quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Splice

CRÍTICA DE CINEMA: Splice - A Nova Espécie

por Fargon Jinn

Splice significa a atividade de unir fios, atar cabos, fundir correntes. No nosso caso falamos de fusão de cadeias de ADN (ácido desoxirribonucleico), ou o hoje famoso DNA, que é um anglicismo.

Mais uma vez Vincenzo Natali (O Cubo, 1997 – diretor e roteirista) dá uma tacada de mestre do scifi (gosto mesmo dos filmes deste cara). E neste, ele busca, dentro de uma visão científica concreta, mostrar-nos alguns dos muitos perigos da manipulação genética.

O desenvolvimento de novas espécies não é uma ficção, é uma realidade há algumas décadas. A ciência vem trabalhando com híbridos de plantas, bactérias e até mesmo alguns pequenos animais. Mas híbridos podem ser considerados como novas espécies? Sim, podem. Se mulas e burros fossem férteis, e pudessem cruzar entre eles, teríamos o surgimento de uma nova espécie.

Melancias, abacaxis e milho são
espécies desenvolvidas pelo homem
O alerta de Splice está no exemplo mostrado quando as duas únicas criaturas de um experimento apresentam um comportamento inesperado, logo no início do filme. Isto demonstra que para se gerar novas espécies em laboratório, devemos ser capazes de garantir segurança perfeita. Mas hoje em dia, quem quiser investir em padrões de segurança para suas experiências está, no geral, mais preocupado em proteger, de espionagem, suas pesquisas do que com os riscos de contaminação do meio ambiente.

Outro alerta está na questão da geração de híbridos com ADN humano. Não existem leis contra tal prática. Por isso podemos estar prestes a ver uma geração X surgir de uma hora para outra. Algo como animais com inteligência aumentada por miscigenação com o nosso ADN. Se algo assim acabar solto na natureza é impredizível quais consequências advirão.

Houveram alguns exageros que diminuem a classificação de scifi hard, mas nada que desabone o filme. Sempre precisamos ter algum impacto, e o exagero é uma saída relativamente fácil.

O desenvolvimento da trama é lenta e algumas vezes se arrasta, mas é inevitável, este é um filme feito para que o espectador pondere, analise, e vá junto com o roteiro decidindo se aquilo que está sendo mostrado é ético ou não. É um filme para se assistir e discutir com os amigos e familiares. Queremos ver o sucesso das experiências levadas a cabo pelos protagonistas, mas ao mesmo tempo temos que decidir até onde “o fazer por que podemos” é aceitável.

A ciência cresce com os riscos, mas muitos deles não devem ser levados às suas últimas consequências. O processo de desenvolvimento científico na nossa realidade atual, transformou-se numa disputa de velocidade. Estamos muito preocupados em lançar algo antes dos concorrentes.

Afinal, a Apple estabeleceu-se como um exemplo disso. Os demais estão correndo atrás do atraso. Nesta disputa não se parou para avaliar o impacto destas rápidas mudanças tecnológicas no dia-a-dia das pessoas, nos mercados financeiros, nos parques industriais, nos mecanismos de empregos e geração de renda, ou sequer nos técnicos e cientistas que trabalham no desenvolvimento destas conquistas do design e da física.

Voltando ao filme, temos o trabalho sempre impecável do 'oscarizado' Adrien Brody (O Pianista, 2002 – A Vila, 2004), mas neste faltou o seu 'brilho' especial (foi meio frustrante). A menos conhecida Sarah Polley teve uma presença mais marcante.

  A direção de Vincenzo Natali não surpreende, é um diretor que se atém mais à história do que aos quesitos técnicos. Mas pode-se notar sua evolução. Este filme, com certeza, mostra a melhor fotografia e edição de seus trabalhos. Os efeitos são impecáveis. E para um orçamento de US$30 milhões, faz 'A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1' que custou US$110 milhões, juntamente com seus ridículos lobos em CGI ficar ainda mais ridículo.


O filme não é um 'pipocão', e portanto não é para diversão pura. É para análise, fomentar discussões, buscar entendimento de algo que aparentemente é fantasia para a maioria da população, mas que algum dia teremos que parar e fazer nosso debate. Quem for alugar este filme, não deve esperar um thriller, é uma ficção-científica hard, meio chatinha, com uma ponta de terror. Mas extremamente bem produzida e conduzida. Vale à pena.

Splice - A Nova Espécie (Splice): 2009, (França, Canadá)
Direção: Vincenzo Natali
História: Vincezo Natali e Antoinette Terry Bryant
Roteiro: Vincenzo Natali, Antoinette Terry Bryant e Doug Taylor
Elenco: Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chanéac

Nossa avaliação:
Delta-Shield Prata

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

George Orwell


LITERATURA


por Helder Maia

George Orwell    *1903   1950
George Orwell (pseudônimo de Eric Blair) foi um contundente escritor de literatura política. Em seus escritos, como em sua vida, Orwell lutava contra o cerceamento da liberdade individual. Ele condenava os governos totalitários, que impunham rígido controle sobre o cidadão. As suas duas obras mais importantes são A Revolução dos Bichos e a sua opus magnum '1984'.

Em 'A Revolução dos Bichos' ele se utiliza de uma fábula para denunciar os descaminhos tomados pela revolução Russa. Orwell não era contrário ao comunismo, mas sim se opunha ao governo opressivo e totalitário de Stalin.

Lançado em 1945
No livro, os animais de uma fazenda se rebelam contra seu dono e o expulsam, implantando um regime comunitário onde todos terão acesso aos benefícios de seu trabalho. É então que os porcos começam a manipular os outros animais pela sua ignorância (a maioria não sabe ler) e começam a usufruir de privilégios, mantendo os discordantes controlados pelo uso da intimidação e força. É deste livro de Orwell a famosa frase: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”.

Lançado em 1949
Em sua obra mais importante, '1984', Orwell relata a vida sob um regime ditatorial, onde a população vive na miséria e só os mais altos membros do Partido têm acesso a privilégios materiais e conforto. O Partido controla a tudo e a todos, inclusive distorcendo e apagando, através do Ministério da Verdade, os eventos registrados da história em seu benefício, de forma que nunca esteja errado em suas previsões. É interessante notar que a única esperança do proletariado se resume à Loteria e ao prêmio em dinheiro que poderia lhe trazer uma mudança de vida. No livro fica claro que boa parte destes prêmios não existe, ficando subentendido que seu objetivo é dar uma esperança à população, evitando que haja uma revolta (Mega-Sena de R$177 milhões? Hmmm...).

Um jornalista polêmico e bem humorado
Traçando um paralelo com o universo de '1984' o mundo atual apresenta similaridades: o forte poder da mídia como instrumento de manipulação da opinião pública; a contínua propagação da classe dominante no poder, sem que haja muita possibilidade de mobilidade social; os representantes eleitos que não trabalham em prol dos anseios e necessidades da maioria da população, mas sim de uma classe dominante e em benefício próprio; a busca incessante daqueles que se encontram no poder de que não haja uma mudança no status quo. O mundo ainda apresenta vários exemplos de governos totalitários na atualidade: China, Cuba, Vietnã, Venezuela, Coréia do Norte, Sudão e vários países da África e do Oriente Médio.

Mesmo os países ditos democráticos vivem uma falsa democracia onde o cidadão não tem forças ou tempo para buscar mudanças devido a uma carga horária de trabalho escravizante, luta constante pela sobrevivência e é distraído dos verdadeiros problemas pela TV, com programas pífios como Big Brother. É lamentável que um dos termos do brilhante livro de Orwell seja usado pelos altos poderes como instrumento de alienação.

Lançado em 1936 - tema polêmico
Um dos temas destes dois livros é que o povo não tem consciência de sua força enquanto maioria, e de que a união das massas poderia trazer profundas mudanças positivas na sociedade.

Então, caro explorador, não perca tempo, leia estes livros e outros de sua autoria. Abra sua mente para a realidade que nos cerca.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Farscape

SÉRIE NOSTALGIA


por Fargon Jinn

Foi num equinócio de outono, março de 1999, que estreou uma série muito inusitada em diversos sentidos. Uma produção australiana-estadunidense, feita para o Nine Network e Sci-Fi Channel, dentro do gênero da ficção científica, criada por Rockne S. O’Bannon (SeaQuest DSV, Alien Nation, Amazing Stories) e produzida por Jim Henson (The Muppets).

Farscape One - nave de John Crichton
A história contava as desventuras de um astronauta-cientista da NASA que, ao testar uma invenção, durante um vôo espacial, é sugado por um buraco de verme e surge numa região desconhecida do espaço, em meio a uma batalha.

O infeliz astronauta John Crichton (Ben Browder) logo entra em contato com seres humanóides que lhe injetam  um vírus tradutor (prefiro o peixe babilônia de Douglas Adams) e começa a perceber que ele foi parar numa região tão distante, que nem aqueles seres com uma ciência tão avançada têm a menor idéia de onde possa ser o nosso planeta.

Leviathan Moya
Todos ali são fugitivos penais, todos mesmo, inclusive a nave. É uma nave viva.

Esta sociedade interplanetária é policiada por uma civilização de humanóides, extremamente semelhantes a nós, chamados sebacean, e sua função é conhecida como Peacekeepers (pacificadores) que é a principal atividade desta espécie.

Comandante Crais
Nosso amigo Crichton consegue, logo de cara, envolver-se na morte do irmão de um comandante Peacekeeper. Obviamente, esse comandante tinha que ser alguém com profundos problemas psicóticos, e este resolve que será a missão de sua vida, perseguir e destruir o nosso protagonista.

Na nave Moya, um ser biomecânico da espécie dos leviatãs, estão três ‘criminosos’ que estariam presos, não por crimes, mas por perseguições políticas. São eles: Ka D’Argo (Anthony Simcoe) é um guerreiro da espécie luxan, para quem tudo se resume a vida ou morte; a azulada Pa’u Zotoh Zhaan (Virginia Hey) da espécie delvian, é uma sacerdotiza do nono grau, e tudo é zen para esta mestra cheia de sabedoria espiritual e truques parapsicológicos; Dominar Rygel XVI é um duendezinho acinzentado da espécie hynerian, ele que uma vez foi o imperador de seiscentos bilhões de almas agora vive no exílio; cuidando das funções de Moya está o Piloto, um ser que vive uma relação simbiótica com a nave, eles não podem se separar ou morrem.

Piloto e John Crichton
Tanto Rygel como o Piloto são bonecos animados ao estilo Muppets. Um doce para quem adivinhar o responsável por suas criações. ;)

A eles se une Aeryn Sun, uma sebacean, ex-peacekeeper, que por argumentar sobre a possível inocência de John na morte do irmão do Comandante Crais, se torna culpada por possível contaminação cultural ao entrar em contato com um alienígena não aprovado.

John e Aeryn
Este é o grupo do elenco que abre a primeira temporada. Outros serão agregados nesta e nas temporadas subsequentes. Ao todo o projeto foi desenvolvido para cinco temporadas. Mas foi cancelado, na quarta, no meio de um gancho para a continuidade da última temporada.

A solução para com a audiência foi criar uma minissérie, The Peacekeeper Wars, que tentou concluir o último arco. Bem ou mal, mas concluído.

Obviamente Family Guy não deixaria passar em branco
Até aí, os amigos exploradores podem, com razão, perguntar – E alguém já viu coleção maior de clichês? – tenho que concordar veementemente. É um monturo de clichês ‘sem-vergonhas’.

...Mas sabem o que...? ...É muito divertido.

A série tem uma produção magistral, os roteiros são inocentes e agradáveis como as histórias de Jornada Clássica, repletos de bom humor, uma variedade satisfatória e ação de boa qualidade. Os efeitos visuais são muito bem gerados, e o resultado é perfeito. A sonoplastia é extremamente bem conduzida, a fotografia, a edição e câmeras não te deixam cansado ou entediado. Na verdade o difícil é parar de assistir.

Quem quiser experimentar não vai se arrepender. O piloto já lhe fisga nos primeiros dez minutos, e a cada episódio ansiamos pelo seguinte. Assistam e mandem suas impressões.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Melancholia


CRÍTICA DE CINEMA: Melancolia


por Helder Maia


Melancolia é a mais recente obra do, no mínimo, inusitado diretor dinamarquês Lars von Trier. Ele, que já nos brindou com bons filmes como Dançando no Escuro (2000) e Dogville (2003), faz em seu mais recente trabalho um estudo sobre a tristeza e o vazio existencialista.

Justine (Kirsten Dunst, da Trilogia Homem-Aranha, 2002-2007) acaba de se casar, com direito a uma luxuosa festa patrocinada por seu cunhado, interpretado por Kiefer Sutherland (o eterno Jack Bauer de 24 Horas). Mas o que seria um evento feliz para a maioria das mulheres é para Justine um evento de pouco significado, do qual não consegue extrair contentamento.

Screenshot de Melancholia
Com a revelação de que um planeta está se aproximando da Terra, Justine cai em profunda depressão. Já sua irmã entra em desespero, pois por mais que seu marido garanta que o planeta apenas passará próximo a Terra, ela fica alarmada pelas previsões pessimistas divulgadas na internet de que o mesmo irá colidir com a Terra, extinguindo toda a vida.

Kiefer Sutherland
Este drama de ficção científica traz início e fim com imagens espetaculares. Ver, também, o gigante planeta no céu da Terra é impressionante. Pena que o filme seja muito longo e se arraste em meio a situações soltas. Várias cenas poderiam ter sido retiradas da montagem final para deixá-lo mais dinâmico. O recurso de câmera na mão, comumente empregado pelo diretor em suas obras, também chega a incomodar em certos momentos. Para os tarados de plantão, como eu, vale citar que Dunst aparece nua no filme, embora sejam cenas sem contexto sexual.

Kirsten Dunst
Ao final, o filme vale mais por sua proposta que pela execução, deixando na mente do expectador como esta boa idéia poderia ter rendido um filme muito melhor.

De qualquer forma, o filme, que acabou ficando mais conhecido pela polêmica entrevista que o diretor deu no Festival de Cannes e suas observações sobre o nazismo, merece ser conferido.

Melancolia (Melancholia): 2011, EUA
Direção e Roteiro: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland

Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Space Above & Beyond


SÉRIE NOSTALGIA


por Fargon Jinn


Não, não estamos falando do 'Buzz Lightyear', mas de uma série de TV de ’95. Produzida pela Fox. Esta tinha de tudo para ser um sucesso, mas só durou uma temporada. Justamente neste período a Fox estava numa disputa interna pelo poder e, no meio dessa briga, a ficção científica perdeu espaço para as séries Buffy e X-Files. Tem gente que não aprende mesmo. Alguns dos responsáveis por cancelarem SAAB, foram os mesmos que não queriam financiar o projeto maluco de um novato “sem noção” chamado George Lucas.

Na cabeça desta série estavam os produtores executivos James Wong e Glen Morgan, também responsáveis por outras produções como Millennium e o próprio Arquivo-X. Esta dupla trabalhou muito para a televisão e cinema no período, e são responsáveis por uma boa dose de trabalhos de sucesso. Eles estimaram que cada episódio sairia entre 1,5 a 2 milhões de dólares, o que colocaria a série entre as mais caras até a época. De fato não receberam nem um quarto deste montante.

Wong e Morgan
Desta forma, para não descartar o show, trouxeram atores, diretores e roteiristas novatos. Wong e Morgan montaram um laboratório para estágio de novos talentos. Eles ficaram mais interessados em quebrar paradigmas, lançar novas opções para a desgastada televisão dos anos ’90, oriunda dos fracassos constantes da década anterior.

Mas não deu certo. Na briga dos executivos pela tomada do poder na emissora, a série recebeu os piores orçamentos da época. Os efeitos visuais pareciam gerados para videogames, e a inexperiência dos atores e diretores acabaram por bater o martelo, e frustrou sua previsão de ser concluída em cinco temporadas.

Afinal, o que esta série tinha de bom?


O argumento renovado, e boa parte dos roteiros que traziam um revival dos apelos dramáticos dos roteiros dos anos ‘50. Não achem que isso é pouco. Nas décadas de 60 e 70, a totalidade dos seriados só tinham isso: um bom roteiro, porque o orçamento era uma vergonha, os atores trabalhavam a troco de banana, e os efeitos especiais... bem, eles falam por si mesmos.

Mas em SAAB víamos um grupo de combate que lembrava os filmes sobre a guerra da Coréia, Vietnam e WWII. Havia uma tentativa de retomar um pouco da pureza dos antigos seriados de TV, no qual o sexo e a violência barata não seriam o atrativo, mas sim o drama das operações de combate, o estar afastado de suas famílias, o preconceito contra pessoas criadas através de clonagem (bucha de canhão para a guerra), os conflitos políticos e as tramas e subtramas.

 Soldado chig
Um ponto muito interessante neste cenário é que o inimigo, os 'chigs', uma espécie alienígena que resolveu atacar as colônias humanas sem motivo aparente, é totalmente desconhecido. Pouco ou nada se ficou sabendo sobre estes agressores até o final da série. Obviamente eles não eram o objeto, apenas o pano de fundo.

O foco central cai mesmo sobre os cinco oficiais mariners. Ali vemos um grupo de jovens com muito mais problemas do que normalmente eram mostrados nas séries de TV até então. Este, aliás, é um dos novos paradigmas trazidos com mais força pelos produtores, onde buscavam aproximar mais os “heróis” dos telespectadores. Eles mudaram estes aspectos da TV norte-americana onde, em geral, se viam protagonistas trazendo suas lições de ética, moral e bons costumes. Em SAAB, as personagens iam aprendendo com a experiência, tentativa e erros, e não concluíam com a moral da semana, tudo ficava um pouco mais nublado. Exatamente como é a vida.

58th Squadron WildCards
Outro ponto de interesse, é que se o explorador domina bem o inglês, e quiser assistir a série com legenda original, verá como os jargões militares foram trazidos para o roteiro, sem o menor peso na consciência. Ou seja, sem mais explicações ou contextualizações. No começo pode ser um pouco confuso, mas aos poucos vai se vendo que as pesquisas foram intensas. As expressões, siglas e gírias e jargões utilizados vieram direto pelo túnel do tempo de várias referências históricas, desde a 1ª Guerra Mundial, passando por Guadalcanal, Iwo Jima e a, então recente, Tempestade do Deserto.

No Brasil, a série foi veiculada pela FOX em 1996, e não se tem notícias de voltar a ser transmitida. DVD só através da Amazon, por cerca de U$30,00 mais frete. Quem tiver oportunidade não deixe de ver. É diversão garantida. Eu recomendo.


Comando Espacial (Space Above & Beyond - SAAB): 1995, EUA
Produção: Fox Network
Produtor Executivo: James Wong e Glen Morgan
História: baseada no livro The Forever War (1974) por Joe Haldeman


Nossa avaliação:
Delta-Shield Bronze

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma


CRÍTICA DE CINEMA:
Mission: Impossible - Ghost Protocol


por Fabok

É engraçado que a cada filme a cinessérie Missão Impossível se reinventa. O primeiro, dirigido por Brian De Palma, em 1996, é o mais cerebral e mais próximo da série de TV dos anos 60. Já no divertidamente exagerado, segundo filme, de 2000, e dirigido por John Woo, primeiro foram escritas as cenas de ação, para só depois adaptar o roteiro a elas. O terceiro (2006), que marcou a estreia de J.J. Abrams como diretor de cinema, é um filme pipoca clássico, com ótimas cenas de ação e um roteiro mais bem amarrado que a aventura anterior.

Tom Cruise é Ethan Hunt na Franquia M:I
Apesar de MI 3 ter sido considerado o melhor da série até então, seu resultado nas bilheterias foi abaixo do esperado e marcou o fim de uma parceria de anos entre os estúdios Paramount e Tom Cruise. De lá prá cá nenhum dos filmes estrelados pelo ator chamou realmente a atenção, com a exceção, é claro, de sua participação na comédia Trovão Tropical (2008). O novo Missão Impossível só saiu graças a atual boa fase de J.J. Abrams em Hollywood que, como produtor de MI 4, conseguiu que Cruise e a Paramount voltassem a trabalhar juntos. Aliás, Abrams e Cruise se dão tão bem que o ator quase foi escalado para viver o papel do Capitão Pike em Star Trek, coisa que só não aconteceu porque na época da produção do longa a relação do estúdio e Cruise estava muito abalada. Abrams, então, ainda não tinha a reputação que tem hoje.

Brad Bird, 55 anos, 2 Oscars
O filme é dirigido por Brad Bird (O Gigante de Ferro, 1999 - Os Incríveis, 2004 - e Ratatouille, 2007). Em seu primeiro trabalho live action, Bird dosou excelentes sequências de ação com momentos de humor e tensão. O interessante é que, se os recentes filmes de James Bond se inspiraram nos de Jason Bourne, este Missão Impossível nos lembra os do agente britânico, com seu svilões com planos de uma nova ordem mundial e locações exóticas.

Tom Cruise faz, sempre que possível, suas cenas de ação, para desespero das agências de seguro, e Bird soube como ninguém tirar proveito disso. Cruise realmente se pendurou na torre Burj Dubai de mais 800 metros de altura e o resultado é de tirar o fôlego, e olha que esta nem é a melhor sequência de ação do filme...

Impressionante cena de ação na torre Burj Dubai
O roteiro só perde força quando tenta desenvolver uma subtrama que faz a ligação com MI 3. Simplesmente não convence, quebra o ritmo e ao final não acrescenta muita coisa. O filme conta com o retorno de Simon Pegg, mais controlado, no papel do agente Benji (um bom sinal para o futuro Star Trek), Jeremy Renner (Guerra ao Terror, 2008 e Os Vingadores, a ser lançado este ano), Paula Patton (Déjà Vu, 2006) e Ving Rhames (MI, M:I-2 e M:I:III).

Para os exploradores que estiverem em Curitiba, São Paulo ou Rio de Janeiro, MI 4 foi rodado para exibição em cinemas IMAX, portanto aproveitem! Uma curiosidade: no filme, Ethan Hunt e seus companheiros utilizam tablets e smartphones reais. Finalmente a tecnologia alcançou a ficção.

Revelação: a fonte de inspiração de Tom Cruise
MI 4 está tendo uma boa bilheteria nos EUA e ao redor do mundo conseguindo arrecadar até o momento mais de 387 milhões de dólares. A Paramount, que não é boba, já planeja uma continuação. Parece que, após um longo tempo, Tom Cruise fez as pazes com as bilheterias e o sucesso.

Até a próxima!

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol): 2011, EUA
Direção: Brad Bird
Roteiro: Josh Appelbaum, André Nemec e Bruce Geller
Elenco: Tom Cruise, Jeremy Renner e Simon Pegg



Nossa Avaliação:
Delta-Shield Ouro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Notícia de 5 de janeiro de 2012


EXTRA! EXTRA! PLANTÃO FANTASTIC ZONE COM NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!!!




por Fabok

Star Trek confirmadíssimo: O site trekmovie acaba de revelar que o ator que interpretará o vilão do novo Star Trek será o excelente Benedict Cumberbatch da série Sherlock. Ainda não foi anunciado qual personagem Cumberbatch irá interpretar. Por algum motivo meus instintos estão suspeitando que não será Khan. Vamos aguardar!

Fonte: trekmovie.com





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

L5 - webserie


ATUALIZAÇÃO


por Fargon Jinn

Espaçonave Argo
Alguns meses atrás falamos aqui sobre uma webserie que está sendo produzida, chamada L5. E que trata do retorno de astronautas vindos de uma missão de exploração a outro sistema estelar. O atraso de setenta e cinco anos na viagem de volta gera surpresas intrigantes ao descobrirem que nosso planeta e uma cidade espacial construída no ponto L5 estão abandonados. A série, acredito, deve se desenvolver com a busca da solução deste mistério: o paradeiro de nossa civilização, e suas motivações.

Colônia Espacial
Periodicamente tenho acompanhado o desenvolvimento das diversas etapas de produção que, curiosamente, tem um custo muito baixo, menos de US$20.000, mas apresenta um trabalho acurado, com qualidade e capricho. Obviamente, não se atinge padrões de produções como um Avatar ou um O Senhor dos Anéis, mas o resultado é excelente, a julgar pelos vídeos, fotos e desenhos de produção periodicamente apresentados.

Doca Espacial da Colônia
Eles fazem campanhas de arrecadação financeira através de sites especializados na net. A última buscou custear as despesas de locação de estúdios e equipamentos de som para a edição do tema musical, IndieGoGo! Go Go!, por Simon Ashdown, que não cobrou pelo trabalho. Este, também, apresentou um resultado final bem acima das expectativas, na minha ridícula opinião, se me permitem.


Agora, nas etapas quase finais, eles lançaram um vídeo com os últimos andamentos da produção e o primeiro teaser trailler. É um teaser, e portanto não mostra tantos detalhes como se gostaria, mas cumpriu muito bem seu papel.

Eles ainda estão preparando um trailler, como última etapa para a estreia da webserie. Acredito que até o mês de março ou abril eles devem estar anunciando a data de lançamento do piloto. 


‘Torço’ muito para que a qualidade seja realmente a que vem aparentando, e que eles obtenham muito, muito sucesso nesta empreitada. Gosto de ficções científicas hard, e esta, me parece, vai ser uma bem no estilo. Funcionando, deverão vir muitas outras.

O mais importante é que isso abre portas interessantes. Para todos os que gostariam de produzir trabalhos áudios-visuais. Se pensarmos que podemos angariar fundos e pessoal qualificado através da internet, e produzir trabalhos de qualidade, o céu é o limite.

E para os que gostam de escrever pensando em atingir o cinema, já viu que escada cheia de possibilidades?

Como diz o Fantástico: estamos de olho!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

John Carter of Mars

por Fargon Jinn

A Disney está preparando mais uma novidade. Desta vez foi buscar longe, em Marte, a um século atrás. Mas não tenho grande fé, a produtora é conhecida por não fazer bons filmes.

Sucesso da Disney ou de Johnny Depp?
Desde que me entendo por gente os filmes Disney foram, com poucas exceções, uma sucessão de catástrofes. 20.000 Léguas Submarinas, Mary Poppins, Tron, Se Meu Fusca Falasse e Piratas do Caribe são as exceções que consigo me lembrar.

Catástrofe da Disney
Mas aí a lista fica bem grande, se falamos dos fracassos: Meu Amigo o Dragão, Se Minha Cama Falasse, A Montanha Mágica (original e remake), O Buraco Negro, Tron: O Legado, 101 e 102 Dálmatas, para falar dos mais famosos e mais caros. Existem muitos outros, que foram feitos para cinema, TV, ou vídeo. Simplesmente a Disney se mantém por uma legião de fãs que eles espertamente coopitaram ainda na infância e que estarão sempre torcendo pelo sucesso da empresa. Eu sei bem…, sou um deles. Tenho coleção de seus DVD’s e produtos, já estive num dos parques temáticos, e se pudesse encheria a minha casa de tranqueiras Disney, e viajaria para Orlando todos os anos. Fazer o que, né? Sou uma vítima.

A mais nova superprodução deste gigante da indústria cinematográfica é John Carter of Mars, uma obra de Edgar Rice Burroughs, o mesmo de Tarzan, e que, recentemente, foi rebatizado para o lançamento, como John Carter, apenas. Porque? Não me perguntem! Não imagino como alguém poderia desperdiçar um nome tão perfeito, por um que diz nada sobre o filme.

Poster original
Burroughs criou o personagem em 1911, que aparece num livro chamado A Princess of Mars. Em 1912, John Carter reaparece numa série de contos que foram publicados sob o título de Under the Moons of Mars. Foi somente após o sucesso dos livros de Tarzan que o escritor teve confiança em lançar os contos de Carter, no formato de romance.

John Carter é um imortal. Não possui memória da infância e nem sabe desde quando está vivo, mantendo uma aparência de eternos trinta anos. Foi vivendo no estado norte-americano da Virgínia que, durante uma disputa com indígenas, ele deixa seu corpo, inerte, no interior de uma mina, e acaba transportado astralmente para Marte. Lá ele adquire um outro corpo idêntico ao deixado na Terra. Por estar acostumado a uma gravidade maior é mais forte do que os nativos do planeta.

Marte, chamado de Barsoom pelos seus habitantes, reúne seres de variadas espécies, entre eles existem espécies humanóides. Carter descobre ali a sua verdadeira vocação na vida: um guerreiro libertador dos humanóides oprimidos pelas bestas. E descobre, também, o verdadeiro amor, ao conquistar o coração da princesa Dejah Thoris de Helium.

Diretor e roteirista Andrew Stanton
Com um investimento estimado em um quarto de bilhão de dólares, a Disney tem grandes expectativas, trazendo um grande elenco, IMAX e RealD 3D. A direção é de Andrew Stanton (Procurando Nemo, 2003 e WALL-E, 2008), que está estreando em live action; o roteiro é de Andrew Stanton, Mark Andrews (Star Wars: Clone Wars, 2003) e Michael Chabon (Spider-Man 2, 2004), um dos mais premiados autores contemporâneo. No elenco contamos com Taylor Kitsch (X-Men Origins: Wolverine, 2009), Williem Dafoe (Spider-Man, 2002) e Lynn Collins (A Casa do Lago, 2006).

Os traillers já estão pela internet, e a estreia deverá ser em março de 2012. Eu não sei em relação a vocês, exploradores, mas eu, como vítima oficial da lavagem cerebral Disney, sou obrigado a assistir, no cinema, obviamente, de preferência em sala 3D. Se tivesse IMAX no Ceará... ai ai...

Se não estou preocupado?


Claro que estou, afinal a Disney para mim é que nem a Apple para os fãs da Maçã, e que, por sinal, é outro rol do qual faço parte. Ai, ai, acho que eu não tenho jeito. Mas é assim que é! Nós, usuários de apples, defendemos os problemas da empresa, os bugs nos programas, as falhas de equipamentos, sempre com uma desculpa na ponta da língua. E para os filmes Disney não é diferente. John Carter pode vir a ser uma porcaria, mas nossa legião de fãs estará lá, na estreia ou logo depois, e compraremos os DVD’s ou Blurays, os bonequinhos, e chamaremos a tudo 'momentos antológicos do cinema', e de eventos revolucionários para a moderna cinematografia.

Vamos esperar e ver o resultado. Março é logo aí.