segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A máquina do tempo (parte II)

por Fagon Jinn
6º da série FC vs Ciência

Paradoxo visual (clique para ampliar)
Nesta segunda parte do assunto viagem no tempo, estamos trazendo alguns dos principais paradoxos e algumas das fantasias mais famosas abordadas pelo cinema, e que possam contribuir com algum tipo de enfoque que aqui discutimos. Claro que não estão sendo cobertos todos os aspectos, mas apenas aqueles que consideramos mais influentes e mais polêmicos. Deixamos para a participação dos exploradores as contribuições que acharem pertinentes, ou as lacunas que não preenchemos. Aproveitem.

Paradoxos


Variação do paradoxo da mentira
Paradoxo é uma sequência de raciocínios que acabam em si mesmos, formando um círculo de ações e, por fim, quando esta cadeia lógica fecha-se sobre si mesma, chegando ao início do círculo, gera uma ação que anula a ação que deu início a todo o processo. Citamos, por exemplo, aquele que afirma que tudo o que diz é uma mentira. Sendo assim, não podemos acreditar que esta frase seja verdadeira, algumas vezes ele deve falar a verdade e, então, ele está mentindo, mas se até neste momento ele está mentindo, quando é que ele diz a verdade?

Paradoxo do avô - clique para ampliar
O paradoxo temporal mais famoso é sobre o indivíduo que viaja para o passado e assassina o seu próprio avô, antes que este tenha tido filhos. Neste caso forma-se um paradoxo. Sem avô, sem pai o indivíduo não poderá nascer no futuro e, portanto, ele não nascendo não pode viajar ao passado e matar seu avô. Como é que o avô acaba assassinado?

Outro paradoxo famoso é o do irmão gêmeo ou Langevin. Muita discussão existe sobre este paradoxo, mas acredita-se que se um irmão viajar através do espaço, em velocidades próximas à da luz, enquanto o seu gêmeo permanece na Terra, ao final da viagem, aquele que esteve na nave espacial está mais jovem do que o que permaneceu na Terra. No meu entender, isto não é um paradoxo, já que não há cancelamento da idéia que inicia a sequência de raciocínio. O paradoxo aqui está mais relacionado com os referenciais adotados, visto que para aquele que olha a nave a partir da Terra vê o irmão se distanciar. Já o que está à bordo da nave vê a Terra se distanciar, então os pontos de análise são muito semelhantes se mudarmos nossa perspectiva. Por que apenas o que viajou envelheceu mais devagar? A resposta a isso foi dada por Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade. Tratamos brevemente sobre isso no texto sobre viagens interplanetárias.

Paradoxo da motivação - clique para ampliar
Paradoxo da motivação. Este é o mais interessante para mim. Se um acontecimento nos motiva a retornar ao passado para alterar seu desfecho no futuro, temos algo parecido com o paradoxo do avô. Tornamo-nos vítimas de nossa motivação. Uma vez sanado o fato futuro que nos motivou a corrigir o passado, como é que seremos motivados a retornar ao passado. Sem nossa influência no passado, a correção não ocorre e o fato negativo volta a acontecer no futuro.

Paradoxo dos duplos. Uma especulação com muita fantasia. Se voltamos a um tempo passado, podemos nos encontrar com ‘um outro eu’? E se o encontro ocorrer, qual a consequência? O fim do universo? A anulação mútua? Uma casualidade insolúvel? Ninguém sabe. Quanto à questão da constante universal de matéria e energia, nem vamos discutir já que isso não é, também um consenso.

Cena de 'O Homem do Futuro' (2011)
Paradoxo da interferência. Esta é outra visão paradoxal que surgiu a partir da fantasia. Os autores desejosos de criar uma narrativa interessante e divertida a suas novelas e filmes com permutações temporais criaram uma solução aos paradoxos anteriores. Ou seja, alguém que sai de sua linha temporal pode interferir em qualquer outra cadeia de eventos que fica imune aos seus efeitos. Assim, se decido retornar ao passado e exterminar meu avô, eu continuo vivo. Contudo, e aí surge o fator interessante, se eu resolvo retornar ao passado e alterar o meu futuro para que eu venha a tornar-me milionário, sendo esta a minha motivação e conseguindo meu intento, o meu duplo que é original nesta realidade não será motivado a retornar ao passado e tentar ficar rico. Obviamente, o meu duplo é o ser existente nesta linha de tempo, e eu um intruso, um impostor, um sósia. Para que eu usufrua desta riqueza, terei que assassinar meu duplo e ficar com sua fortuna.

Existem, obviamente, várias noções de paradoxos que tratam da mesma temática, mas, em geral, acabam sendo variações das que aqui colocamos. Abrimos, contudo, espaço para discutirmos todos os aspectos que desejarem. Contribuam para enriquecermos estes tópicos tão interessantes.
- Apareceu do nada!!!

Na terceira e última parte deste tópico, falaremos de como a fantasia trabalhou estes aspectos até então aqui discutidos, mencionando as principais obras realizadas. Até...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O túnel do tempo (parte I)

por Fagon Jinn
5º da série FC vs Ciência

Obra de H G Wells
H. G. Wells inovou quando elaborou a sua novela de ficção científica (mais para fantasia científica), A Máquina do Tempo (1895). Ali estava descrito pela primeira vez que o tempo poderia ser modificado por uma máquina. Até então, o homem só viajara através das eras por magia ou por dormir e acordar no futuro. Wells popularizou um tipo de cultura que faria escola. A viagem no tempo passou a ser vista como uma possibilidade real, e muita gente séria começou a se dedicar ao assunto.

Modelo do filme de 2002 (The Time Machine)
Esta é a primeira de três partes, nas quais trazemos para vocês exploradores, mais uma noção de separação entre o que é ciência verdadeira e o que é apenas imaginação dentro da absurda quantidade de histórias, boas e ruins, que permeiam o cinema, a literatura, os quadrinhos, etc. Queremos assim dar mais uma contribuição aos leitores e expectadores destas obras sobre o que podemos inferir sobre ciência, filosofia e licença poética. Queremos abrir estas discussões como um fórum, todos estão convidados a dar sua opinião e oferecer suas contribuições. Comentem.

Filosofia


Física e filosofia
Muitos metafísicos e filósofos extrapolam nas questões sobre o entendimento que temos do tempo. Alguns propõem que o tempo já exista em toda sua extensão, como uma reta que percorre do infinito passado ao futuro imensurável. Nós, nestas condições, apenas percorremos com nossas consciências instante a instante no intervalo que nos é devido. Sendo assim, para algumas das proposições não deve existir livre arbítrio, todos os nossos atos e pensamentos já existem, e não temos como modificar a cadeia de eventos. Seguimos aos acontecimentos como meros expectadores de um filme em que nossa imersão é completa.

Exemplo do filme Contra o Tempo (2011)
Outros sugerem que as nossas ações não estão congeladas, mas são probabilidades, e que podem ocorrer ou não de acordo com nossas atitudes e decisões no presente. Para alguns, estas novas ações coexistem com as probabilidades preexistentes, formando caminhos alternativos. Imaginem uma reta, nossa linha de tempo. Desta reta principal derivam outras retas que são as nossas mudanças de atitude. Dessas novas derivações outras surgem, e assim por diante. Nestas teorias, o tempo seria uma infinidade de retas, interligadas por decisões que tomamos a cada instante. Mas o que varia é que percorremos estes caminhos com nossas consciências. As retas (os caminhos do tempo) estão lá desde sempre, mas vamos mudando de linha temporal a cada mudança de decisão. Assim como vamos escolhendo nosso caminho através de um labirinto, podemos supor aonde vai dar, mas nunca temos certeza.

Denzel Washington em Déjà Vu (2006)
Para muitos a formação do tempo ocorre à medida que vai sendo percorrido. Neste cenário não poderíamos viajar no tempo. Se tentarmos voltar atrás, não existe espaço para nós, o tempo já passou e tudo ficou endurecido, a matéria, a energia, tudo. Não poderíamos estar naquele lugar. Não existiria espaço físico para nós. Assim só teríamos condição de ver fotos do passado, imagens através de um aparelho qualquer. E o futuro ainda não foi formado, então não podemos nos deslocar para frente, já que ele não existe.

O que a física propõe?


Série de 2010
Também é um emaranhado de suposições. Alguns dizem que poderíamos viajar no tempo através de buracos de minhoca. Alguns dizem que é uma questão de podermos viajar a velocidades relativísticas e então iríamos para o futuro. Outros estudam o tempo através da Mecânica Quântica. De fato, nada é teórico ou hipotético. Tudo não passa de suposição, especulação.

Proposta da máquina de Mallet
O que há de mais próximo de um equipamento que foge ao convencional da física foi desenvolvido por Ronald L. Mallet em 2006. Ele afirma ter criado um método de curvar o tempo e o espaço, no que poderia ser chamado de “O Verdadeiro Túnel do Tempo”. Esta máquina utilizará um feixe circular de laser, a luz que entrar por este equipamento percorrerá uma espiral que, matematicamente, altera os campos gravitacionais forte e fraco, produzindo um arrasto no fluxo temporal. Se a prática corresponder à teoria, poderemos descobrir se esta mudança do contínuo espaço-tempo dará a resposta definitiva sobre o que o tempo realmente é.

A ciência, a metafísica, a filosofia e a matemática são ferramentas usadas por pensadores sérios, imbuídos de tentar encontrar uma idéia sólida neste conjunto de sonhos e fantasias.

Na segunda parte deste assunto, falamos dos paradoxos relacionados às viagens temporais. Até lá...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Titã - a grande lua do Sistema Solar

por Fabok

Astronautas chineses
A exploração espacial se encontra em uma encruzilhada. Fazer ciência no espaço se tornou algo absurdamente caro nas últimas décadas. Hoje as únicas nações quem possuem a tecnologia de enviar o homem à órbita terrestre são a Rússia e China. Os EUA, desde que aposentaram os ônibus espaciais, não têm nem uma data para voltar a ter um programa tripulado.

Estação Espacial Internacional
Embora a ISS esteja no espaço e os chineses estejam começando a construir a sua própria estação espacial, os resultados das pesquisas desenvolvidas, mesmo que importantes, não trazem aos governos retorno financeiro suficiente para justificar os pesados investimentos necessários para desenvolver novas tecnologias para viagens espaciais. Hoje, nossa própria Lua nos parece mais distante que nos anos do projeto Apollo. Se fossem descobertos minerais preciosos ou coisa similar, com certeza teríamos colônias inteiras por lá.

Sonda Phoenix - Marte 2008
Nem mesmo uma missão tripulada a Marte parece despertar o interesse. Com certeza seria um dos maiores feitos da humanidade, mas no final tudo indica que o planeta vermelho seja um mundo estéril, sem vida, pobre em recursos minerais necessários para nosso modo de vida, e lá os astronautas ainda estariam sujeitos a uma intensa radiação solar, devido a sua fina atmosfera e um inexistente campo magnético. A verdade é que os bilhões investidos não trariam o retorno financeiro à altura.

Saturno
Qual seria o local, no Sistema Solar, que nos traria um retorno financeiro até maior que o gigantesco salto tecnológico que teríamos que dar para alcançá-lo? Uma opção seria Titã, em órbita de Saturno, o segundo maior satélite natural do nosso sistema. Do tamanho de Mercúrio, Titã foi visitado recentemente pela sonda Cassini-Huygens e deixou os cientistas extasiados.

O satélite possui uma topografia muito semelhante à da Terra. Sua superfície é composta de rochas e gelo. Além disso, até agora é o único corpo celeste conhecido por nós que, além da Terra, possui líquidos em sua superfície. Titã possui lagos e até oceanos de hidrocarbonetos, neste caso metano, em sua superfície. Sua atmosfera é muito semelhante ao que supostamente seria a da primitiva Terra, com uma diferença. Titã não possui vapor d'água, mas mesmo assim talvez haja formas de vida microscópicas por lá. Mas o mais importante é que sua atmosfera, composta de nitrogênio e hidrocarbonetos, é densa, cerca de 60% a mais que por aqui, o que permitiria a astronautas caminharem pelo planeta sem os pesados trajes pressurizados, apenas roupas com equipamento para respiração e proteção contra o frio extremo de -178 graus centígrados. Outra vantagem é que esta espessa atmosfera protegeria contra os efeitos da radiação solar.
Titã em três comprimentos de onda - fotografada pela sonda Cassini
A composição da superfície e da atmosfera do satélite poderiam ser utilizados para a produção de oxigênio, água e até mesmo fertilizantes, dando condições para a criação de uma colônia auto-sustentável, já que nosso planeta estaria muito distante.

Cientificamente falando, Titã é mais atraente que Marte, além disso, economicamente, com sua fonte abundante de hidrocarbonetos, muito maiores que nossas reservas de petróleo, a lua de Saturno poderia, em tese, resolver nossos problemas de energia por décadas ou até séculos, nos dando tempo de desenvolver tecnologias mais viáveis para produção de energia limpa.

Transporte de combustível para a Terra ou posto de abastecimento?
O problema é a distância. Com nossa tecnologia atual a sonda Cassini-Huygens demorou sete anos para chegar lá. Estamos muito longe de termos uma missão tripulada tão longa nas profundezas do sistema solar. Os astronautas de Titã embarcariam numa jornada de décadas e muito provavelmente não retornariam à Terra. Quem seriam estes homens e mulheres e como eles reagiriam a tamanho isolamento? Outro problema, além de ser um local incrivelmente diferente do nosso, é a baixa gravidade do satélite, 0,14 da Terra, que traria riscos graves à saúde se não for trabalhada corretamente.

Clique para ampliar
Ainda assim, caso um dia tenhamos tecnologia para tal empreitada, estaríamos vivendo uma situação muito parecida à época das grandes navegações do século XV e XVI. Muitos daqueles exploradores jamais retornaram à sua terra natal. Eles partiram em busca de riquezas, mas acabaram por encontrar um novo lar e hoje somos a prova de seu legado.

Outland (1981) - brincadeira com o original
Os titãnautas, em seu sacrifício de deixar seu mundo natal para trás, estariam contribuindo não apenas com riquezas ou até mesmo a sobrevivência de nosso planeta. Eles estariam dando um passo importante para que os seres humanos colonizem o espaço e um dia, num futuro distante, alcancem outras estrelas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O teletransporte

por Fagon Jinn
4º da série FC vs Ciência

Cena de Jornada nas Estrelas
- Enterprise, four to beam up! - Diz Capitão Picard para sua nave em órbita de Seti Alfa Quatro. O grupo desaparece em meio a brilhos e um som agradável que lembra um zunido eletrônico levemente musical.

Instantaneamente, na Enterprise, os quatro são rematerializados! Eles estão vivos, saudáveis, e idênticos aos que estavam no planeta, segundos atrás.

Arthur C. Clarke -  escritor
O que houve? Poderíamos dizer que isso seria um processo de feitiçaria... Mas alguém pode dizer – Ah! Arthur C. Clarke já disse que uma tecnologia muito avançada poderia parecer-se com magia para uma cultura mais primitiva.

Não somos uma cultura tão primitiva, e mesmo assim não poderíamos explicar o funcionamento de tal maravilha. Nós podemos imaginá-la, mas não elaborar uma teoria que esclareça o seu funcionamento.

Então vamos extrapolar. Quais seriam os possíveis esquemas de funcionamento de um sistema de teletransporte de matéria?


Há alguns anos houveram algumas publicações falando sobre o teletransporte de um fóton. É o chamado teletransporte quântico. Isto ainda é pesquisa e alvo de discussões acirradas sobre o fato de ser ou não definido como um teletransporte.

Werner Heisenberg - Nobel de Física
Numa das propostas os pesquisadores alegam terem lido as informações de um fóton através de outro fóton. Isto porque o 'princípio da incerteza de Heisenberg' afirma que não se pode tentar saber a posição e velocidade de uma partícula sem alterar estas condições. Simplificando, ao se tentar localizar uma partícula ela muda de posição. No caso dos pesquisadores eles utilizaram outro fóton para coletar esta informação. O fóton original deixou de existir. O fóton com a informação foi transmitido a outro local e ali gerou um novo fóton que era idêntico ao fóton original. Isto está muito simplificado para facilitar o entendimento, mas não tem erros.

A pergunta que surge é: O que se obteve afinal? Não é mais fácil enviar o próprio fóton de um lugar para outro?

Cena de Star Trek - 2009
Ok! É! Mas... e aí vai um grande “mas”, o fato de conseguir obter as informações de uma partícula de luz sem alterar a sua condição é um feito importante. Quanto ao teletransporte em si, não posso dizer muito. O que vi até agora é que, em qualquer das experiências realizadas, é mais fácil levar a informação de uma forma convencional do que através destas experiências complicadas. Não chamaria a isso de teletransporte, em sua acepção comum. Acho que a ciência acaba aprendendo muito, no fim das contas. Mas nada que seja para uso prático.

Reator experimental de fusão a frio E-Cat
É como a história da fusão a frio. Ao unirmos dois átomos de hidrogênio, obtemos um de hélio. Esta fusão gera muita energia. Mas para se unir hidrogênios, precisam-se forças muito poderosas. O Sol faz isso com sua gravidade gigantesca. Para fazermos aqui, na Terra, temos que produzir explosões periféricas, de forma que os átomos se fundam pela pressão da explosão. O resultado disso é uma bomba de fusão nuclear. A energia gerada é perigosa, destrutiva e não pode ser aproveitada. No entanto, fazer uma fusão a frio, sem explosões, requer-se mais energia do que se obtém ao final. Não vale à pena. E até agora as experiências de teletransporte me lembram a fusão a frio.

Em Jornada nas Estrelas, eles tentam explicar como funciona o princípio daquela tecnologia. A matéria é lida e decomposta, convertendo-se em energia. Essa informação é transmitida de uma máquina para outra onde, baseando-se nestas informações, o objeto é construído convertendo-se energia em matéria.

Vários tópicos são gerados a partir deste ponto. Poderíamos criar quantas cópias dos objetos ou pessoas quisermos, a partir destas informações. Se existir alma ou espírito ele é transportado para o novo, ou novos corpos também? Nossas informações poderiam ser virtualmente reconstruídas e passarmos a viver dentro de computadores? As questões surgem uma atrás da outra. Estes são temas para outros artigos.

Clique para ampliar
Mas como teria que ser um sistema de teletransporte verdadeiro? Me parece, que se queremos transportar alguém, desmaterializando e rematerializando em seguida, precisaríamos de um sistema de leitura de toda a estrutura orgânica de uma pessoa. Leitura de estrutura molecular de todo o organismo, cada átomo deveria ser registrado, com suas informações de carga, energia, forças a que estivesse submetido, etc. Essas informações teriam que ser armazenadas num banco de memória.

O corpo seria então decomposto, em nível atômico, e estes átomos lançados através de um duto ou campo de força que mantivesse toda essa matéria intacta, sem nenhuma perda. Do outro lado o equipamento leria as informações do banco de memória e remontaria, de alguma forma, todos esses átomos num novo corpo. Além disso cada átomo teria que receber a devida energia para que o corpo não congelasse ou ficasse quente demais, ao fim do transporte e montagem.

Outra possibilidade de funcionamento de teletransporte, mais viável no meu entendimento, seria abrirmos um buraco de verme entre um aparelho e outro e fazer a pessoa atravessar esta passagem, sem precisar de decomposição e reconstrução, como dito no artigo anterior, sobre viagens em velocidades acima à da luz.

Novamente, lidar com este assunto não é propriamente lidar com ficção científica. Aqui estamos nos campos da fantasia, e nada mais. A nossa ciência, contudo, ainda tem muito a aprender. E devemos sim, continuar a brincar com estas possibilidades. Talvez nunca venhamos a desvendar nada neste campo, mas com toda certeza aprenderemos muito. 


No próximo artigo começaremos a falar sobre viagens no tempo...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Novas séries de terror

por Helder Maia

Apesar da longevidade de séries como Supernatural e True Blood, assim como do extremo sucesso de Walking Dead, o gênero Terror ainda ocupa uma pequena parcela da produção televisiva americana. Por isso, sempre é motivo de comemoração quando surge uma nova série do gênero. Atualmente, estão sendo exibidos dois novos seriados:


- American Horror Story


Poster da série
American Horror Story é uma série exibida pelo canal americano FX, que conta a história do psiquiatra Ben Harmon (Dylan McDermott de O Desafio - 1997/2004; e Na Linha de Fogo - 1993) e sua esposa Vivien que, após passarem por uma séria crise conjugal, se mudam com sua filha para uma casa vitoriana construída na década de 20 em Los Angeles. Mas a casa guarda um passado sinistro e muitas mortes.

Apesar da premissa batida, a série tem um nível muito bom, com ótimos roteiros, boas interpretações e um clima sinistro acentuado pela climática trilha sonora. A trama vai se desenvolvendo de forma interessante e com boas surpresas.

Dylan McDermott como Ben Harmon
Além de McDermott, outro nome conhecido do elenco é Jessica Lange (de O Cabo do Medo - 1991), como a enigmática vizinha Constance. Outro destaque é o ótimo ator Denis O'Hare, já visto no terceiro ano de True Blood como Russell Edgington, o Vampiro-Rei do Mississippi,

Tanto a estranha e arrepiante abertura do seriado, que remonta aos créditos de Seven (1995), quanto a utilização de uma estilosa fonte para o nome da série e dos atores, exibida em letras garrafais, denotam todo um cuidado dos produtores.

A Família Harmon
Essa nova série promete muitas horas de divertidos sustos. Sua estréia acontece por aqui em 8 de novembro no canal Fox.

Nossa avaliação:
Delta-Shield Ouro


 

 

- Death Valley



Undead Task Force
Death Valley é uma série cômica de terror americana em exibição no canal MTV. Nela, a cidade de Los Angeles, Califórnia, sofreu há cerca de um ano o aparecimento de um surto de zumbis, lobisomens e vampiros. O seriado mostra o dia-a-dia dos policiais da Undead Task Force, unidade criada especialmente para combater estas ameaças.

O programa é narrado ao estilo Cops: tudo que vemos é retratado por uma equipe de filmagem de um canal de TV, que acompanha os policiais pelos vários bairros da cidade. Mas apesar desta proposta, os episódios apresentam edição e ângulos de filmagem incompatíveis com a mesma.


Se o humor é um tanto ralo, tirando ocasionais risadas do expectador, o seriado traz muito sangue, já que os policiais trucidam os mortos-vivos e afins da forma mais violenta possível.

A primeira temporada será composta por 12 episódios de meia-hora.

Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

The Fantastic Zone


Estamos de volta com mais um Fantastic Zone, temos novidades "porretas" saíndo do forninho!

James Cameron tá aprontando mais alguma das suas. Vamos conferir...

Sthephen King e Ben Affleck num novo projeto... Essa vou querer conferir.

Que tal, basta? Não!? Mais?! Tem mais, bem mais...

E não esqueçam! Comentem!

Para ver acesse a aba 'The Fantastic Zone' na parte superior do site.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Enterprise (parte II) - As séries modernas de Jornada (parte final)


por Fabok

A terceira temporada de Enterprise deu aos produtores e roteiristas a oportunidade de desenvolver um arco de episódios de vinte e quatro episódios, algo inédito em Jornada. À medida que a NX-01 adentrava à Expansão, mais sombrio ficava o tom da série. Isto se refletia também nos personagens. Archer deixa de ser o explorador otimista dos anos anteriores e se transforma num comandante militar com o peso do futuro da Terra em suas costas. Trip fica obcecado em vingar sua irmã, morta no primeiro ataque xindi. T'Pol se torna cada vez mais leal aos humanos. Sem contar a sensação de isolamento crescente da tripulação.

Jolene Blalock como T'Pol
É claro que nem tudo é perfeito. Para apimentar um pouco a série, T'Pol se aproxima cada vez mais de Trip. Nada contra isso, mas as tais massagens relaxantes da vulcana pareciam sempre fora do tom e nada acrescentavam. Alguns episódios tentaram sair do arco xindi, mas foram muito fracos, como em North Star por exemplo, uma “homenagem” aos filmes de velho oeste. Mas, talvez a bomba da temporada seja The Hatchery, onde, sob influência de uma substância alienígena, Archer coloca sua nave e tripulação em perigo para salvar um ninho cheio de ovos da espécie insectóide xindi.

Definitivamente, entretanto, temos muito mais melhores, que maus episódios. Há dois em especial: Twilight, que se passa num futuro alternativo em que a Terra foi destruída pelos xindi; e, Similitude, uma interessante alegoria sobre a clonagem humana. Estes estão entre os melhores de toda a Franquia.

Esfera da Expansão
O legal era que o público descobria, junto com Archer e turma, a real natureza da ameaça xindi. Tá certo que faltou um pouco de originalidade. O mistério envolvia seres de outra dimensão querendo alterar o futuro. Mas, isso pouco importava. A tensão e expectativa chegaram ao ápice no episódio final, quando, após derrotarem os inimigos, a Enterprise se vê em plena Segunda Guerra Mundial e Archer é capturado por nazistas alienígenas. Um final que levantou uma série de debates entre o público.

E a audiência? Mesmo com uma boa temporada, os números eram desanimadores. O estúdio resolveu dar uma última chance a série. Many Coto assume a produção da série e convoca o casal Reeves-Stevens, co-autores dos livros do Shatnerverse, como editores de roteiros e co-produtores.

Observatório Temporal
A quarta temporada foi dividida em mini-arcos. As estórias se resolveriam em dois ou três episódios no máximo. O primeiro deles resolveu a mal explicada Guerra Fria Temporal. A batalha entre a NX-01 e caças alemães da Segunda Guerra sobre os céus de Nova York compensa o roteiro confuso e cheio de furos. O arco xindi é concluído definitivamente no episódio Home, onde finalmente a tripulação retorna à Terra e tem que lidar com as consequências de suas ações na temporada anterior.

Brent Spiner como Arik Soong
Deste ponto em diante Enterprise finalmente faz jus a palavra prequel e começa a abordar temas que se tornariam parte da mitologia de Jornada nas Estrelas, principalmente a Série Clássica. As guerras eugênicas são tratadas num arco que contou com a participação de Brent Spiner, interpretando um antepassado do Dr. Soong. A origem dos vulcanos e a razão de seu comportamento tão atípico na série também ganharam um excepcional arco próprio. Archer teve consigo o katra de Surak que, simplesmente, é responsável por tornar os vulcanos aquele povo tão adorado pelos fãs de Jornada nas Estrelas. Os romulanos ganharam um arco próprio que leva aos primeiros passos da criação da Federação. Ficamos conhecendo a verdadeira razão dos klingons da Série Clássica serem diferentes dos que aparecem nas demais, num arco em que, a la "Velocidade Máxima", a Enterprise não pode sair de dobra cinco ou explodirá. E ainda temos Trip sendo transportando por um cabo entre duas naves em formação e em dobra... É mole ou quer mais? Até mesmo o Universo Espelho é revisitado, pegando os eventos de "A Teia Tholiana" da Série Clássica.

T'Pol do universo espelho
Os episódios simples infelizmente foram fracos. Nem mesmo trazendo as verdes escravas de Órion, ou fazendo referências à origem do teletransporte, ou à origem dos organianos foram interessantes. Prá piorar a situação, em fevereiro de 2005, o cancelamento da série é anunciado. A UPN perdera o interesse em produzir Enterprise. Os números de audiência eram tão ruins que até mesmo Battlestar Galactica na TV à cabo estava levando a melhor.

Peter Weller como John F. Paxton
Ainda assim, o arco final mais uma vez traçava o caminho para a criação da Federação, ao mesmo tempo em que falava de racismo, contando ainda com a presença do sempre excelente Peter Weller como vilão.

Se era para acabar, que tivesse sido com Terra Prime. Infelizmente, eis que Rick Berman resolve voltar à ativa para o último episódio, These Are The Voyages. O último momento de Enterprise na TV se passa no holodeck da Enterpise D!? É isso mesmo, a estória se passa na sétima temporada de A Nova Geração, mais precisamente no episódio The Pegasus, onde Troi e Riker veem a recriação de um momento crucial para a tripulação da NX-01, que pode ajudar Riker a tomar uma importante decisão... Resultado: Horrível!!! Berman que já era considerado o responsável pela má fase de Jornada, de quebra decide matar Trip, na despedida da série e sem nenhuma necessidade.

Enterprise NX-01
Muito já se discutiu sobre o cancelamento de Enterprise, ou o motivo dos fãs a terem abandonado. A resposta não é tão difícil. Com um produtor que, se no início fora extremamente competente, mas que ao longo dos anos se tornara prepotente a ponto de jamais levar em conta os fãs e sistematicamente ignorar a Série Clássica, a resposta parece óbvia. Uma pena. Enterprise merecia uma chance, mas esta jamais lhe foi dada, tanto pelo radicalismo do fandom, quanto de seus produtores.

O que teria sido a quinta temporada? Muito provavelmente o andoriano Shran (Jeffrey Combs) seria um personagem regular, devido a sua enorme popularidade e teríamos a famosa Guerra Romulana, momento ímpar da mitologia Trek e que jamais aparecera num episódio. Prometia...

Pocket Book de Enterprise
Para aqueles que conhecem um pouco de inglês e sentem falta da NX-01, há uma série de livros onde não só Trip está vivo, mas também tem papel fundamental no conflito Terra-Romulus. Aqui vão os nomes: Star Trek Enterprise: The Good That Men Do, Star Trek Enterprise: Kobayashi Maru, Star Trek Enterprise: The Romulan War - Beneath the Raptor's Wing e Star Trek Enterprise: The Romulan War - To Brave the Storm.

E assim, amigos exploradores, damos por concluída esta série de artigos sobre as séries modernas de Jornada. Esperamos que apreciem e que possa contribuir para continuar discutindo estes aspectos tão importantes dentro da Franquia.

Vida Longa e Próspera!