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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prometheus: uma análise

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
Prometheus
ALERTA ESTE ARTIGO TEM SPOILERS

por Fabok

Antes um protesto

Sei que o explorador deve estar ansioso pelo nosso review do filme, mas não posso deixar de falar nos eventos que os expectadores da minha sessão testemunharam antes da exibição.

Tudo o que queremos é assistir filmes com a qualidade do preço que pagamos
Quando a entrada na sala foi liberada, levei um susto. Tudo estava numa escuridão total. Imediatamente os que lá estavam começaram a ligar seus celulares para termos um pouco de luz. A princípio, até pensei que poderia ser uma campanha de marketing do filme, mas no momento que as fracas luzes de nossos celulares começaram a varrer a sala, um sentimento de horror se abateu em todos nós, e não era por causa de nenhum alien. A sala 3 do UCI Fortaleza estava simplesmente imunda. Restos de comida e pipoca por todos os lados, o chão completamente melado e, ainda por cima, os assentos sujos e com manchas de gordura para todos os lados.

Mas o pior estava por vir. Quando começou a projeção, a imagem estava tão escura, que em determinados momentos ficava difícil de entender o que estava se passando na tela. Com isso, o efeito 3D foi muito prejudicado e acabou por ficar abaixo do esperado. Com um ingresso na casa dos R$ 30,00, é uma vergonha como o UCI Iguatemi Fortaleza trata seu público. Aos exploradores, evitem as salas 3D de lá a qualquer custo.

Agora o filme

E Deus amou tanto a humanidade que a ela sacrificou seu próprio filho
Eis que Prometheus começa. A sequência inicial, com um humanóide se sacrificando para dar origem à vida na Terra, é espetacularmente bela e me encheu de expectativas. Logo em seguida a nave Prometheus surge enchendo completamente a tela, indo rumo ao desconhecido. Pensei, é... Ridley Scott está de volta e em grande estilo.

Fassbender é um andróide que esconde sua humanidade e suas obsessões
Aos poucos vamos conhecendo a nave através de David, um andróide, que aparentemente tem a missão de manter os sistemas automáticos e a tripulação da Prometheus em ordem. David parece ser único. Ele é fascinado com filmes antigos, em especial Lawrence da Arábia, e acaba por adotar o visual do personagem vivido por Peter O'Toole. Ainda assim, há algo perturbador sobre David: ele é tão humano em suas ações que acabam por torná-lo diferente de nós. Pior, ele tem o hábito de acessar os sonhos dos tripulantes que estão em congelamento criogênico para a longa viagem de dois anos da nave.

Ao chegar ao seu destino, a tripulação é despertada. Ficamos conhecendo o casal de arqueólogos Elizabeth Shawn (Noomi Repace) e Holloway (Logan Marshall-Green - reparem que o ator é quase um clone de Tom Hardy de A Origem e do novo Batman). Eles conseguem convencer o magnata Peter Wayland (Guy Pierce, debaixo de uma maquiagem muito pesada), dono da Weyland Coorp. a financiar a missão, antes de sua morte.

Logan Marshall-Gree e Tom Hardy, que é isso "doppelgängers"?

E qual seria esta missão? Shawn e Holloway encontraram evidências de que a humanidade foi criada por seres extraterrestres, os quais eles chamam de "engenheiros". Nestas evidências há um aparente convite de nossos criadores para encontrá-los. Até este momento, o filme vai criando uma atmosfera muito boa e cheia de mistérios. Mas logo vem a primeira decepção, pelo menos para os fãs de Alien - O Oitavo Passageiro. O destino da Prometheus não é LV426, o planeta no qual o alienígena do filme original é encontrado, e sim LV223, que aparentemente orbita o mesmo gigante gasoso com anéis, do filme de 79. Neste momento meu sinal amarelo se acendeu, mas logo em seguida ele passou a vermelho, quando a tripulação da nave entrou em ação.

O velho cliche da ignorância
do método científico


Para uma expedição científica com potencial de mudar para sempre a humanidade, a Weyland escolheu os piores profissionais possíveis. Os "cientistas" não seguem nenhum tipo de procedimento ou protocolo que garantam o sucesso e a segurança da missão. De cara Holloway quer logo sair da nave para explorar a estrutura que fora avistada por eles. Quando o Capitão Janek (Idris Elba) pede que o arqueólogo espere até o dia seguinte, pois eles só teriam mais seis horas de luz, este responde algo do tipo, "Esperei dois anos para poder abrir meus presentes de natal". Pior ainda é a resposta de Janek, "ok, estou aqui só para pilotar a nave". Logo em seguida nos é apresentada a personagem Vickers (Charlize Theron), os olhos e ouvidos da Weyland e que logo ordena que qualquer contato com os "engenheiros" deve ser evitado. A atriz faz o possível para tornar Vickers interessante, mas ela é apenas uma coadjuvante de luxo na trama.

Charlize não foi nem bonita nem teve uma grande atuação
Falando em incompetência, o que dizer do geologista Fifield (Sean Harris) e do biólogo Milburn (Rafe Spall). A dupla consegue criar momentos antológicos de humor involuntário. Milburn é um biólogo que não gosta de coisas mortas e junto a Fifield simplesmente abandonam a expedição quando vários corpos alienígenas aparecem. Para completar, o geologista consegue com que a dupla se perca, quando ele próprio tinha dispositivos que mapeavam o lugar em que se encontravam. O momento em que eles encontram a criatura hammerpede é tão ridículo que você torce para que os dois morram logo...

Desenvolvimento confuso e sem sentido

Salada completa, alienígenas+zombies from outer space
George Romero deve estar às gargalhadas
Daqui em diante o filme entra numa espiral de situações mal resolvidas e mal escritas. Com que propósito David infecta Halloway? Fica a impressão que os roteiristas não sabiam o que fazer para "engravidar" Shawn. Ok, a cena do "parto" é plasticamente visceral e perfeita bem ao estilo do diretor, mas Shawn, uma arqueologista, consegue operar um equipamento médico de última geração, com dores excruciantes e sozinha, do mesmo modo que operamos um tablet. A quantidade de sangue que cai nela antes do final do "parto" é tanta, que ela teria que ter alguma sequela. Mas não, deste momento em diante o roteiro resolve transformar Shawn em uma nova Ripley com poderes sobre-humanos e imune às consequências do procedimento cirúrgico pela qual passou. Para completar, ninguém à bordo pareceu se interessar pela criatura que ela deu à luz, que fica esquecida até os momentos finais do filme.

A cenografia de Dariuz Wolski é impecável e formidável
Mas quem são os responsáveis por um roteiro tão problemático? Um deles, o explorador já deve conhecer. Sim, é ele, Damon Lindelof que tem em sua "ficha criminal" pérolas como o final de Lost, e é coautor do roteiro de Cowboys and Aliens e do futuro Star Trek. Por todo o filme você consegue ver o "dedo" do senhor Lindelof. Diálogos sofríveis, eventos sem o menor sentido e, claro, mais furos no roteiro do que um queijo suíço. Vou citar alguns: Por que os "engenheiros" se dariam ao trabalho de semear a Terra com vida, para simplesmente querer exterminá-la depois? Se o que Shawn e Halloway encontraram foi um convite, por que um convite para o que obviamente parece ser uma instalação militar? O que houve na Terra dois mil anos atrás para levá-los à uma decisão tão drástica como a que vimos no filme? E por último, a tripulação de "engenheiros" devia ser ainda mais incompetente que a da própria Prometheus, por se deixarem destruir por suas próprias armas biológicas.

É um filme de Ridley Scott?

Você é humana ou andróide? (referência a Blade Runner?)
O filme consegue se salvar graças a Ridley Scott, que fez milagre com um roteiro tão fraco. Scott sabe como ninguém valorizar a direção de arte de seus filmes para criar suspense. Prometheus é um banquete visual e auditivo. O nível de detalhes da nave, roupas e cenários é espetacular sempre fazendo referência a Alien - O Oitavo Passageiro. Há ainda uma pequena referência a Blade Runner. Repare na touca que os tripulantes da Prometheus usam com o traje espacial. É muito parecida com a usada pelo personagem Gaff, vivido por Edward James Olmos naquele filme. Outro exemplo do minimalismo do diretor, as informações vistas nos computadores da nave seguem o mesmo estilo das que são vistas na Nostromo, do filme de 1979.

Uma grande sacada de Scott foi ter trazido o bizarro artista H.R. Giger, criador da criatura original do filme de 1979, como consultor. O visual da nave dos "engenheiros" e das criaturas nos remete a Alien, mas ainda assim com um toque diferente. O Space Jockey ser apenas um traje espacial dos "engenheiros" foi uma boa surpresa. Contudo, o perfeccionismo de Scott não foi tão feliz na trilha sonora composta por Marc Streitenfeld, que só brilha no momento em que Peter Weyland aparece como holograma, usando um trecho da clássica trilha composta por Jerry Goldsmith.

Ridley Scott raramente fecha suas histórias

Os 'engenheiros' como uma sociedade monástica
Os atores fazem o que podem, mas realmente quem se destaca é Michael Fassbender. David é ao mesmo tempo encantador e assustador e foi um ótimo precursor para os andróides da série. Noomi Rapace consegue dar alguma credibilidade a Shawn, mas não é nenhuma Ripley. O restante não consegue ter o mesmo tipo de empatia que a tripulação da Nostromo em Alien, infelizmente.

Para completar, Prometheus não é um estória fechada. O final em aberto lança mais perguntas do que o próprio filme conseguiu responder. Qual a origem dos "engenheiros"? Para onde Shawn e David foram? Como o "pré-facehugger" e o "pré-alien" vistos na boa cena final evoluíram para o que vimos nos filmes da série Alien? A Terra ainda está em perigo? As respostas ficaram para uma possível sequência, que nem sabemos se será realizada. Tudo vai depender da bilheteria do filme. Ah! Uma dica pro pessoal da Weyland Coorp: se vocês financiarem uma nova missão, por favor escolham uma tripulação melhor. O pessoal do Relatório da Situação de antemão já se oferece para tripular uma nova Prometheus. Nós seríamos muito mais profissionais... Já para Ridley Scott...você é o cara, mas pelo amor de Deus se livra deste picareta que é o Sr. Lindelof. Existem excelentes roteiristas por aí que fariam de tudo para trabalhar com você no universo de Alien.

Resolveram economizar no figurino
Visualmente Promeheus é arrebatador, mas isto não é suficiente. Sem um bom roteiro, o filme se torna vazio e acaba por decepcionar, justamente por toda a expectativa que criou. Como prelúdio de Alien, o filme também falha, simplesmente por não dar nenhuma resposta satisfatória aos mistérios daquele filme. Agora nos resta uma pequena esperança, Ridley Scott já anunciou que a edição em DVD e Blu-Ray terá uma nova versão com mais 20 minutos. Não estou otimista, mas vamos aguardar...

E você explorador, o que achou? Mande suas opiniões! Até a próxima!


Prometheus: 2012, EUA
Direção: Ridley Scott
Roteiro e História: Jon Spaihts e Demon Lindelof
Música: Marc Streitenfeld
Edição: Pietro Scalia
Elenco: Noomi Rapace, Logan Marshall-Green, Charlize Theron e Michael Fassbender


Nossa avaliação:

Delta-Shield Bronze

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Star Wars - jubileu de coral (parte III)

SÉRIE: AS GRANDES SAGAS

por Fargon Jinn

Quando Star Wars foi idealizado, tinha-se em mente algo puramente recreativo. George Lucas pensava mais em termos televisivos do que propriamente cinematográficos. Sua intenção era exibir algo que fizesse as pessoas rirem e vibrarem com histórias infantis, sem cunhos mais sérios, mas dentro das salas de cinema. Este era um ambiente familiar para ele, e era para aquele público que ele escrevia um argumento gigantesco.

Abertura de Buck Rogers - inspiração e homenagem
Dentro da perspectiva de se recriar seriados para o cinema, suas propostas de roteiros eram relativamente curtas e só faziam sentido dentro de um contexto de dez a vinte episódios de longametragens de setenta a oitenta minutos.

O germinar de um novo universo

As idéias eram mirabolantes demais para a época
Mas quanto mais Lucas falava sobre suas ideias a produtores e cineastas, mais desacreditado ficava. Ninguém parecia entender suas intenções e seu sentimentalismo anacrônico. Isto, por fim, começou a influenciar o próprio autor que, apaixonado por seu épico, resolve tentar adaptá-lo às exigências de produção da época.

Assim Star Wars começa a ser delineado como uma trilogia. O argumento de vinte episódios que descreveria os possíveis pais da personagem central, Darth Vader, até o legado deixado para seus netos, foi centralizado em sua vida. Ficando com nove episódios.

Durante um longo período George Lucas afinou esta proposta, contou com a ajuda de muitos amigos do período de faculdade e Joseph Campbell, mitologista que lhe ajudou a encontrar a verdadeira alma de seus personagens.

O universo desponta

Mas roteiro mesmo até então não existia. Eram páginas e páginas de anotações com ideias para as personagens e suas jornadas heroicas. O primeiro roteiro afinal veio após uma conversa com Alan Ladd Jr, diretor da Fox, durante uma viagem em que eles se encontram e Lucas fala de suas ideias. Já com algumas recusas acumuladas foi surpreendido pelo entusiasmo de Alan, que aparentemente havia entendido seus conceitos.

George rapidamente apresentou um roteiro empolgante e ousado, que exigiria um grande investimento financeiro. A Fox interessou-se mas exigiu inúmeras modificações e redução de custo.

Cena inspirada em Dersu Uzala (1975) de Akira Kurosawa
Inicialmente deveríamos ter num formato de seriado de cinema. Um episódio que mostraria a vida de um jovem fazendeiro ansioso por aventuras. Este acaba juntando-se à resistência contra o Império que subjugou seu planeta, outrora independente. E obtém, ao final, uma importante vitória contra os opressores.

Em toda a sua trajetória um mentor o guiaria. Toda uma filosofia teria que ser aprendida e esta lhe daria o poder necessário para superar suas deficiências e sobrepujar o inimigo. Por fim descobriria que seu pai era um importante general do Império, e que este também era seguidor dos mesmos ensinamentos, mas com uma visão corrompida.

E... floresce!

Nas histórias posteriores, se viessem a existir, deveriam mostrar a redenção de seu pai e a destruição do Império.

Neste trajeto o mentor iria acompanhar o jovem herói em sua jornada até o momento de seu sucesso final, com a queda do Império. Alguns amigos de batalhas seriam perdidos, entre eles aquele que se tornou Hans Solo. A princesa Leia não existiria como sua irmã, mas como a donzela a ser salva do pai maligno. Os robôs foram incluídos para suavizar a narrativa e atrair o público infantil, inspirados no filme Corrida Silenciosa (1972), e sua participação reprisaria a dos narradores do filme The Hidden Fortress (1958), de Akira Kurosawa, de quem Lucas, como grande admirador, ainda emprestaria mais, pelo menos, uma dúzia de elementos.

Plageia...

The Hidden Fortress - inspiração para o episódio V
Isto não minimiza o valor de Star Wars, visto que o próprio Akira produzia seus filmes a partir de obras de autores estadunidenses. O mundo do cinema é um tremendo rouba-copia que nunca acaba. Yojimbo (Akira Kurosawa - 1961) foi a versão do japonês para o livro de Dashiell Hammett (Colheita Vermelha – 1928), cujo personagem é um detetive sem nome. Sergio Leone, diretor italiano de filmes faroestes, colocou em seu filme, “Por Um Punhado de Dólares” (1964), Clint Eastwood no papel do “Homem Sem Nome” (chamado Joe), baseando-se em Yojimbo. Já o filme “Sete Homens e Um Destino” (1960) de John Sturges, é a versão americana de “Os Sete Samurais” (1954) de Kurosawa. Clint Eastwood foi a inspiração para Boba Fett, em Império Contra-Ataca, na versão espacial do “Homem Sem Nome”. “Vida de Inseto” (Pixar – 1998) é uma versão animada de “Os Sete Samurais”.

Para falarmos da coleção de influências, inspirações e plágios utilizados em Star Wars, precisamos de outro artigo. Ou outros artigos, já que as ramificações vão longe.

Frutifica e amadurece

Ben Yoda ou Yoda Kenobi? Até Lucas os confunde...
Mas voltando ao tema, Yoda é forçado a surgir posteriormente para sanar a falta de Obi-Wan, que Lucas, num arrojo de dramaticidade, resolve matar prematuramente.

A Estrela da Morte, baseada no planeta Mongo, de Ming o Impiedoso, imperador maligno e arquiinimigo de Flash Gordon, só deveria surgir no terceiro filme. Que iria se chamar A Vingança do Jedi, e não O Retorno... Como poderia não haver terceiro filme, Lucas usou a ideia no episódio IV, e teve que criar uma estação de terror maior do que a primeira, para o episódio VI.
Príncipe Thun dos Homens-Leões é base para Chewbacca

Hans Solo e sua Millennium Falcon, bem como Chewbacca (inspirado no Príncipe Thun, o homem-leão de Flash Gordon) acabaram sobrevivendo em resposta à extrema popularidade que alcançaram. Quase que Boba Fett também escapa da morte, na segunda versão de O Retorno do Jedi, por causa da alta popularidade do bountyhunter, e da morte hilária que sofre. Felizmente George Lucas não cometeu esse sacrilégio.

E assim são trinta e cinco anos

Amigos exploradores, os assuntos de Star Wars não se esgotam aqui. Como uma de nossas queridas grandes sagas, estamos sempre revisitando o tema, e ideias não faltam. Se quiserem sugerir sintam-se à vontade. Teremos prazer em atender. Até breve.

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prometheus: O Mistério está próximo a ser revelado

CINE PREVIEW
Alerta este artigo traz spoilers moderados

por Fabok

Recentemente, li em algum lugar, que muitos fãs dos filmes da série Alien estariam preocupados com Prometheus, o novo filme de Ridley Scott, que estreia mês que vem. O problema segundo eles, é que a trama não seria centrada nos aliens ou que eles apareceriam muito pouco e outras coisas do gênero. Minha pergunta a estes fãs é uma só: mas, e daí?

Space Jockey já visto no filme de 1979
Prometheus não é um filme da série Alien. Ele apenas se situa no mesmo universo. A proposta de Ridley Scott é muito mais ambiciosa que um simples prequel. Ao abordar dois pontos jamais respondidos pelos filmes da saga: como a megacorporação Weyland Industries sabia da existência do sinal alienígena captado pela nave Nostromo e dos xenomorfos, e quem seria o misterioso alienígena fossilizado (Space Jockey), ambos vistos em Alien, O Oitavo Passageiro (1979), o diretor se propôs a criar uma nova e ambiciosa mitologia que levará o expectador a descobrir nada menos que a própria origem da humanidade.

Enfim algumas das perguntas terão respostas

O filme ainda está cercado de mistérios, e os espetaculares trailers lançados só aumentam as expectativas. Sabendo disso, a Fox criou uma interessante campanha de marketing viral. Através do site http://www.weylandindustries.com/, o explorador poderá conhecer detalhes sobre a empresa e seu criador, Peter Weyland que é interpretado pelo ator Guy Pierce. Lá, os mais atentos, encontrarão entre os feitos da empresa, ligações com o universo de Alien como a invenção das câmaras de hipersono, da propulsão FTL (Faster than Light) e da descoberta do planeta Acheron LV-426 vistas no filme de 1979; dos processadores atmosféricos, do exoesqueleto motorizado que Ripley usa para lutar com a rainha Alien e a criação dos Space Marines de Aliens (1986); e da construção de colônias penais fora da Terra (Alien 3, 1992).

Você também encontrará informação sobre os Cybernetic Individuals, os robôs, que foram tão importantes para a série. O site conta a gênese deste projeto, desde a primeira patente registrada em 2023 até a série David 8, primeiros robôs a replicar emoções humanas e serem praticamente indistinguíveis dos seres humanos. Na nave Prometheus temos um robô desta série vivido pelo ator Michael Fassbender.

O roteiro cobre uma longa linha de tempo

Guy Pearce é Peter Weyland
O legal desta linha do tempo que vai de 1990 até 2073, é que todos os feitos de Weyland culminam com o Projeto Prometheus. E aqui vai uma curiosidade, este projeto realmente existiu. Ele foi parte de um esforço da NASA para a criação de naves movidas a propulsão nuclear para missões de longa duração. Infelizmente esta iniciativa foi cancelada pela agência em 2006 por falta de fundos. No universo do filme, a medida que a Weyland controla todos os campos do desenvolvimento científico do planeta, ela acaba comprando todos os dados referentes a ele.

Charlize Theron como Meredith Vickers
Mas qual será realmente a trama do filme? Do que consegue-se entender dos trailers é que são encontrados, em diferentes cantos da Terra, sinais de que fomos visitados por seres extraterrestres. Ao se juntar estes sinais, um aparente convite ou localização destes alienígenas é descoberto. A Weyland Industries, megacorporação de poder e influência jamais vistas na história do planeta, envia uma missão a este local. Qual sua ligação com o que já vimos na série Alien é uma resposta que só teremos quando o filme estrear. Mas do pouco que se viu, nota-se todo o cuidado com que Ridley Scott conduziu o projeto. O estúdio está tão empolgado que apoiou a decisão de levar as telas a versão sem cortes do filme, que recebeu a classificação R nos EUA, reservada a filmes com conteúdo mais adulto e agressivo.

Promessas e muita ansiedade

Para os exploradores mais ansiosos, não deixem de reassistir Alien (1979), o trailer de Prometheus faz inúmeras referências aquele filme, que só para lembrar também foi dirigido por Scott. No dia que o segundo trailer saiu, fiquei tão empolgado que resolvi rever todos os filmes da série, bom quase todos, ainda não tive coragem de enfrentar os Aliens vs Predador, se é que vocês me entendem... Uma boa pedida também é visitar o site da Weyland Industries e conferir os interessantes vídeos virais com os personagens Peter Weyland e David 8. Ao explorador mais cauteloso, fique tranquilo pois os vídeos não possuem spoilers.

Confesso que adorei os Avengers, mas pra mim Prometheus será o filme do ano. Muitos já o comparam a 2001 Uma Odisseia no Espaço. Será que teremos um novo clássico da Ficção Científica surgindo este ano? Em 15 junho descobriremos...

Ridley Scott nunca decepcionou... muita ansiedade
Até a próxima!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Star Wars - jubileu de coral (parte II)

FAZENDO A HISTÓRIA

por Fargon Jinn

George Lucas criou Star Wars como um revival dos antigos seriados de cinema. Já dissemos no artigo anterior. Mas como foi isso em detalhes, é o que trazemos aqui.

Grande fã dos antigos filmes e diretores, Lucas sempre buscou inspiração na história do cinema. “Uma ideia que já foi feita, pode ser reciclada, filtrada e dissecada. A partir da essência obtida podemos gerar novas propostas.” Dizia um de seus professores, na Universidade Sulista da Califórnia.

Star Wars é resultado de um estudo mitológico

Biggs Darklighter e Luke Skywalker
Durante um ano ele preparou um argumento para um seriado de cinema. Seria uma space opera, que contaria uma saga heróica, um épico. Os seus personagens variavam em número, motivações, trajetórias, arquétipos, etc, a cada nova versão que escrevia. Mas, mesmo com muitas variantes, não chegava a satisfazer-se com nada.

Um dia leu uns trabalhos de um estudioso, Joseph Campbell, um mitologista. George Lucas procurou Campbell, levando suas anotações, argumentos e construção de personagens, buscando uma orientação de arquétipos e figuras mitológicas que pudesse acrescentar em seus personagens e sua narrativa.

O roteiro se estrutura

Livro de 1949
Campbell, entusiasmando-se com o que viu, começou a fazer sugestões e correções a este jovem roteirista, que tudo anotava, acresentando linhas de trajetórias, e reescrevendo rapidamente seu argumento.

Ambos trabalharam animadamente por vários meses até que, satisfeito, George Lucas resolve levar o seu semipronto roteiro para alguns estúdios. Em vários nem foi recebido, em outros ganhou um sonoro não. Decepcionado, por um lado, e estranhamente satisfeito por outro, resolveu que ia mudar a sua proposta. Não queria mais um seriado. Mas ia construir um enredo a partir de um de seus capítulos.

Escolheu o que viria a ser o número quatro. Achava que seria interessante levar um filme ao cinema que apresentava-se, sem mais nenhum esclarecimento, como o quarto de uma série. Queria ver o que as plateias diriam, se procurariam pelos anteriores, ou se aceitariam sem questionar.

Roteiro pronto, preciso de dinheiro

Nesta fase Luke Starkiller ainda seria uma garota
Procurou então a Universal e a Paramount, onde também foi recusado. Desta vez, contudo, houveram discussões, olharam com uma análise mais acurada e até quiseram que ele revisse vários aspectos. Percebendo, então, que estava no caminho certo, levou seu roteiro a Alan Ladd Jr. que, após uma conversa breve, sentiu que ali poderia haver algo promissor.

Ambos apresentaram a proposta aos diretores da Fox. Alan acreditava que Star Wars pudesse ser um sucesso semelhante ao Planeta dos Macacos (1968), orçando a execução em US$15 milhões. O Estúdio, no entanto, não queria arriscar mais do que US$10 milhões. Lucas então reprogramou todo o seu orçamento e apresentou uma nova proposta de US$9,9 milhões. Juntamente, propôs uma minuta de contrato, dizendo que o merchandising, participação na bilheteria, a marca e o direito às continuações, ficariam para ele em troca do cachê de diretor, escritor e roteirista. A Fox deu sinal verde, e a produção teve início.

A infraestrutura de um sucesso

Joe Johnston inspirou-se num hamburger mordido e uma
azeitona recheada ao lado para fazer a Millennium Falcon
Durante o período de um ano, George Lucas escreveu e reescreveu seu roteiro, seus personagens evoluíram e amadureceram. Artistas foram chamados para apresentar desenhos de produção de cenários e personagens. Ralph McQuarrie e Joe Johnston foram escolhidos para dar vida a este novo universo, com suas visões arrojadas e não convencionais.

Vista Cruiser, um dos primeiros controladores de movimento de câmera
Outros também foram chamados, em sua maioria estudantes, que ofereceram uma saída mais viável para a movimentação de câmera. Em contrapartida ao padrão normal, onde a maquete era movida em frente da câmera, neste, computadores seriam utilizados para controlar a movimentação de câmera durante as tomadas de ação. Algo que no fim seria revolucionário para o processo. Mas isto viria a ter um preço para Lucas. Os constantes defeitos que o novo sistema sofria, iriam provocar a interferência do Estúdio que insistiria para que fosse adotado o sistema convencional.

George Lucas fincou pé em todas as suas exigências e levou o trabalho adiante. Estas e outras questões quase levaram o filme a ser cancelado em vários momentos. De um lado os executivos da Fox tinham seus interesses, seus amigos e suas liberações de verba. Do outro estava Alan Ladd Jr. que, isolado, apoiava um jovem diretor que queria fazer um filme autoral dentro de um estúdio pertencente à "indústria do cinema". Este, também, viria a pagar por sua insolência.

Compartilhando a inspiração

Dogfights inspirados em cenas do filme Labaredas do Inferno (1966)
Por fim, equipe montada, Lucas reuniu todos e mostrou tudo aquilo que o tinha inspirado para Star Wars. Queria que os responsáveis pelos trabalhos futuros vissem aquilo que ele tinha em mente. Foram inúmeras mostras, desde Akira Kurosawa com seus Sete Samurais (1954), A Fortaleza Oculta (1958) e Yojimbo (1961), Beowulf, as lendas do Rei Arthur, a série Flash Gordon (1930), “O Herói de Mil Faces” de Joseph Campbell, Labaredas do Inferno (1966), Duna de Frank Herbert, O Mágico de Oz (1939), 2001: Uma Odisséia no Espaço (1969) e Metropolis (1927), entre muitas outras referências.

Com teimosia e tudo, George Lucas teve que, ainda assim, fazer inúmeras concessões aos executivos da Fox. A mais famosa foi a retirada do “Capítulo 4” da abertura, inspirada nos letreiros de Flash Gordon e Buck Rogers. Esta, posteriomente foi recolocada. Méritos do sucesso. Ao verem os resultados na bilheteria a Fox imediatamente fechou contrato de distribuição das sequencias, permitindo qualquer alteração no filme já realizado.

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Continua na parte III, quando mostramos alguns dos muitos problemas de produção e mudanças do roteiro com mais detalhes.




segunda-feira, 14 de maio de 2012

Star Wars - Jubileu de Coral (parte I)

FAZENDO A HISTÓRIA

por Fargon Jinn

Em 25 de maio de 1977, George Lucas estreava, em salas de cinema dos Estados Unidos, o terceiro filme de sua carreira, Star Wars. Uma obra completamente autoral, com orçamento mediano e dentro de um gênero infame, a ficção científica. Os filmes pertencentes a esta classificação, com poucas exceções, eram considerados filmes 'B', ou de baixo orçamento.

Nem Lucas imaginava a onda de sucesso que este primeiro filme iria inaugurar.

De Lumierè e Méliès

Até então, a FC no cinema tinha obtido seu relativo sucesso. Os irmãos Lumière quando começaram a divulgar o cinematógrafo, em 1895, utilizaram cenas do cotidiano que seriam interessantes, chocantes ou hilárias. Mas eram apenas momentos, não contavam histórias. Foi Méliès quem percebeu o seu potencial ao levar histórias completas para a telona, e lançou o primeiro filme de ficção científica do cinema mudo, Da Terra à Lua, em 1902, da obra de Jules Verne. Desde então este gênero arrebatou a imaginação de jovens e adultos por décadas.

Na década de 50, com o medo da guerra fria, o cinema foi buscar na pulp fiction, inspiração para produzir obras que fossem de encontro com o momento e os anseios do publico.

Ficção científica foi trash durante vinte anos

Rebelião dos Planetas - 1958
Substituindo os filmes de terror da década de 40, o cinema produziu inúmeras obras que exigiam o desenvolvimento de tecnologias e narrativas próprias, e sempre a baixos custos. Enquanto o grande público valorizava, com mais força, comédias, musicais, dramas e épicos, os filmes de FC, abriram espaço para os seriados de fantasia, como Flash Gordon e Buck Rogers. A cada semana, o mercado infanto-juvenil era saudado com um novo episódio de aventura espacial ou combates alienígenas.

Obraprima de Kubrick - 1969
Na década seguinte, com a conquista do espaço tornado-se uma realidade, surgiram filmes com propostas mais sérias, orçamentos melhores e um público mais diversificado. Tivemos, neste período, Planeta dos Macacos (1968) e 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1969).

Nos anos 70, este gênero, embora querido do público, desvalorizou-se, culpa de produções de baixíssimo orçamento e pessimamente conduzidas. Ficção científica havia se tornado o velório de atores e diretores que ainda tentavam se manter sob os holofotes da fama.

O momento da virada e seu visionário

Uma proposta para reviver os seriados de outra geração
Neste cenário, George Lucas surge com a idéia marota de retomar o mote dos antigos seriados de cinema. Desta vez, contudo, teríamos uma produção de longa metragem. Seriam mostrados novos elementos dramáticos, precisariam ser desenvolvidas novas tecnologias de efeitos especiais. Teríamos, assim, um drama épico de fantasia e ficção científica. Algo que poderia atrair aos cinemas toda gama de público, desde aqueles que buscavam as superproduções do passado, até aos que assistiam a todo tipo de filme de baixa categoria, desde crianças até os mais velhos amantes da sétima arte.

A Fox queria uma bilheteria mediana e pouco investimento
A Fox, relutantemente ofertou um orçamento de dez milhões de dólares, muito inferior aos filmes de grande interesse de público da época. Mas foram os únicos que quiseram arriscar. O Estúdio, há muito, vinha procurando algo que se assemelhasse ao retorno financeiro de Planeta dos Macacos.

O pulo do gato

George Lucas durante as filmagens de Star Wars
Lucas de forma visionária, declinou de seu cachê como diretor, escritor e roteirista, ficando com a renda futura das vendas de merchandising e participação de bilheteria. O pulo do gato.

Buscando reduzir ainda mais os custos de produção, para encaixar em seu orçamento, tão apertado. George Lucas começa a percorrer as universidades atrás de estudantes e outras pessoas que pudessem contribuir com soluções às suas necessidades de efeitos especias inovadores e realistas.

A jogada de mestre: nasce a ILM

A coisa funcionou tão bem, que, às pressas, ele cria uma nova empresa, a ILM (Industrial Light and Magic), sendo esta a responsável pela geração de todos os efeitos visuais e sonoros que viriam a ser apresentados em seu filme. Até então, FX era produzido por freelancers, não existia um mercado capacitado para manter em tempo integral profissionais com estas especializações. Geralmente os diretores, como mágicos ilusionistas, vinham com suas próprias soluções para os efeitos, ou contratava-se um consultor ou especialistas para cenas de explosões, tiroteios, lutas corporais, etc.

Espetacular cena de Mestre dos Mares - 2003
Com a estreia de Star Wars, o cinema mudou radicalmente. Em geral era muito difícil produzir efeitos convincentes. Os diretores preferiam deixar algo subentendido do que passar o vexame de ter cenas ridículas e por vezes hilárias em suas obras.

Surge um novo paradigma

Um livro para contar esta história de magia e sucesso
Mas a ILM mostrou que, com sua tecnologia e um orçamento razoável, os efeitos especiais tinham se transformado na pedra filosofal do cinema moderno. Agora, aquilo que só poderia existir na imaginação dos diretores, tornaria-se real e crível. Foi o novo boom do cinema, nenhum orçamento era grande demais para incluir-se FX da ILM, e o público respondia lindamente, com excelentes resultados de bilheteria.

Assim Star Wars surgiu no cenário mundial. Uma explosão com reação em cadeia. Mudou o cinema e mudou o público. Trouxe novos investidores e gerou toda uma nova linha de profissionais. Abriu novos horizontes com a venda de produtos, impulsionou o desenvolvimento do homevideo e de novas tecnologias cinematográficas.

A nova geração sabe o que significa Star Wars?

Eu quero um par de óculos desses....!!!
Hoje em dia, a garotada que vai ao cinema ver a estreia de Star Wars I - A Ameaça Fantasma em 3D, pensa que finalmente vai ver um destes filmes no cinema. É muito mais do que isso. Não sabem, mas estão prestigiando a um marco simbólico da arte. O Episódio I só foi possível graças à visão e ousadia de George Lucas, à fé de homens como Alan Ladd Jr, da Fox, e ao público de 1977 (dentre eles, este que aqui vos escreve). Público este que foi ao cinema desprovido de preconceitos, entendeu e acolheu tão bem esta obra de expressão artística.

Amigos exploradores, já temos publicado aqui alguns artigos sobre esta saga maravilhosa, e este é o primeiro de uma série de novos artigos que estarei levando a vocês pelas próximas semanas e meses. É um tributo a este universo, impalpável, mas profundamente real que existe dentro de nossas mentes e nossos corações. Um grande abraço a todos, parabéns a George Lucas, à Fox, e a todos nós neste nosso trigésimo quinto aniversário.

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Até a próxima...