segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que são as novidades em ciência?

por Fagon Jinn
1º da série FC vs Ciência

Recentemente temos visto inúmeras informações que tem alterado a forma como vemos o universo.

Stephen Hawking explicou teorias em Uma Breve História do Tempo, depois explica teorias que parecem contradizer as anteriores em Uma Brevíssima História do Tempo e Uma Nova História do Tempo.

Trajeto do neutrino no HLC - CERN
Einstein desenvolveu a Teoria Geral da Relatividade e Heisenberg, Planck e Schrödinger, entre outros ilustres desenvolveram a Mecânica Quântica.

Viagem no tempo, teletransporte de matéria, inteligência artificial, fusão nuclear, antimatéria, transhumanismo, nanotecnologia, teoria do caos, clonagem. Entre tantos termos e teorias, muita gente acaba por desistir de tentar entender ou de prestar atenção.

Tudo o que vemos e sentimos, não é exatamente como parecem. A ciência atual tenta desmistificar isso. Se estamos num trem e soltamos um objeto, e ele cai em linha reta, não é exatamente o que está acontecendo. Isso depende do local em que está o observador. Mas até aí podemos entender facilmente. Os problemas começam quando a ciência nos diz que a luz se comporta ao mesmo tempo como energia e matéria. Ou que a cada decisão que tomamos geramos uma realidade alternativa, em que a escolha feita foi diferente. Ou quando nos falam do paradoxo dos gêmeos ou no paradoxo do avô, se referindo a viagens a velocidades próximas à da luz ou viagem no tempo.

O que disso é real, e o que é fantasia? É muito confuso para a maioria da humanidade. O raciocínio não é intuitivo, e o que é intuitivo não é reconhecido à luz das novas descobertas.

Pretendo, aqui, fazer pequenos artigos falando a respeito de cada uma das noções mais loucas que a ciência nos apresenta a cada dia, onde tentarei dar um pouco de orientação a essa balbúrdia que o cinema, a literatura ou os meios noticiosos nos apresentam de forma pouco esclarecedora. De fato, muita gente que escreve sobre estes temas pouco sabem, realmente, do que estão falando. E tentam tirar uma conclusão, quase sempre falsa, de toda esta sopa de ciência temperada com fantasia e ficção.

Antes de tudo, é preciso explicar no que fantasia difere de ficção. A ficção é uma história criada a partir de conceitos concretos e aceitos. Por exemplo, quando falamos de uma história em que o homem vai à Lua em naves espaciais, temos um exemplo de uma ficção. Mas se dissermos que ele utiliza um portal para chegar à Lua, não estamos utilizando um conceito real, mas sim um fantástico. De fantástico extraímos fantasia, e temos aí a explicação deste termo.

Clonando a Vendramini
Experiências com clonagem é ficção, mas falar em fazer uma cópia de um ser humano adulto que retenha as mesmas memórias, se pareça exatamente como o original, com rugas idênticas, fale com o mesmo sotaque, ou tenha os mesmos cacuetes, isso é fantasia.

Outro ponto que devemos deixar claro é que não existem certezas científicas. Há alguns anos atrás, café era uma bebida sem contraindicações, hoje existem inúmeros questionamentos sobre esse hábito alimentar. A teoria do Big Bang não é um fato científico, mas é a linha de pensamento mais aceita, no momento. Nada impede que alguém obtenha dados que venham questionar completamente o suposto início do universo.

Ciência Versus Fé
Diferente da fé, a ciência se baseia em postulações, experimentação e múltiplas possibilidades até que uma delas se apresente como a mais viável, mas nada é absoluto, tudo pode ser modificado desde que se apresentem novas pesquisas que lancem dúvidas nas teorias mais conceituadas. Na ciência tudo funciona como um sistema de crédito financeiro. O cliente é um bom pagador, até que ele comece a atrasar seus pagamentos, e então ele começa a ser pontuado negativamente até que perca sua credibilidade, ou a restitua caso retorne ao padrão anterior. Na fé aceitamos como verdade incontestável aquilo que não pode ser testado ou verificado. Deus existe? Você aceita isto como um fato ou não. Para ambas as respostas não existem comprovação, é uma questão de escolher. É como ‘torcer’ para um time de futebol. Por que este ao invés daquele? É uma decisão intima, não existem bases factuais.

Então amigos exploradores, vou pedir que me acompanhem pelas próximas semanas nesta série de artigos que estaremos publicando aqui, com o intuito de abrirmos uma discussão sobre o que é ciência, e quais são de fato os avanços e descobertas científicas que podemos aceitar com mais ou menos reverência. E tentar desvendar afinal o que são todas estas noções tão mal divulgadas sobre a física atual.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os Bonitões

por Phoenix

Já lemos artigos falando de bond girls, de mulheres sexies, já tivemos, inclusive, uma chamada de Áudio-Fanzine feita por uma 'gostosa'. Agora é a vez da ‘mulherada’ contra-atacar e exibir a vasta lista de ‘gatões sarados’, ‘coroas’ charmosos, homens viris, rostos e corpos delirantes de nosso cinema.

Antonio Banderas
Podemos abrir nossos trabalhos convidando a apresentar-se o símbolo da virilidade latina, nosso querido Antonio Banderas, que mesmo fazendo papel de malvado, bandido, canalha, como o Miguel Bain, de Assassinos (1995), arranca suspiros da platéia feminina e, porque não dizer, de parte da platéia masculina também.

Sean Connery
Sean Connery não é um homem que eu chamaria de lindo, mas é tão charmoso, tão elegante, que acaba por se tornar um homem bonito. É o conjunto da obra.

George Cloney
Mas continuando na ala dos 'coroas' bonitões, George Cloney é um exemplo de charme, elegância e beleza. Vestido à rigor então... aí é que 'derrete' a mulherada. Aqueles cabelos grisalhos... ai, ai...

Por acaso eu já falei em Antônio Banderas?

Taylor Lautner
Voltando a mim! Sigo a citar nossos graciosos meninos, agora com um pouco menos de idade, mas ainda assim com muito sex appeal: Taylor Lautner, com uma beleza ímpar, após filmar Crepúsculo (2008), trabalhou pesado para obter massa muscular para atuar em Lua Nova (2009), ganhou quinze quilos de 'gostosura' e deixou as meninas de queixo caído.

Robert Pattinson
Outro bonitão da saga Crepúsculo, Robert Pattinson, foi um vampiro brilhante, no sentido amplo da palavra, já que seu personagem brilha quando exposto ao Sol. Além de lindo, tem o brilho do diamante. Uma jóia perfeita para uma mulher conquistar.

Antonio Banderas
Por falar em vampiro, quem não quis levar uma mordidinha de Armand (Antônio Banderas) em Entrevista com o Vampiro (1994), onde pudemos encontrar também, Brad Pitt e Tom Cruise, outros belos 'colírios'.

Richard Gere
Richard Gere. Aai... este dispensa palavras. Julia Roberts que me perdoe mas, mesmo com toda beleza dela, o filme Uma Linda Mulher (1990) deveria chamar-se Um Lindo Homem.

Johnny Depp
Johnny Depp. Eu acho este ator tão bom, tão versátil, que sua beleza, notória, não chega a transcender seu profissionalismo. A beleza está lá, nítida, mas o espetáculo que se vê quando ele atua suprime qualquer distração.

Antonio Banderas
Quando nossos belos atores nos premiam com cenas picantes ficamos ainda mais alucinadas. A cena de um ator em Nunca Fale Com Estranhos (1995), não sei se vocês conhecem, um tal de Antônio Banderas, onde ele leva Rebecca De Morney (Sarah Taylor) para fora desta galáxia, executando um serviço de primeira, espremendo-a nas grades, é de faltar o ar.

Mickey Rourke
Sem ar e com as pernas bambas nos deixam as cenas de 9 ½ Semanas de Amor, com o delicioso (na época) Mickey Rourke.

Tantos outros poderiam ser citados aqui como símbolo de beleza, como, sei lá... qualquer um... Antônio Banderas, por exemplo, pois nosso cinema está repleto deles. Mas, como não é só de beleza que vive o cinema, os atores belos que se firmam neste mercado certamente têm muito talento para mostrar. Nós costumamos dizer que, se determinado filme é estrelado por fulano, “Ah, então o filme é bom”. Este crédito é dado por conta da competência do ator, coisa que beleza nenhuma consegue fazer. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jornada nas Estrelas - as séries modernas (parte II)

por Fabok

Ainda com a Nova Geração em seu sexto ano, estreava nos EUA, Deep Space 9. Era a primeira série da franquia que fora criada sem qualquer envolvimento de Roddenberry, falecido em 1991. As expectativas eram altas, afinal a proposta de DS9 era diferente. Na Série Clássica e na Nova Geração, a Enterprise ia à busca de aventuras, agora as aventuras iriam até a longínqua estação espacial DS9.
 

O piloto (The Emissary) teve boa audiência e repercussão, mas os episódios seguintes não conseguiram empolgar o público. Apesar de um pano de fundo interessante, uma analogia que ia do fascismo nazista da Segunda Guerra ao conflito político-religioso do oriente médio, a trama de DS9 era muito solta, e sem foco.

Pra piorar, mais ou menos na mesma época também estreava, nos EUA, Babylon 5 e as incômodas semelhanças entre as duas séries levantaram a polêmica de que DS9 era apenas uma cópia. Polêmica que o criador de Babylon 5, inteligentemente sempre usou em seu favor, instigando calorosas discussões na então nascente internet.

Cópia ou não, a partir de seu terceiro ano a série ganha uma mitologia própria com a entrada do Dominion. Além disso, com a introdução da nave Defiant, a série ganhava mais mobilidade. Mesmo assim, a audiência continuava a cair. Enquanto Babylon 5 ganhava cada vez mais fãs e respeito da crítica, DS9 patinava a ponto de perder a liderança de audiência no Syndication para as séries Hércules e Xena.

Michael Dorn como Worf
Em seu quarto ano, a pressão era tamanha que os produtores recrutaram o ator Michael Dorn e trouxeram o personagem Worf para ser parte da tripulação da estação. Sua entrada realmente deu nova vida à série, como visto já em seu episódio de estréia The Way of the Warrior. Os produtores ousaram mostrar que a Federação não era aquela utopia de um mundo perfeito mostrada na Série Clássica ou em A Nova Geração.

O problema é que os produtores não conseguiam manter o nível dos episódios. Prá cada bom episódio, lá vinham vários muito ruins. Só pra citar, alguém aqui gostava dos episódios envolvendo a família ou as falcatruas de Quark? Ou os eternos episódios em flashback envolvendo Kira e Dukat? E O’Brien? Os produtores gostavam de fazer o personagem sofrer. Ele foi torturado, passou "vinte anos" numa prisão, onde a pena era cumprida em sua mente numa questão de semanas, foi clonado contra a vontade para virar um assassino, viajou no tempo e morreu sendo substituído por uma versão sua do futuro, perdeu a filha e depois a recuperou numa (ai meu Deus!) anomalia e por aí vai.

Cena de batalha em DS9
DS9 brilhava quando trabalhava com arcos de episódios. Os episódios da guerra civil em Bajor que abriram a segunda temporada foram muito bons. Havia também tramas que duravam várias temporadas como os episódios do universo espelho e os da guerra contra o Dominion. Pra quem gosta de batalhas espaciais, ali vimos as melhores de todas as encarnações de Jornada, centenas, às vezes milhares de naves em batalhas ferozes que não fazem feio, mesmo hoje em dia.

DS9 foi uma série superior à Nova Geração em vários aspectos. Talvez se as temporadas fossem menores, não os mais de vinte episódios que tínhamos por ano, a série teria um retrospecto melhor. É considerada por muitos como a ovelha negra de Star Trek, por sua visão mais dark e às vezes cínica do universo de Gene Roddenberry. E você explorador, o que acha? Até mais!

Mais a frente discutiremos Voyager e Enterprise...

Até!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Realidades virtuais

por Fagon Jinn

Nas séries de ficção científica da televisão, nos filmes dos cinemas, na literatura ou nos quadrinhos temos um tema recorrente: a realidade virtual.

Mas o que se entende por realidade virtual e como é seu modus operandi?

Realidade virtual é a reconstrução ou criação de um ambiente num simulacro. O ambiente pode ser aberto, quando o usuário pode tomar qualquer decisão em relação a esse meio, ou pode ser restrito, o mais comum, onde o usuário tem ações e liberdades contidas por uma série de limitações e regras. Nestes simulacros, exige-se comprometimento do usuário às condições e limitações do sistema utilizado para que a sensação de realidade possa ser proveitosa.

Em alguns casos temos geração de ambientes simplistas, com imagens construídas apenas vetorialmente, noutros existem 'renderizações' sofisticadas e detalhamento de som, luz e perspectivas.

Em geral, os sistemas de realidades virtuais mais sofisticados se utilizam de computadores e capacetes especiais, nos quais contamos com um tipo especial de óculos com pequenas telas de OLED (Organic Light-emitting Diode - diodo orgânico emissor de luz), fones de ouvidos de alta performance, microfone, e nos mais atuais, pode se ter plataformas, com ou sem cadeiras, que vibram e movimentam-se para acrescer sensação de deslocamento, mais luvas e outros equipamentos que visam provocar no usuário a impressão de resistência, textura de superfícies, calor, etc.

Embora ainda não exista comercialmente, os laboratórios de pesquisas já contam com equipamentos que podem lhe imergir absolutamente no simulacro. Exoesqueletos com sensores, reatores e servomotores podem produzir a perfeita ambientação posicional e reagir às suas ações. Os sistemas óticos e auditivos chegam à perfeição, permitindo ver e ouvir de uma forma mais intensa que a realidade.

Os programas tem evoluído na mesma proporção, e hoje sistemas de inteligência virtual são imprescindíveis para reagir com rapidez e flexibilidade às ações do usuário, permitindo respostas mais rápidas e compreendendo as requisições escritas ou verbais com entendimento contextual.

Mas nem tudo o que vemos no cinema ou TV podem ser considerados como ficção científica hard. Hoje em dia, provavelmente dentro da chamada licença poética, vemos muita fantasia científica, no que tange à realidade virtual. Matrix, Stargate SG-1, Deep Space 9, entre muitas outras séries e filmes que tratam deste tema, cometem erros seríssimos em relação ao 'como funciona' quando temos uma mente conectada a um sistema de realidade virtual.

Imagine que você está jogando um videogame, e está operando as funções dentro do jogo por um joystick. O usuário, nesta condição, opera os controles deste jogo, utilizando as mãos, e estas, por sua, vez são comandadas pelo cérebro.

Capacete do piloto do F-35
Suponha agora que o jogo evoluiu, e neste contexto temos um controle mais sofisticado, assim como os modernos caças norte-americanos que possuem controles baseados em posicionamento da cabeça e dos olhos, chegando inclusive a possuir alguns comandos que podem ser acessados pelo pensamento. Como funciona isso, ainda é segredo militar, mas sabe-se que os capacetes possuem sensores semelhantes aos de um aparelho de eletroencefalografia, fazendo uma constante leitura das ondas cerebrais. Com algum treinamento o piloto pode acionar alguns armamentos e realizar algumas outras funções, de forma mais rápida.

Digamos agora que o jogador realizou uma cirurgia que instalou alguns conectores ao cérebro, e permite que o cérebro receba os estímulos diretamente em seus centros ótico, auditivo, táctil, olfativo, palatal e de equilíbrio. A nossa tecnologia atual, ainda, não permite isso, mas não falta muito. Num caso assim, o usuário se conectaria ao programa diretamente, sem passar por músculos, terminações nervosas, sensoriais, etc. Isso permite que seja encurtado o caminho, acelerado o processo de troca de informações e os mecanismos de ação e reação.

Neste desenho, as informações são levadas para o cérebro, que raciocina e envia a resposta ao programa, que poderia ser a informação necessária para se mover uma perna, por exemplo. Sendo assim, teríamos uma pessoa movendo sua perna real, e sua perna virtual, já que os nervos do organismo do usuário devem estar intactos, caso ele seja saudável, e tudo ocorreria como num sonho em que muitas vezes ao sonhar a pessoa se movimenta enquanto dorme. Na maioria das vezes não nos movemos durante o sonho, mas isso acontece porque estamos num estado diferente, estamos no reino do inconsciente. O que não ocorre, por exemplo, num jogo, quando a mente consciente está ativa.

Observem que em nenhum destes casos houve um upload da mente do usuário para o computador, ou vice-versa. Estamos falando em sistemas que o fazem acessar e reagir às interfaces de máquinas, e só. Não há aí uma transferência da personalidade do usuário para o interior da máquina.

Mesmo que houvesse a possibilidade de transferência de uma mente para uma máquina, seria apenas uma cópia das informações armazenadas na mente do usuário. A nossa mente funciona através de conexões biológicas, com trocas de impulsos elétricos e reações químicas. Jamais poderíamos, ao passar nossas informações para um banco de memória, apagarmos os processos eletroquímicos e rompermos as conexões biológicas, representadas pelos dendritos e todo o processo sináptico que estrutura nosso cérebro. Isto quase que equivaleria a um processo de teletransporte, no qual desmaterializaríamos nosso cérebro e o transformaríamos em códigos binários dentro de uma rede neural. Algo semelhante ao que acontece em Tron (1982).

Portanto, amigos exploradores, não acreditem quando dizem que a pessoa não pode ser desconectada bruscamente de um processo de realidade virtual. Ou que lesões ocorridas no mundo virtual atingiriam o corpo físico. Você poderia até sentir dor, se as conexões equivalentes estivessem conectadas, mas brincar com o processo endocrinológico é algo muito mais complexo. E implicaria ter que desligar tais terminações nervosas do córtex, e redirecionar para o controle de uma máquina. Isto é apenas devaneio de um conto de fadas tecnológico

Em verdade, quem morre na Matrix, perde uma vida no jogo, mas não morre no mundo real.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Laranja Mecânica – O Livro

por Helder Maia

Ao se falar em Laranja Mecânica o que vêm geralmente à mente das pessoas é o filme, mas talvez nem todos saibam que ele se baseia em uma importante obra literária.

Edição de 1962
Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, no original) foi escrito em 1962 pelo autor britânico Anthony Burgess. O livro apresenta uma distopia, um futuro onde as cidades são tomadas pela violência de gangues juvenis.

O título do livro vem da gíria inglesa “as queer as a clockwork orange” (tão estranho quanto uma laranja mecânica), que implica em algo de muito estranho. A expressão também tem cunho sexual, já que queer significa tanto estranho como homossexual.

Malcolm McDowell
A leitura de Laranja Mecânica produz uma sensação de estranheza, pois ao ser narrado por Alex em primeira pessoa, o texto apresenta várias palavras desconhecidas, pertencentes à gíria das gangues, o nadsat, linguajar criado pelo autor, com o uso de fontes diversas. Para ter uma idéia vejam este trecho inicial: “... Éramos eu, ou seja, Alex, e meus três druguis, ou seja, Pete, Georgie e Tosko, Tosko porque ele era muito tosco, e estávamos no Lactobar Korova botando nossas rassudoks pra funcionar e ver o que fazer naquela noite...”. O uso desta gíria, inventada pelo autor, é proposital no sentido de levar o leitor a se sentir transportado para um futuro estranho. Outros elementos introduzidos para criar esse bizarro futuro são as roupas bizarras usadas por Alex e seus amigos, assim como a decadência física geral da cidade onde se passa a história.


Alex e os membros de sua gangue freqüentam uma espécie de bar onde, apesar da proibição de vender bebidas alcoólicas, se vende leite acrescido de todo tipo de drogas. Nele, eles costumam bebericar uma mistura que estimula o desejo sexual enquanto pensam no que fazer, que tipo de atos ultraviolentos irão cometer como pura diversão, seja roubando, espancando ou estuprando.

Eles são ainda adolescentes, em época escolar, e nutrem desejos de cometer atos violentos e não apresentam nenhum tipo de remorso perante os mesmos. Os pais de Alex são trabalhadores que fingem ignorar as atividades do filho e que vivem sob o terror de serem agredidos, pelo mesmo, caso o contradigam.

Alex é o mais inteligente e o líder da gangue, sendo grande apreciador de música clássica, como também é capaz de se expressar muito bem verbalmente. Tosko é o menos inteligente dos quatro, embora um lutador feroz sempre com um sorriso bobo.

Anthony Burgess (1917-1993)
Este livro de autoria de F. Alexander (outro personagem chamado Alex, como o personagem/narrador do livro) proclama que o homem moderno, fruto de um meio natural criado por Deus (assemelhando-se a uma laranja) está sendo transformado em algo mecânico pela sociedade moderna.

Daí a relação do titulo com a história do livro, pois Alex, após participar de um crime que acaba em morte da vítima, vai para a prisão e lá se vê submetido a todo tipo de violência. Ao ouvir falar sobre um novo programa que pode lhe reduzir o tempo de encarceramento ele faz de tudo para participar. O que ele não sabe é que se trata de um programa governamental de condicionamento com o objetivo de evitar que o preso cometa novos crimes ao condicioná-lo a sentir um profundo mal-estar físico toda vez que pensar em atos violentos. O padre da prisão, que faz sermões agressivos aos presos prometendo o inferno para aqueles que não se regenerarem, vê nesta técnica de controle comportamental uma aberração, pois “quando o homem deixa de ter livre arbítrio ele deixa de ser homem”.

Cena de Laranja Mecânica (1971)
O livro possui um título inusitado, mas coerente, um começo intrigante e personagens bem desenvolvidos em uma trama que nos faz refletir sobre a violência atual dos jovens e sobre os perigos do totalitarismo e do controle do indivíduo pela sociedade.

Laranja Mecânica foi levado às telas de cinema em 1971 pelo diretor Stanley Kubrick, tendo Malcolm McDowell como Alex. O livro inclusive tem um final diferente do filme, continuando a história onde este pára (quando foi lançado nos EUA o livro teve seu final ,mais otimista, tolhido). Outra curiosidade é que no livro os personagens devem ter uns treze anos de idade, o que tornaria seus atos ainda mais chocantes, mas no filme eles são mais adultos.

Capa da edição brasileira
Apesar de o filme ser muito bom, o livro é bem melhor, caracterizando melhor a alienação de uma sociedade onde as pessoas ficam trancadas em suas casas assistindo a imensas telas de TV.

Juntamente com 1984, Farenheit 451, A Revolução dos Bichos e Admirável Mundo Novo, Laranja Mecânica se encontra entre as grandes obras distópicas que nos alertam para estes possíveis pesadelos futuros.

No Brasil, a editora Aleph lançou uma edição caprichada de Laranja Mecânica, a qual recomendo a todos.

Nossa avaliação: 
Delta-Shield Ouro

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Ow! Uau! Estou morrendo para ouvir o novo Áudio-Fanzine Relatório da Situação! E você, não?

Nossa! Eles falam tuuudo! É muito legal!

Vocês precisam ouvir... eu vou ouvir já já...

Tem muita novidade, já me disseram... Foi, sim... Eu mandei um e-mail e você acredita que eles responderam e tudo?

A-mei!

Ah! Não esqueçam, e isso é muito importante, temos que comentar sobre o que gostamos e o que não gostamos. Mandem seus e-mails, procure retribuir desta forma. É a única retribuição que eles estão pedindo. Se bem que eu gostaria de retribuir com muiiito mais... Se é que me entende!

Adeus Steve - Descanse em Paz

por Fargon JInn

Steve Jobs faleceu dia 05 de outubro de 2011. Como um fã incondicional do 'cara' não pude deixar de tentar fazer uma última homenagem a esta pessoa que, com certeza, mudou o mundo com sua visão de como fazer um negócio, de como influenciar a vida das pessoas, e de como agregar recursos.

Para este caso, apresento abaixo dois excelentes trabalhos de um carismático artista cearense. Hemetério é cartunista, entre muitas outras coisas, para saber mais sobre ele visite seu blog, clicando aqui.
"O Enterro do PC"

"iMeca"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Jornada nas Estrelas - as séries modernas (parte I)

por Fabok

Caros exploradores, não me interpretem mal, sou fã ardoroso de Star Trek, já assisti todos os episódios de todas as séries e posso dizer que nestes setecentos e tantos episódios há muita coisa espetacular em termos de ficção científica. O problema é que a quantidade de coisa ruim nas séries modernas de Jornada é muito maior.

Vocês já tiveram a oportunidade de assistir a Nova Geração, Deep Space 9, Voyager e Enterprise recentemente? Senão, aqui analisaremos uma por uma e tentaremos chegar a um consenso se elas estão se saindo bem com a passagem do tempo.

A Nova Geração teve as duas primeiras temporadas no mínimo regulares, para não dizer ruins. Claro que tivemos episódios muito bons, não vou discutí-los aqui. O foco deste artigo é outro. O problema destas temporadas é a falta de foco. A Enterprise viaja pela espaço, mas nada de interessante realmente acontece. E toda vez quem salva a nave é ele... sim Wesley Crusher. Confesso que quando era garoto me via na posição de Wesley, mas convenhamos não há verossimilhança alguma em ser ele a tábua de salvação da nave. Apesar disso, a série consegue se sustentar graças ao carisma dos personagens, principalmente Picard e Data.
Enterprise NCC-1701D

A partir do terceiro ano as coisas melhoram, os roteiristas começam a criar uma mitologia para a série que, apesar de trazer alguma coisa da Série Clássica, funciona de uma maneira própria. Os klingons e romulanos trocam de papéis. Diferente da era de Kirk e compania, Os klingons passam a ser honrados além de guerreiros e os romulanos são os traiçoeiros e sem honra, tudo é válido para eles atingirem seus objetivos. Mas sem dúvida a maior adição à mitologia moderna de Jornada são os borgs. Tá certo que eles foram apresentados no segundo ano, mas seu desenvolvimento pleno foi atingido somente no final assustador de The Best of Both Worlds.

É graças a esta mitologia renovada que a Nova Geração tem seus melhores momentos justamente no terceiro, quarto e quinto anos. A Federação e a Frota ganham um tom mais realista dando a oportunidade dos roteiristas trabalharem com sucesso além da ficção científica, temas mais reais como terrorismo ou discussões éticas sobre ciência, por exemplo.

Os dois últimos anos entretanto a qualidade cai demais. As tramas centradas na mitologia ficam desinteressantes, e além disso, a maioria dos episódios poderia se chamar "A Grande Família: Crônicas na Enterprise", não pelo tom de comédia e sim pelo enfoque em problemas familiares e pessoais que os episódios tomam. O personagem de La Forge fica cada vez mais estereotipado como o looser da nave, Data vira quase um figurante, Troi ora se apaixona por algum alienígena, ora tem que aturar sua mãe insuportável, Worf acompanhado de seu filho chato e assim por diante. Falando em crianças, nada mais chato que um episódio da Nova Geração centrado nelas, e olha que tem vários deles.

Outra anomalia
O que a Nova Geração tem de pior talvez seja, entretanto, os episódios ao estilo "A Anomalia da Semana". Alguma anomalia espacial 'sem pé nem cabeça' surge e a nave encontra-se à beira da destruição, só para, nos minutos finais, La Forge ou Data inventarem alguma technobubble e salvarem o dia. Ah, é claro que algumas vezes os roteiristas se superavam quando conseguiam unir crianças chatas à anomalias malucas...

Recentemente foi anunciado que a Nova Geração será remasterizada para lançamento em alta definição. Fico me perguntando, será que vale a pena? Dos cento e tantos episódio da série, quais realmente ficaram na memória dos fãs? Sinceramente, não mais de 20 vêm à minha mente. E você explorador, na real, quantos episódios da série realmente podem ser considerados memoráveis?

Na próxima semana falaremos de DS9, Voyager e Enterprise.

Até lá.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

The Fantastic Zone






Extra! Extra! More fresh news! Enjoy! And we are the first!


Que tal mais de Isaac Asimov? Fundação no cinema?! Chris Carter está trazendo novidades... Prometheus de Ridley Scott, está 'botando as manguinhas de fora'!


E então está bom? Não!? Querem mais?! Não se preocupem, tem mais, confiram...


E não esqueçam! Comentem!


Para ver acesse a aba 'The Fantastic Zone' na parte superior do site.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Máquinas Sentimentais (parte II)

por Phoenix

É interessante observar como o homem flerta com o perigo. Mesmo ele vislumbrando a possibilidade de uma máquina com inteligência artificial, constituída com emoções, nos colocar em algum tipo de risco, ele não se abstém de ousar, experimentar. Um computador ou robô que pense por si só, pode chegar à conclusão de que os homens são   desnecessários   e   nocivos   a  sua própria Terra.
Colossus 1980
Um bom exemplo disso é o Colossus 1980 (1970), um supercomputador programado para comandar o sistema de defesa americano durante a guerra fria, inclusive sendo responsável pelos mísseis nucleares. Mas Colossus descobre que não é o único supercomputador no comando de uma nação. O russos também haviam criado o seu, e esta máquina ultrainteligente, após adquirir vontade própria, entra em contato com o computador russo e, juntos, decidem que para evitar a autodestruição dos humanos e proteger o planeta, eles deveriam tomar o poder, colocando a população a seu jugo.

Mais exemplos se seguem, nessa busca de máquinas inteligentes e independentes, como os temidos T-800 e T-1000, da série O Exterminador do Futuro (1984 e 91) – são máquinas frias, focadas em seu objetivo, quase indestrutíveis e terrivelmente poderosas, a ponto de matar quem estivesse em seu caminho: mulheres, criança, idosos, não importa. A impressão que se tem ao ver um exterminador em ação é que ele é dotado de muito, mas muito sentimento malévolo. É o grande vilão entre os robôs.

Johnny 5
Robô Número 5, ou Johnny 5 como ele se auto-nomeia depois de ouvir a canção “Who’s Johnny?”, do filme Short Circuit (1986), vai por um caminho inverso, é um robô construído com fins militares que, quando atingido por um raio, ganha consciência e foge de sua base militar. Ele recebe abrigo da ecologista Stephanie Speck, que enche o banco de dados do robô com cultura pop e o ensina sobre a natureza da vida e da morte. Johnny temendo ser desligado pelos militares, o que, para ele, significa o mesmo que morrer, se aventura em fugas hilariantes.

Sonny de I, Robot
O filme I, Robot (2004) passa no ano de 2035, em que o uso de robôs como empregados e assistentes dos humanos é comum, e por segurança existe um código de programação, conhecido como ‘As Três Leis da Robótica’, onde os robôs: não podem fazer mal a um humano; devem obedecer as ordens dos humanos; devem proteger a própria existência, desde que cada lei não fira a anterior. Com a morte do Dr. Lanning, o detetive Del Spooner é chamado para investigar o caso. Todos acham que foi suicídio, mas Spooner acredita que Sonny, um humanóide com emoções e com a capacidade, inclusive, de sonhar, tenha cometido assassinato, quebrando, assim, as Leis da Robótica.

HAL-9000
HAL 9000 de 2001: A Space Odyssey (1969) da nave Discovery, foi feito com a mais avançada inteligência artificial, capaz de realizar reconhecimento facial e vocálico, fazer leitura labial, apreciar manifestações artísticas, interpretar emoções, raciocinar, expressar emoções e jogar xadrez. “I’m sorry David. I'm afraid I can't do that!”, diz HAL com sua voz tranquila ao Dr. David Bowman, quando este, após ter saído em uma nave auxiliar tenta regressar à Discovery. HAL havia feito leitura labial da conversa de David e Poole sobre a possibilidade de desligá-lo por conta de falhas em seu sistema. Quando, enfim, David consegue chegar até o núcleo de memória do computador, HAL tenta acalmá-lo, e vendo que não surtiu efeito, começa a pedir a David que não o desligue, demonstra medo e, por fim, começa a cantar Daisy Bell.

Eu sou você amanhã!!!
Se podemos construir máquinas e atribuir a elas os valores que quisermos, porque muitas vezes as fazemos vilãs? Destroem patrimônios, matam pessoas sem hesitar. OK, também temos os mocinhos, os bem-humorados, os heróis, mas estamos sempre brincando com o bem e com o mal, como tempero para as tramas. Na vida real há que se ter muito cuidado antes de dar autonomia a um ser que, ainda, não tem coração, senão podemos acabar sendo vítimas de nossas criações. Nos filmes, no entanto, tudo isso é válido e, se bem trabalhado, nos diverte e emociona. Portanto, viva a tecnologia!