segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Star Wars

por Fagon Jinn
8º da série FC vs Ciência

C-57D - O Planeta Proibido (1956)
Até 1968 não existia uma definição propriamente. Se víamos Flash Gordon em seu foguete no espaço, ele tinha algum tipo de efeito sonoro. A C-57D de Forbidden Planet (1956) nos dava o som de meia dúzia de violinos, flautas e um sintetizador destemperado. Era quase uma música, tinha mesmo um toque melodioso. Mas o fato é que isso eram apenas sons incidentais para preencher o momento e dar um toque de sofisticação futurística.

Stanley Kubrick mudou isso tudo. Um foguete, um transporte lunar, ou uma estação espacial não produziam sons de forma alguma. A cena era preenchida por sinfonias e valsas românticas. Ele optou por adotar uma abordagem científica e não fantasiosa.

Tubarão (1975) - blockbuster
Mas isso teve um preço. O gênero ficção científica perdeu força. Foi taxado de tedioso e elitista. Os custos de produção de 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) também ajudaram a enterrar a FC sob uma tonelada de investidores zelosos de seus patrimônios e mais propensos a investir em comédias e os recém inventados blockbusters.

Keir Dullea como Dave Bowman
Kubrick tinha criado uma obra de arte a ser descoberta. O filme quase levou a MGM à banca rota. E por pouco não foi cancelado durante a pós-produção. Aos poucos 2001 tornou-se um cult. Isso significa que o grande público não conseguiu digerir os quarenta e tantos minutos ouvindo o som da respiração de Keir Dullea (astronauta Dave Bowman).

E então o mundo nos deu...: George Lucas.

Cena de combate espacial - Star Wars
Em ‘77 Star Wars estreia nos cinemas nos trazendo emocionantes cenas de combates espaciais. Cruzadores estelares, transporte de tropas, cargueiros e caças de combate cruzavam as telas com os ruídos de seus motores fazendo as cadeiras vibrarem, nos cinemas com melhor qualidade sonora. Os tiros disparados por canhões lasers tinham cor, luz e som. Os seus alvos explodiam e lançavam ruídos, destroços e chamas em todas as direções enquanto eram atravessados pelos pilotos, ases indomáveis, que surgiam do outro lado do fogo, gritando e acenando para o seu colega no caça ao lado.

Salve George Lucas.

Dogfight á là top gun
Claro que tudo o que estamos vendo não seria realizável nem dentro da atmosfera de qualquer planeta. Estas lutas, ao estilo Top Gun (1986), não existe nem mesmo em combates aéreos... Quanto mais num ‘pega’ espacial.

Num combate aéreo real, o piloto que persegue a cauda de um inimigo tem muito cuidado ao disparar, já que qualquer destroço do avião à frente pode causar a queda do seu. Um piloto de combate dispara e sai imediatamente da traseira do outro. Atravessar chamas de um avião destruído... nem pensar nego.

O senso de realidade é suplantado
Mas o nosso amigo, Mr. Lucas, nos fez acreditar que isso era possível. Sobrecarregando nossos órgãos sensoriais com tanta luz e som, tanta ação ocorrendo, tanta adrenalina envolvida que não nos damos ao luxo de tentar imaginar se algo do que estamos vendo é realizável. Isso de certa forma foi uma bênção. A diversão estava de volta e a ficção científica voltou a ter lugar nas produções de grandes investimentos.

Dá-lhe MithBusters
Isso, contudo, para o grande público, foi uma escola de física podre. A morte da mecânica newtoniana. A mutilação da relatividade de Eistein. A geração de um filho bastardo para a física quântica. Então tem muita gente boa, por aí, que acredita que, no espaço, uma nave pode navegar tão fácil e ágil quanto um avião de acrobacias aéreas. Que, se você quiser dar uma acelerada e um cavalo de pau em pleno cinturão de asteróides, poderá quebrar mais um recorde de travessia Terra-Marte.

Modelo de transferência orbital
De fato, naves espaciais navegam dentro de regras muito pouco flexíveis. Em verdade, qualquer foguete ou sonda espacial age e se desloca como se fosse um asteróide que pudesse acelerar ou frear. Estes aparelhos percorrem órbitas em torno de outros corpos cósmicos. Pode ser um satélite, um planeta ou o próprio Sol. Suas mudanças de velocidades bem calculadas possibilita que saltem de uma órbita para outra. Um foguete que sai da Terra em direção à Lua, está percorrendo órbitas elípticas em torno do nosso planeta, ou da Lua. Ou seja, um combate espacial seria algo muito chato. Você atira enquanto sua órbita está cruzando ou tangenciando a órbita da nave inimiga. A próxima salva de tiro só ocorrerá na medida que outra aproximação de órbitas ocorrer.

Outra possibilidade seria a constante alteração de órbitas, o que, para tal, seria necessário um enorme tanque de combustível. Imaginem que essa tanajura espacial, repleta de ‘nitroglicerina’, seria um belo alvo para qualquer atacante.

Para piorar: tudo, cada tiro, cada nave passante, alvos atingidos e explosões, seria de um silêncio sepulcral. Vejam a cena: um ônibus espacial silenciosamente passa, enquanto suas portas do vão central se abrem, sem fazer um ruído. Armas aparecem suavemente, sem barulhos. Mísseis disparam em direção ao inimigo, nenhum som. Luzes aparecem a uma distância absurda, você sequer imaginou que haveria outra nave naquele local. Isso indica que o alvo foi atingido. Não há chamas ou bolas de fogo. Tudo foi um flash muito breve e insignificante. Após algumas horas deveremos ver algum destroço flutuando. Essa é a descrição do que seria um combate em pleno espaço.

Lembrem-se: sem atmosfera, o som não se propaga e as chamas não existem sem o oxigênio.

Santificado seja o Vosso Nome
Hosana nas alturas São George Lucas. Dane-se a física e viva a diversão.

Outro ponto a ser mencionado é que naves espaciais viajam a velocidades de vinte a trinta mil quilômetros por hora nas proximidades do nosso mundo. Se alguma nave pudesse fazer qualquer tipo de pirueta a essa velocidade, e continuar inteira, teríamos que remover o piloto das paredes de sua cabine com uma espátula. A inércia, a estas velocidades, simplesmente esmagaria o pobre diabo.

No próximo artigo falaremos sobre o tradutor universal e suas ramificações...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

De volta para o futuro (parte III)

por Fagon Jinn
7º da série FC vs Ciência

Como última parte da discussão sobre viagens no tempo, vamos passear entre as várias formas de como foi explorada nas obras dramáticas. Cinema, TV, livros, quadrinhos, e outras mais, é um tema recorrente, e uma ferramenta interessante para lidarmos com o amor, a tragédia ou mesmo a comédia, vide De Volta Para o Futuro (1985). Obviamente não podemos colocar tudo, ou teríamos que ter uma quarta parte para este tema. Mas tentamos apontar aqui os mais interessantes para o nosso debate. Aproveitem.


Na fantasia



Muitas ideias surgiram a respeito de viagens temporais na literatura, na TV e no cinema. Algumas muito interessantes. A maioria, no entanto, carece de um mínimo de lógica. Poucas são as histórias em que a viagem temporal é crível. 

Bill Murray - O Dia da Marmota (Feitiço do Tempo)
Já vimos muito o chamado “Efeito Dia da Marmota”, no qual um looping temporal prende o universo num período específico, e alguém que deve aprender uma lição retém a memória dos repetidos ciclos, até que ele descubra um meio de romper o loop e liberar o fluxo normal do tempo. Se isso acontece não temos como dizer, já que não retemos a memória dos ciclos decorridos, nossa mente é 'ressetada' a cada retorno. A idéia, originalmente, vem de um roteiro de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, mas ficou popularizada no filme O Dia da Marmota (1993), e daí para uma infinidade de outros filmes e séries de TV.


Temos também o efeito “pedra no lago denso”. Nesta, explorada em Timecop (1994), uma alteração ocorrida no passado, tende a ir perdendo sua força no decorrer dos anos. Se uma alteração fosse feita com tempo suficiente para seu efeito desaparecer, não haveriam mudanças no presente. Mas se a alteração ocorresse a poucos anos atrás e fosse importante o suficiente para durar, o nosso presente sentiria a sua mudança, conforme a propagação da onda nos atingisse.

O contrário foi mostrado em O Som do Trovão (2005), em que uma mariposa esmagada no período jurássico produziu mudanças violentas e crescentes em todo o rumo da história, destruindo o presente como conhecemos, substituindo-o por outro mais selvagem e sem civilização.

Christopher Reeve - Em Algum Lugar do Passado
Em Efeito Borboleta (2004) e Em Algum Lugar do Passado (1980), vemos um tipo diferente de viagem no tempo. O processo é mais filosófico e metafísico. Prega-se que o tempo só existe em nossa consciência, e se acreditamos ou temos o poder de mudar nossa estrutura mental então mudamos a posição de nosso marcador temporal, mudamos de realidade e poderíamos alterar esse período.

HQ - Buck Rogers
Em muitas histórias (Rip Van Winkle, Buck Rogers, Capitão George Taylor), temos o protagonista que adormece no presente e acorda séculos depois. Este tipo de história tenta nos mostrar como pessoas de nosso período podem fazer a diferença ao aplicar nossa moral e rusticidade para solucionar problemas no futuro, onde o homem perdeu sua objetividade, ou sua tenacidade, e mostrar que o pragmatismo pode ser superior à indiferença que poderá tomar conta da civilização.

Em Jornada nas Estrelas, utilizam-se viagens muito acima da velocidade da luz (dobra temporal), parodiando a Teoria da Relatividade, na qual um objeto que viajasse em velocidade superior à da luz, poderia experimentar o tempo ao inverso. Para voltar ao futuro, no entanto, utilizar-se-ia o mesmo processo ou, como em certos episódios, um buraco de verme natural ou artificial (as famosas 'anomalias espaciais' de Jornada).

David Tennant - um dos Doctor Who
Doctor Who, em sua cabine telefônica policial dimensional, tem acesso à matriz multifásica que rege todas as dimensões, as infinitas realidades paralelas e o multiverso.

Marty McFly viaja para o passado ou futuro na criação de Emmett Brown, um inventor pouco convencional que constrói sua máquina do tempo num DeLorean. Nestas histórias eles aparentemente estão numa única linha temporal, mas se analisarmos cuidadosamente conseguimos identificar que, de fato, a cada mudança no passado eles trocam de linha temporal. Se a linha temporal fosse sempre a mesma, Marty teria que lembrar-se dos novos eventos, assim que ele tivesse mudado o passado. Mas o que vemos é que ele não sabe que seu pai tornou-se um escritor de sucesso, que sua família vive bem e que ele possui uma SUV na garagem. Isto significa que ele entrou numa nova linha temporal, da qual ele não fazia parte, por isso não tem a memória da situação corrente.

Se quisermos ver um filme que trabalha com a questão temporal com seriedade, este tem que ser o remake de A Máquina do Tempo (2002), e observar a conversa entre Guy Pearce e Jeremy Irons. Ali vemos uma análise sobre o paradoxo da motivação que é perfeita. E é perfeita, também, a solução encontrada pelo herói.

Primer de Shane Carruth
Num outro exemplo interessante de viagem temporal, temos o filme alternativo Primer (2004), Shane Carruth nos apresenta um ponto de vista, no mínimo, inovador sobre a questão dos duplos. Mas para entender o filme é preciso, ao final, dar uma lida na Wikipedia e ver todas as informações que ficaram ocultas.

Mas o que mais brinca com a nossa imaginação é, sem dúvida, O Exterminador do Futuro, suas quatro edições e série de TV (Terminator: The Sarah Connor Chronicles), aonde vemos um conjunto complicado de paradoxos reunidos para nos confundir e divertir.

Como seria um EUA-Nazi?
A aplicação mais interessante, em tudo isso, fica para o subgênero de ficção científica conhecido como ‘história alternativa’. Neste tipo de narrativa partimos de uma ocorrência no passado que poderia ter sido diferente, e então cria-se todo um contexto de ocorrências que molda um presente alternativo. O que aconteceria se, por exemplo, o governo dos Estados Unidos não tivesse apoio popular para entrar na guerra contra a Alemanha nazista? Em que situação o nosso mundo poderia estar agora?

E isso aí, exploradores, aqui concluímos as questões relativas ao tempo. Isso não é o fim da discussão, é apenas mais uma pimentinha para temperar nossas discussões. O que peço é que cada um dê sua contribuição a este assunto tão amplo e complexo. Obrigado pela atenção e paciência.
Clique para ampliar

No próximo artigo de nossa série 'FC vs Ciência' vamos falar de combates no espaço...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

The Fantastic Zone


Outra vez com mais notícias inéditas em Fantastic Zone!

Planeta dos Macacos 2 vem chegando...

Sthephen King irá para o cinema mais uma vez?

Querem mais? Olhem nosso 'The Fantastic Zone'!

Comentem!

Para ver acesse a aba 'The Fantastic Zone' na parte superior do site.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Séries que ninguém vê

por Fabok

Muitas vezes deixamos de assistir algo simplesmente porque num primeiro momento “não vamos com a cara” de determinado seriado. O engraçado é que quando resolvemos dar uma chance, você acaba se perguntando: “Poxa, porque eu não comecei a assistir isto antes?”

Hoje falaremos de duas séries que passaram quase despercebidas pelo line-up das TVs a cabo, por aqui: Chuck e Star Wars – The Clone Wars.


- Chuck


Sarah e Chuck
Chuck (Zachary Levy) é um típico nerd. Leva uma vida pacata trabalhando em uma grande loja de eletrônicos chamada Buy More, uma divertida paródia da 'Meca' das lojas de eletrônicos nos EUA, a Best Buy. Um dia ele recebe um e-mail de um antigo colega de faculdade, Brice Larkin. Ao abrí-lo, sua mente é carregada através de um método subliminar com todo o banco de dados da CIA, que utiliza um algoritmo chamado Intersect.

Elenco da série
Chuck descobre que na verdade Larkin é um agente da agência. Ele roubou o Intersect e destruiu todo o material relativo a ele. O Intersect faz com que ele involuntariamente receba flashes de informação deste banco de dados que são ativados por faces, vozes, objetos e palavras chaves. Recrutado compulsoriamente pela CIA e NSA, como o único Intersect vivo, Chuck se vê obrigado a levar uma vida dupla, escondendo de sua irmã Ellie, a gatíssima atriz Sarah Lancaster (Everwood), e seu desajeitado amigo Morgan a verdade, enquanto é mantido sobre constante vigilância pela sensual agente Walker, interpretada pela não menos gata Yvonne Strahovski e o durão Coronel Casey (Adam Baldwin, o Jayne de Firefly).

Estereótipo 'nerd' em toda parte
Misturando espionagem, comédia e drama a série é uma excelente e despretensiosa pedida para relaxar após um dia de trabalho. As citações ao mundo nerd são uma marca registrada e o elenco é afinado, você percebe que eles estão realmente se divertindo com os personagens. Não se deixe enganar pelo visual meio anos 80 do seriado que tem a produção assinado por McG (diretor de As Panteras e Terminator Salvation), as cenas de ação são bem acima da média para uma produção de TV.

Gigantes: Chevy Chase e Scott Bakula
Chuck também conta com um elenco de apoio muito bom e participações pra lá de especiais como Scott Bakula (Enterprise), Kristin Kreuk (Smallville), Brando Routh (Superman Returns), Linda Hamilton (Terminator 1 e 2), Timothy Dalton (007), Carrie-Anne Moss (Matrix) entre outros e já está na sua quinta e última temporada nos EUA. Vale a Conferida!

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro






- Star Wars - The Clone Wars


Muitos criticaram e ainda criticam The Clone Wars, que começou em 2008. Alguns dizem que ela é muito infantil, outros que seria apenas mais um veículo para George Lucas faturar ainda mais com a venda de brinquedos e jogos. Os críticos estariam certos? Bom, sim e... não.

Personagens animados
Situada entre os episódios 2 e 3 da saga, o público alvo de The Clone Wars, que já está em sua quarta temporada, é claramente o jovem, mas isso não é necessariamente ruim. Assim como em “As Aventuras do Jovem Indiana Jones”, há uma preocupação de se inserir conceitos como amizade e honra nas estórias, sem ser didática demais, o que é coisa rara nas produções do gênero. Tá certo que Jar Jar Binks está de volta e temos Anakin treinando a jovem Padawan Ahsoka, numa tentativa nada sutil de conquistar as crianças, mas nada que vá desvirtuar o universo como pregam os fãs mais radicais. Quanto ao merchandising, a minha pergunta é: e daí? Os bonecos de ação de Star Wars revolucionaram a indústria de brinquedos nos anos 70 e continuam muita acima da média em qualidade. George Lucas tem todo o direito de lucrar com eles e confesso que se pudesse teria muito mais deles aqui em casa.


Para o público mais velho, como eu, a série é uma oportunidade a mais de visitarmos velhos e novos locais vistos ou citados durante os filmes e conhecermos mais profundamente vários personagens. Além disso, a produção se não tem a qualidade visual dos filmes da Pixar, barra todas as que foram produzidas em CGI que temos atualmente na TV. Enquanto os personagens têm um visual mais cartunesco, as naves, paisagens e veículos de combate são de tirar o fôlego. Sem contar os incríveis efeitos sonoros e um trabalho de dublagem primoroso, mesmo sem os atores originais.

Agora esqueça a transmissão horrorosa do Cartoon Network. The Clone Wars foi idealizada para ser assistida em alta definição. A edição em Bluray da série pode ser facilmente usada para impressionar seus amigos em qualquer demonstração do seu home theater. Isso não quer dizer que faço isso aqui... Ah! Mentira... Claro que faço!

Mesmo se passando numa época que não é a minha favorita da franquia (sinceramente gostaria de ver alguma coisa após os eventos de O Retorno de Jedi), The Clone Wars, ainda que tenha alguns problemas de roteiro e escorregadas no canon, é diversão de qualidade.

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro





Que a Força esteja com você!

E até mais exploradores!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A máquina do tempo (parte II)

por Fagon Jinn
6º da série FC vs Ciência

Paradoxo visual (clique para ampliar)
Nesta segunda parte do assunto viagem no tempo, estamos trazendo alguns dos principais paradoxos e algumas das fantasias mais famosas abordadas pelo cinema, e que possam contribuir com algum tipo de enfoque que aqui discutimos. Claro que não estão sendo cobertos todos os aspectos, mas apenas aqueles que consideramos mais influentes e mais polêmicos. Deixamos para a participação dos exploradores as contribuições que acharem pertinentes, ou as lacunas que não preenchemos. Aproveitem.

Paradoxos


Variação do paradoxo da mentira
Paradoxo é uma sequência de raciocínios que acabam em si mesmos, formando um círculo de ações e, por fim, quando esta cadeia lógica fecha-se sobre si mesma, chegando ao início do círculo, gera uma ação que anula a ação que deu início a todo o processo. Citamos, por exemplo, aquele que afirma que tudo o que diz é uma mentira. Sendo assim, não podemos acreditar que esta frase seja verdadeira, algumas vezes ele deve falar a verdade e, então, ele está mentindo, mas se até neste momento ele está mentindo, quando é que ele diz a verdade?

Paradoxo do avô - clique para ampliar
O paradoxo temporal mais famoso é sobre o indivíduo que viaja para o passado e assassina o seu próprio avô, antes que este tenha tido filhos. Neste caso forma-se um paradoxo. Sem avô, sem pai o indivíduo não poderá nascer no futuro e, portanto, ele não nascendo não pode viajar ao passado e matar seu avô. Como é que o avô acaba assassinado?

Outro paradoxo famoso é o do irmão gêmeo ou Langevin. Muita discussão existe sobre este paradoxo, mas acredita-se que se um irmão viajar através do espaço, em velocidades próximas à da luz, enquanto o seu gêmeo permanece na Terra, ao final da viagem, aquele que esteve na nave espacial está mais jovem do que o que permaneceu na Terra. No meu entender, isto não é um paradoxo, já que não há cancelamento da idéia que inicia a sequência de raciocínio. O paradoxo aqui está mais relacionado com os referenciais adotados, visto que para aquele que olha a nave a partir da Terra vê o irmão se distanciar. Já o que está à bordo da nave vê a Terra se distanciar, então os pontos de análise são muito semelhantes se mudarmos nossa perspectiva. Por que apenas o que viajou envelheceu mais devagar? A resposta a isso foi dada por Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade. Tratamos brevemente sobre isso no texto sobre viagens interplanetárias.

Paradoxo da motivação - clique para ampliar
Paradoxo da motivação. Este é o mais interessante para mim. Se um acontecimento nos motiva a retornar ao passado para alterar seu desfecho no futuro, temos algo parecido com o paradoxo do avô. Tornamo-nos vítimas de nossa motivação. Uma vez sanado o fato futuro que nos motivou a corrigir o passado, como é que seremos motivados a retornar ao passado. Sem nossa influência no passado, a correção não ocorre e o fato negativo volta a acontecer no futuro.

Paradoxo dos duplos. Uma especulação com muita fantasia. Se voltamos a um tempo passado, podemos nos encontrar com ‘um outro eu’? E se o encontro ocorrer, qual a consequência? O fim do universo? A anulação mútua? Uma casualidade insolúvel? Ninguém sabe. Quanto à questão da constante universal de matéria e energia, nem vamos discutir já que isso não é, também um consenso.

Cena de 'O Homem do Futuro' (2011)
Paradoxo da interferência. Esta é outra visão paradoxal que surgiu a partir da fantasia. Os autores desejosos de criar uma narrativa interessante e divertida a suas novelas e filmes com permutações temporais criaram uma solução aos paradoxos anteriores. Ou seja, alguém que sai de sua linha temporal pode interferir em qualquer outra cadeia de eventos que fica imune aos seus efeitos. Assim, se decido retornar ao passado e exterminar meu avô, eu continuo vivo. Contudo, e aí surge o fator interessante, se eu resolvo retornar ao passado e alterar o meu futuro para que eu venha a tornar-me milionário, sendo esta a minha motivação e conseguindo meu intento, o meu duplo que é original nesta realidade não será motivado a retornar ao passado e tentar ficar rico. Obviamente, o meu duplo é o ser existente nesta linha de tempo, e eu um intruso, um impostor, um sósia. Para que eu usufrua desta riqueza, terei que assassinar meu duplo e ficar com sua fortuna.

Existem, obviamente, várias noções de paradoxos que tratam da mesma temática, mas, em geral, acabam sendo variações das que aqui colocamos. Abrimos, contudo, espaço para discutirmos todos os aspectos que desejarem. Contribuam para enriquecermos estes tópicos tão interessantes.
- Apareceu do nada!!!

Na terceira e última parte deste tópico, falaremos de como a fantasia trabalhou estes aspectos até então aqui discutidos, mencionando as principais obras realizadas. Até...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O túnel do tempo (parte I)

por Fagon Jinn
5º da série FC vs Ciência

Obra de H G Wells
H. G. Wells inovou quando elaborou a sua novela de ficção científica (mais para fantasia científica), A Máquina do Tempo (1895). Ali estava descrito pela primeira vez que o tempo poderia ser modificado por uma máquina. Até então, o homem só viajara através das eras por magia ou por dormir e acordar no futuro. Wells popularizou um tipo de cultura que faria escola. A viagem no tempo passou a ser vista como uma possibilidade real, e muita gente séria começou a se dedicar ao assunto.

Modelo do filme de 2002 (The Time Machine)
Esta é a primeira de três partes, nas quais trazemos para vocês exploradores, mais uma noção de separação entre o que é ciência verdadeira e o que é apenas imaginação dentro da absurda quantidade de histórias, boas e ruins, que permeiam o cinema, a literatura, os quadrinhos, etc. Queremos assim dar mais uma contribuição aos leitores e expectadores destas obras sobre o que podemos inferir sobre ciência, filosofia e licença poética. Queremos abrir estas discussões como um fórum, todos estão convidados a dar sua opinião e oferecer suas contribuições. Comentem.

Filosofia


Física e filosofia
Muitos metafísicos e filósofos extrapolam nas questões sobre o entendimento que temos do tempo. Alguns propõem que o tempo já exista em toda sua extensão, como uma reta que percorre do infinito passado ao futuro imensurável. Nós, nestas condições, apenas percorremos com nossas consciências instante a instante no intervalo que nos é devido. Sendo assim, para algumas das proposições não deve existir livre arbítrio, todos os nossos atos e pensamentos já existem, e não temos como modificar a cadeia de eventos. Seguimos aos acontecimentos como meros expectadores de um filme em que nossa imersão é completa.

Exemplo do filme Contra o Tempo (2011)
Outros sugerem que as nossas ações não estão congeladas, mas são probabilidades, e que podem ocorrer ou não de acordo com nossas atitudes e decisões no presente. Para alguns, estas novas ações coexistem com as probabilidades preexistentes, formando caminhos alternativos. Imaginem uma reta, nossa linha de tempo. Desta reta principal derivam outras retas que são as nossas mudanças de atitude. Dessas novas derivações outras surgem, e assim por diante. Nestas teorias, o tempo seria uma infinidade de retas, interligadas por decisões que tomamos a cada instante. Mas o que varia é que percorremos estes caminhos com nossas consciências. As retas (os caminhos do tempo) estão lá desde sempre, mas vamos mudando de linha temporal a cada mudança de decisão. Assim como vamos escolhendo nosso caminho através de um labirinto, podemos supor aonde vai dar, mas nunca temos certeza.

Denzel Washington em Déjà Vu (2006)
Para muitos a formação do tempo ocorre à medida que vai sendo percorrido. Neste cenário não poderíamos viajar no tempo. Se tentarmos voltar atrás, não existe espaço para nós, o tempo já passou e tudo ficou endurecido, a matéria, a energia, tudo. Não poderíamos estar naquele lugar. Não existiria espaço físico para nós. Assim só teríamos condição de ver fotos do passado, imagens através de um aparelho qualquer. E o futuro ainda não foi formado, então não podemos nos deslocar para frente, já que ele não existe.

O que a física propõe?


Série de 2010
Também é um emaranhado de suposições. Alguns dizem que poderíamos viajar no tempo através de buracos de minhoca. Alguns dizem que é uma questão de podermos viajar a velocidades relativísticas e então iríamos para o futuro. Outros estudam o tempo através da Mecânica Quântica. De fato, nada é teórico ou hipotético. Tudo não passa de suposição, especulação.

Proposta da máquina de Mallet
O que há de mais próximo de um equipamento que foge ao convencional da física foi desenvolvido por Ronald L. Mallet em 2006. Ele afirma ter criado um método de curvar o tempo e o espaço, no que poderia ser chamado de “O Verdadeiro Túnel do Tempo”. Esta máquina utilizará um feixe circular de laser, a luz que entrar por este equipamento percorrerá uma espiral que, matematicamente, altera os campos gravitacionais forte e fraco, produzindo um arrasto no fluxo temporal. Se a prática corresponder à teoria, poderemos descobrir se esta mudança do contínuo espaço-tempo dará a resposta definitiva sobre o que o tempo realmente é.

A ciência, a metafísica, a filosofia e a matemática são ferramentas usadas por pensadores sérios, imbuídos de tentar encontrar uma idéia sólida neste conjunto de sonhos e fantasias.

Na segunda parte deste assunto, falamos dos paradoxos relacionados às viagens temporais. Até lá...