sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Star Wars - o incerto universo de George Lucas


por Fargon Jinn

Se tem uma cena que me impressionou mais do que tudo em Star Wars, foi o início do episódio I, 'A Ameaça Fantasma'. Aquela apresentação de dois cavalheiros jedi, um mestre e seu aprendiz (padawan), mostrando seu trabalho como embaixadores, negociadores, delegados do governo; funcionários públicos mas com poder decisório, podendo, se fosse o caso, atuar com o uso de força, ou da força, pulando para a ação num piscar de olhos. Logo em seguida eles percebem que estão sendo enganados e sofrendo uma tentativa de assassinato. O uso de seus poderes místicos; prender a respiração por muito tempo, lutar contra robôs, telecinese, supervelocidade, vários poderes que Luke Skywalker, Darth Vader ou o Imperador nunca haviam demonstrado.
Cena de A Ameaça Fantasma (1999)

O mais interessante era a serenidade com que agiam. Conversavam tranquilamente, parecendo que tudo era solucionável, naquele tom de voz suave e modulado. Moviam-se com segurança e precisão. Um grande espetáculo.

Depois... decepção....!

O que aconteceu nos filmes seguintes?

Geoge Lucas - Maquete Death Star
Aquilo tudo morreu com a migração da alma de Qui-Gon Jinn para o além?

Star Wars é uma saga que infelizmente sofreu inúmeras mutações. O pior é que mexeu-se no que era espetacular, no que gerava discussões, especulações, no que não precisava ser mexido.
Se você cria um trabalho com o alcance e a profundidade da obra de George Lucas, acho justo que se possa ir corrigindo algumas falhas, ou impossibilidades técnicas. Não sou um purista. Acredito que se em 1977 não existia tecnologia suficiente para algum tipo de imagem que seria importante mostrar, ou se algum efeito visual não envelheceu bem, nada de errado em fazer estes retoques. Todo mundo quer ver seu trabalho durar. Os cineastas devem sentir-se mal cada vez que olham para um trabalho antigo no qual uma determinada cena já não causa a reação que se esperava.

Até aí tudo bem. Mas se torna um problema quando o diretor resolve recontar a sua história. E piora quando estas alterações tocam naquilo que estava bem estabelecido, e era convincente.

Cena de Uma Nova Esperança (1977)

Um bom exemplo é a mística da força. Nos filmes 'Uma Nova Esperança' e 'O Império Contra-Ataca', ela era um poder intangível, algo que vinha da fé, do estágio de evolução espiritual em que o ser se encontrava. Na 'correção' da história tudo se dá através de algo chamado midi-chlorian, que não é explicado, mas sugere-se a idéia de que exista uma micro civilização, e que esta possa influenciar no destino do universo. Curiosamente esta civilização escolhe algumas pessoas em detrimento de outras, gera crianças assexuadamente, e paradoxalmente se tornam escravos dos seres que escolheram.

Talvez existam facções ou nações distintas dos tais midi-chlorian, afinal existem os jedi e os sith, o bem e o mal, o lado obscuro e o iluminado.
Mas como foi, e porque George Lucas resolveu sair da esfera mística para a biológica? E se a coisa é biológica, porque não se desenvolveu métodos para injetar midi-chlorian nas células de pessoas poderosas, soldados, etc? Aparentemente eles se prestam a qualquer propósito, com certeza não se incomodariam em ser concentrados em algumas pessoas.
Como fica o 'livre arbítrio' neste universo? Alguém que possua altas concentrações de midi-chlorian pensa por si, ou é influenciado em suas ações?
Cena polêmica de 'ET'

De fato Geoge Lucas, tentando corrigir as suas aparentes falhas, criou algumas bem reais. Entende-se, em parte, quando Spielberg resolveu tirar as armas das mãos dos policiais em E.T. Estavamos ali, dizendo que a polícia iria fazer um cerco armado contra crianças?!?! Claro que não, foi um descuido, uma falha no roteiro, ou da direção. Tudo bem, vamos remover aquela atrocidade. Mas modificar o caráter das personagens, baseando-se em pontos de vista do 'politicamente correto'?! Isso é demais. Principalmente por que estas coisas são sazonais. E assim como se dá importância a isto hoje, poderá ser algo fútil em mais dez anos. 
Um filme é feito em determinada época, e todo filme em maior ou menor grau é datado. Não se pode ir mudando um filme de tantos em tantos anos, apenas por que um palavrão caiu no ridículo. Não estamos falando aqui da Monalisa de Leonardo. O filme é um bem público, é um produto que gostamos de ver e rever. Não se pode, a cada vez que se assiste a um filme, ver um filme novo.
Cena original de Uma Nova Esperança - Hans atira primeiro
A cena em que Hans Solo deixa de atirar primeiro, no bar em Mos Eisley, segundo a nova versão da personalidade do personagem pode parecer politicamente correta, mas ao meu ver é uma deturpação e desonestidade com o público mais velho, que acompanhou o nascer e o ocaso desta franquia.
Ocaso sim! Quem é que pode, inclua-se aí as crianças de hoje, dizer que esta série manteve sua qualidade. Minha filha adora Star Wars, mas faz um monte de críticas a estas incoerências, ela percebe as falhas na lógica da história e na construção das personagens.
A esperança é que assim como o sol se põe, no dia seguinte ele nasce outra vez. Quem sabe algum dia vejamos este renascer. Mas que seja um renascer com qualidade e respeito pela sua platéia, que se faça algo, vizando a honestidade de uma história ao invés de algo que seja 'comercialmente vantajoso'.
Enquanto isso... may the force (and the hope) be with you!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

James Bond – espião ou galã?


Esta é a primeira de uma quadrilogia de artigos
 escritos por Fargon Jinn e Fabok

Capas dos livros de Fleming



Em 1953, Ian Fleming criou um personagem que daria ao mundo um formato para o então obscuro mundo da espionagem.

Vivendo no pós-guerra e em plena guerra fria, o mundo experimentava o temor de um novo conflito. A situação, aos olhos dos homens comuns, beirava o desespero, num mundo no qual a energia nuclear poderia vir a ser usada sem escrúpulos.

Segredos de Estado estavam ameaçados em qualquer país. Termos como espionagem, contra-informação e agentes duplos, faziam parte do vernáculo dos tablóides e eram explorados pelos governantes para justificarem despesas em relação aos mecanismos de defesa, e ataques políticos contra pessoas ou nações.

Fleming foi um ex-agente do Serviço Secreto de Inteligência (SIS) ou MI6 (Military Intelligence section 6). Inspirando-se na vida de um agente duplo, o iugoslavo Dusko Popov, resolveu escrever um romance sobre espionagem, na qual haveria um glamour envolvendo a vida e o trabalho do agente secreto britânico James Bond e seus inimigos. O autor baseou-se no ornitólogo autor do livro Birds of the West Indies, para batizar o seu personagem.

Curiosamente, a denominação de agente ‘secreto’, foi sempre absurda no caso de Bond. Apenas as pessoas comuns não tinham conhecimento das atividades dos agentes naquele universo. Todos os demais envolvidos nos serviços de inteligência e espionagens tinham fichas completas de todos os agentes de campo, com informações que iam desde habilidades especiais, aparências, históricos, preferências, vícios mais incomuns e pontos fracos.

O espião recebia o chamado para dirigir-se ao MI6, e já estava sendo caçado pelos inimigos, por uma missão em que poderia ou não ser designado.

Ian Fleming
Ian Fleming
A grande sacada de Fleming, no entanto, foi o luxo, os carros, as mulheres, e as parafernálias tecnológicas das quais o agente se cercava para executar suas missões. Na verdade, mais parecia um galã do jetset artístico do que um espião, que deveria viver na obscuridade para coletar informações sem chamar atenção, ou assassinando pessoas importantes nos cenários político e estratégico.

007 é o código de James Bond, os dois zeros na frente do sete lhe garante o poder de matar, sem ser levado a julgamento. Um poder que nem juízes ou reis recebem. Mas este agente poderia decidir, baseado no seu ponto de vista, em que momento uma pessoa poderia ser assassinada.

Qual ser humano não trocaria de vida num piscar de olhos com uma pessoa com aquelas referências. Os agentes mais parecem saídos de agências de modelos masculinos. As mulheres sempre extremamente sedutoras, com corpos exuberantes e roupas absurdamente sexys e caras. Todos possuem recursos financeiros inesgotáveis, podem gozar de luxos obscenos em qualquer lugar do mundo. Os carros são extremamente chamativos e cheios de trucagens de todos os tipos, desde uma simples troca de placas automática, até a transformação em submarinos ou aviões. Os relógios, jóias e os ternos ou os vestidos sempre representam grifes de renome internacional.

Mas o melhor de tudo são os vilões. Estes é que realmente trabalham em sincronia para engrandecer tudo o que o agente Bond faz. Não são criminosos comuns, em geral eles planejam a dominação mundial, ou até mesmo o extermínio da população global. São geniais e muito ricos. Poderosos e influentes, curiosamente são desconhecidos por todos os envolvidos na investigação. Suas atividades passam despercebidas pelos serviços de inteligência dos países mais poderosos, e geralmente só acabam sendo detectados por um incidente pueril.


Mas o melhor destes nêmesis é a capacidade de síntese de todo o seu plano malévolo. E eles sempre resolvem exercer este dom após capturarem o nosso herói, prendendo-o a uma máquina que o matará dentro de um certo intervalo de tempo. Então todo o seu plano é revelado ao espião, que após sua fuga da morte ‘certa’ terá todas as informações necessárias para frustrar a maquinação do bandido asqueroso que, em geral, acaba assassinado pelo agente, ou morto por um rebote de sua própria maldade.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Atingimos mil acessos

Me permitam uma indulgência. Hoje, dia 16 de agosto de 2011, por volta das 08h50, atingimos 1.000 acessos em nossa página. Um mês e um dia após o lançamento de nossa página.

Olha aí, pessoal, isso aqui é só uma festinha, não levem a sério, mas é que no começo, pelo menos eu acho, tudo é motivo de alegria, então 1 mês com 1.000 acessos. Não é lá grande coisa, mas já é alguma coisa.

Um grande abraço a todos e muito obrigado,
Fargon Jinn, Fabok, Helder Maia e Kalibak

P.S. Não deixem de fazer seus comentários, nós precisamos saber o que agradou, e o que não agradou, o que deve permanecer, e o que deve ser modificado, enfim, tudo o que possam nos oferecer para que possamos crescer em qualidade. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A fantasia dos carros

por Fargon Jinn

Aston Martin DB5
Carros são máquinas que há muito permeiam a fantasia humana. Talvez pela sensação de liberdade, ou por sua capacidade de ampliar o poder e a aparente segurança, ou por sua óbvia demonstração de status.

James Bond nos mostra isso de uma forma muito clara ao dirigir o seu Aston Martin DB5, ‘altamente’ equipado.

Os japoneses perceberam isso muito cedo, 1966, quando criaram o conceito da série Speed Racer, na qual o verdadeiro protagonista gera debates, se é o carro Mach 5 ou o seu piloto, visto que, no Japão, a série foi batizada com o nome do carro (Mach Go Go Go). Este era um veículo extremamente versátil, que poderia saltar, subir em paredões verticais, transformar-se em submarino e uma série de outros avanços tecnológicos que hoje em dia ainda não são possíveis, se é que algum dia serão.

Carro do Corredor X - Shooting Star
Os produtores de James Bond, inclusive, inspiraram-se no Mach 5, para produzir a Lotus Sprit S1, que transformou-se em submarino em The Spy Who Loved Me (007 - O Espião que me Amava). Em contrapartida, o Corredor X, ou Corredor Mascarado, foi inspirado naquele mesmo agente secreto britânico.

Herbie - Se Meu Fusca Falasse
Em 1969 a Disney arriscou-se com sua primeira produção visando carros, The Love Bug (Se Meu Fusca Falasse), que mexeu com a imaginação popular, principalmente aqui no Brasil, lugar do mundo em que mais houve produção do modelo da VW. Era comum na época ver os fusquinhas brancos decorados com faixas longitudinais azul e vermelha e o 53 nas portas.

Mais tarde, já através da Pixar, a Disney repetiria o hit com Carros’, que virou uma febre com as crianças e adultos, e acredita-se ter gerado uma renda de cerca de dois bilhões de dólares, somente com a venda de brinquedos em um ano.

Pontiac Trans Am - Burt Reynolds (Bandit)
Vários são os exemplos em que os protagonistas são esses nossos companheiros de, quase sempre, quatro rodas. Smokey & Bandit (Agarra-me se Puderes) de 1977, popularizou o Pontiac Trans Am, que teve sua produção, na cor preta, esgotada e com reservas por mais de um ano. O Dodge Charger RT, laranja, também teve seu momento durante a série The Dukes of Hazzard (Os Gatões).

Super-Máquinas - K.I.T.T.'s
A lista é interminável, Roger Moore junto com Tony Curtis, em Persuaders, levaram à TV o Aston Martin DBS V8 e a Ferrari Dino 246. Starsky and Hutch apresentou o dragster Gran Torino ’75, que é reprisado por Clint Eastwood no seu filme Gran Torino. A série Knight Rider (Supermáquina), trás outro Trans Am e, na versão mais recente, um Mustang Shelby GT. Transformers brinca com a evolução do Camaro 1976 para um de quinta geração.

São muitos os modelos e fabricantes de veículos que se tornaram sonho de consumo através do cinema e da televisão. Tentar relacionar a todos é uma tarefa hercúlea, desde o compacto Mini Cooper, do Mister Bean e The Italian Job (Uma Saída de Mestre), até o BMW Vision Efficiente Dynamics que fará o seu debut em Mission Impossible 4. Neste meio tempo tivemos Fords, GM’s, Audys, Mercedes-Bens, Bentleys, Rolls Royces, Lamborghinis, Lincoln Continentals, Chryslers, Toyotas, Pontiacs, Ferraris, Porches, VW’s, e muito, muito mais.

Ford Lincoln Futura '55 - Batmobile de '67
Agora, se tem um ou dois que nunca sairão da imaginação de nós, fãs do cinema e amantes de carros espetaculares, pelo menos na minha opinião ridícula, são os clássicos: o atemporal (se me permitem o trocadilho) DeLorean; e os sempre novos Batmobiles, do Ford Lincoln Futura ’55 ao tanque de combate da série atual.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quem é Timur Bekmambetov?


por Fargon Jinn


Falamos aqui de um cazaquistanês de 50 anos, que ficou conhecido, no Brasil pelos famosos Night Watch (Guardiões da Noite) e Day Watch (Guardiões do Dia), filmes realizados na Rússia e que fizeram muito sucesso lá. Para nós, só foram lançados em DVD.
Mais recentemente, Bekmambetov dirigiu Wanted (O Procurado), que contou no elenco com Angelina Jolie e Morgan Freeman. O filme teve uma boa crítica, como todos os trabalhos de Timur, e arrecadou igualmente bem.
Poster do filme de 2011
Timur está, atualmente, trabalhando no discutível 20.000 Léguas Submarinas da Fox. Este ano teremos o lançamento do muito esperado Apollo 18 (Apollo 18 – A Missão Proibida), e ainda há The Red Star, baseado em quadrinhos, do qual se tem poucas informações da produção, mas que Timur está cotado para dirigir.
O cara é prolífico. Realizando inúmeros trabalhos e se associando a nomes de peso como Roger Corman e Tim Burton, tem produzido, escrito e dirigido tanto na Rússia, onde tem quebrado, seguidamente, recordes de bilheteria, quanto nos Estados Unidos, onde sua característica de produzir filmes de bons resultados financeiros, com custos menores do que o padrão 'hollywoodiano' tem sido muito bem recebida pelos estúdios, que na crise atual não estão arriscando nada. Isto tem permitido aos distribuidores investir muito mais em divulgação dentro e fora dos EEUU.
Poster do filme de 2004
Outros aspectos positivos no método de trabalho de Timur é a energia com que conduz cada trabalho. Desde a seleção dos roteiros, sempre dando preferência aos temas mais fantásticos e questionadores, ao seu estilo de direção, com cenas rápidas, tomadas mais fechadas, uso de câmara lenta e uma narrativa mais focada.
A ação está sempre presente em seus filmes, mas não é tanto a ação explosiva e intensa dos blockbusters normais, e sim uma preferência por uma ação mais pontual, abrindo muito espaço para diálogos e cortes com cenas esclarecedoras para a trama.
Poste do filme de 2009
Seu trabalho sofreu influência de suas origens como diretor de comerciais de TV, e de diretores consagrados como Frederico Fellini, James Cameron até os irmãos Wachowski, e segundo ele, isto pode ser visto em todos os seus trabalhos, desde um re-make de uma cena, até o posicionamento de uma câmera e um diálogo específico. O humor também é usado buscando inspiração em Michael Bay e John Lee Hancock, e pingando em ironias durante cenas de ação.
Poster do filme de 2008


Timur Bekmambetov é uma das estrelas em ascensão em Hollywood. Vamos aguardar ansiosamente pelos seus próximos trabalhos, torcendo para que continue evoluindo como diretor e roteirista. Ainda vemos que muito do seu trabalho é direcionado ao mercado russo, embora ele esteja inovando no estilo, ainda existe muito do jeito tradicional permeando sua narrativa. Talvez esta seja a fórmula do seu ineditismo, sendo ele o primeiro cossaco a fazer sucesso na América.
Lista das produções:
Diretor
Peshavarsky Vals
1994
Diretor
The Arena
2001
Diretor, Roteirista
Night Watch
2004
Diretor, Roteirista
Day Watch
2007
Diretor
Ironiya sudby. Prodolzhenie
2007
Diretor
Wanted
2008
Produtor
Dark Lightning
2009
Produtor
9
2009
Produtor
Apollo 18
2011
Produtor
The Darkest Hour
2011
Diretor, Produtor
Abrahan Lincoln: Vampire Hunter
2012
Diretor
Moby Dick
2013
Diretor
20,000 Leagues Under the Sea
2013

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sci Fi televisivo americano em crise.


por Fabok

Bons tempos eram os anos 90.  A Nova Geração, Deep Space 9, Voyager, Babylon 5 e Arquivos X atraiam milhões de espectadores. Muito diferente de hoje. Você pode lembrar da última série de ficção científica que foi um sucesso de público? Se você pensou em Lost, pense de novo porque a série de J.J. Abrams não se enquadra muito bem no gênero, não é mesmo?
Babylon 5 - de 1994 a 1999
Vejamos: Flashforward, Defying Gravity, The Sarah Connor Chronicles, Caprica, The Event, SGU estrearam e foram canceladas sem piedade pelos estúdios por problemas de audiência. Olha que algumas destas tinham até potencial. Parece estranho que num momento em que os Nerds conquistam a atenção da mídia, um dos seus símbolos máximos, a boa e velha série Sci Fi esteja em crise. Mas o que será que anda acontecendo?
J. J. Abrams
Muitos culpam a Internet e dispositivos de gravação de programas de TV, conhecidos como TiVo pela erosão da audiência das séries, outros a própria qualidade dos roteiros, mas no frigir dos ovos, a temporada 2011-2012 está pra começar nos EUA e não temos grandes novidades na TV. Novamente, J.J. Abrams, olha ele aí de novo, nos apresenta a quarta temporada de Fringe, que não é tão popular assim e a novíssima Alcatraz, que está mais para fantasia que ficção.
Até mesmo os canais a cabo, considerado um ambiente mais amigável para o gênero, está sem novidades. O SyFy continua com Warehouse 13 e Eureka que eu enquadraria num subgênero, o Sci-Comedy. Sanctuary e a nova série Alphas estão mais para fantasia. A única promessa do canal é um piloto para mais uma possível série derivada de Galactica, Blood and Chrome que tem estréia prevista para outubro.
De 2009 a 2011
A verdade é que séries de ficção, em especial as Space Operas, têm custos altíssimos de produção, em SGU, por exemplo, diz-se que um episódio saía por quase U$ 3 milhões de dólares. Em tempos de crise, seriados policiais e de dramas familiares são mais baratos e têm um retorno muito maior para os estúdios. A situação é tão grave, que até mesmo George Lucas que já tem cerca de 50 roteiros prontos para sua série live action de Star Wars colocou o projeto em espera. Para ele a questão realmente é custo. Em uma recente entrevista ele afirmou que está investindo pesado para diminuir os custos de produção de efeitos visuais em até 75% dos valores gastos hoje.
"Dinheiro obscuro?!"
             O que eles todos esquecem é que a boa ficção científica está calcada em bons roteiros e não em efeitos visuais. Se eu pudesse ter uma conversa com o Sr. Lucas ou os executivos dos estúdios pediria a eles que dessem uma olhada em alguns episódios da série clássica de Jornada ou Babylon 5 e tantas outras que nos cativaram, não por sua pirotecnia e sim por conseguirem levar às telinhas o que o gênero tem de melhor.
             Simples, não?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O pouso do homem na Lua é o momento de maior carinho na história da NASA


por Fargon Jinn
Neil Armstrong, MIchael Collins e Edwin 'Buzz' Aldrin
           
             Trinta e dois anos atrás o homem pousou na Lua. Há um mês atrás encerrou-se  mais um capítulo nesta saga de mais de seis décadas, com o fim das missões do Space Shuttle.
            Em 29 de julho de 1958, em plena guerra fria, nascia o instrumento governamental norte-americano que desempenharia um papel sem igual na história da humanidade. Substituindo a NACA, um comitê criado um ano antes, a NASA surge com o objetivo de elaborar um estudo e projetos de longo prazo sobre a exploração e o uso civis do ambiente extra-terrestre.
            Assustados com o lançamento do Sputnik o congresso e público pediam medidas urgentes. Mas, um pouco antes, neste mesmo ano, Eisenhower havia criado um projeto para desenvolvimento de tecnologias secretas chamado ARPA, com intuito de desenvolver mísseis balísticos e aplicações militares para o espaço. A NASA viria com o intuito de desenvolver tecnologias de visibilidade pública, para competir na guerra de propaganda política perante o resto do mundo.
Armbadge padrão do pessoal da NASA
            Durante algum tempo, tecnologias e pessoal, dentre eles Wernher Von Braun e seus foguestes Jupiter-C, foram permutados, entre os dois órgãos (NASA e ARPA) com o intuito de dar uma resposta ao sucesso soviético. Foi a partir de 61, com Kennedy, que a nação americana decidiu-se por um caminho arriscado e glorioso. Iriam dentro de dez anos levar um ser humano, em segurança, à superfície da Lua, e trazê-lo de volta.
            Hoje a NASA coleciona um histórico impressionante de sucessos e fracassos. Muito mais sucessos do que fracassos, que fique claro.
            Esta agência sozinha é responsável por seis programas tripulados: Mercury; Gemini; Apollo; Skylab; Space Shuttle (onibus espacial); International Space Station “ISS” (estação espacial internacional). Por mais de quinze projetos não tripulados de sondas espaciais e planetárias: Mariner; Pioneer; Voyager; Viking; Helios; Hubble Space Telescope; Magellan; Galileu; Mars Global Surveyor; Discovery; Mars Exploration Rovers; New Horizons; Kepler Space Telescope; LCROSS; Centaur; LRO; etc.
            Mas de todo este corolário de glória, existe um ponto muito sensível a todo pessoal que compõe seus quadros. O momento de maior realização, alegria e bravura, é tido por alguns como um embuste, uma mentira, uma conspiração contra o povo americano e a humanidade.
            Alan Shepard descreve em seu livro “Moon Shot” esta aventura de uma forma branda e terna, da qual emprestamos o trecho a seguir:
            [tradução própria]
Livro de 1988
           “Neil Armstrong parado na soleira do módulo lunar deu uma passada para trás. Ele estava se dirigindo para um lugar onde nenhum ser humano jamais foi: A superfície de um mundo desprovido de vida, uma superfície com crateras e poeira sem fim – um mundo alienígena contendo os escombros do eterno bombardeio cósmico.
            Ele parecia estranhamente confortável. Seus pés calçados em botas astronáuticas tocavam os degraus da escada com confiança, enquanto bilhões na Terra, distante, olhavam fixamente, em seus televisores, para uma figura fantasmagórica num traje espacial, movendo-se lenta e seguramente escada a baixo.
            Subitamente lá estava ele.
            Bilhões testemunharam quando Neil tocou a superfície lunar.
            Touchdown.
            Seu pé esquerdo pressionou com força sobre uma superfície finamente granulada às 22h56 no horário da costa leste americana, em 20 de julho de 1969.
            Este pequeno passo para um homem, é um salto gigantesco para a humanidade! - disse Neil lentamente conforme olhava para baixo, estudando o solo abaixo de suas botas - A superfície é fina e pulverosa! - ele reportou para um mundo fascinado - Ela adere em finas camadas, como pó de carvão, à sola e laterais das minhas botas. Eu apenas afundei uma fração de polegada, talvez uns 3 milímetros, mas posso ver as marcas das minhas botas em detalhes nestas partículas de areia.”

Pegada de Armstrong
            Neil não sabia naquela hora, mas foi esta pegada de tão alta definição que físicos de 'fim-de-semana' ofereceriam como “a prova” de que a caminhada na lua foi uma farsa.
            A humanidade preferiria pensar o pior de si mesma do que o melhor.
            Os 'céticos' clamaram que Neil e Buzz apenas deixariam marcas, tão definidas, em solo úmido. Mas um acurado exame do solo lunar trazido de volta à Terra, mostrou areia virgem. Os grãos ainda tinham suas bordas escarpadas. Eles não foram rolados pelos ventos e erosão da atmosfera terrestre. No vácuo, suas bordas afiadas se encaixam uns nos outros deixando uma superfície tão suave quanto areia úmida nas praias.
            “Onde estavam as estrelas?” os céticos perguntaram. As câmeras da NASA enviadas à Lua tinham que trabalhar com curta exposição para captar a brilhante superfície lunar e os astronautas em seus trajes espaciais. As estrelas, tão facilmente vistas por Armstrong e Aldrin, ficaram muito fracas e subexpostas, igual às que, hoje, são obtidas durante as missões do Space Shuttle ou na ISS.
            “Por que o foguete de descida não cavou uma cratera no solo lunar?” a resposta é simples: Se um helicóptero não deixa marcas ao pousar num solo arenoso, o foguete de frenagem do módulo lunar, que tem menor potência de empuxo do que um helicóptero leve, jamais poderia produzir tais marcas. É apenas um jato de gases com dispersão. Se na nossa gravidade um helicóptero não deixa marcas para pousar ou levantar voo, por que o faria o jato do estágio de descida, no solo lunar? Todas as missões posteriores mostraram que também não foram produzidas tais crateras, por que a Apollo XI deveria ser única missão que geraria tal efeito?
Armbadge da missão Apollo XI
           Os astronautas tiveram dificuldades em fixar a bandeira no solo lunar. O solo logo abaixo da areia é mais rígido, a ponto de ter sido necessário bater para que o suporte conseguisse ficar meramente em pé. A haste utilizada era leve e muito flexível. Obviamente, sem a resistência do ar, ela oscilou por mais tempo que normalmente oscilaria na atmosfera terrestre. Os movimentos da bandeira foram posteriormente reproduzidos no programa Mithbusters do Discovey Channel e na câmara de vácuo do Centro de Voo Espacial Marshall, em Huntsville, Alabama, o resultado confirmou o mesmo tipo de oscilação vista durante a missão de Armstrong
            Aldrin ainda depositou, no solo lunar, um espelho multifacetado, com o propósito de se fazer a medição da distância Terra-Lua através da reflexão de lasers. Este instrumento começou a ser utilizado minutos após a sua instalação, por universidades e observatórios no mundo inteiro. Este equipamento não poderia ser depositado automaticamente, foi preciso vários minutos em contato com Houston até que os ajustes precisos fossem concluídos. São aferições feitas através de parafusos com precisão micrométrica. Se a tripulação da Apollo XI não fez aquilo, naquele dia, quem é que estava fazendo? Este espelho ainda hoje é utilizado.
Foto do LRO - 2009
            Precisou quatro décadas, mas, finalmente, os apelativos protestos silenciaram. O LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) enviou fotos do local de pouso de seis missões, inclusive da missão Apollo XI no Mar da Tranquilidade. A prova é definitiva. Contudo, por incrível que pareça, todos os dias ainda surgem conjecturações geniais, 'provando' por qualquer que seja a ideossincrasia, que os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin, juntamente com 44.000 funcionários, técnicos e cientistas da NASA, acrescido de duas nações inimigas (China e a antiga URSS), compactuaram para a maior mentira da história da humanidade.
            I rest my case, your highness...

A volta do mestre John Carpenter

por Helder Maia

            John Carpenter é um dos ícones dos gêneros Terror e Ficção há quatro décadas, tendo dirigido clássicos como Halloween, O Enigma do Outro Mundo, Eles Vivem e À Beira da Loucura. Desde o malfadado Fantasmas de Marte, dez anos atrás, ele estava afastado das telas de cinema, tendo dirigido apenas dois episódios para a série de TV Mestres do Horror.
Poster do filme de 2010
            Ele voltou ao gênero com Aterrorizada (The Ward – 2010), que conta a história de uma jovem garota que é internada em um hospital psiquiátrico após pôr fogo em uma casa. Lá, ela encontra outras internas e descobre que algo as está fazendo desaparecer uma a uma.
             Carpenter mostra que domina sua arte: ele sabe onde colocar a câmera, os planos são muito bem trabalhados, sucedendo-se de forma suave e precisa. Ele também sabe criar clima e suspense. Outros pontos fortes do filme são a bela fotografia, a direção de arte (o enredo se passa nos anos sessenta) e os créditos iniciais, que mostram imagens em vidro se partindo.
Cena no sanatório
            Infelizmente, os roteiristas não mostraram tanto talento: a história é superficial e monótona, com quase nada acontecendo o filme todo. Por exemplo, eles nunca sequer “perdem tempo” mostrando de que tipo de doenças sofrem ou a que tipo de tratamento são submetidas as internas. Pelo comportamento da maioria nem parece que sofrem de distúrbios psíquicos. Como se isso não bastasse, eles ainda fizeram uma reviravolta já muito batida e vista em outros filmes, além de um susto final desnecessário.
John Carpenter dirigindo Amber Heard
            Mais sorte ao Mestre na escolha de um roteiro na próxima vez. Com uma boa história em mãos ele tem tudo para voltar a brilhar nas telas de cinema. 
Devido à fraca recepção que o filme recebeu, ele acabou não sendo lançado nos cinemas por aqui, tendo saído direto em DVD no final julho. Mas se você é fã de Carpenter não pode deixar de conferir Aterrorizada, apesar de ele estar entre suas obras mais fracas.


Nossa nota:
Delta-Shield Bronze



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Colônias submarinas

por Fargon Jinn
Aquatica representa todas as regiões submersas do mundo, primariamente consistindo de um único oceano planetário que circunda o globo. Esta é a bandeira de todas as regiões que serão ocupadas em caráter permantente, e seus cidadãos serão os aquáticos.
 
De todos os 100 bilhões de seres humanos que já viveram, nenhum já viveu permanentemente sob o mar. Enquanto nós temos a tecnologia para colonizar este vasto domínio tridimensional há mais de meio século, este permanece vazio de entrepostos, colônias ou cidades – ou mesmo um único habitante que seja. Enquanto este imenso território cobre quase três quartos do globo, ninguém jamais foi até lá para ficar.
Dennis Chamberland relata, em seu livro “Undersea Colony” (Colônia Submarina – tradução livre, visto que não há versão em português) a história desta exploração desde suas primeiras tentativas em 1962 (num experimento de vinte quatro horas sob o oceano), até os dias atuais. Surpreendentemente, esta cuidadosa coletânea dos registros históricos da penetração do homem no oceano, revela inícios mal conduzidos, incompreensão da capacidade humana de adaptação e, eventualmente, o grande abandono deste objetivo. Ainda, em seu livro, ele revela os projetos visionários para os pioneiros deste século, onde colonos e famílias serão os primeiros habitantes de Aquatica, a primeira cidade submarina.
Concepção do submarino da Virgin Oceanic
Por outro lado, temos as primeiras conquistas da iniciativa privada, com Sir Richard Branson. Fundador do Virgin Group, depois de bater recordes em balões, vencer o X Prize com o seu Spaceship One, produzido por sua empresa, Virgin Galactic (que irá disponibilizar para a próxima década as primeiras viagens comerciais do homem ao espaço), chega agora com a Virgin Oceanic, empresa que utilizará submarinos para três pessoas que poderão chegar a três quilômetros de profundidade.
A NASA também vislumbra as profundezas como um meio de se chegar a Marte. O lago Pavilion, na Colúmbia Britânica (estado canadense), surge como lar de um mistério biológico. Estruturas similares a corais, formadas por depósitos de bactérias, conhecidas como microbialites formaram o fundo do leito deste lago canadense. O incomum é que, provavelmente é a única ocorrência que existe, deste tipo, em água doce. Mas o mais incomum é o motivo de astronautas estarem explorando o fundo deste lago. A Lua não tem lagos e os de marte, se algum dia existiram, não está na pauta de exploração da NASA. Mas o verdadeiro motivo reside na logística empregada neste tipo de operação. É um processo muito semelhante aos métodos exploratórios que seriam utilizados em outros planetas.
A humanidade, depois de ir buscar respostas fora de nossa atmosfera, descobre que podemos aprender muito ainda a respeito do universo, aqui mesmo, nas profundezas do nosso planeta.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Star Trek adiado


por Fabok

O que todos suspeitavam acabou finalmente acontecendo. A Paramount Pictures anunciou esta semana que a estréia da nova aventura de Jornada nas Estrelas, no cinema, foi adiada. Apesar da nova data não ter sido informada, a aposta é para o verão americano de 2013. Nenhum estúdio parece estar interessado em disputar as bilheterias com a primeira parte de O Hobbit que chegará às telas em 2012.
Poster do filme, previsto para 2012
A novela sobre a produção de Star Trek XII vem se arrastando por mais de um ano, começando quando J.J. Abrams foi escalado para dirigir o Super 8. Por mais que todos negassem ficou claro que a produção da seqüência do filme de 2009 estava em estado de espera. A presença de Abrams na direção é quase certa, sendo o atraso no início da produção uma de suas exigências para assumir a direção da sequência. Isto dará tempo para um melhor tratamento no roteiro e detalhes de pré-produção, já que há a pressão, por parte do estúdio, que a arrecadação supere a da aventura de 2009.
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Os fãs, entretanto, não precisam se desesperar. Enquanto o filme não vem, um game para PC, XBOX e PS3 fará o link entre Star Trek XI e XII. O lançamento está, muito provavelmente, marcado para 2012. Apresentado na última E3, a gigantesca feira anual da indústria de jogos eletrônicos, o jogo causou uma excelente impressão. Realmente as primeiras imagens e trailers capturam o visual estilizado do filme de J.J. Abrams de uma maneira impressionante, sem contar com as vozes de Chris Pine (Kirk) e Zachary Quinto (Spock).

Paciência é a palavra de ordem para os trekkers. Teremos que nos contentar, pelo menos nos próximos dois anos, com as Fan Series, o novo jogo e talvez o lançamento dos primeiros episódios da Nova Geração, remasterizados em alta definição e com novos efeitos visuais. Parece que a espera não vai ser tão difícil assim...