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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus: uma análise

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Prometheus
ALERTA ESTE ARTIGO TEM SPOILERS

por Fabok

Antes um protesto

Sei que o explorador deve estar ansioso pelo nosso review do filme, mas não posso deixar de falar nos eventos que os expectadores da minha sessão testemunharam antes da exibição.

Tudo o que queremos é assistir filmes com a qualidade do preço que pagamos
Quando a entrada na sala foi liberada, levei um susto. Tudo estava numa escuridão total. Imediatamente os que lá estavam começaram a ligar seus celulares para termos um pouco de luz. A princípio, até pensei que poderia ser uma campanha de marketing do filme, mas no momento que as fracas luzes de nossos celulares começaram a varrer a sala, um sentimento de horror se abateu em todos nós, e não era por causa de nenhum alien. A sala 3 do UCI Fortaleza estava simplesmente imunda. Restos de comida e pipoca por todos os lados, o chão completamente melado e, ainda por cima, os assentos sujos e com manchas de gordura para todos os lados.

Mas o pior estava por vir. Quando começou a projeção, a imagem estava tão escura, que em determinados momentos ficava difícil de entender o que estava se passando na tela. Com isso, o efeito 3D foi muito prejudicado e acabou por ficar abaixo do esperado. Com um ingresso na casa dos R$ 30,00, é uma vergonha como o UCI Iguatemi Fortaleza trata seu público. Aos exploradores, evitem as salas 3D de lá a qualquer custo.

Agora o filme

E Deus amou tanto a humanidade que a ela sacrificou seu próprio filho
Eis que Prometheus começa. A sequência inicial, com um humanóide se sacrificando para dar origem à vida na Terra, é espetacularmente bela e me encheu de expectativas. Logo em seguida a nave Prometheus surge enchendo completamente a tela, indo rumo ao desconhecido. Pensei, é... Ridley Scott está de volta e em grande estilo.

Fassbender é um andróide que esconde sua humanidade e suas obsessões
Aos poucos vamos conhecendo a nave através de David, um andróide, que aparentemente tem a missão de manter os sistemas automáticos e a tripulação da Prometheus em ordem. David parece ser único. Ele é fascinado com filmes antigos, em especial Lawrence da Arábia, e acaba por adotar o visual do personagem vivido por Peter O'Toole. Ainda assim, há algo perturbador sobre David: ele é tão humano em suas ações que acabam por torná-lo diferente de nós. Pior, ele tem o hábito de acessar os sonhos dos tripulantes que estão em congelamento criogênico para a longa viagem de dois anos da nave.

Ao chegar ao seu destino, a tripulação é despertada. Ficamos conhecendo o casal de arqueólogos Elizabeth Shawn (Noomi Repace) e Holloway (Logan Marshall-Green - reparem que o ator é quase um clone de Tom Hardy de A Origem e do novo Batman). Eles conseguem convencer o magnata Peter Wayland (Guy Pierce, debaixo de uma maquiagem muito pesada), dono da Weyland Coorp. a financiar a missão, antes de sua morte.

Logan Marshall-Gree e Tom Hardy, que é isso "doppelgängers"?

E qual seria esta missão? Shawn e Holloway encontraram evidências de que a humanidade foi criada por seres extraterrestres, os quais eles chamam de "engenheiros". Nestas evidências há um aparente convite de nossos criadores para encontrá-los. Até este momento, o filme vai criando uma atmosfera muito boa e cheia de mistérios. Mas logo vem a primeira decepção, pelo menos para os fãs de Alien - O Oitavo Passageiro. O destino da Prometheus não é LV426, o planeta no qual o alienígena do filme original é encontrado, e sim LV223, que aparentemente orbita o mesmo gigante gasoso com anéis, do filme de 79. Neste momento meu sinal amarelo se acendeu, mas logo em seguida ele passou a vermelho, quando a tripulação da nave entrou em ação.

O velho cliche da ignorância
do método científico


Para uma expedição científica com potencial de mudar para sempre a humanidade, a Weyland escolheu os piores profissionais possíveis. Os "cientistas" não seguem nenhum tipo de procedimento ou protocolo que garantam o sucesso e a segurança da missão. De cara Holloway quer logo sair da nave para explorar a estrutura que fora avistada por eles. Quando o Capitão Janek (Idris Elba) pede que o arqueólogo espere até o dia seguinte, pois eles só teriam mais seis horas de luz, este responde algo do tipo, "Esperei dois anos para poder abrir meus presentes de natal". Pior ainda é a resposta de Janek, "ok, estou aqui só para pilotar a nave". Logo em seguida nos é apresentada a personagem Vickers (Charlize Theron), os olhos e ouvidos da Weyland e que logo ordena que qualquer contato com os "engenheiros" deve ser evitado. A atriz faz o possível para tornar Vickers interessante, mas ela é apenas uma coadjuvante de luxo na trama.

Charlize não foi nem bonita nem teve uma grande atuação
Falando em incompetência, o que dizer do geologista Fifield (Sean Harris) e do biólogo Milburn (Rafe Spall). A dupla consegue criar momentos antológicos de humor involuntário. Milburn é um biólogo que não gosta de coisas mortas e junto a Fifield simplesmente abandonam a expedição quando vários corpos alienígenas aparecem. Para completar, o geologista consegue com que a dupla se perca, quando ele próprio tinha dispositivos que mapeavam o lugar em que se encontravam. O momento em que eles encontram a criatura hammerpede é tão ridículo que você torce para que os dois morram logo...

Desenvolvimento confuso e sem sentido

Salada completa, alienígenas+zombies from outer space
George Romero deve estar às gargalhadas
Daqui em diante o filme entra numa espiral de situações mal resolvidas e mal escritas. Com que propósito David infecta Halloway? Fica a impressão que os roteiristas não sabiam o que fazer para "engravidar" Shawn. Ok, a cena do "parto" é plasticamente visceral e perfeita bem ao estilo do diretor, mas Shawn, uma arqueologista, consegue operar um equipamento médico de última geração, com dores excruciantes e sozinha, do mesmo modo que operamos um tablet. A quantidade de sangue que cai nela antes do final do "parto" é tanta, que ela teria que ter alguma sequela. Mas não, deste momento em diante o roteiro resolve transformar Shawn em uma nova Ripley com poderes sobre-humanos e imune às consequências do procedimento cirúrgico pela qual passou. Para completar, ninguém à bordo pareceu se interessar pela criatura que ela deu à luz, que fica esquecida até os momentos finais do filme.

A cenografia de Dariuz Wolski é impecável e formidável
Mas quem são os responsáveis por um roteiro tão problemático? Um deles, o explorador já deve conhecer. Sim, é ele, Damon Lindelof que tem em sua "ficha criminal" pérolas como o final de Lost, e é coautor do roteiro de Cowboys and Aliens e do futuro Star Trek. Por todo o filme você consegue ver o "dedo" do senhor Lindelof. Diálogos sofríveis, eventos sem o menor sentido e, claro, mais furos no roteiro do que um queijo suíço. Vou citar alguns: Por que os "engenheiros" se dariam ao trabalho de semear a Terra com vida, para simplesmente querer exterminá-la depois? Se o que Shawn e Halloway encontraram foi um convite, por que um convite para o que obviamente parece ser uma instalação militar? O que houve na Terra dois mil anos atrás para levá-los à uma decisão tão drástica como a que vimos no filme? E por último, a tripulação de "engenheiros" devia ser ainda mais incompetente que a da própria Prometheus, por se deixarem destruir por suas próprias armas biológicas.

É um filme de Ridley Scott?

Você é humana ou andróide? (referência a Blade Runner?)
O filme consegue se salvar graças a Ridley Scott, que fez milagre com um roteiro tão fraco. Scott sabe como ninguém valorizar a direção de arte de seus filmes para criar suspense. Prometheus é um banquete visual e auditivo. O nível de detalhes da nave, roupas e cenários é espetacular sempre fazendo referência a Alien - O Oitavo Passageiro. Há ainda uma pequena referência a Blade Runner. Repare na touca que os tripulantes da Prometheus usam com o traje espacial. É muito parecida com a usada pelo personagem Gaff, vivido por Edward James Olmos naquele filme. Outro exemplo do minimalismo do diretor, as informações vistas nos computadores da nave seguem o mesmo estilo das que são vistas na Nostromo, do filme de 1979.

Uma grande sacada de Scott foi ter trazido o bizarro artista H.R. Giger, criador da criatura original do filme de 1979, como consultor. O visual da nave dos "engenheiros" e das criaturas nos remete a Alien, mas ainda assim com um toque diferente. O Space Jockey ser apenas um traje espacial dos "engenheiros" foi uma boa surpresa. Contudo, o perfeccionismo de Scott não foi tão feliz na trilha sonora composta por Marc Streitenfeld, que só brilha no momento em que Peter Weyland aparece como holograma, usando um trecho da clássica trilha composta por Jerry Goldsmith.

Ridley Scott raramente fecha suas histórias

Os 'engenheiros' como uma sociedade monástica
Os atores fazem o que podem, mas realmente quem se destaca é Michael Fassbender. David é ao mesmo tempo encantador e assustador e foi um ótimo precursor para os andróides da série. Noomi Rapace consegue dar alguma credibilidade a Shawn, mas não é nenhuma Ripley. O restante não consegue ter o mesmo tipo de empatia que a tripulação da Nostromo em Alien, infelizmente.

Para completar, Prometheus não é um estória fechada. O final em aberto lança mais perguntas do que o próprio filme conseguiu responder. Qual a origem dos "engenheiros"? Para onde Shawn e David foram? Como o "pré-facehugger" e o "pré-alien" vistos na boa cena final evoluíram para o que vimos nos filmes da série Alien? A Terra ainda está em perigo? As respostas ficaram para uma possível sequência, que nem sabemos se será realizada. Tudo vai depender da bilheteria do filme. Ah! Uma dica pro pessoal da Weyland Coorp: se vocês financiarem uma nova missão, por favor escolham uma tripulação melhor. O pessoal do Relatório da Situação de antemão já se oferece para tripular uma nova Prometheus. Nós seríamos muito mais profissionais... Já para Ridley Scott...você é o cara, mas pelo amor de Deus se livra deste picareta que é o Sr. Lindelof. Existem excelentes roteiristas por aí que fariam de tudo para trabalhar com você no universo de Alien.

Resolveram economizar no figurino
Visualmente Promeheus é arrebatador, mas isto não é suficiente. Sem um bom roteiro, o filme se torna vazio e acaba por decepcionar, justamente por toda a expectativa que criou. Como prelúdio de Alien, o filme também falha, simplesmente por não dar nenhuma resposta satisfatória aos mistérios daquele filme. Agora nos resta uma pequena esperança, Ridley Scott já anunciou que a edição em DVD e Blu-Ray terá uma nova versão com mais 20 minutos. Não estou otimista, mas vamos aguardar...

E você explorador, o que achou? Mande suas opiniões! Até a próxima!


Prometheus: 2012, EUA
Direção: Ridley Scott
Roteiro e História: Jon Spaihts e Demon Lindelof
Música: Marc Streitenfeld
Edição: Pietro Scalia
Elenco: Noomi Rapace, Logan Marshall-Green, Charlize Theron e Michael Fassbender


Nossa avaliação:

Delta-Shield Bronze

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Star Wars - jubileu de coral (parte III)

SÉRIE: AS GRANDES SAGAS

por Fargon Jinn

Quando Star Wars foi idealizado, tinha-se em mente algo puramente recreativo. George Lucas pensava mais em termos televisivos do que propriamente cinematográficos. Sua intenção era exibir algo que fizesse as pessoas rirem e vibrarem com histórias infantis, sem cunhos mais sérios, mas dentro das salas de cinema. Este era um ambiente familiar para ele, e era para aquele público que ele escrevia um argumento gigantesco.

Abertura de Buck Rogers - inspiração e homenagem
Dentro da perspectiva de se recriar seriados para o cinema, suas propostas de roteiros eram relativamente curtas e só faziam sentido dentro de um contexto de dez a vinte episódios de longametragens de setenta a oitenta minutos.

O germinar de um novo universo

As idéias eram mirabolantes demais para a época
Mas quanto mais Lucas falava sobre suas ideias a produtores e cineastas, mais desacreditado ficava. Ninguém parecia entender suas intenções e seu sentimentalismo anacrônico. Isto, por fim, começou a influenciar o próprio autor que, apaixonado por seu épico, resolve tentar adaptá-lo às exigências de produção da época.

Assim Star Wars começa a ser delineado como uma trilogia. O argumento de vinte episódios que descreveria os possíveis pais da personagem central, Darth Vader, até o legado deixado para seus netos, foi centralizado em sua vida. Ficando com nove episódios.

Durante um longo período George Lucas afinou esta proposta, contou com a ajuda de muitos amigos do período de faculdade e Joseph Campbell, mitologista que lhe ajudou a encontrar a verdadeira alma de seus personagens.

O universo desponta

Mas roteiro mesmo até então não existia. Eram páginas e páginas de anotações com ideias para as personagens e suas jornadas heroicas. O primeiro roteiro afinal veio após uma conversa com Alan Ladd Jr, diretor da Fox, durante uma viagem em que eles se encontram e Lucas fala de suas ideias. Já com algumas recusas acumuladas foi surpreendido pelo entusiasmo de Alan, que aparentemente havia entendido seus conceitos.

George rapidamente apresentou um roteiro empolgante e ousado, que exigiria um grande investimento financeiro. A Fox interessou-se mas exigiu inúmeras modificações e redução de custo.

Cena inspirada em Dersu Uzala (1975) de Akira Kurosawa
Inicialmente deveríamos ter num formato de seriado de cinema. Um episódio que mostraria a vida de um jovem fazendeiro ansioso por aventuras. Este acaba juntando-se à resistência contra o Império que subjugou seu planeta, outrora independente. E obtém, ao final, uma importante vitória contra os opressores.

Em toda a sua trajetória um mentor o guiaria. Toda uma filosofia teria que ser aprendida e esta lhe daria o poder necessário para superar suas deficiências e sobrepujar o inimigo. Por fim descobriria que seu pai era um importante general do Império, e que este também era seguidor dos mesmos ensinamentos, mas com uma visão corrompida.

E... floresce!

Nas histórias posteriores, se viessem a existir, deveriam mostrar a redenção de seu pai e a destruição do Império.

Neste trajeto o mentor iria acompanhar o jovem herói em sua jornada até o momento de seu sucesso final, com a queda do Império. Alguns amigos de batalhas seriam perdidos, entre eles aquele que se tornou Hans Solo. A princesa Leia não existiria como sua irmã, mas como a donzela a ser salva do pai maligno. Os robôs foram incluídos para suavizar a narrativa e atrair o público infantil, inspirados no filme Corrida Silenciosa (1972), e sua participação reprisaria a dos narradores do filme The Hidden Fortress (1958), de Akira Kurosawa, de quem Lucas, como grande admirador, ainda emprestaria mais, pelo menos, uma dúzia de elementos.

Plageia...

The Hidden Fortress - inspiração para o episódio V
Isto não minimiza o valor de Star Wars, visto que o próprio Akira produzia seus filmes a partir de obras de autores estadunidenses. O mundo do cinema é um tremendo rouba-copia que nunca acaba. Yojimbo (Akira Kurosawa - 1961) foi a versão do japonês para o livro de Dashiell Hammett (Colheita Vermelha – 1928), cujo personagem é um detetive sem nome. Sergio Leone, diretor italiano de filmes faroestes, colocou em seu filme, “Por Um Punhado de Dólares” (1964), Clint Eastwood no papel do “Homem Sem Nome” (chamado Joe), baseando-se em Yojimbo. Já o filme “Sete Homens e Um Destino” (1960) de John Sturges, é a versão americana de “Os Sete Samurais” (1954) de Kurosawa. Clint Eastwood foi a inspiração para Boba Fett, em Império Contra-Ataca, na versão espacial do “Homem Sem Nome”. “Vida de Inseto” (Pixar – 1998) é uma versão animada de “Os Sete Samurais”.

Para falarmos da coleção de influências, inspirações e plágios utilizados em Star Wars, precisamos de outro artigo. Ou outros artigos, já que as ramificações vão longe.

Frutifica e amadurece

Ben Yoda ou Yoda Kenobi? Até Lucas os confunde...
Mas voltando ao tema, Yoda é forçado a surgir posteriormente para sanar a falta de Obi-Wan, que Lucas, num arrojo de dramaticidade, resolve matar prematuramente.

A Estrela da Morte, baseada no planeta Mongo, de Ming o Impiedoso, imperador maligno e arquiinimigo de Flash Gordon, só deveria surgir no terceiro filme. Que iria se chamar A Vingança do Jedi, e não O Retorno... Como poderia não haver terceiro filme, Lucas usou a ideia no episódio IV, e teve que criar uma estação de terror maior do que a primeira, para o episódio VI.
Príncipe Thun dos Homens-Leões é base para Chewbacca

Hans Solo e sua Millennium Falcon, bem como Chewbacca (inspirado no Príncipe Thun, o homem-leão de Flash Gordon) acabaram sobrevivendo em resposta à extrema popularidade que alcançaram. Quase que Boba Fett também escapa da morte, na segunda versão de O Retorno do Jedi, por causa da alta popularidade do bountyhunter, e da morte hilária que sofre. Felizmente George Lucas não cometeu esse sacrilégio.

E assim são trinta e cinco anos

Amigos exploradores, os assuntos de Star Wars não se esgotam aqui. Como uma de nossas queridas grandes sagas, estamos sempre revisitando o tema, e ideias não faltam. Se quiserem sugerir sintam-se à vontade. Teremos prazer em atender. Até breve.

Clique para ampliar

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Assassin's Creed Brotherhood: (2010)

SÉRIE: GAMES

por Fabok

Depois do enorme sucesso do personagem Ezio no jogo anterior, a Ubisoft continuou a investir no personagem. Brotherhood começa exatamente aonde Assassin's Creed 2 acaba, em 1499, onde encontramos um confuso Ezio, tentando entender o que ele testemunhou no "Vault".

Apple of Eden
Enquanto isso, no presente, Desmond e sua equipe partem em busca da "Apple of Eden" um misterioso artefato que pode impedir que uma catástrofe aconteça ainda em 2012. Com os Templares em seu encalço a equipe encontra abrigo em Monteriggioni - Itália, nas ruínas da Villa Auditore. A única opção de Desmond é continuar a explorar as memórias de Ezio, mesmo com os efeitos colaterais do Aminus ameaçando sua própria vida.

Enfrentando os Borgia e o Papado

Ezio acredita que seus dias de assassino ficaram para trás e parte para Monteriggioni. Entretanto, a vila da família é atacada por Cesare Borgia, filho de Rodrigo Borgia o Papa Alexander VI. Cesare Borgia mata seu tio e mentor, Mario. Ezio escapa com sua família e parte para Roma, centro do poder Templar, determinado a acabar com a tirania dos Borgia.

Durante os próximos quatro anos, com a ajuda de Leonardo Da Vinci e Niccolò Machiavelli, Ezio reerguerá a Ordem dos Assassinos, minando o poder dos Borgia, restaurando a decadente Roma à sua antiga glória.

Brotherhood é um banquete para os olhos. Os gráficos são sensacionais. O Coliseu, por exemplo, foi recriado com uma riqueza de detalhes tão grande, que dá vontade de passar horas explorando-o. O jogo aposta também no seu lado de administrador, ao gerenciar as missões dos assassinos por toda a Europa, o gamer consegue recursos para comprar melhores equipamentos para a Sociedade e restaurar toda a infraestrutura da cidade, inclusive seus importantes monumentos históricos.

Excelentes side quests

Além da campanha principal, existem várias side quests, no qual você pode encontrar tesouros perdidos ou trechos do vídeo que quando unidos mostram parte da "verdade" ligada à mitologia da série, vistos pela primeira vez em Assassin's Creed 2. A melhor side quest para mim, são as missões em que você deve recuperar e destruir as armas que Leonardo Da Vinci foi obrigado a criar para os Borgia, e que estão espalhadas por toda a Itália. Estas armas são realmente baseadas nos projetos reais do mestre renascentista.

Brotherhood deixa um pouco de lado a mitologia da série e foca nas memórias de Ezio. Mas o clímax do jogo volta a ocorrer no tempo presente, dentro do Coliseu e com fortes repercussões para os personagens de Desmond e Lucy.

O game continua a aliar com enorme inteligência eventos históricos e fictícios. Vale destacar também, a belíssima trilha sonora composta por Jesper Kyd, e o excepcional trabalho dos atores Roger Graig Smith (Ezio), Kirsten Bell (Lucy) e Nolan North (Desmond).

Lançado mais um volume para a série

Ezio ainda ganhou mais um volume: o Assassin's Creed Revelations. Para o qual prometo um artigo que descreverá a aventura final deste incrível personagem. Só peço ao explorador que tenha um pouquinho de paciência. Demorei quase um ano para finalizar Brotherhood. Agora vou começar Revelations. Até lá, descubra por você mesmo este incrível universo, e vamos trocar impressões. Comentem aqui as suas descobertas.

Até a próxima!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Star Trek Ongoing: série em quadrinhos abre caminho para novo Star Trek

SÉRIE: QUADRINHOS

por Fabok
Nunca fui muito fã de quadrinhos, mas passei a apreciá-los depois que comecei a lê-los no iPad. A interface gráfica é muito inteligente e confortável para o leitor. Como trekker acabei descobrindo a série Star Trek Ongoing, que faz a ligação entre o filme Star Trek (2009) e a sua sequência que chega aos cinemas no ano que vem.

Edição #1-Where No Man Has Gone Before
O projeto é bem interessante, onde as aventuras da série clássica de Jornada nas Estrelas são revividas agora, já no novo universo criado por J.J. Abrams. A produção é de primeira. Os traços são muito bonitos e reproduzem fielmente os personagens e cenários do filme. Além disso Ongoing conta com a participação de Roberto Orci, um dos roteiristas do reboot e da sequência como Consultor Criativo. A proposta é boa, visto que constrói o background das aventuras nos permitindo um melhor posicionamento ante os eventos do novo filme.

Estórias em arcos duplos

Explore estranhos mundos novos!
Aliste-se na Frota Estelar!
Cada aventura é dividida em duas edições. Logicamente o primeiro episódio adaptado foi "Onde Nenhum Homem Jamais Esteve". Esta é uma adaptação bem fiel ao episódio da Série Clássica, e sem muitas novidades, a não ser a personagem da doutora Elizabeth Dehner que não está presente; o Dr. McCoy já é o oficial Médico-Chefe da nave e não o Dr. Mark Piper. O personagem Gary Mitchell ganhou os traços do ator Gary Lockwood (2001, Uma Odisséia no Espaço). O roteiro ganhou um acabamento melhor, mais moderno e mais casado com a "realidade" construída ao longo da série. Uma curiosidade é que o planeta onde se passa a aventura chama-se Delta Vega. No filme de 2009, Delta Vega é onde Kirk encontra Spock Prime e Scott. E, não tem nada haver com o planeta da Série Clássica. Cuidado aí J.J.!

Acabamento primoroso
O próximo episódio escolhido foi "O Primeiro Comando", que traz duas grandes mudanças em relação ao episódio original. Uma das tripulantes da nave auxiliar é a Alferes Rand, fazendo sua primeira aparição no novo universo. E quem salva o dia é Uhura que, contra todas as ordens, rouba uma nave auxiliar, para encontrar Spock. Ponto para a personagem, mas que, por outro lado acaba por enfraquecer Spock. Um dos pontos altos do episódio original era justamente a visão pragmática do Vulcano, que resolve tomar uma decisão "desesperada" baseada na sua maneira peculiar de usar a lógica. Ainda sim, a aventura é bem interessante.

Os clássicos episódios da TV estão sendo revisitados

Belo tratamento de imagem
Em "Operação Aniquilação", os quadrinhos tomam um rumo bem diferente do que foi visto antes. Aqui Kirk encontra seu irmão George vivo e temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o passado dos dois personagens. Legal aqui é que os roteiristas trouxeram a boa química entre McCoy e Spock de volta. Outro bom momento é dado na relação entre Spock e Uhura, que se mostra bem preocupada com as atitudes um tanto quanto "ilógicas" do Vulcano desde a perda de sua mãe e do seu planeta natal. Até o momento esta foi a melhor adaptação dos episódios originais.

Já para a próxima aventura, os roteiristas resolveram contar uma trama original, diretamente ligada ao filme de 2009, "Vingança Vulcana". Novamente mostrando a, cada vez mais preocupante, falta de conhecimento da geografia de Star Trek, o episódio começa no distante Quadrante Delta, é mole? Onde um alienígena tenta negociar a venda de informações sobre a Narada, a um misterioso grupo. Enquanto isso, a Enterprise está em patrulha próxima à Zona Neutra Romulana e recebe um pedido de socorro de uma nave científica vulcana. Aqui os roteiristas foram felizes em manter o desenho das naves vulcanas como vistas na série Enterpise. Kirk encontra a nave ainda sendo atacada, mas o grupo consegue fugir, deixando para trás um tripulante que revela ser um sobrevivente da tripulação da nave de Nero. Sem muitos spoilers, a trama envolve uma missão secreta vulcana para recolher o que restou da infame "matéria vermelha" e acaba por levar a Enterprise a Romulus. O roteiro é bem interessante e cheio de reviravoltas, pena que o final fica um pouco a desejar por não ousar em transformar um importante personagem do canon de Jornada em vilão. Faltou coragem ou liberdade aos roteiristas...

Lançamento - A Vingança do Vulcano p.2
Para os próximos números teremos adaptações de "A Hora Rubra" e uma aventura inédita com os pingos intitulada de "A Verdade Sobre os Pingos". Os produtores já disseram várias vezes que alguns eventos e personagens vistos nos quadrinhos terão conexão com o próximo filme. Para o fã de Jornada vale a conferida, mas infelizmente não há previsão de lançamento no Brasil. A boa notícia é que a editora IDW, disponibiliza Ongoing pela Internet, App Store, Android e Kindle. Confira o site.



Star Trek Ongoing: 2011, EUA
História: Mike Johnson
Arte: Joe Phillips, Steve Molnar, Tim Bradstreet, Joe Corroney

Editora: IDW Publishing
Número de páginas: de 28 a 33
Preço de venda: US$1,99 - lançamentos US$3,99
Mídia: Leitor eletrônico (internet, iPad, iPhone, iPod, Kinde e pads com Android)

Idioma: inglês

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MIB3 - Homens de Preto

RESENHA CINEMATOGRÁFICA
MIB3 - Homens de Preto 3
Alerta: este artigo tem spoilers moderados

por Babi-Wan

Pois bem, quinze anos depois do primeiro filme, será que é possível retomar a proposta de 1997 e 2002 sem perder a qualidade?

Tarefa difícil, uma vez que o filme de 97 foi um sucesso flamante, tanto pela crítica quanto pelo público, e o de 2002 que, apesar de seus respectivos merecimentos, não chegava aos pés de seu antecessor. MIB 3 acaba não sendo tão bom quanto o primeiro, mas superior em muitos sentidos para a sequela risível.

Jemaine Clement é a voz de Boris - o Animal
O enredo: Boris, o Animal (Jemaine Clement) é um alienígena da espécie boglodite que veio à Terra em 1969 com a finalidade de destruir o planeta em nome da perpetuação de seu povo. Foi impedido pelo Agente K (Josh Brolin) que decepou seu braço e o prendeu em Lunar Max. Quarenta anos depois, Boris consegue ajuda para fugir da prisão e retornar à Terra a fim, não só de acabar com o planeta mas também recuperar um pequeno pedaço do seu antigo eu. Para concretizar seus planos de vingança, o boglodite arranja um jeito de voltar no tempo. Então, quando isso ocorre, toda a memória do Agente K é apagada e uma invasão alienígena acontece. Com o intuito de evitar que a história seja modificada e seu parceiro nunca exista, é que o Agente J (Will Smith) volta no tempo. Na década de 60, J encontra K, e partilham de vários momentos divertidos. No meio dessa trama surge o personagem Griffin (Michael Stuhlbarg), um alienígena muito supimpa que tem o dom de visão multi-plataforma – basicamente ele consegue ver possíveis cenários para o que acontece em seguida, baseado no que acontece agora. Griffin se propõe a ajudar J e K, pois depois de ter tido seu planeta aniquilado ele não quer que outra civilização se perca.

Boris e sua namorada, Nicole Scherzinger do grupo The Pussycat Dolls
Bom, o filme tenta ser descontraído – e por muitas vezes fracassa no quesito, torna a piada um tanto forçada. A medida que a trama vai se desenrolando são acrescidos momentos mais profundos, como interações as quais Smith passa a conhecer um pouco mais de Brolin - que encara o personagem com naturalidade e consegue misturar de uma forma radiante sisudez, um pouco de 'cor' e até romantismo. O nojo continua sendo uma característica marcante. Os efeitos especiais muito bons. O vilão Boris não teve tantas aparições, mas todas muito pertinentes. O mesmo para a Agente O, a qual, a meu ver, não desempenha um papel fulcral no enredo, apenas de ilustrar o lado sentimental do Agente K da década de 60. Por fim Griffin, um personagem complexo, que abre margem para inúmeras possibilidades, no entanto mal exploradas. O filme termina com muito sentimentalismo. Necessário? Quem sabe?

Josh Brolin faz o Agente K
Apesar dos percalços, o filme proporciona um bom divertimento. A Franquia, felizmente, envelheceu dignamente. Então vamos parar por aqui, ok?

MTFBWY

MIB3 - Homens de Preto 3 (Men in Black III): 2012, EUA
Direção: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Lowell Cunninghan e Ethan Cohen
Baseado: HQ de Malibu Comic por Lowell Cunninghan
Música: Danny Elfman
Edição: Wayne Warhman e Don Zimmerman
Elenco: Will Smith, Tommy Lee Jones, Jemaine Clement e Josh Brolin

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Área Q – ficção alienígena brasileira

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA

por Fargon Jinn

O Brasil tem produzido filmes de alta qualidade, nos últimos quinze anos. “O Quatrilho” (1995) foi o primeiro que recordo como sendo um produto refinado. Qualidade de produção, direção de alto nível, atores reconhecidos e outros que são verdadeiras revelações, história e roteiro com excelência, são alguns dos itens que podemos ressaltar neste e em muitos outros depois.

Há alguns anos me choquei com o nível de Cidade de Deus (2002), um filme que, além de atores desconhecidos e excelentes, uma fotografia avassaladora, tinha um roteiro maravilhoso e, o melhor, apresentava uma das mais perfeitas edições que já vi.

Filmes espíritas dominam o mercado nacional

Produção nacional de 2008
Mais recente, vieram os filmes de cunho espírita, notamos aqui uma queda pequena, mas importante, na qualidade. As histórias são conhecidas de muita gente, e não houve coragem de produzir um roteiro marcante. Para piorar, além da falta de inovação na direção, sentiram que tínhamos qualidade suficiente para arriscar CGI’s. Que falta de autocrítica. Senti-me assistindo a filmes da década de 80, feitos para a TV norte-americana.

Desta vez Halder Gomes (Cine Holiúdy – O Astista Contra o Cabra do Mal, 2004), um excelente cineasta brasileiro, atuou como produtor executivo de Área Q.

Debut brasileiro na ficção fantástica

Cenas nas formações rochosas de Quixadá - CE
Área Q é uma ficção alienígena, gênero que pertence à ficção científica. Este roteiro, no entanto, tem um argumento pouco definido: Um repórter de Los Angeles narra suas experiências de abdução por extraterrestres, durante o período em que investigava fenômenos de abdução no território brasileiro, Quixadá – CE.

Falando assim, até parece definido mas, ao final do filme, não sabemos dizer, realmente, qual é o ponto focal da história. É a experiência do jornalista? São os fenômenos de abdução? São os mistérios e milagres ligados às vítimas dos alienígenas? São as motivações dos ET’s? Ou é o filho desaparecido do protagonista?

Halder Gomes e Tânia Khalil
Nas questões técnicas, vai uma nota baixa para a fotografia e a qualidade da imagem, muito granulada, cores esmaecidas, sem contraste e sem brilho. Não sei exatamente se foi proposital, ou se foi resultado de um orçamento deficiente, ou se foi pelo cinema, mas é uma das mais baixas qualidade de imagem que já vi.

Problemas técnicos e de arte

A atuação dos atores ficou prejudicada por um roteiro fraco e uma aparente inexistência de direção. O filme é de Gerson Sanginitto (Cadáveres 2, 2008) diretor que, até então, me era desconhecido, não conheço seus trabalhos anteriores, mas se este servir de referência, poderia melhorar.

E por fim, algum uso de CGI coerente e bem conduzido. Em contrapartida, há uma cena que não diz nada, não enriquece a narrativa, apenas notei uma necessidade de se fazer algo grandioso para mostrar domínio desta tecnologia, mas achei que a tomada me lembrou muito ao remake de O Dia em que a Terra Parou (2008).

Salas vazias, dois meses em cartaz? Faz sentido?!

O diretor Sérgio Sanginitto
Gostaria muito de que um filme brasileiro com essa temática tivesse recebido um tratamento de roteiro melhor, com mais ritmo e consistência. Co-escrever junto a algum escritor brasileiro com mais know-how no assunto teria sido uma possível saída. Temos pessoal bom para isso, é só procurar.

Acho que devemos, de qualquer forma, assistir a mais esta produção nacional. Precisamos, não podemos nos furtar em comentar nossas impressões. É preciso que percebam que o público brasileiro consome, mas quer qualidade. Não somos Bollywood, e produzimos pouquíssimos filmes por ano, por isso temos que ter excelência.

OVNI's e Quixadá, uma mistura explosiva
De um modo ou de outro, o espectador não sai o mesmo, ao término do filme. Nos deixa pensativo, nos faz questionar. Isso, em si, já é algo. Tem muito, mas muita obra por aí que rende muito, e não tem um micron de conteúdo.

Se os exploradores quiserem minha recomendação: Assistam. É interessante, abre o diálogo, desperta a curiosidade e nos faz querer saber mais, ir além do final.

Área Q: 2011, Brasil
Direção: Sérgio Sanginitto
História: Sérgio Sanginitto, Carla Sanginitto e Halder Gomes
Roteiro: Sérgio Sanginitto e Júlia Câmara
Música: Perry La Marca
Edição: Helgi Thor
Elenco: Isaiah Washington, Ronnie Gene Blevins, Murilo Rosa, Ricardo Conti e Tânia Khalil

Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze