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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Splinter of the Mind's Eye

SÉRIE: LITERATURA

por Babi-Wan

A maioria dos fãs de Star Wars conhece a trilogia Thrawn de Timothy Zahn (também conhecida como The Thrawn Omnibus) como sendo as primeiras novels pós trilogia original de Star Wars já publicadas. Mas elas não foram as primeiras novels tie-in. Splinter of the Mind's Eye, de Alan Dean Foster, foi publicado, antes mesmo do Império Contra-Ataca ter sido filmado. Diferentemente da trilogia Thrawn, que relata os fatos em 9 ABY, cinco anos depois de O Retorno do Jedi, a história de Splinter está situada entre o Episódio IV: Uma Nova Esperança e o Episódio V: O Império Contra-Ataca, por volta de 2 ABY. Devido a isso, Splinter of the Mind's Eye é essencialmente a primeira novel do universo expandido.

Tudo se passa entre os episódios IV e V

Trilogia Thrawn, escrita de 1991 a 1993
A história vincula-se a Luke e Leia que estão viajando para Circarpous IV para uma reunião subterrânea rebelde na tentativa de trazer os circarpousianos para a Aliança Rebelde. A nave de Leia tem problemas e eles são forçados a pousar no planeta pantanoso Mimban. Disfarçados de mineiros, eles tentam encontrar um caminho para sair de lá. Em um bar encontram Halla, uma senhora de idade, sensível à Força, que lhes mostra uma lasca de uma pedra brilhante, o cristal Kaiburr. Alegando que o cristal completo poderá ampliar o poder dos portadores da Força, Halla promete ajudar Luke e Leia a sair do planeta caso eles a ajudem a encontrá-lo.

Luke e Leia são capturados pelos imperiais que também estão buscando o cristal Kaiburr. No entanto, se os imperiais encontrarem o cristal primeiro, Darth Vader se tornará muito poderoso para a Aliança Rebelde derrotar. Por isso, Luke precisa encontrar e derrotar Vader, a fim de evitar que o cristal caia em mãos erradas. Sem demora, Halla aparece na janela da cela deles e, uma vez que se dizia mestre da Força, ajuda não só Luke e Leia a escapar, mas também dois yuzzem – que ajudaram matando alguns imperiais enquanto Luke e Leia faziam o caminho de saída.

Também produzida em HQ - 4 volumes de 1995 a 1996 - Dark Horse
Assim, os cinco fazem seu caminho para onde Halla acredita estar o cristal Kaiburr, no templo Pomojema. A partir daqui meia dúzia de coisas acontecem. Dentre elas as mais interessantes são o duelo entre Luke e Vader – isso mesmo, eles travaram um embate antes de O Império Contra-Ataca – e Leia – um ponto maravilhoso sobre ela – que um pouco antes do duelo entre Luke e Vader, quando Luke está preso sob uma coluna, ela decide pegar o lightsaber dele e duelar com Vader por si própria. Óbvio que ela perde horrivelmente, mas ainda sim é sua primeira luta com lightsaber e, até onde lembro, a última por pelo menos quinze ou vinte anos.

Star Wars com o talento de Alan Dean Foster

Alan Dean Foster
Splinter of the Mind's Eye tem uma história interessante: ele foi escrito antes de Star Wars tornar-se muito popular, e sua história poderia ter virado a base para uma sequência, com baixo orçamento, do filme Uma Nova Esperança. A novel foi escrita com o cinema em mente, uma vez que é retratada em um planeta coberto por nevoeiro (para reduzir o custo do cenário) e não possui o personagem Han Solo, já que Harrison Ford ainda não tinha assinado para o próximo filme de Star Wars. Alan Dean Foster foi descreditado por George Lucas de ser co-autor da novelização de Uma Nova Esperança (1976), voltando ao universo expandido vinte e quatro anos depois em The Approaching Storm (2002), uma prequel novel que fornece contexto para a situação política do Episódio II: Ataque dos Clones.

Luke e Leia sozinhos numa aventura
Também existem determinadas inconsistências na história. Nessa época, 1978, C-3PO menciona que Darth Vader sabe “todos os códigos e comandos apropriados” para desligá-lo. No entanto, esta citação só teve uma explicação conveniente no Episódio I: A Ameaça Fantasma (de 1999), onde é revelado que o próprio Vader havia construído C-3PO quando ainda era o jovem Anakin Skywalker. E ainda, o maior problema: o duelo entre Luke e Vader. Apesar de não ter nenhum treinamento formal, a não ser a breve introdução sobre a Força com Obi-Wan, Luke enfrenta Vader com facilidade. Durante esse duelo, ele obtém alguns de seus poderes canalizando o espírito de Obi-Wan. Em contraponto, mesmo tendo iniciado seu treinamento com Yoda no sistema Dagobah, quando Luke encara Vader em O Império Contra-Ataca, ele, claramente, ainda não está preparado e perde sua mão por conta disso. Para explicar essa incoerência, Abel G. Peña - autor que tem escrito artigos de referência a Star Wars para diversos websites - propôs a teoria de que o Darth Vader que Luke enfrentou em Splinter foi apenas uma projeção da Força, e não um adversário de carne e osso. Através dessa teoria explica-se também o fato do lightsaber de Vader ser descrito da cor azul. Um vez que o Lord seria apenas um "holograma".

O prelúdio das inconsistências?

Acredito que as justificativas para as incoerências entre a novel e o resto do universo são um ótimo entretenimento para os fãs, talvez sejam elas que tornem-a tão interessante e valiosa. Mas temos que lembrar que as inconsistências de Splinter of the Mind's Eye não retratam o Star Wars que conhecemos, mas sim o Star Wars que poderia ter sido. Contemple o valor histórico e as possibilidades que ela oferece, aprecie com moderação.

MTFBWY

Splinter of the Mind's Eye: 1978, EUA
Autor: Alan Dean Foster
Editora: Ballantine Books

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Star Wars - jubileu de coral (parte III)

SÉRIE: AS GRANDES SAGAS

por Fargon Jinn

Quando Star Wars foi idealizado, tinha-se em mente algo puramente recreativo. George Lucas pensava mais em termos televisivos do que propriamente cinematográficos. Sua intenção era exibir algo que fizesse as pessoas rirem e vibrarem com histórias infantis, sem cunhos mais sérios, mas dentro das salas de cinema. Este era um ambiente familiar para ele, e era para aquele público que ele escrevia um argumento gigantesco.

Abertura de Buck Rogers - inspiração e homenagem
Dentro da perspectiva de se recriar seriados para o cinema, suas propostas de roteiros eram relativamente curtas e só faziam sentido dentro de um contexto de dez a vinte episódios de longametragens de setenta a oitenta minutos.

O germinar de um novo universo

As idéias eram mirabolantes demais para a época
Mas quanto mais Lucas falava sobre suas ideias a produtores e cineastas, mais desacreditado ficava. Ninguém parecia entender suas intenções e seu sentimentalismo anacrônico. Isto, por fim, começou a influenciar o próprio autor que, apaixonado por seu épico, resolve tentar adaptá-lo às exigências de produção da época.

Assim Star Wars começa a ser delineado como uma trilogia. O argumento de vinte episódios que descreveria os possíveis pais da personagem central, Darth Vader, até o legado deixado para seus netos, foi centralizado em sua vida. Ficando com nove episódios.

Durante um longo período George Lucas afinou esta proposta, contou com a ajuda de muitos amigos do período de faculdade e Joseph Campbell, mitologista que lhe ajudou a encontrar a verdadeira alma de seus personagens.

O universo desponta

Mas roteiro mesmo até então não existia. Eram páginas e páginas de anotações com ideias para as personagens e suas jornadas heroicas. O primeiro roteiro afinal veio após uma conversa com Alan Ladd Jr, diretor da Fox, durante uma viagem em que eles se encontram e Lucas fala de suas ideias. Já com algumas recusas acumuladas foi surpreendido pelo entusiasmo de Alan, que aparentemente havia entendido seus conceitos.

George rapidamente apresentou um roteiro empolgante e ousado, que exigiria um grande investimento financeiro. A Fox interessou-se mas exigiu inúmeras modificações e redução de custo.

Cena inspirada em Dersu Uzala (1975) de Akira Kurosawa
Inicialmente deveríamos ter num formato de seriado de cinema. Um episódio que mostraria a vida de um jovem fazendeiro ansioso por aventuras. Este acaba juntando-se à resistência contra o Império que subjugou seu planeta, outrora independente. E obtém, ao final, uma importante vitória contra os opressores.

Em toda a sua trajetória um mentor o guiaria. Toda uma filosofia teria que ser aprendida e esta lhe daria o poder necessário para superar suas deficiências e sobrepujar o inimigo. Por fim descobriria que seu pai era um importante general do Império, e que este também era seguidor dos mesmos ensinamentos, mas com uma visão corrompida.

E... floresce!

Nas histórias posteriores, se viessem a existir, deveriam mostrar a redenção de seu pai e a destruição do Império.

Neste trajeto o mentor iria acompanhar o jovem herói em sua jornada até o momento de seu sucesso final, com a queda do Império. Alguns amigos de batalhas seriam perdidos, entre eles aquele que se tornou Hans Solo. A princesa Leia não existiria como sua irmã, mas como a donzela a ser salva do pai maligno. Os robôs foram incluídos para suavizar a narrativa e atrair o público infantil, inspirados no filme Corrida Silenciosa (1972), e sua participação reprisaria a dos narradores do filme The Hidden Fortress (1958), de Akira Kurosawa, de quem Lucas, como grande admirador, ainda emprestaria mais, pelo menos, uma dúzia de elementos.

Plageia...

The Hidden Fortress - inspiração para o episódio V
Isto não minimiza o valor de Star Wars, visto que o próprio Akira produzia seus filmes a partir de obras de autores estadunidenses. O mundo do cinema é um tremendo rouba-copia que nunca acaba. Yojimbo (Akira Kurosawa - 1961) foi a versão do japonês para o livro de Dashiell Hammett (Colheita Vermelha – 1928), cujo personagem é um detetive sem nome. Sergio Leone, diretor italiano de filmes faroestes, colocou em seu filme, “Por Um Punhado de Dólares” (1964), Clint Eastwood no papel do “Homem Sem Nome” (chamado Joe), baseando-se em Yojimbo. Já o filme “Sete Homens e Um Destino” (1960) de John Sturges, é a versão americana de “Os Sete Samurais” (1954) de Kurosawa. Clint Eastwood foi a inspiração para Boba Fett, em Império Contra-Ataca, na versão espacial do “Homem Sem Nome”. “Vida de Inseto” (Pixar – 1998) é uma versão animada de “Os Sete Samurais”.

Para falarmos da coleção de influências, inspirações e plágios utilizados em Star Wars, precisamos de outro artigo. Ou outros artigos, já que as ramificações vão longe.

Frutifica e amadurece

Ben Yoda ou Yoda Kenobi? Até Lucas os confunde...
Mas voltando ao tema, Yoda é forçado a surgir posteriormente para sanar a falta de Obi-Wan, que Lucas, num arrojo de dramaticidade, resolve matar prematuramente.

A Estrela da Morte, baseada no planeta Mongo, de Ming o Impiedoso, imperador maligno e arquiinimigo de Flash Gordon, só deveria surgir no terceiro filme. Que iria se chamar A Vingança do Jedi, e não O Retorno... Como poderia não haver terceiro filme, Lucas usou a ideia no episódio IV, e teve que criar uma estação de terror maior do que a primeira, para o episódio VI.
Príncipe Thun dos Homens-Leões é base para Chewbacca

Hans Solo e sua Millennium Falcon, bem como Chewbacca (inspirado no Príncipe Thun, o homem-leão de Flash Gordon) acabaram sobrevivendo em resposta à extrema popularidade que alcançaram. Quase que Boba Fett também escapa da morte, na segunda versão de O Retorno do Jedi, por causa da alta popularidade do bountyhunter, e da morte hilária que sofre. Felizmente George Lucas não cometeu esse sacrilégio.

E assim são trinta e cinco anos

Amigos exploradores, os assuntos de Star Wars não se esgotam aqui. Como uma de nossas queridas grandes sagas, estamos sempre revisitando o tema, e ideias não faltam. Se quiserem sugerir sintam-se à vontade. Teremos prazer em atender. Até breve.

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Star Wars - jubileu de coral (parte II)

FAZENDO A HISTÓRIA

por Fargon Jinn

George Lucas criou Star Wars como um revival dos antigos seriados de cinema. Já dissemos no artigo anterior. Mas como foi isso em detalhes, é o que trazemos aqui.

Grande fã dos antigos filmes e diretores, Lucas sempre buscou inspiração na história do cinema. “Uma ideia que já foi feita, pode ser reciclada, filtrada e dissecada. A partir da essência obtida podemos gerar novas propostas.” Dizia um de seus professores, na Universidade Sulista da Califórnia.

Star Wars é resultado de um estudo mitológico

Biggs Darklighter e Luke Skywalker
Durante um ano ele preparou um argumento para um seriado de cinema. Seria uma space opera, que contaria uma saga heróica, um épico. Os seus personagens variavam em número, motivações, trajetórias, arquétipos, etc, a cada nova versão que escrevia. Mas, mesmo com muitas variantes, não chegava a satisfazer-se com nada.

Um dia leu uns trabalhos de um estudioso, Joseph Campbell, um mitologista. George Lucas procurou Campbell, levando suas anotações, argumentos e construção de personagens, buscando uma orientação de arquétipos e figuras mitológicas que pudesse acrescentar em seus personagens e sua narrativa.

O roteiro se estrutura

Livro de 1949
Campbell, entusiasmando-se com o que viu, começou a fazer sugestões e correções a este jovem roteirista, que tudo anotava, acresentando linhas de trajetórias, e reescrevendo rapidamente seu argumento.

Ambos trabalharam animadamente por vários meses até que, satisfeito, George Lucas resolve levar o seu semipronto roteiro para alguns estúdios. Em vários nem foi recebido, em outros ganhou um sonoro não. Decepcionado, por um lado, e estranhamente satisfeito por outro, resolveu que ia mudar a sua proposta. Não queria mais um seriado. Mas ia construir um enredo a partir de um de seus capítulos.

Escolheu o que viria a ser o número quatro. Achava que seria interessante levar um filme ao cinema que apresentava-se, sem mais nenhum esclarecimento, como o quarto de uma série. Queria ver o que as plateias diriam, se procurariam pelos anteriores, ou se aceitariam sem questionar.

Roteiro pronto, preciso de dinheiro

Nesta fase Luke Starkiller ainda seria uma garota
Procurou então a Universal e a Paramount, onde também foi recusado. Desta vez, contudo, houveram discussões, olharam com uma análise mais acurada e até quiseram que ele revisse vários aspectos. Percebendo, então, que estava no caminho certo, levou seu roteiro a Alan Ladd Jr. que, após uma conversa breve, sentiu que ali poderia haver algo promissor.

Ambos apresentaram a proposta aos diretores da Fox. Alan acreditava que Star Wars pudesse ser um sucesso semelhante ao Planeta dos Macacos (1968), orçando a execução em US$15 milhões. O Estúdio, no entanto, não queria arriscar mais do que US$10 milhões. Lucas então reprogramou todo o seu orçamento e apresentou uma nova proposta de US$9,9 milhões. Juntamente, propôs uma minuta de contrato, dizendo que o merchandising, participação na bilheteria, a marca e o direito às continuações, ficariam para ele em troca do cachê de diretor, escritor e roteirista. A Fox deu sinal verde, e a produção teve início.

A infraestrutura de um sucesso

Joe Johnston inspirou-se num hamburger mordido e uma
azeitona recheada ao lado para fazer a Millennium Falcon
Durante o período de um ano, George Lucas escreveu e reescreveu seu roteiro, seus personagens evoluíram e amadureceram. Artistas foram chamados para apresentar desenhos de produção de cenários e personagens. Ralph McQuarrie e Joe Johnston foram escolhidos para dar vida a este novo universo, com suas visões arrojadas e não convencionais.

Vista Cruiser, um dos primeiros controladores de movimento de câmera
Outros também foram chamados, em sua maioria estudantes, que ofereceram uma saída mais viável para a movimentação de câmera. Em contrapartida ao padrão normal, onde a maquete era movida em frente da câmera, neste, computadores seriam utilizados para controlar a movimentação de câmera durante as tomadas de ação. Algo que no fim seria revolucionário para o processo. Mas isto viria a ter um preço para Lucas. Os constantes defeitos que o novo sistema sofria, iriam provocar a interferência do Estúdio que insistiria para que fosse adotado o sistema convencional.

George Lucas fincou pé em todas as suas exigências e levou o trabalho adiante. Estas e outras questões quase levaram o filme a ser cancelado em vários momentos. De um lado os executivos da Fox tinham seus interesses, seus amigos e suas liberações de verba. Do outro estava Alan Ladd Jr. que, isolado, apoiava um jovem diretor que queria fazer um filme autoral dentro de um estúdio pertencente à "indústria do cinema". Este, também, viria a pagar por sua insolência.

Compartilhando a inspiração

Dogfights inspirados em cenas do filme Labaredas do Inferno (1966)
Por fim, equipe montada, Lucas reuniu todos e mostrou tudo aquilo que o tinha inspirado para Star Wars. Queria que os responsáveis pelos trabalhos futuros vissem aquilo que ele tinha em mente. Foram inúmeras mostras, desde Akira Kurosawa com seus Sete Samurais (1954), A Fortaleza Oculta (1958) e Yojimbo (1961), Beowulf, as lendas do Rei Arthur, a série Flash Gordon (1930), “O Herói de Mil Faces” de Joseph Campbell, Labaredas do Inferno (1966), Duna de Frank Herbert, O Mágico de Oz (1939), 2001: Uma Odisséia no Espaço (1969) e Metropolis (1927), entre muitas outras referências.

Com teimosia e tudo, George Lucas teve que, ainda assim, fazer inúmeras concessões aos executivos da Fox. A mais famosa foi a retirada do “Capítulo 4” da abertura, inspirada nos letreiros de Flash Gordon e Buck Rogers. Esta, posteriomente foi recolocada. Méritos do sucesso. Ao verem os resultados na bilheteria a Fox imediatamente fechou contrato de distribuição das sequencias, permitindo qualquer alteração no filme já realizado.

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Continua na parte III, quando mostramos alguns dos muitos problemas de produção e mudanças do roteiro com mais detalhes.




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Kinect Star Wars: novo jogo é testado pelo Relatório da Situação

SÉRIE: GAMES

por Fabok

Qualquer fã da saga de George Lucas sempre sonhou em ser um Cavaleiro Jedi. Vários jogos colocaram o gamer nesta posição (não deixe de conferir nossos artigos sobre os jogos de Star Wars), mas desde que a Microsoft lançou o inovador Kinect, dispositivo capaz de capturar os movimentos de uma pessoa e eliminar completamente a necessidade de joysticks, era apenas uma questão de tempo que um jogo fosse lançado para esta plataforma.

Externe o seu Jedi interior

Defenda-se de Droids
A primeira dica para você explorador é arrastar os móveis da sua sala ou quarto, pois para ser um Jedi, é necessário muito espaço para a "Força fluir com seus movimentos"... Na verdade Kinect Star Wars é uma coleção de vários games. O principal deles é a campanha "Destiny Jedi: Dark Force Rising", onde após receber um treinamento básico sobre o uso do sabre de luz e da força, o jogador é enviado ao planeta Kashyyk. Lá você encontra Yoda, mas seu treinamento é interrompido quando o planeta é invadido. Através do movimento do seu corpo, as ações de seu personagem são controladas: braço esquerdo controla os poderes da força, o direito seu sabre de luz, as pernas para chutar e inclinando seu corpo você se desloca em várias direções. Demora um pouco para se acostumar, mas ao se dominar os movimentos a diversão é garantida.

Duele contra Vader
O outro game é chamado de Duels, onde você tem a chance de enfrentar vários adversários em duelos como, Conde Dooku e Darth Varder. A medida que você detona seus adversários, novos personagens são liberados. Este modo é bem difícil, e fui detonado logo de cara pelo meu primeiro adversário.

Dance como Leia ou uma escrava
Visando não só os fãs, Kinect Star Wars ainda oferece mais três games: "Podracing", onde o jogador pilotará os famosos pods vistos em A Ameaça Fantasma. Em "Rancor Rampage", você assume a pele da gigantesca besta vista em O Retorno de Jedi, sua missão é simples: destruir e esmagar tudo que você encontrar pelo caminho. O último game é "Galactic Dance Off", na verdade um jogo de dança. Situado em vários cenários, entre eles a Fortaleza de Jabba, é uma competição entre você e vários personagens da saga, como a Princesa Leia e stormtroopers. Os fãs mais radicais uivaram de raiva ao vê-los dançar como loucos... É estranho, mas minha irmã adorou.

Diversão para a família toda

Kinect Star Wars é um jogo para toda a família. Apresentado pelos simpáticos R2D2 e C3PO, é um experiência inteiramente nova e divertidíssima. Só uma dica: o gamer acaba por se empolgar e fazer movimentos muito bruscos. Para o Kinect capturar com precisão, contudo, seus movimentos precisam ser fluidos, lembrando muito o estilo do Conde Dooku em o Ataque dos Clones. Ah, depois de horas de jogo, prepare-se para as dores nos braços e nas pernas. Definitivamente "Kinect Star Wars é forte com a Força"!

Até a próxima!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Star Wars - Jubileu de Coral (parte I)

FAZENDO A HISTÓRIA

por Fargon Jinn

Em 25 de maio de 1977, George Lucas estreava, em salas de cinema dos Estados Unidos, o terceiro filme de sua carreira, Star Wars. Uma obra completamente autoral, com orçamento mediano e dentro de um gênero infame, a ficção científica. Os filmes pertencentes a esta classificação, com poucas exceções, eram considerados filmes 'B', ou de baixo orçamento.

Nem Lucas imaginava a onda de sucesso que este primeiro filme iria inaugurar.

De Lumierè e Méliès

Até então, a FC no cinema tinha obtido seu relativo sucesso. Os irmãos Lumière quando começaram a divulgar o cinematógrafo, em 1895, utilizaram cenas do cotidiano que seriam interessantes, chocantes ou hilárias. Mas eram apenas momentos, não contavam histórias. Foi Méliès quem percebeu o seu potencial ao levar histórias completas para a telona, e lançou o primeiro filme de ficção científica do cinema mudo, Da Terra à Lua, em 1902, da obra de Jules Verne. Desde então este gênero arrebatou a imaginação de jovens e adultos por décadas.

Na década de 50, com o medo da guerra fria, o cinema foi buscar na pulp fiction, inspiração para produzir obras que fossem de encontro com o momento e os anseios do publico.

Ficção científica foi trash durante vinte anos

Rebelião dos Planetas - 1958
Substituindo os filmes de terror da década de 40, o cinema produziu inúmeras obras que exigiam o desenvolvimento de tecnologias e narrativas próprias, e sempre a baixos custos. Enquanto o grande público valorizava, com mais força, comédias, musicais, dramas e épicos, os filmes de FC, abriram espaço para os seriados de fantasia, como Flash Gordon e Buck Rogers. A cada semana, o mercado infanto-juvenil era saudado com um novo episódio de aventura espacial ou combates alienígenas.

Obraprima de Kubrick - 1969
Na década seguinte, com a conquista do espaço tornado-se uma realidade, surgiram filmes com propostas mais sérias, orçamentos melhores e um público mais diversificado. Tivemos, neste período, Planeta dos Macacos (1968) e 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1969).

Nos anos 70, este gênero, embora querido do público, desvalorizou-se, culpa de produções de baixíssimo orçamento e pessimamente conduzidas. Ficção científica havia se tornado o velório de atores e diretores que ainda tentavam se manter sob os holofotes da fama.

O momento da virada e seu visionário

Uma proposta para reviver os seriados de outra geração
Neste cenário, George Lucas surge com a idéia marota de retomar o mote dos antigos seriados de cinema. Desta vez, contudo, teríamos uma produção de longa metragem. Seriam mostrados novos elementos dramáticos, precisariam ser desenvolvidas novas tecnologias de efeitos especiais. Teríamos, assim, um drama épico de fantasia e ficção científica. Algo que poderia atrair aos cinemas toda gama de público, desde aqueles que buscavam as superproduções do passado, até aos que assistiam a todo tipo de filme de baixa categoria, desde crianças até os mais velhos amantes da sétima arte.

A Fox queria uma bilheteria mediana e pouco investimento
A Fox, relutantemente ofertou um orçamento de dez milhões de dólares, muito inferior aos filmes de grande interesse de público da época. Mas foram os únicos que quiseram arriscar. O Estúdio, há muito, vinha procurando algo que se assemelhasse ao retorno financeiro de Planeta dos Macacos.

O pulo do gato

George Lucas durante as filmagens de Star Wars
Lucas de forma visionária, declinou de seu cachê como diretor, escritor e roteirista, ficando com a renda futura das vendas de merchandising e participação de bilheteria. O pulo do gato.

Buscando reduzir ainda mais os custos de produção, para encaixar em seu orçamento, tão apertado. George Lucas começa a percorrer as universidades atrás de estudantes e outras pessoas que pudessem contribuir com soluções às suas necessidades de efeitos especias inovadores e realistas.

A jogada de mestre: nasce a ILM

A coisa funcionou tão bem, que, às pressas, ele cria uma nova empresa, a ILM (Industrial Light and Magic), sendo esta a responsável pela geração de todos os efeitos visuais e sonoros que viriam a ser apresentados em seu filme. Até então, FX era produzido por freelancers, não existia um mercado capacitado para manter em tempo integral profissionais com estas especializações. Geralmente os diretores, como mágicos ilusionistas, vinham com suas próprias soluções para os efeitos, ou contratava-se um consultor ou especialistas para cenas de explosões, tiroteios, lutas corporais, etc.

Espetacular cena de Mestre dos Mares - 2003
Com a estreia de Star Wars, o cinema mudou radicalmente. Em geral era muito difícil produzir efeitos convincentes. Os diretores preferiam deixar algo subentendido do que passar o vexame de ter cenas ridículas e por vezes hilárias em suas obras.

Surge um novo paradigma

Um livro para contar esta história de magia e sucesso
Mas a ILM mostrou que, com sua tecnologia e um orçamento razoável, os efeitos especiais tinham se transformado na pedra filosofal do cinema moderno. Agora, aquilo que só poderia existir na imaginação dos diretores, tornaria-se real e crível. Foi o novo boom do cinema, nenhum orçamento era grande demais para incluir-se FX da ILM, e o público respondia lindamente, com excelentes resultados de bilheteria.

Assim Star Wars surgiu no cenário mundial. Uma explosão com reação em cadeia. Mudou o cinema e mudou o público. Trouxe novos investidores e gerou toda uma nova linha de profissionais. Abriu novos horizontes com a venda de produtos, impulsionou o desenvolvimento do homevideo e de novas tecnologias cinematográficas.

A nova geração sabe o que significa Star Wars?

Eu quero um par de óculos desses....!!!
Hoje em dia, a garotada que vai ao cinema ver a estreia de Star Wars I - A Ameaça Fantasma em 3D, pensa que finalmente vai ver um destes filmes no cinema. É muito mais do que isso. Não sabem, mas estão prestigiando a um marco simbólico da arte. O Episódio I só foi possível graças à visão e ousadia de George Lucas, à fé de homens como Alan Ladd Jr, da Fox, e ao público de 1977 (dentre eles, este que aqui vos escreve). Público este que foi ao cinema desprovido de preconceitos, entendeu e acolheu tão bem esta obra de expressão artística.

Amigos exploradores, já temos publicado aqui alguns artigos sobre esta saga maravilhosa, e este é o primeiro de uma série de novos artigos que estarei levando a vocês pelas próximas semanas e meses. É um tributo a este universo, impalpável, mas profundamente real que existe dentro de nossas mentes e nossos corações. Um grande abraço a todos, parabéns a George Lucas, à Fox, e a todos nós neste nosso trigésimo quinto aniversário.

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Até a próxima...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Coisas de interesse nerd

SÉRIE: CRÔNICAS NERDS


por Fargon Jinn

Pois é amigos exploradores, sendo este um site de nerds, feito por nerds e para nerds, resolvi que estava na hora de tomar coragem e escrever sobre coisas que tem a ver conosco, diretamente. Ou seja, aquilo que fazemos, por que fazemos e como fazemos.

Nerdisses em tempos recentes deixou de ser um `palavrão` e tornou-se, em muitos casos, elogios. Por exemplo, quando se trata de sala de aula - Pô! O cara é nerd, então é inteligente...! - ou - Quero me sentar atrás daquele nerdinho, assim ele pode me passar cola (e se for no Ceará, a gíria é `pesca`)! - ou - Vamos por aquele nerd no nosso grupo, para fazer o trabalho que o professor de matemática passou? - mas outro acrescenta - Tarde demais, o grupo 3 já chamou ele!

Se for no trabalho... - Chefe, estou precisando implementar esse banco de dados, mas vai precisar de horas de compilação e precisa alguém para ficar pageando (se for no Ceará, é `pastorando`) o computador! - e o chefe responde - Ah! Então passa pro Duda que ele é nerd e se dá bem com banco de dados! - ou - A Karina é espertinha, mal viu um nerd dando sopa e já agarrou o miserável. O nerd de hoje é o empresário de amanhã, ela está investindo pro futuro!

Não que nós estejamos livres de sofrer e viramos heróis da sociedade. Ainda somos alvo fácil de bullings; somos os últimos a perder a virgindade, no colégio; teremos sempre dificuldade de estabelecer conversas sobre amenidades; continuaremos sendo os retardados sociais por toda a adolescência e o começo da fase adulta. Alguns nunca deixarão de ser.

E por falar em amenidades: Uma amiga me perguntou, como é que nerd diz não gostar de falar de coisas como novelas, reportagens policiais, esportes, moda, etc, por que são assuntos `menores`? Mas perdem horas debatendo furiosamente se o Dr. Fantástico conseguiria superar o Homem-aranha...! Tive que dizer a ela, que este não é um assunto menor. Ela ficou indignada. E comparou a importância disto à notícia de um sequestro.

O que ela não entende, é que debater se a atuação da PM está correta ou não, são assuntos para serem discutidos dentro círculos de especialistas em segurança, e não por um bando de curiosos que só tem acesso àquilo que a imprensa filtrou e deformou, passando um conteúdo tendencioso para fomentar o `debate social`, enquanto eles vendem o horário para o fabricante do sabão em pó ou de eletrodoméstico.

Quando discutimos sobre HQ, games, livros, cinema ou TV, estamos falando de arte. Produção cultural é a própria essência da civilização humana. A nossa sociedade só atingiu o nosso patamar de desenvolvimento, por que geramos e transmitimos conhecimento e informações de geração para geração... Mas, estranhamente ;) ela não conseguiu absorver estas noções...

Mudando ligeiramente o enfoque. Um vídeo começou a circular, por esses dias, no Youtube, muito interessante e engraçado, sobre coisas realmente relevantes. Ele mostra como seria o filme Titanic se tivesse sido feito por um trabalho conjunto de George Lucas, J.J. Abrams e Michael Bay. Deem uma olhada, vale à pena.

Titanic Super 3D

Gostaram? Mas acho que colocar os stormtroopers não seria a melhor contribuição de George Lucas, deveriam ter colocado anões, isso sim seria a coisa mais coerente. Afinal, desde Star Wars, tudo o que o titio fez entram anões... R2-D2, jawa, ewoks, Willow...

Agora me digam, se isso não é um belo exemplo de um assunto nerd... LOL!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Os jogos de Star Wars - parte III


SÉRIE: GAMES


por Fabok

Finalizando nossa série de artigos sobre os jogos, trazemos aqui os jogos mais recentes e extremamente bem desenvolvidos por game developers parceiras da Lucas Arts.


Knights of the Old Republic


Em 2003 em uma parceria com a Bioware, é lançado Knights of the Old Republic, um RPG que é considerado por muitos o melhor jogo de Star Wars. Situado quatro mil anos antes do Episódio I, quando Darth Malak lança um devastador ataque Sith contra a República. O ataque deixa os Jedi enfraquecidos e desorganizados e muitos decidem se juntar aos Sith. O seu personagem acorda à bordo de um cruzador da República sem memória e sob ataque das forças de Malak. À medida que o jogo avança você vai conhecendo novos personagens e descobrindo sua real identidade, enquanto luta contra as forças de Malak. A grande sacada aqui é a liberdade criativa que os desenvolvedores tiveram pois KOTOR(1) não tem nenhuma ligação direta com os filmes. Você, explorador, verá muitas semelhanças entre este game e Mass Effect, como a customização dos personagens e o destino do jogo decido de acordo com suas decisões e, ainda de quebra, conhecerá os primórdios do universo de Star Wars.

A sua sequência de 2006 foi feita pela desenvolvedora Obisidian, já que a Bioware estava ocupada desenvolvendo seus próprios universos de RPG(2) (Mass Effect e Dragon Age). Agora, após cinco anos da estória da primeira parte, os Jedi foram quase que exterminados pelos Sith. Você é um Jedi que foi expulso da Ordem, mas que, mesmo assim, parte para combater os Sith. O jogo não é tão bom quanto o primeiro, mais ainda sim oferece uma trama envolvente. Do jogo anterior o que volta é apenas a nave do herói, a Ebon Hawk.


The Old Republic


A Bioware novamente uniu forças com a Lucas Arts e lançou o MMO(3) The Old Republic numa parceria de custo estimado em quase 200 milhões de dólares. Logo após seu lançamento em dezembro passado, o jogo já tinha a invejável marca de 1 milhão de assinantes. Passado 300 anos após a série KOTOR, quando os Jedi são responsabilizados pela vitória dos Sith durante A Grande Guerra Galáctica de 28 anos de duração. Enfraquecidos eles abandonam Coruscant e voltam para o planeta Tython, onde a Ordem havia sido originalmente fundada em busca de um entendimento melhor da Força.

Ainda não tive oportunidade de jogá-lo. Realmente não sou muito fã dos MMO pois demandam muita dedicação, além do custo da assinatura mensal. Entretanto The Old Republic vem recebendo ótimas críticas tanto de jogadores, quanto da mídia especializada pela sua estória e qualidades técnicas.


Lego Star Wars


Não poderia deixar de citar, também, a divertidíssima série Lego Star Wars, em que eventos marcantes da saga são vividos pela ótica dos brinquedos de montar da Lego.

Quem já brincou com Lego tem aí um revival de suas horas de lazer e quebra-cabeça, enquanto quem nunca teve contato com o brinquedo explora esta opção de um jogo com um enredo e montagens engraçadas.

São várias versões e expansões para esta modalidade, podendo inclusive ver os seis filmes em formato Lego, enquanto joga interativamente. Encanta crianças e adultos.


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Bom, exploradores, espero que vocês tenham gostado destes artigos. Mande seu comentário com sua opinião ou contando sua experiência como jogador. Até a próxima!

Notas do Editor:
(1) sigla: Knights Of The Old Republic
(2) sigla: Rolling Playing Game
(3) sigla:
Massive Multiplayer Online