controle populacional pode mandar para a cadeia quem tiver mais filhos do que o permitido. A humanidade está com seus dias contados. Cientistas descobrem como fissurar o contínuo espaço-tempo e encontram uma passagem, de mão única, para 85 milhões de anos no passado, em plena idade coniaciana, cretáceo superior. Gigantes povoam o planeta.

Stephen Lang como Cmt Nathaniel Taylor
Alguns bravos exploradores, entre eles Nathaniel Taylor (Stephen Lang de Avatar – 2009), viajam para esse passado longínquo em busca de soluções para o presente. As condições são tão melhores que eles decidem criar uma colônia. Como curiosidade: o nome Taylor é uma referência ao Taylor que viaja para o futuro em Planeta dos Macacos (1968).

Aos poucos, peregrinos bem selecionados vão chegando à colônia e ajudam a criar uma cidade e uma sociedade com novos valores sócio-políticos, econômicos e de respeito à natureza.


Não se sabe a princípio se as ações realizadas no passado vão alterar o presente, ou se uma nova linha temporal está se desenvolvendo. Nos primeiros episódios isso não é considerado importante. Mas tem-se a impressão que haverão implicações consideráveis em relação a estas questões.

Os Shannon
A família Shannon é a protagonista, e é através deles que este mundo nos é apresentado. Jim, um ex-policial de Chicago, e fugitivo do sistema penal, consegue chegar a Terra Nova com sua família. Elisabeth, sua esposa, é uma cirurgiã e mãe de três, Josh, Maddy e Zoe. Apesar de sua chegada atribulada eles logo se ajustam e se mostram importantes para o desenvolvimento e funcionamento da colônia.

Dean Geyer como Mark Reynolds
Os conflitos vêm através de um grupo dissidente conhecidos como os Sextos. Sendo o grupo dos Shannons a décima peregrinação, os Sextos chegaram com a sexta devendo, por missão, juntarem-se a Lucas Taylor (filho do Comandante Taylor), cientista, enviado com a missão de criar uma forma de levar para o futuro riquezas e matéria prima, para os ricos e poderosos, fazendo pai e filho se tornarem inimigos.

Além disso, temos os conflitos que surgem em qualquer sociedade, mesmo as bem estruturadas. Operações criminosas, jogos, drogas e outros vícios são alguns dos problemas a se lidar no dia-a-dia de Terra Nova. Todos têm seus interesses e cada um busca os seus meios para obtê-los, legal ou não.

Landon Liboiron é Josh Shanon
Nossa família, os Shanons, também vêm com uma boa dose de problemas e interesses conflitantes, tanto na família como na nascente sociedade.

A série já está na produção do décimo-segundo episódio, mas as notícias não são muito esperançosas. A audiência vem caindo a cada semana. E talvez não vejamos nada após o décimo-oitavo, se chegar a tanto.

Os efeitos visuais ainda estão capengas, o roteiro está evoluindo muito lentamente e isso faz com que o público se desinteresse. Os personagens não são muito marcantes, e mesmo Stephen Lang ainda não construiu uma personalidade muito clara para o Comandante Taylor. Os conflitos não diferem muito do que vemos na maioria das séries, e o grande mistério ainda não deu às caras.

Clique para ampliar
No geral, estou gostando do desenvolvimento da série. Se lhes for dado tempo suficiente, poderemos ver um crescimento interessante. Mas este é o tipo de programa que esquenta a partir da metade da temporada. A segunda temporada tem potencial para ser bem interessante.

O negócio é torcer pelo sucesso.

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

De volta para o futuro (parte III)

por Fagon Jinn
7º da série FC vs Ciência

Como última parte da discussão sobre viagens no tempo, vamos passear entre as várias formas de como foi explorada nas obras dramáticas. Cinema, TV, livros, quadrinhos, e outras mais, é um tema recorrente, e uma ferramenta interessante para lidarmos com o amor, a tragédia ou mesmo a comédia, vide De Volta Para o Futuro (1985). Obviamente não podemos colocar tudo, ou teríamos que ter uma quarta parte para este tema. Mas tentamos apontar aqui os mais interessantes para o nosso debate. Aproveitem.


Na fantasia



Muitas ideias surgiram a respeito de viagens temporais na literatura, na TV e no cinema. Algumas muito interessantes. A maioria, no entanto, carece de um mínimo de lógica. Poucas são as histórias em que a viagem temporal é crível. 

Bill Murray - O Dia da Marmota (Feitiço do Tempo)
Já vimos muito o chamado “Efeito Dia da Marmota”, no qual um looping temporal prende o universo num período específico, e alguém que deve aprender uma lição retém a memória dos repetidos ciclos, até que ele descubra um meio de romper o loop e liberar o fluxo normal do tempo. Se isso acontece não temos como dizer, já que não retemos a memória dos ciclos decorridos, nossa mente é 'ressetada' a cada retorno. A idéia, originalmente, vem de um roteiro de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, mas ficou popularizada no filme O Dia da Marmota (1993), e daí para uma infinidade de outros filmes e séries de TV.


Temos também o efeito “pedra no lago denso”. Nesta, explorada em Timecop (1994), uma alteração ocorrida no passado, tende a ir perdendo sua força no decorrer dos anos. Se uma alteração fosse feita com tempo suficiente para seu efeito desaparecer, não haveriam mudanças no presente. Mas se a alteração ocorresse a poucos anos atrás e fosse importante o suficiente para durar, o nosso presente sentiria a sua mudança, conforme a propagação da onda nos atingisse.

O contrário foi mostrado em O Som do Trovão (2005), em que uma mariposa esmagada no período jurássico produziu mudanças violentas e crescentes em todo o rumo da história, destruindo o presente como conhecemos, substituindo-o por outro mais selvagem e sem civilização.

Christopher Reeve - Em Algum Lugar do Passado
Em Efeito Borboleta (2004) e Em Algum Lugar do Passado (1980), vemos um tipo diferente de viagem no tempo. O processo é mais filosófico e metafísico. Prega-se que o tempo só existe em nossa consciência, e se acreditamos ou temos o poder de mudar nossa estrutura mental então mudamos a posição de nosso marcador temporal, mudamos de realidade e poderíamos alterar esse período.

HQ - Buck Rogers
Em muitas histórias (Rip Van Winkle, Buck Rogers, Capitão George Taylor), temos o protagonista que adormece no presente e acorda séculos depois. Este tipo de história tenta nos mostrar como pessoas de nosso período podem fazer a diferença ao aplicar nossa moral e rusticidade para solucionar problemas no futuro, onde o homem perdeu sua objetividade, ou sua tenacidade, e mostrar que o pragmatismo pode ser superior à indiferença que poderá tomar conta da civilização.

Em Jornada nas Estrelas, utilizam-se viagens muito acima da velocidade da luz (dobra temporal), parodiando a Teoria da Relatividade, na qual um objeto que viajasse em velocidade superior à da luz, poderia experimentar o tempo ao inverso. Para voltar ao futuro, no entanto, utilizar-se-ia o mesmo processo ou, como em certos episódios, um buraco de verme natural ou artificial (as famosas 'anomalias espaciais' de Jornada).

David Tennant - um dos Doctor Who
Doctor Who, em sua cabine telefônica policial dimensional, tem acesso à matriz multifásica que rege todas as dimensões, as infinitas realidades paralelas e o multiverso.

Marty McFly viaja para o passado ou futuro na criação de Emmett Brown, um inventor pouco convencional que constrói sua máquina do tempo num DeLorean. Nestas histórias eles aparentemente estão numa única linha temporal, mas se analisarmos cuidadosamente conseguimos identificar que, de fato, a cada mudança no passado eles trocam de linha temporal. Se a linha temporal fosse sempre a mesma, Marty teria que lembrar-se dos novos eventos, assim que ele tivesse mudado o passado. Mas o que vemos é que ele não sabe que seu pai tornou-se um escritor de sucesso, que sua família vive bem e que ele possui uma SUV na garagem. Isto significa que ele entrou numa nova linha temporal, da qual ele não fazia parte, por isso não tem a memória da situação corrente.

Se quisermos ver um filme que trabalha com a questão temporal com seriedade, este tem que ser o remake de A Máquina do Tempo (2002), e observar a conversa entre Guy Pearce e Jeremy Irons. Ali vemos uma análise sobre o paradoxo da motivação que é perfeita. E é perfeita, também, a solução encontrada pelo herói.

Primer de Shane Carruth
Num outro exemplo interessante de viagem temporal, temos o filme alternativo Primer (2004), Shane Carruth nos apresenta um ponto de vista, no mínimo, inovador sobre a questão dos duplos. Mas para entender o filme é preciso, ao final, dar uma lida na Wikipedia e ver todas as informações que ficaram ocultas.

Mas o que mais brinca com a nossa imaginação é, sem dúvida, O Exterminador do Futuro, suas quatro edições e série de TV (Terminator: The Sarah Connor Chronicles), aonde vemos um conjunto complicado de paradoxos reunidos para nos confundir e divertir.

Como seria um EUA-Nazi?
A aplicação mais interessante, em tudo isso, fica para o subgênero de ficção científica conhecido como ‘história alternativa’. Neste tipo de narrativa partimos de uma ocorrência no passado que poderia ter sido diferente, e então cria-se todo um contexto de ocorrências que molda um presente alternativo. O que aconteceria se, por exemplo, o governo dos Estados Unidos não tivesse apoio popular para entrar na guerra contra a Alemanha nazista? Em que situação o nosso mundo poderia estar agora?

E isso aí, exploradores, aqui concluímos as questões relativas ao tempo. Isso não é o fim da discussão, é apenas mais uma pimentinha para temperar nossas discussões. O que peço é que cada um dê sua contribuição a este assunto tão amplo e complexo. Obrigado pela atenção e paciência.
Clique para ampliar

No próximo artigo de nossa série 'FC vs Ciência' vamos falar de combates no espaço...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O túnel do tempo (parte I)

por Fagon Jinn
5º da série FC vs Ciência

Obra de H G Wells
H. G. Wells inovou quando elaborou a sua novela de ficção científica (mais para fantasia científica), A Máquina do Tempo (1895). Ali estava descrito pela primeira vez que o tempo poderia ser modificado por uma máquina. Até então, o homem só viajara através das eras por magia ou por dormir e acordar no futuro. Wells popularizou um tipo de cultura que faria escola. A viagem no tempo passou a ser vista como uma possibilidade real, e muita gente séria começou a se dedicar ao assunto.

Modelo do filme de 2002 (The Time Machine)
Esta é a primeira de três partes, nas quais trazemos para vocês exploradores, mais uma noção de separação entre o que é ciência verdadeira e o que é apenas imaginação dentro da absurda quantidade de histórias, boas e ruins, que permeiam o cinema, a literatura, os quadrinhos, etc. Queremos assim dar mais uma contribuição aos leitores e expectadores destas obras sobre o que podemos inferir sobre ciência, filosofia e licença poética. Queremos abrir estas discussões como um fórum, todos estão convidados a dar sua opinião e oferecer suas contribuições. Comentem.

Filosofia


Física e filosofia
Muitos metafísicos e filósofos extrapolam nas questões sobre o entendimento que temos do tempo. Alguns propõem que o tempo já exista em toda sua extensão, como uma reta que percorre do infinito passado ao futuro imensurável. Nós, nestas condições, apenas percorremos com nossas consciências instante a instante no intervalo que nos é devido. Sendo assim, para algumas das proposições não deve existir livre arbítrio, todos os nossos atos e pensamentos já existem, e não temos como modificar a cadeia de eventos. Seguimos aos acontecimentos como meros expectadores de um filme em que nossa imersão é completa.

Exemplo do filme Contra o Tempo (2011)
Outros sugerem que as nossas ações não estão congeladas, mas são probabilidades, e que podem ocorrer ou não de acordo com nossas atitudes e decisões no presente. Para alguns, estas novas ações coexistem com as probabilidades preexistentes, formando caminhos alternativos. Imaginem uma reta, nossa linha de tempo. Desta reta principal derivam outras retas que são as nossas mudanças de atitude. Dessas novas derivações outras surgem, e assim por diante. Nestas teorias, o tempo seria uma infinidade de retas, interligadas por decisões que tomamos a cada instante. Mas o que varia é que percorremos estes caminhos com nossas consciências. As retas (os caminhos do tempo) estão lá desde sempre, mas vamos mudando de linha temporal a cada mudança de decisão. Assim como vamos escolhendo nosso caminho através de um labirinto, podemos supor aonde vai dar, mas nunca temos certeza.

Denzel Washington em Déjà Vu (2006)
Para muitos a formação do tempo ocorre à medida que vai sendo percorrido. Neste cenário não poderíamos viajar no tempo. Se tentarmos voltar atrás, não existe espaço para nós, o tempo já passou e tudo ficou endurecido, a matéria, a energia, tudo. Não poderíamos estar naquele lugar. Não existiria espaço físico para nós. Assim só teríamos condição de ver fotos do passado, imagens através de um aparelho qualquer. E o futuro ainda não foi formado, então não podemos nos deslocar para frente, já que ele não existe.

O que a física propõe?


Série de 2010
Também é um emaranhado de suposições. Alguns dizem que poderíamos viajar no tempo através de buracos de minhoca. Alguns dizem que é uma questão de podermos viajar a velocidades relativísticas e então iríamos para o futuro. Outros estudam o tempo através da Mecânica Quântica. De fato, nada é teórico ou hipotético. Tudo não passa de suposição, especulação.

Proposta da máquina de Mallet
O que há de mais próximo de um equipamento que foge ao convencional da física foi desenvolvido por Ronald L. Mallet em 2006. Ele afirma ter criado um método de curvar o tempo e o espaço, no que poderia ser chamado de “O Verdadeiro Túnel do Tempo”. Esta máquina utilizará um feixe circular de laser, a luz que entrar por este equipamento percorrerá uma espiral que, matematicamente, altera os campos gravitacionais forte e fraco, produzindo um arrasto no fluxo temporal. Se a prática corresponder à teoria, poderemos descobrir se esta mudança do contínuo espaço-tempo dará a resposta definitiva sobre o que o tempo realmente é.

A ciência, a metafísica, a filosofia e a matemática são ferramentas usadas por pensadores sérios, imbuídos de tentar encontrar uma idéia sólida neste conjunto de sonhos e fantasias.

Na segunda parte deste assunto, falamos dos paradoxos relacionados às viagens temporais. Até lá...